
Enviado por Adir Tavares
Do Observatório da Imprensa
Livro discute obra de Albert Einstein
Por Pollyanna Duarte de Lima – Observatório da Imprensa
O ano de 2015 é um ano sui generis para a física. Fazem exatamente 10 anos da morte de César Lattes, físico brasileiro, co-descobridor do méson pi, partícula fundamental para se entender-se a coesão do núcleo do átomo, professor da Unicamp e um dos maiores físicos da história. Também fazem exatos 60 anos que Albert Einstein, que dispensa apresentações, faleceu. O que têm a ver essas duas datas? É que os dois físicos eram inimigos. Não necessariamente inimigos pessoais, já que nunca se encontraram, mas intelectuais.
Lattes foi um dos principais defensores da ideia que a Teoria da Relatividade não era fruto do gênio de Einstein, mas uma cópia indevida, um plágio que Einstein fez com outras descobertas. No passado a imprensa brasileira e internacional, seja ao comentar a morte de Lattes, seja ao celebrar os cem anos da relatividade, não deu um pio sobre esta controvérsia, de conhecimento público desde os anos 50.
Um livro, recém-lançado pela editora Novo Século, tenta colocar mais luz sobre essa controvérsia. Intitulado Einstein – Verdades e Mentiras, do historiador Waldon Volpiceli Alves, o livro tem a pretensão de analisar os principais fatos polêmicos que cercam Einstein. O capítulo sobre o plágio de Einstein é o maior do livro e nele descobrimos que não era só Cesar Lattes quem defendia essa polêmica tese. Muitos outros físicos, de outros países, também creem que Einstein era, sim, um plagiador das descobertas de outros cientistas e, portanto, não o gênio consagrado pela imprensa nacional e internacional. Claro que o livro também tem relatos dos defensores de Einstein (entre eles Marcelo Gleiser) – físicos, jornalistas e historiadores que defendem a primazia de Einstein na mais importante descoberta cientifica do século 20 e da história da humanidade.

Cesar Lattes / Foto Canal Ciência – IBCT
Lattes já havia dado entrevistas bombásticas sobre esse assunto. Em reportagem publicada no dia 5 de agosto de 1996, no jornal Diário do Povo, de Campinas (SP), afirma com todas as letras: “Einstein é uma fraude, uma besta! Ele não sabia a diferença entre uma grandeza física e uma medida de grandeza, uma falha elementar.”
E vai mais longe: “Ele plagiou a Teoria da Relatividade do físico e matemático francês Henri Poincaré, em 1905. A Teoria da Relatividade não é invenção dele. Já existe há séculos. Vem da Renascença, de Leonardo Da Vinci, Galileu e Giordano Bruno. Ele não inventou a relatividade. Quem realizou os cálculos corretos para a relatividade foi Poincaré. A fama de Einstein é mais fruto do lobby dele na física do que de seus méritos como cientista. Ele plagiou a Teoria da Relatividade. Se você pegar o livro de história da física de Whittaker, você verá que a Teoria da Relatividade é atribuída a Henri Poincaré e Hawdrik Lawrence. Na primeira edição da Teoria da Relatividade de Einstein, que ele chamou de Teoria da Relatividade Restrita, ele confundiu medida com grandeza. Na segunda edição, a Teoria da Relatividade Geral, ele confundiu o número com a medida. Uma grande bobagem. Einstein sempre foi uma pessoa dúbia. Ele foi o pacifista que influenciou Roosevelt a fazer a bomba atômica. Além disso, ele não gostava de tomar banho…”
Ironias e agressões
O que mais uma vez comprova que, neste país, é mais fácil encontrar liberdade de expressão nos pequenos jornais que na grande imprensa. Mais um trecho do Diário do Povo:
DP – Então o senhor considera a Teoria da Relatividade errada? Aquela famosa equação ‘e=mc²’ está errada?
César Lattes – A equação está certa. É do Henri Poincaré. Já a teoria da relatividade do Einstein está errada. E há vários indícios que comprovam esse ponto de vista.
Mas, professor, periodicamente lemos que mais uma teoria de Einstein foi comprovada…
C.L. – É coisa da galera dele, do lobby dele, que alimenta essa lenda. Ele não era tudo isso. Tem muita gente ganhando a vida ensinando as teorias do Einstein.
