4 de junho de 2026

Ao menos 16 barragens são inseguras, diz órgão de fiscalização

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Jornal GGN – De acordo com relatórios do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), o Brasil tem, pelo menos, 16 barragens de mineração que são inseguras. Os dados foram atualizados pela última vez em abril de 2014, e as barragens inseguras estão nos Estados de Minas Gerais, Amazonas, e Pará.

Apesar do levantamento ser considerado um avanço, especialistas também consideram que é preciso melhorar a avaliação. “Por utilizar critérios muito simples a análise acaba subestimando ou superestimando o risco”, diz o engenheiro ambiental Marcelo Valeriusus, da secretaria estadual de Meio Ambiente de Goiás. Já o engenheiro Jehovah Nogueira Júnior diz que é importante projetar e monitorar as barragens de rejeitos barragens de rejeito “como se fossem barragens de usinas hidrelétricas”.

Da Folha

 
EDUARDO GERAQUE
 
O Brasil tem ao menos 16 barragens de mineração que são inseguras, segundo dados oficiais de relatórios do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral). O levantamento atualizado pela última vez em abril de 2014 mostra que essas barragens estão em municípios dos Estados de Minas Gerais, Amazonas e Pará.
 
A tabulação feita pelo órgão federal usa dados divulgados pelos próprios donos das barragens. É um conjunto de informações que acabam resultando em um conceito de segurança. A letra A significa que o estado da barragem é crítico para os quesitos de segurança considerados mais importantes, como a estrutura das construções.

 
O potencial de dado ambiental e social da barragem também é considerado na avaliação técnica. Apesar de considerar que houve um ganho nessa avaliação, que começou a partir de um plano nacional criado em 2010, especialistas ouvidos pela Folha dizem que muitos avanços precisam ser feitos, ainda mais depois da tragédia ambiental com as duas barragens de Mariana (MG).
 
“Por utilizar critérios muito simples a análise acaba subestimando ou superestimando o risco”, afirma Marcelo Valerius, engenheiro ambiental especialista em segurança de barragens de rejeitos, e analista ambiental da secretaria estadual de Meio Ambiente de Goiás.
 
Nome da barragem Empreendedor Principal substância Estado Município
Volta Grande 1 AMG MINERAÇÃO S.A TANTALITA MG NAZARENO
Volta Grande 2 AMG MINERAÇÃO S.A TANTALITA MG NAZARENO
Bocaina GERDAU AÇOMINAS S.A. FERRO MG OURO PRETO
Bacia B2 Imerys Rio Capim Caulim S/A CAULIM PA BARCARENA
Bacia B3 Imerys Rio Capim Caulim S/A CAULIM PA BARCARENA
Bacia Corpo B Imerys Rio Capim Caulim S/A PA IPIXUNA DO PARÁ
0-2 Mineração Taboca S.A. ESTANHO AM PRESIDENTE FIGUEIREDO
189 Mineração Taboca S.A. ESTANHO AM PRESIDENTE FIGUEIREDO
22 Mineração Taboca S.A. ESTANHO AM PRESIDENTE FIGUEIREDO
30-1 Mineração Taboca S.A. ESTANHO AM PRESIDENTE FIGUEIREDO
42 Mineração Taboca S.A. ESTANHO AM PRESIDENTE FIGUEIREDO
68-1 Mineração Taboca S.A. ESTANHO AM PRESIDENTE FIGUEIREDO
69 Mineração Taboca S.A. AM PRESIDENTE FIGUEIREDO
75-1 Mineração Taboca S.A. ESTANHO AM PRESIDENTE FIGUEIREDO
81-1 Mineração Taboca S.A. AM PRESIDENTE FIGUEIREDO
Pau D’Arco Mineração Taboca S.A. ESTANHO AM PRESIDENTE FIGUEIREDO
 
Barragens de mineração inseguras – Segundo DNPM, 16 podem estar em risco
 
O diretor-geral do DNPM, Celso Luiz Garcia, pediu demissão do cargo, que ocupava desde 8 de junho deste ano. O Ministério de Minas e Energia informou que a carta de demissão foi entregue nesta terça-feira (17) junto com um laudo médico, mas não soube informar o que constava no laudo.
 
Apesar de haver falhas na classificação oficial, o especialista defende a tese de que existe um problema ainda mais grave, que ficou evidente no rompimento das barragens da Samarco.
 
