4 de junho de 2026

Batida à porta, por Jandira Feghali

“O editorial da Folha de São Paulo no último domingo (13) é um remake desastrado do golpismo que assombrou o ex-presidente João Goulart há 50 anos. Foi época de forte crise econômica e oposição midiática, em que os barões da imprensa gesticulavam diariamente com bravatas contra o governo legitimamente empossado. E pior, atuando despudoradamente a favor de uma intervenção militar e demonizando a esquerda”, afirma, em artigo, a líder do PCdoB na CâmaraJandira Feghali: “Dilma resistirá e não passará o que vivenciou Jango”

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da Revista Fórum

Jandira Feghali: “Dilma resistirá e não passará o que vivenciou Jango”

Batida à porta, por Jandira Feghali*

Vez ou outra, a História bate à nossa porta. Podemos atender e nos lembrar de experiências passadas bastante úteis como alertas ou podemos ignorar e arcar com as consequências. A década de 60 ainda assovia lá fora, entre editoriais pitorescos e ameaçadores dos jornais brasileiros de 2015. Já com 30 anos de democracia em vigor, nosso país ainda presencia atropelos da grande mídia, das forças opositoras, estrangeiras e do capital financeiro. Com uma enorme diferença: Dilma resistirá e não passará o que vivenciou Jango.

O editorial da Folha de São Paulo no último domingo (13) é um remake desastrado do golpismo que assombrou o ex-presidente João Goulart há 50 anos. Foi época de forte crise econômica e oposição midiática, em que os barões da imprensa, como o Correio da Manhã, gesticulavam diariamente com bravatas contra o governo legitimamente empossado. E pior, atuando despudoradamente a favor de uma intervenção militar e demonizando a esquerda.

Vale recordar a Campanha da Legalidade, forte cadeia de rádio criada pelo então governador do Rio Grande do Sul, Brizola, e que contou com apoio de militantes comunistas, como o ex-deputado federal e na época presidente da UNE, Aldo Arantes. Essa iniciativa, que democratizou a comunicação naquele período, combateu as mentiras delirantes dos grandes meios de comunicação e, com grande mobilização dos movimentos sociais, conseguiu empossar o presidente mineiro. A eloquência de Brizola, aliás, faz muita falta nos dias de hoje.

Embora o Brasil tenha superado esse tipo de golpismo, vislumbramos a criação de um cenário inédito, onde tentam criar em plena democracia o paradigma do “Estado de exceção”, onde dificuldades econômicas e divergências político-ideológicas determinam o respeito ou não ao resultado das urnas, onde a oposição foi derrotada quatro vezes seguidas.

O julgamento em andamento no TCU e no TSE não valida nenhum tipo de movimentação a favor de intervenção do mandato de Dilma. Se prosperasse, seria uma espécie de golpe branco, como ocorrido no Paraguai recentemente.

Dentro do Congresso Nacional, não haverá espaço para este tipo de manobra que visa o impeachment. Por um motivo: não há qualquer amparo legal para tanto. Empurrar essa pauta no Parlamento, como a oportunista oposição faz, é tentar, a fórceps, criar um clima de instabilidade e ameaçar todas as políticas públicas e o desenvolvimento em curso no Brasil.

Para combater esta marcha de insanos, presidentes de partidos políticos e líderes partidários da base aliada do Governo Federal assinaram juntamente carta-aberta e, em uníssono, rejeitam a crise política que tentam insuflar nos bastidores. Ainda que a mídia se vista de Carlos Lacerda (“Se assumir, não poderá governar…”) e as forças retrógradas tentem avançar, não abriremos a porta para o Golpe. A porta deve ser aberta, sim, mas para a História e os ensinamentos que traz consigo.

* Jandira Feghali é médica, deputada federal (RJ) e líder do PCdoB

Foto de capa: Roberto Stuckert Filho/Divulgação

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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5 Comentários
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  1. marcio valley

    12 de outubro de 2015 5:31 pm

    Jandira Feghali, a cada

    Jandira Feghali, a cada instante, ganha mais e mais o meu respeito. Faço questão de compartilhar o discurso acima. Quem não aprende com a história está fadado a repetir tragédias e farsas.

  2. Renato Lazzari

    12 de outubro de 2015 5:59 pm

    E ainda há quem ache que os

    E ainda há quem ache que os militares foram os responsáveis pela ditadura…

    Não que os militares que cometeram atrocidades e os que foram convientes não devam ser responsabilizados. Mas é cada vez mais claro que os militares daquela época foram é manipulados por civis, estes, sim, os arquitetos do golpe de estado de ’64. Tanto que os militares dessa vez estão mantendo-se elogiosamente dentro de suas atribuições constitucionais e, no entanto, a parcela tacanha, atrasada, conservadora, colonialista e coronelista da sociedade agora engendra golpe muito parecido. A ditadura de ’64 e o golpe de agora são da mesma autoria, isso é claro. É preciso denunciar os golpistas.

     

  3. maria rodrigues

    12 de outubro de 2015 6:41 pm

    Faz tão pouco tempo que A

    Faz tão pouco tempo que A Globo, na cara de pau, pediu desculpas por haver apoiado a ditadura. Será que vai fazer o mesmo amanhã, quando vir, mais uma vez, que não age de acordo com o que reza o jornalismo sério, tentando golpear o Governo, em cima de factóides? 

    Alguns juristas não creem na chance de o STF aprovar o impedimento de Dilma. Até mesmo Marco Aurélio já se pronuncia contra, esclarecendo os motivos com base na Constituição. 

     

  4. j.marcelo

    12 de outubro de 2015 8:13 pm

    NÃO VEJO LUZ NO FIM DO

    NÃO VEJO LUZ NO FIM DO TÚNEL

    CADA DIA A DEMOCRACIA É ATACADA

    NEM MESMA DILMA COLABORA PARA ARREFECER OS ÂNIMOS

    AS ELEIÇÕES VEEM AÍ,E NÓS NOS FAREMOS RESPEITAR DESSA VEZ,HAVERÁ GRANDE RENOVAÇÃO

  5. cuma???

    13 de outubro de 2015 9:51 am

    Se essa e todo que se diz

    Se essa e todo que se diz esquerda estivesse dentro do petismo, nada disto estaria acontecendo.

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