Einstein se tornou um santo, uma espécie de Jesus na ciência. Para quem achar que um professor da Unicamp não tem autoridade para contestar o gênio alemão saiba que Lattes fez de tudo para poder entrar com 16 anos na faculdade de Física. Aos 20 anos estava formado e aos 24 anos foi o grande idealizador que descobriu o méson pi. Era famoso por ser dócil com os subalternos e rude com os diretores da Unicamp. Foi o brasileiro que chegou mais perto de ganhar o prêmio Nobel em Física, talvez um dos casos mais escandalosos de injustiça da Academia Sueca de todos os tempos. Lattes descobriu o méson pi em emulsões nucleares (raios cósmicos), mas o prêmio ficou com Powell, que descobriu novamente o méson pi no cíclotron de Gardner e morreu logo depois. Mais do que tudo, Lattes escolheu o caminho das pedras. Poderia ter feito carreira brilhante nos Estados Unidos. Mas, não… Voltou para o Brasil e deixou para nós um legado precioso: o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (SP), o Instituto de Física da Unicamp, e ainda mais: o respeito da comunidade internacional. É interessante ver as reações das pessoas quando se ataca um mito. Mesclam-se ironias e agressões. Em vários fóruns de internet defensores de Einstein dizem que Lattes era um velho caduco, invejoso etc., mas ninguém contestou tecnicamente suas afirmações. Foram várias afirmações mostrando erros elementares de Einstein. Ou não?
Para quem gosta de querelas científicas, boa leitura.
Einstein – Verdades e Mentiras, de Waldon Volpiceli Alves, ed. Novo Século, 144 pp.
Márcio de Carvalho
19 de outubro de 2015 12:38 pmA inveja é o maior dos males
A inveja é o maior dos males humanos…
Anarquista Lúcida
19 de outubro de 2015 5:23 pmForma de jogar o assunto p/ escanteio sem argumentos…
Conteste os argumentos dele, nao o detrate. Isso é um sintoma de que vc nao saberia contestar…
Detalhe: nao sei se ele está certo, nao entendo de Física. Apenas acho desprezível alguém evitar uma discussao séria com uma “atribuiçao de característica”.
Ivan de Union
19 de outubro de 2015 5:50 pmEu contesto, Analu. No link
Eu contesto, Analu. No link que eu postei acima (e a entrevista ta pra todo lado tambem, eh famosa) ele diz uma frase que nao tem explicacao ate hoje e que ninguem sabe o que significa no contexto dele. So que ele diz coisa parecida com “como ja se sabe hoje, luz eh mais onda do que particula.
Ora, nem onda nem particula combina em nada com o que eu sei da luz, tem que ser ambos simultaneamente. Se ele quizer me agradar (:) ele pode dizer que a luz eh um “processo” com comeco, meio, e fim, ai sim xtamox conversadox. Meus cacalculos -e ja os fiz, todos estao cacalculados- tambem permite aa luz “andar mais rapido que a luz”, claro. (Mas isso eh outra historia, e nem esta desenvolvida)
Tem uma chance boa dele estar errado.
Fica em observacao: estamos todos esperando a explicacao da maldita sentenca de Lattes ha quase 2 decadas!
Ivan de Union
19 de outubro de 2015 9:03 pmPensando bem, Analu, em 10 ou
Pensando bem, Analu, em 10 ou 20 anos que seja a idade dessa entrevista, ninguem foi capaz de explicar o que a sentenca significa nem voltou ao assunto. Nem mesmo no Brasil!
Isso faz mais provavel ainda que Lattes estava errado.
Anarquista Lúcida
20 de outubro de 2015 1:45 amIvan, vc tá dando argumentos
O problema é alguém simplesmente chamar o cara de invejoso, sem dar um fiapo de argumento sequer. Isso nao é discussao, é baixaria. Foi contra isso que protestei. Nao estou defendendo o Lattes, porque nao me meto a discutir o que nao sei.
Ivan de Union
19 de outubro de 2015 12:57 pmEssa sentenca especifica
Essa sentenca especifica apareceu aqui no blog algumas semanas atraz:
“Na primeira edição da Teoria da Relatividade de Einstein, que ele chamou de Teoria da Relatividade Restrita, ele confundiu medida com grandeza. Na segunda edição, a Teoria da Relatividade Geral, ele confundiu o número com a medida”
Alguem sabe o que ela significa?
JuFernando
19 de outubro de 2015 2:36 pmPor exemplo, confundiu metro
Por exemplo, confundiu metro com comprimento
e 1 com metro..
Eduardo CPQs
19 de outubro de 2015 5:53 pmConsulte
Olá, caro Ivan,
você encontrará estes conceitos em um livro qualquer de Física do colegial, segundo grau. Ou, se tiver acesso, junto a um estudante deste nível escolar.
