4 de junho de 2026

IPCA encerra novembro em alta de 1,01%

 
Jornal GGN – A inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) encerrou o mês de novembro em alta de 1,01%, resultado 0,19 ponto percentual acima da taxa de 0,82% registrada em outubro, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  É a mais alta taxa para um mês de novembro desde 2002, quando chegou a 3,02%. Em novembro de 2014, o IPCA teve alta de 0,51%.
 
Com o acumulado no ano em 9,62%, bem acima dos 5,58% de igual período de 2014, constitui-se no mais elevado acumulado com referência ao período de janeiro a novembro desde 2002, que ficou em 10,22%. Nos últimos 12 meses, o índice acumula alta de 10,48%, resultado superior aos 9,93% dos 12 meses imediatamente anteriores. Considerando o índice acumulado em períodos de 12 meses, desde novembro de 2003 (11,02%) não havia registro de taxa maior do que os 10,48% deste mês. 
 
Pelo segundo mês consecutivo, os combustíveis, detendo parcela significativa das despesas das famílias (5,14% de peso no IPCA), lideraram o ranking dos principais impactos. Mais caros em 4,16%, o impacto foi de 0,21 ponto percentual (p.p). Em relação ao acumulado no ano, os preços subiram 18,61%, indo dos 10,40% registrados em Campo Grande até os 24,35% de Recife.
 
No caso do etanol, os preços subiram 9,31%, exercendo 0,08 p.p. de impacto no mês. Quanto ao óleo diesel, os preços aumentaram 1,76% e, junto com a taxa de outubro, acumularam 5,08%, refletindo, nas bombas, o reajuste de 4,00% nas refinarias, também desde 30 de setembro. Em relação ao ano, a alta está em 12,75%.
 
No grupo transportes (1,08%), além dos combustíveis, as tarifas dos ônibus urbanos se destacaram, passando a custar 1,11% a mais. Isto por conta dos aumentos incorporados nas regiões de Fortaleza, cuja alta de 10,00% refletiu a maior parte do reajuste de 14,58% em vigor a partir do dia 07 de novembro; em Belo Horizonte, onde as tarifas subiram 8,63% em vista do retorno do reajuste de 9,68%, que havia sido suspenso através de liminar e que voltou a vigorar a partir de 25 de outubro; e em Campo Grande, onde o aumento de 2,33% se refere à parte do reajuste de 8,33%, em vigor a partir de 19 de novembro.
 
No entanto, foi alimentação e bebidas que ganhou a liderança de grupo, revelando-se tanto o mais elevado resultado no mês, quanto o maior impacto.
 
O item combustível (4,16%), exercendo 0,21 p.p. de impacto, somado a alimentação e bebidas (1,83%), com 0,46 p.p., resultam em 0,67 p.p. de impacto. Ambos foram responsáveis por 66% do IPCA do mês.
 
Nos alimentos, sobressaem os produtos adquiridos para consumo em casa, cuja alta chegou a 2,46%. Foi em Goiânia onde os preços mais subiram, atingindo 4,37% no mês. Consumidos fora de casa, a alta da alimentação foi de 0,70%, com destaque para Porto Alegre (1,98%), Salvador (1,64%) e Fortaleza (1,30%). Considerando o ano de 2015, o grupo alimentação e bebidas apresenta variação de 10,37%, sendo 10,75% o aumento dos produtos consumidos em casa e 9,67% o aumento da alimentação fora de casa.
 
Foram vários os produtos que, de outubro para novembro, apresentaram fortes aumentos, destacando-se a batata-inglesa (27,46%), o tomate (24,65%), o açúcar cristal (15,11%) e o refinado (13,15%). Foram poucos os produtos que ficaram mais baratos de um mês para o outro, sobressaindo as carnes industrializadas (-0,79%) e o leite (-0,76%).
 
A energia elétrica (0,98%) continuou a se destacar, tendo em vista a variação de 7,47% do Rio de Janeiro, onde ocorreu reajuste de 16% a partir de 07 de novembro nas tarifas de uma das concessionárias; 2,39% em Porto Alegre, com o reajuste de 5,82% a partir de 25 de outubro, também em uma das concessionárias; 0,17% em São Paulo, onde o reajuste de 15,50% em vigor a partir de 23 de outubro nas tarifas de uma das concessionárias se combinou à redução de impostos. 
 
Com aumento nas contas de energia, o grupo habitação ficou com 0,76% de variação, aliando-se, ainda, os seguintes itens: artigos de limpeza (1,50%), condomínio (1,35%), botijão de gás (0,81%), mão de obra para pequenos reparos (0,55%), aluguel residencial (0,43%) e taxa de água e esgoto (0,40%). Sobre a taxa de água e esgoto, o resultado de 0,40% é atribuído à região metropolitana de São Paulo, onde as contas se elevaram em 1,94%, na média, mostrando menor intensidade do efeito do Programa de Incentivo à Redução de Consumo de Água.
 
Considerando os demais grupos de produtos e serviços pesquisados, os destaques ficaram com os seguintes itens: telefonia celular (2,13%) e fixa (1%), artigos de higiene pessoal (1,22%), roupas infantis (1,19%) e femininas (1,17%), plano de saúde (1,06%), cabeleireiro (0,70%) e empregado doméstico (0,45%).
 
Na telefonia fixa, a variação de 1% no valor das contas reflete aumentos entre 5,50% e 7,20% ocorridos sobre as tarifas de fixo para móvel em 02 de outubro, além do aumento de 6,27% nas tarifas de longa distância nacional. Quanto à telefonia celular, a variação de 2,13% se deve a reajuste praticado por uma das operadoras.
 
Dentre os índices regionais, o mais elevado ficou com Goiânia (1,44%), onde os alimentos consumidos em casa tiveram alta de 4,37%. O menor índice foi registrado em Brasília (0,66%) devido, principalmente, à queda de 0,55% nos alimentos consumidos fora de casa.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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