4 de junho de 2026

Macron nacionaliza estaleiro STX em Saint-Nazaire

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Jornal GGN – O governo de Emmanuel Macron decidiu nacionalizar o estaleiro STX no lugar de entregá-lo para o grupo italiano Fincantieri. Fez isso de forma “temporária” para “defender os interesses estratégicos da França”, declarou o ministro da Economia ao jornal Le Monde.

Instado a decidir sobre o futuro dos estaleiros navais de Saint-Nazaire, Macron decidiu pela estatização, no lugar de entregar a um problemático acionista italiano. Nesta quinta-feira, dia 27 de julho, formalizou-se a operação e, segundo o ministro da Economia, Bruno Le Maire, deverá ser concretizado até sexta-feira à noite. O estado já tem 33% desses ativos. Agora faz o provimento sobre o resto do capital.

Esta é a primeira decisão de Macron, importante para a questão industrial. Muitos previam um programa de privatização, mas ele inaugura seus cinco anos de mandato com uma nacionalização inesperada.

Bruno Lei Maire disse que a decisão é temporária para dar tempo ao governo para uma melhor negociação e um bom acordo. Esses estaleiros não ficarão sob o controle do Estado, disse ele, não é esta a intenção, mas eles têm grande importância para a França, quer por seu histórico, com navios como o Normandia, o França ou o Queen Mary 2, e por ser uma área estratégica.

Durante a última crise no setor, a carteira de pedidos do STX estava vazia, e o governo deu o primeiro passo para evitar um fechamento permanente, preservando empregos e a economia.

Além disso, uma outra ameaça surgiu no horizonte com a falência da STX: o conglomerado acionista majoritário da Coreia do Sul, para recuperar algum dinheiro, tentou vender a filial francesa. O único candidato a apresentar oferta foi a Fincantieri, o grande rival histórico de Chantiers de l’Atlantique. O grupo italiano foi escolhido pelo tribunal de Seus para retomar a STX France, ou seja, os estaleiros de Saint-Nazaire pelo preço de 79,5 milhões de euros por 66,6% de participação.

Esta perspectiva de tomada dos estaleiros pelos italianos causou preocupação, por três questões principais. A primeira, estão em jogo os 7 mil empregos. A segunda é a ligação da Fincantieri com a China, e o medo desta capacidade de construção seguir para a Ásia. E, por fim, Saint-Nazaire é o único local capaz de construir grandes cascos de navios militares.

Por estes perigos, François Hollande e sua equipe chegaram a um acordo com Roma. Eles contestaram, afirmando ter mais direitos. Eleito, Macron desafiou o compromisso firmado e propôs um capital social na base do meio-a-meio entre franceses e italianos. Eles recusaram, dizendo ter mais de 50%. Assim, o governo francês decidiu usar o direito de preferência, mesmo que, com isso, desagrade o governo italiano.

A direita acabou por entender a ação de Macron. A esquerda acha a nacionalização bem-vinda, pelos interesse industrial e estratégica. Já a liderança da STX achou uma decisão que carrega o prenúncio de “um novo tempo infeliz”.

Leia o original no Le Monde.

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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9 Comentários
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  1. jofra

    27 de julho de 2017 7:28 pm

    A Diferença entre Entreguista e “Não-Entreguista”

    Entreguista – Governo Brasileiro; “Não-Entreguista – Governo, simultaneamente, Inteligentes,Nacionalista, Honestos!!!!!

  2. Eduardo Outro

    27 de julho de 2017 8:14 pm

    Vai  pra Cuba, Macron,

    Vai  pra Cuba, Macron, petralha comunista ! Tá querendo tirar o azul e o branco da bandeira e deixar só o vermelho, é ?

  3. Ninguém

    27 de julho de 2017 9:11 pm

    Daqui a pouco…

    Vai aparecer algum mentecapto gritando: “Vai pra Cuba, Macron!”

    “Como pode um governo de direita encampar uma empresa do setor privado? Assim não dá! Assim não pode ser!”

  4. André Oliveira

    28 de julho de 2017 12:15 am

    Enquanto isso no Brasil a
    Enquanto isso no Brasil a indústria naval foi liquidada em tempo recorde com aplausos da imprensa.

  5. Marcos Antônio

    28 de julho de 2017 12:35 am

    E nós entregando alcântara,

    E nós entregando alcântara, pré-sal, minerais e etc… – e tudo baratinho, segundo o Financial Times….

  6. Andre Luiz RRR

    28 de julho de 2017 2:39 am

    É “de direita” mas tem noção

    É “de direita” mas tem noção clara sobre o Estado e a soberania do país,  ao contrário da direita brasileira.

    1. Pedrôncio deslogado

      28 de julho de 2017 12:23 pm

      Não se anime, camarada, pois

      Não se anime, camarada, pois os estaleiros serão vendidos- só não vai ser agora, nem aos italianos.

  7. vera lucia venturini

    28 de julho de 2017 11:14 am

    BOLIVARIANO DESINFORMADONão

    BOLIVARIANO DESINFORMADO

    Não aprendeu com os setúbals brasileiros, a imprensa,  a Procuradoria da República, o Judiciário, com o prodígio Temer, com o Parente, que o moderno é acabar com o país. 

    Os coxinhas brasileiros foram marchando atrás de camisa amarela, mas esses não contam. São massa de manobra.

    A França tem muito a aprender com o Brasil. E o Macron desse jeito vai sair pobre do cargo. É dificil entender que o negócio é vender por baixo pra receber por cima? No Brasil o roubo quando é para entregar o país é impune.A cambada da elite citada acima garante a impunidade e ainda se transforma em heróis do país. É outro procedimento que precisamos ensinar para esses burros franceses. 

  8. Edson J

    28 de julho de 2017 11:34 am

    Nacionalismo

    Lá, o governo, mesmo de centro-direita, defende os interesses do país. Bandidos do mercado não têm vez quando se trata de defender a França. Já aqui, eles mandam e desmandam.

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