Com um abraço.
Vá lá, uma ilustração bem simples:
grandezas: distância; massa, velocidade…
medida: comparação desta grandeza com uma outra, da mesma espécie, adotada como padrão. No caso de distância, a unidade poderia ser o metro. No caso de massa, a unidade poderia ser o quilograma. Para a velocidade tem-se quilômetro por hora, entre outras.
Assim, a (grandeza) distância entre Union e Trenton deve ser da ordem de 80.000 metros (medida). O número é 80.000.
Ivan de Union
19 de outubro de 2015 6:24 pmObrigado, Eduardo, mas eu
Obrigado, Eduardo, mas eu tenho familiaridade com conceitos basicos: em contexto ninguem sabe do que Lattes estava falando ate hoje!
Marcelo T. Duarte
19 de outubro de 2015 1:09 pmGênio Lattes
O grande físico César Lattes está coberto de razão, sempre foi considerado um gênio da Física, recebeu poucas homenagens no Brasil, tivesse nascido ou feito carreira nos EUA certamente teria ganho o Prêmio Nobel da Física.
Única ressalva é com relação a autora do artigo, nunca se flexiona o verbo fazer quando se trata de tempo.
JB Costa
19 de outubro de 2015 2:16 pmAmigo,
Então fundamente esse
Amigo,
Então fundamente esse teu “coberto de razão”. Ele ser um “gênio”, injustiçado no próprio país, ter potencial para ser laureado com o Nobel de Física, nada disso transforma automaticamente em verdade o que afirma contra seu colega alemão.
Anarquista Lúcida
19 de outubro de 2015 5:24 pmCacilda! Corrigir “erro” de Português numa discussao de idéias..
É prova de mediocridade!
sergio ribeiro
19 de outubro de 2015 1:09 pmNão sou perito da área para comentar
Porém já li físicos de alto gabarito que contestaram essas afirmações dizendo que Einstein não plagiou nada; apenas fez como qualquer cientista faz, nas palavras do próprio, “subiu nos ombros de gigantes”, ou seja, pegou teorias já conhecidas e avançou em cima delas. Seu trabalho foi reconhecido como brilhante nas maiores universidades do mundo.
De qualquer forma, pretendo ler para saber mais sobre o assunto: a(s) teoria(s) como um todos são muito instigantes.
jasantos
19 de outubro de 2015 1:36 pmEnquanto uns constroem uma obra, outros fazem o contrário
Não vou me meter a falar de fisica, materia que fui pessimo aluno, infelizmente.
Mas me chamou a atenção a citação abaixo:
“Lattes escolheu o caminho das pedras. Poderia ter feito carreira brilhante nos Estados Unidos. Mas, não… Voltou para o Brasil e deixou para nós um legado precioso: o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (SP), o Instituto de Física da Unicamp”.
Hoje, no congresso e no desgoverno paulista tem muita gente fazendo o caminho inverso. Destruindo o que foi conquistado e erguido.
Marcelo Camanho
19 de outubro de 2015 1:38 pmÉ verdade que a maioria do
É verdade que a maioria do formalismo matemático que sustenta a teoria da Relatividade já existia quando Einstein a formulou, e que Poincaré foi um dos grandes matemáticos que ajudaram a construir tal formalismo.
Mas isso não tira absolutamente nada do mérito de Einstein (que nunca deixou de reconhecer a importância dos demais contribuidores). A genialidade dele foi explicar, em uma única teoria coerente, a razão física (o “porquê”) dos cálculos apresentarem os resultados que apresentavam.
Já se sabia, por exemplo, que a única maneira de explicar a constância da velocidade da luz era supor uma deformação do espaço-tempo a grandes velocidades. Também já haviam sido formuladas equações que calculavam esta deformação, mas nada havia sido comprovado e – pior ainda – não havia uma teoria para explicar porque isso ocorria.
A “sacada” de Eintein foi criar uma teoria que, além de se adaptar perfeitamente aos cálculos, explicava o motivo da deformação e permitia fazer previsões. A primeira prova da teoria da Relatividade só foi obtida em 1919, quatro anos depois de Einstein propô-la, justamente porque foi ele o primeiro a encontrar uma explicação capaz de ser testada.
Grammar Nazi
19 de outubro de 2015 1:45 pm“Fazem exatamente 10
“Fazem exatamente 10 anos”
Fazem? Quem ‘fazem’?
Anarquista Lúcida
19 de outubro de 2015 5:30 pmQue cretinice!