“O risco pode ser até bem avaliado. Mas o mais importante é o poder público cobrar as medidas cabíveis para que o risco seja minimizado”. No caso da tragédia, por causa da proximidade da barragem em áreas habitadas, deveriam existir, segundo Valerius, vários tipos de alerta a serem dados diretamente para a população. “Como avisos sonoros e visuais e até alertas em rede de televisão e estações de rádio, como é feito em alguns países”, diz o estudioso.
 
Nos Estados Unidos, estados onde existem tornados usam até mensagens de celular para avisar a população potencialmente atingida. O fato de o Brasil registrar vários incidentes com barragens de mineração na última década também chama a atenção do engenheiro e consultor Jehovah Nogueira Júnior, que já trabalhou em mais de 40 barragens. “É importante que as barragens de rejeito sejam projetadas e monitoradas como se fossem barragens de usinas hidrelétricas”, diz.

 

Redação

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4 Comentários
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  1. Gabriel Moreno

    18 de novembro de 2015 5:35 pm

    Nassif, desculpa abrir um

    Nassif, desculpa abrir um parênteses aqui, mas acho que seria bacana o blog esclarecer uma seguinte questão que tem rolado nas redes sociais: um boato de que a Dilma teria decretado que o desastre de Mariana era “natural” e que, portanto, estaria eximindo a culpa da Samarco e agindo no sentido de, portanto, encobri-la.

    Queria dizer que este boato é completamente falso. O que aconteceu foi o seguinte: foi editado decreto apenas para fins de liberação do FGTS, que coloca como hipótese de saque o acontecimento de desastres naturais.

    A matéria abaixo esclarece bem o assunto e pediria a gentileza de, se possível divulgar. 

    http://dafani.jusbrasil.com.br/artigos/257142416/decreto-federal-exclui-responsabilidade-das-mineradores-em-rompimento-de-barragem

  2. LuccasJr

    18 de novembro de 2015 6:46 pm

    Onde está o governo ?

    Óbvio que os principais caulpados pelas barragens inseguras são as empresas.

    Mas o governo tem sua parte de dolo nisso depois , afinal por que não fiscalizou essas barragens antes, só resolveu se mexer depois da tragédia acontecer?

    Será que é por que as mineradoras são doadoras de campanha ?

    Cadê a ex ministra das Minas e Energia, a super gerente ? Além de passar de helicóptero, bem longe do povo e sem risco de sujar os sapatos de salto o que ela fez ANTES, como ministra e depois como presidente, para evitar isso?

  3. rdmaestri

    18 de novembro de 2015 6:49 pm

    O surpreendente foi a declaração do Engenheiro.

    Aí está a origem de tudo, uma barragem para rejeitos é normalmente projetada e monitorada por engenheiros de minas, estes não tem formação específica para este tipo de obra, eles conhecem mais solos do que o engenheiro hídrico, porém o conhecimento de dimensionamento de demais órgãos e estruturas que compõe uma barragem convencional não é o seu forte (praticamente nos cursos de engenharia de minas, estruturas hidráulicas, hidrologia e canais é visto superficialmente.

     “Já o engenheiro Jehovah Nogueira Júnior diz que é importante projetar e monitorar as barragens de rejeitos barragens de rejeito “como se fossem barragens de usinas hidrelétricas”.”

    Numa barragem para rejeitos as condições de estabilidade são piores do que numa barragem convencional, pois a mistura solo+água dá um empuxo muitas vezes superior ao da água (no caso de solo ferroso, ainda pior).

    Agora, nisto tudo está as disputas por habilitações versus competências, algo que vem se arrastando no CONFEA há mais de dez anos.

  4. Sergio SS

    18 de novembro de 2015 9:32 pm

    O DNPM é um caso clássico de
    O DNPM é um caso clássico de órgão público arcaico e negligente, cujos servidores possuem pontos de vista mancomunado com o setor privado, assim como as agências reguladoras. Seus profissionais vieram e/ou voltam para a iniciativa privada. Em geral são contra regras ambientais e de defesa do consumidor, facilitando a vida das empresas, vislumbrando apenas os números mágicos de produção crescente.
    Enquanto não houver punibilidade criminal aos profissionais que assinam laudos periciais, pareceres, de monitoramento e relatórios de fiscalização, no setor público e privado, isto não vai mudar.

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