
Jornal GGN – A decisão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de dar início ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff foi um dos pontos de referência nos negócios do mercado de capitais, que fechou o dia com ganhos expressivos por conta do desempenho das ações da Petrobras e do setor financeiro. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) terminou as operações em alta de 3,29% (seu maior ganho diário desde o dia 03 de novembro), aos 46.393 pontos e com um volume negociado de R$ 7,861 bilhões.
O mercado financeiro vê o impeachment como uma possível solução para a crise política, que gera repercussões na economia. Em entrevista à Agência Brasil, o professor do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP) Fabio Kanczuk, se o processo for aprovado e o vice-presidente Michel Temer assumir a Presidência, terá melhores condições políticas para governar e promover reformas macroeconômicas.
Já o economista Luciano D’Agostini, pós-doutorando em macroeconomia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, classifica de “imprudente” um possível processo dessa natureza e diz que as consequências vão “respingar no cidadão”. Para o economista, devido às incertezas quanto ao futuro, a volatilidade da cotação do dólar deve aumentar, assim como o risco país (que mede o grau do risco que um país representa para o investidor estrangeiro).
O Banco do Brasil e a BB Seguridade, empresa de seguros do banco, registraram os maiores ganhos do índice. As ações do Banco do Brasil (BBAS3) dispararam 8,40%, a R$ 17,80, e os papéis da BB Seguridade (BBSE3) saltaram 8,43%, a R$ 28,30. Outros bancos também apresentaram ganhos consideráveis: o Itaú Unibanco (ITUB4) teve valorização de 6,35%, a R$ 28,82, e o Bradesco (BBDC4) subiu 4,39%, a R$ 21,89.
As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) subiram 3,48%, a R$ 9,80, e as preferenciais da Petrobras (PETR4) avançaram 6,12%, a R$ 7,98. Por outro lado, a mineradora Vale terminou o dia em baixa: os papéis ordinários da empresa (VALE3) caíram 0,54%, a R$ 12,87, e as preferenciais (VALE5) perderam 1,15%, a R$ 10,27.
No exterior, o Banco Central Europeu (BCE) estendeu seu programa de estímulos à economia até março de 2017, e também cortou sua taxa de depósito para -0,3%, em uma nova tentativa de estimular os empréstimos e a inflação na zona do euro. Nos Estados Unidos, a presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Janet Yellen, abriu a audiência no comitê do Congresso sobre a economia dos Estados Unidos com uma avaliação otimista sobre o país, dando indícios de que a alta de juros pode acontecer ainda neste mês.
No câmbio, a cotação do dólar comercial fechou em queda de 2,26%, a R$ 3,749 na venda, emendando sua terceira queda consecutiva e a menor cotação desde o último dia 24 (R$ 3,704).
A decisão de Cunha também afetou as operações com o câmbio, e a moeda operou em queda durante toda a sessão. Na mínima do dia, por volta das 15h30, o dólar chegou a ser vendido a R$ 3,738. A divisa acumula queda de 3,54% em dezembro, mas subiu 41% no ano.
A atuação do Banco Central e do Tesouro Nacional no mercado também contribuíram para as operações. O Tesouro vendeu as ofertas totais de até 7 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e de até 2 milhões de Letras Financeiras do Tesouro (LFT). As ofertas de LTN para abril de 2016 e julho de 2017 vieram com as taxas abaixo do esperado pelo consenso do mercado. O papel para outubro de 2017 veio com a taxa máxima dentro do esperado, entre 15,885% e 15,865%, segundo o operador de renda fixa de uma corretora nacional.
O Banco Central fez realizou um leilão de venda de até US$ 500 milhões com compromisso de recompra, além de seguir com a rolagem dos swaps cambiais (equivalentes à venda futura de dólares) com vencimento programado para janeiro.
Para sexta-feira, os mercados aguardam a divulgação dos dados de produção e venda de veículos pela Anfavea e o índice de atividade do comércio da Serasa Experian. No exterior, destaque para encomendas à indústria na Alemanha e o índice PMI (índice dos gerentes de compras) do setor de varejo na Alemanha e na zona do euro; além da balança comercial e os números de mercado de trabalho (payroll) nos Estados Unidos.
(Com Reuters e Agência Brasil)
junior50
3 de dezembro de 2015 10:53 pmEspeculativo
Esta queda do dolar, e over de cotações Bovespa, representaram apenas uma desprecificação especulativa momentanea, não se tratando de uma tendencia, muitos operadores venderam dolar, para adquirir titulos do governo SELIC, porque tendem a acreditar que devido a este problema politico, o BACEN terá que “pagar” mais para rolar ( que niguem se espante em SELIC > 15,0 %, já em fevereiro ) suas dividas. O futuro já chegou a 14,75% e pressionado.
Quem estiver em bolsa, na a vista – no papel – ou em derivativos, cambiais, indices, bolsa, qualquer futuro, e não tiver “coração forte ” e disposição para cobrir margens, realize a posição, e vá para a SELIC ( o BACEN está ofertando papéis de ótima segurança e rentabilidade projetada ), pois em situações de possivel impedimento de Dona Dilma, defenestração de Dudu Cunha ( que não será ele apenas o atingido ), que podem se arrastar por meses, bolsa & cambio vão oscilar mais que as marés do Maranhão.