É o cúmulo fazer um comentário desses numa discussao de idéias. Ainda por cima mostra ignorância de quem faz. Essas gramatiquices já nao encontram base na língua realmente usada há mais de século. Estude um pouco de Sociolinguística para saber mais sobre aquilo de que fala.
É sobretudo pouco democrático isso. Ninguém é obrigado a saber regrinhas de gramática normativa para se expressar num blog.
Além do mais, o comentário nao tem lógica. Nao existe “Quem fazem?” Mas por acaso existe “quem faz”? Ora, ora.
Maria Luisa
20 de outubro de 2015 9:29 amDa licença,
Mas um erro desses, por duas vezes, em artigo publicado no Observatorio da Imprensa…
Anarquista Lúcida
20 de outubro de 2015 7:28 pmErro? Em nome de quê?
Porque alguns gramáticos, no fim do século XIX, fizeram uma codificaçao da língua baseada no uso literário — e antigo, desde o Modernismo o uso literário se afastou completamente disso, e o Modernismo já está quase completando 100 anos… — sobretudo de autores portugueses, somos todos obrigados a manter isso como conhecimento válido, quando nao corresponde mais nao só à fala como até à escrita de brasileiros (como aliás esse caso prova…)? Línguas sao dinâmicas, variam e mudam, e esse uso codificado nas gramáticas normativas nem ao menos foi uso real da língua no Brasil em momento nenhum. Se isso é “erro”, entao devíamos falar latim. Aliás, indo-europeu. Aliás… sei lá o que havia antes.
JB Costa
19 de outubro de 2015 2:05 pmO currículo intelectual e
O currículo intelectual e laboral, as idiossincrasias, ou qualquer outro atributo – positivo ou negativo – do físico César Lattes não validam, de pronto, suas eventuais acusações contra quem quer que seja, Acredito, que da mesma maneira que não devemos simplesmente descartar a priori as imprecações desse físico brasileiro contra seu colega Einstein, é de bom alvitre conhecer o “outro lado”, qual seja, aqueles ou aquelas que colocam num dos pedestais da Física essa personalidade ora atacada.
Não tenha formação em Física ou em qualquer outra Ciência. Entretanto sou um aficionado por leituras que tragam divulgação científica ou mesmo de físicos, biólogos etc. Já li muitos livros acerca do tema (Física) e, claro, muitos textos pela internet. Em nenhum deles há uma abordagem com relação a Einstein diferente da que se tornou comum: um gênio que provocou uma revolução não só na Física, mas na própria visão que até tínhamos dos fenômenos do Mundo.
Muito tempo se passará até que surja novo ou novos intelectos com uma capacidade tão imensa de imaginação; de pensar de forma tão contra-intuitiva.
Será que Bohr, Heisenberg, Feynman, Niels Bohr, Murray Gell-Mann e outros do mesmo naipe, contemporâneos ou não, iriam coonestar com tão graves depreciações?Claro que num universo de milhares de cientistas aqui e acolá surgirão alguns para destoar da maioria. O que pega mal nessas diabites do físico brasileiro é o nível rasteiro e quase surreal das suas críticas.
Ora, o mundo da Ciência, até mesmo pelo próprio rigor epistêmico que a reveste, jamais admitiria conviver tantos anos com uma contrafação da espécie. Jamais.
ORRAIO
19 de outubro de 2015 3:15 pmo mundo da Ciência, até mesmo pelo próprio rigor epistêmico…
“””o mundo da Ciência, até mesmo pelo próprio rigor epistêmico que a reveste, jamais admitiria conviver tantos anos com uma contrafação da espécie”””
Não conhece, de fato, o mundo da Ciência.
É o mesmo “Mundo Capitalista”, governado por intere$$e$ escusos, apenas revestido com um verniz de “sabedoria”…
Ivan de Union
19 de outubro de 2015 4:57 pm“É o mesmo “Mundo
“É o mesmo “Mundo Capitalista”, governado por intere$$e$ escusos, apenas revestido com um verniz de “sabedoria””:
Essa eh a razao que um MEDIUM mandor fazer a experimento com as cortinas abertas ou com as cortinas fechadas, e no outro dia voce leu no jornal que “cientistas descobriram que”. Nenhum dos “cientistas que descobriram que” tinha nome.
O nome certo era Ivan Moraes. ME DI UM.
JB Costa
19 de outubro de 2015 5:54 pmDesculpe, amigo, mas isso em
Desculpe, amigo, mas isso em nada esclarece a questão: apenas a vulgariza.
Ivan de Union
19 de outubro de 2015 3:49 pm“O currículo intelectual e
“O currículo intelectual e laboral, as idiossincrasias, ou qualquer outro atributo – positivo ou negativo – do físico César Lattes não validam, de pronto, suas eventuais acusações contra quem quer que seja, Acredito, que da mesma maneira que não devemos simplesmente descartar a priori as imprecações desse físico brasileiro contra seu colega Einstein, é de bom alvitre conhecer o “outro lado”, qual seja, aqueles ou aquelas que colocam num dos pedestais da Física essa personalidade ora atacada”:
O maximo de “explicacao” que ja vimos da critica de Lattes eh da sentenca que eu ressaltei abaixo, e que ja conheco de mais de 10 anos atraz. Somente essa sentenca, ninguem mais sabe o resto! So que ninguem a sabe explicar, entao… nao da! A sentenca fica correndo como se cientificamente tivesse pe ou cabeca mas ninguem sabe o que ela significa e nao vi explicacao nenhuma pra ela desde a primeira vez que a li!
A critica pessoal dele a Einstein nao me interessaria e vou ficar looooonge disso. “Inveja” eh o que nao eh, no entanto.
Ivan de Union
19 de outubro de 2015 4:05 pmPor sinal, ainda do OI, um
Por sinal, ainda do OI, um excelente item escrito por um procurador (!) em 2004. Ate entao, TODAS as perguntas que nos fazemos ate hoje ficavam em aberto ao final, sem resposta nenhuma:
http://observatoriodaimprensa.com.br/ciencia/seria-einstein-uma-fraude/
Ivan de Union
19 de outubro de 2015 5:00 pm(Pegou e “eter livre” do
(Pegou e “eter livre” do link? Eu achei engracado, ia falar antes e esqueci)
Rafael Beatles
19 de outubro de 2015 2:09 pmINVEJOSO
Mais um que quer aparecer em nome do maior físico do planeta. Não foram poucos os que tentaram desmontar o “mito” Einstein; todos fracassaram, seja por pesquisas posteriores que comprovavam várias das teses do físico, seja por não conseguirem desconstituir o básico de suas teorias.
Se de fato Einstein reconhecidamente trabalhou em cima de teorias já estabelecidas, é fato notório que avançou sobre os trabalhos já realizados e criou uma teoria própria. Mas fica a impressão de inveja e ressentimento por não ter ganho o Nobel por algo original e o rival famoso ter ganho por um suposto plágio.
Na verdade, o que se ensina na escola deveria ser um mantra: na física, nada se perde, tudo se transforma. Nenhuma teoria é absolutamente errada e nenhuma é absolutamente certa. Se a Teoria da Relatividade não foi criada por Einstein, foi por ele comprovada e amplamente reconhecida. Sua personalidade única e o tipo de explanação demonstram que ele deve ser considerado o pai da Teoria, não somente por prová-la, mas por promovê-la e divulgá-la.
“Com o passar do tempo, novas perguntas serão feitas e novas respostas deverão ser buscadas. No passado, Albert Einstein refutou afirmações de Isaac Newton. Hoje as teorias deste primeiro são questionadas.O que importa a todos nós é saber que mesmo a ciência mais exata sofre modificações, o que não quer dizer que antigas teorias perdem sua importância e, sobretudo, validade.” (créditos a http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=teoria-einstein-cair#.ViT4627EqA4)
racshade
19 de outubro de 2015 3:05 pmPoincaré, um matemático, teve
Poincaré, um matemático, teve o insight da relativadade sim, antes de Einstein… mas não formulou a teoria em termos físicos, talvez por não ser físico.
Já Einstein, por ser físico, formulou a teoria, após ler Poincaré.
E mais, Einstein era um péssimo matemático, então formulou a teoria MAS não sabia como explicá-la matematicamente… daí se valeu do trabalho de outras pessoas.
Em suma, foi o cara certo no momento certo. Mas não teve uma idéia brilhante nem ralou em cima dela…
Ganhou a fama e isto é o que passa para os livros de história!
Parma Cuberos
19 de outubro de 2015 3:06 pmAntiga Polêmica
Einstein fez inúmeras contribuições a Física, não apenas a relatividade. Movimento browniano, efeito fotoelétrico (O seu Nobel foi por esta contribuição), estatística de Bose-Einstein. Foi também um grande debatedor da Mecânica Quântica. É um gigante da Ciência, como foram Galileu, Newton, Maxwell, Darwin e vários outros. Suas contribuições são fantásticas. É claro que ele partiu dos cálculos de Poincaré, Lorentz e Minkowski para fazer a Relatividade Restrita. A menos comentada Relatividade Geral é muito mais original e Einstein mostrou no seu desenvolvimento toda a sua genialidade. Mas os grandes também se enganam: estava errado na questão do éter e deve ter morrido profundamente arrependido por ter sido signatário do projeto Manhatann.
Cesar Lattes fez parte da época de ouro da física no Brasil juntamente com Mario Schenberg, Leite Lopes, Jaime Tiomno e vários outros gigantes. A graduação em Física no Brasil nas universidades de ponta (USP, Unicamp, São Carlos, UFRJ, CBPF pós e outros) são comparáveis às melhores – exceção aos laboratórios – escolas do mundo. Graças a estes pioneiros. Não é exagero supor que se não houvesse o golpe em 1964 e a posterior cassação “compulsória” de vários destes caras no AI5 (Roberto Salmeron é outro nome importante), um Nobel poderia ter saído por aqui nos anos 70.
Mas todos somos humanos e Cesar Lattes infelizmente no fim da vida deu várias entrevistas desancando Einstein. Não precisava ter feito isto. Há um outro professor da Unicamp (Koch Assis) que também escreveu trabalhos criticando a relatividade e o eletromagnetismo. Mas não há respaldo na comunidade científica por não haver resultados experimentais reprodutíveis, que sejam independentem do laboratório.
É possível que um dia se chegue a conclusão que a velocidade da luz não é um invariante físico. Aí muitos conceitos mudarão. Ou não.
Abraços.
Márcio Carioca
19 de outubro de 2015 3:08 pmMatéria sensacionalista
Em primeiro lugar, a contribuição de Einstein foi muito além da relatividade. Inclusive, ele recebeu o Nobel não por essa teoria, mas pelo trabalho sobre o efeito fotoelétrico, publicado em 1905. Mesmo ano em que ele, entre outras façanhas, provou empiricamente a existência do átomo através da análise do movimento browniano.
Acho que a matéria nem merecia ser publicada aqui, demonstra acima de tudo um certo desequilíbrio emocional do entrevistado e uma intenção de criar polêmica onde não existe. Não é novidade nenhuma que a teoria não surgiu de uma hora para a outra e que Einstein foi influenciado por Poincaré e outros, mas é consenso que ele foi o primeiro a APRESENTAR E DEMONSTRAR UMA TEORIA CONSISTENTE E UNIFICADA sobre os fenômenos discutidos.
É a mesma coisa que dizer que Darwin plagiou Lamarck e outros evolucionistas. A idéia de evolução já existia, mas ele foi o primeiro a apresentá-la de forma consistente e fundamentada. Aliás, assim como a evolução, a relatividade não foi aceita de forma imediata. Ninguém saiu se cobrindo de glória porque “descobriu a pólvora”. A grande fama de Einstein só veio quando suas proposições foram confirmadas por observações empíricas, muitos anos depois.
Por último, chega a ser irônico o título da matéria: LIVRO DISCUTE OBRA DE ALBERT EINSTEIN. Ora, existem centenas, talvez milhares de livros que discutem a obra de Einstein, mas que falam basicamente de Física, e não de intrigas e mexericos.
André Oliveira
19 de outubro de 2015 4:23 pmPura intriga de bastidor. O
Pura intriga de bastidor. O mundo científico está cheio delas. Isso é coisa de revista Contigo.
Quando ao ineditismo da teoria da relatividade mais uma asneiro. Nada se perde no mérito de Einstein porque a idéia já circulava antes dele. Em ciência é assim mesmo. A grande idéia costuma já estar fermentando quando alguém chega consegue lhe dar maior consistência teórica e formal, e isso é um grande mérito.
O evolucionismo não foi criado por Darwin e isso não faz dele um plagiador nem diminiu a dimensão do seu feito A idéia já circulava no meio científico e Darwin a conhecia mas, contraditoriamente, não a aceitava. Foi a partir das evidências colhidas na sua viagem em torno do mundo no Beagle que ele se converteu ao evolucionismo e desenvolveu a teoria dando-lhe maior rigor formal e científico. Darwin foi um evolucionista tardio.
Kundalini
19 de outubro de 2015 4:33 pmPara avaliar o q há de
Para avaliar o q há de verdade nessas afirmações de Lattes, o sujeito precisa não só conhecer bem a física mas a história da física. Geralmente físicos conhecem quase nada sobre a história de sua ciência, assim como químicos costumam ser ignorantes em história da química.
Eduardo CPQs
19 de outubro de 2015 6:06 pmSintomático
Caro Luna, amigos,
não sei se o livro toca no ponto, mas interessante e sintomático é ter Einstein recebido, e merecido, estou certo, o Nobel de Física, não pela Teoria da Relatividade, mas por outra coisa, não me recordo agora, ligada à Física Quântica, feito muito mais restrito.
Abraços.
.
professora do Paraná
20 de outubro de 2015 2:07 amO efeito fotoelétrico.
O efeito fotoelétrico.
Zé Roberto
19 de outubro de 2015 6:47 pmA coisa se repete
Os americanos também dizem que quem inventou o avião foram os irmãos Wrigth, e não Santos Dumont. Filho bonito tem muitos pais, principalmente se agrega prestigio e muita grana. Isso também vale para afirmar positivamente uma raça, o que parece ser o caso.
Alberto Rosa
19 de outubro de 2015 6:54 pm“César Lattes – A equação
“César Lattes – A equação está certa. É do Henri Poincaré. Já a teoria da relatividade do Einstein está errada. E há vários indícios que comprovam esse ponto de vista.”
Indícios não provam nada. Provas é que provam. César Lattes mostrou provas – e não indícios – de ser uma besta ao cometer tal frase.
André W.
19 de outubro de 2015 10:47 pmGrandes gênios muitas vezes
Grandes gênios muitas vezes tem finais tristes. Conheço por alto a história de César Lattes de um documentário e, obviamente conheço mais um pouco a história de Albert Einsten, que se encontra em qualquer esquina , revista e nos History Channels, até na TV Senado, quando não se para para assistir ao rei do Bolo, eu nunca paro. Tem um filme interessante, “Einstein Edington”, sobre a cooperação dos dois cientistas de países inimigos em plena hostilidade. Não conhecia a polêmica até esta postagem. Uma correção, o CBPF, do qual fui frequentador da biblioteca por algum tempo, fica na Urca-RJ. O Lattes parece não ter absorvido bem a injustiça do Nobel. Como um cracaço do Bangu que nunca mudou de time, não foi devidamente reconhecido e cansou de ver seu time roubado e no fim mira na série de defeitos de Maradona, que são óbvios e evidentes, mas não desmereçem seus méritos. Agora o Pelé mesmo foi Da Vinci.
jc.pompeu
20 de outubro de 2015 2:40 amcomplexo de vira-lata de como lattes os analfabetos científicos!
os cães lattem, a caravana passa…
“Einstein moldou a compreensão da humanidade com respeito à luz, à gravidade, ao espaço, ao tempo, à matéria e à energia, fundou a cosmologia moderna, se pronunciou acerca da democracia, de Deus ou de sua ausência, advogou em prol da bomba atômica e depois contra ela, tocou violino, velejou, deu o dinheiro de seu Prêmio Nobel à primeira mulher, inventou uma geladeira.
[…]
O señor Beard teria de desculpar a ingenuidade e ignorância de um homem pouco instruído, porém será que a estranha realidade descrita pela mecânica quântica constituía um retrato fiel do mundo ou simplesmente um sistema que por acaso funcionava? Contaminado pelo estilo cortês de Maiorca, Beard o cumprimentou pela pergunta. Ele próprio não teria sido capaz de formulá-la melhor, pois aquela era a interrogação crucial que se fazia com respeito à Teoria Quântica. Era uma questão que ocupara muitos anos da vida de Einstein e o havia levado a insistir em que a teoria, apesar de correta, estava incompleta. Intuitivamente, ele rejeitava o conceito de que não havia nenhuma realidade sem um observador, ou de que essa realidade fosse definida pelo observador, como Bohr e os outros pareciam afirmar. Na memorável frase de Einstein, lá fora existia “uma situação real de fato”. “Quando um camundongo observa alguma coisa”, ele perguntou certa vez, “isso modifica o estado do universo?” A mecânica quântica parecia indicar que a mensuração do estado de uma partícula podia determinar instantaneamente o estado de outra partícula, ainda que situada muito longe. Mas isso era algo “espiritualista” na opinião de Einstein, uma “ação fantasmagórica à distância”, pois nada podia se mover a uma velocidade superior à da luz. Beard, o realista, simpatizava com a longa e fracassada batalha de Einstein contra o círculo brilhante de pioneiros da física quântica, porém cumpria reconhecer: as provas experimentais sugeriam que realmente era possível ocorrerem estranhas correlações à distância e que a textura da realidade nas escalas do muito pequeno e do muito grande de fato desafiava o bom senso. Einstein também estava convencido de que a matemática necessária para descrever o mundo comprovaria ser, em última análise, elegante e relativamente simples. Entretanto, mesmo enquanto ele estava vivo, duas novas forças fundamentais haviam sido descobertas, e desde então o panorama se complicara com uma série confusa de novas partículas e antipartículas, além de várias dimensões imaginárias e todo tipo de acomodações esdrúxulas. Mas Beard ainda se agarrava à esperança de que, a partir de revelações adicionais, surgiria um gênio capaz de propor uma teoria abrangente que iria interligar tudo numa formulação surpreendentemente bela.
[…]
Na mesma semana do jantar no Randolph, havia estudado o escalar de Ricci e finalmente compreendera seu uso na relatividade geral. Agora acreditava poder entender aquelas equações extraordinárias. A Teoria não mais era uma abstração, e sim algo sensual, ele podia sentir como o tecido sem costuras do espaço-tempo podia ser distorcido pela matéria, e como esse tecido influenciava o movimento dos objetos, como sua curvatura condicionava a gravidade. Era capaz de passar meia hora observando o punhado de termos e subscritos no núcleo central das equações de campos e compreender porque o próprio Einstein falara de sua “beleza incomparável” e Max Born as caracterizara como “o maior feito do pensamento humano sobre a natureza”.”
Solar, de Ian McEwan. Trad. Jorio Dauster. Companhia das Letras, 2010.
sabra arad
23 de dezembro de 2015 6:36 pmLattes e Einstein
Os cientistas são humanos e minimizar os trabalhos de Einstein tem sido a obsessão de muitos . Mas talvez seja importante notar que Einstein não é apenas relatividade, não é um homem perfeito , mas deixou um legado que se caracteriza pelos trabalhos e linhas de pesquisa que gerou. Einstein como todo e qualquer cientista não teve apenas sucessos, e nem sempre esteve certo. Porém participou ativamente de seu tempo contribuindo para os debates científicos e sociais e sobretudo fez trabalhos seminais. Embora jamais tenha aceitado a Quântica como teoria acabada, o debate Bohr Einstein foi fundamental para o desenvolvimento da Quântica. Talvez seja melhor deixar as palavras de Lattes para Lattes.
Lattes também é apenas um ser humano, com uma psique complexa e como Einstein, um brilhante ser humano. Seus trabalhos foram importantíssimos para a Fisica Brasileira foi respeitadíssimo no Brasil e conseguiu com sua notoriedade abrir espaço para o desenvolvimento da Fisica . Eu concordo plenamente que deveria ter ganho o Nobel Mas isto não é culpa nem dele nem do Brasil, talvez do momento histórico , pois claramente havia interesse em premiar, no pós guerra um Italiano ( Occhialini) e um inglês ( Powell) . Isto não tira o mérito dos dois, mas foi injusto com Lattes, que na montanhas de Chacaltaya na Bolívia, e no túnel da 9 de Julho em São Paulo fez uma pesquisa original e de ponta. Mas não digam que Lattes não foi respeitado no Brasil. A existência do CBPF e mesmo do CNPq são em grande parte o seu legado. Este lenga lenga só serve para destruir a história e so serve para os ideólogos de que o Brasil nada tem e nada fez . São as pessoas que falam pejorativamente do brasileiro. Isto serve à elite que tem saudades da Europa. Não destruam o legado brasileiro apenas para atingir o povo e o atual governo. Alíás foi no governo do Operário quando mais investimentos tivemos em pesquisa e na universidade. Seja a favor ou contra o partido, mas respeite a história. O Brasil vai sempre avançar apesar deste vale tudo proposto pela oposição que em seis mêses conseguiu abalar o país.
João Gabriel Marques
5 de novembro de 2019 11:38 amA história está cheia de pessoas com fama indevida. É o caso da descoberta do Novo Mundo, sempre atribuída ao italiano Cristoforo Colombo, embora seja uma tese insustentável. Mas tem a força da inércia.
João gabriel marques
Anônimo
31 de maio de 2025 7:18 pmEu trabalhei na equipe do Observatório Nacional que fez as medidas comprovando que Lattes estava errado na questão da velocidade da luz. Me espanto também ao ver as bobagens que ele disse na imprensa sobre os detalhes do experimento. Parece que ele estava numa fase maníaca, disse bobagens que nem estudante de física de primeiro ano diria.