4 de junho de 2026

Poupança registra volume recorde de retiradas em setembro

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Jornal GGN – A caderneta de poupança registrou perda de recursos pelo nono mês consecutivo: de acordo com dados divulgados pelo Banco Central, os correntistas retiraram R$ 5,293 bilhões a mais do que depositaram em setembro. A caderneta registrou a pior captação líquida (diferença entre depósitos e retiradas) da história para o mês.

No mês passado, os brasileiros depositaram R$ 158,178 bilhões na poupança, mas retiraram um total de R$ 163,471 bilhões. Contudo, o resultado negativo de setembro apresentou uma leve melhora em relação ao total registrado em agosto, quando a captação líquida tinha ficado negativa em R$ 7,502 bilhões. De janeiro a setembro, os investidores sacaram R$ 53,791 bilhões a mais do que depositaram na poupança, também a pior captação líquida registrada para o período. Nos nove primeiros meses do ano, os depósitos somaram R$ 1,391 trilhão, mas os saques totalizaram R$ 1,445 trilhão.

A alta da inflação também contribuiu para a perda de atratividade da poupança. Nos últimos 12 meses, a caderneta rendeu 8,51%, o equivalente à Taxa Referencial mais 6,17% ao ano. A inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, no entanto, está em 9,53%, puxada pela alta de preços administrados, como combustíveis e energia. O aumento dos preços e do endividamento dos consumidores também diminui a sobra de recursos a ser aplicada na caderneta.

A fuga de recursos da caderneta provocou problemas no crédito imobiliário porque os depósitos da poupança são usados para financiamento de imóveis. No primeiro semestre, o Conselho Monetário Nacional (CMN) remanejou R$ 22,5 bilhões de compulsórios – parcela que os bancos são obrigados a manter depositada no Banco Central – para evitar a escassez de recursos para o setor.

Em nota, o diretor executivo de estudos e pesquisas econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (ANEFAC), Miguel José Ribeiro de Oliveira, diz que o resultado pode ser atribuído a alguns fatores, como o recente ciclo de aumento da Selic.

“Com a elevação da taxa básica de juros, aumentou a rentabilidade das aplicações financeiras em títulos públicos como fundo de renda fixa, CDB’s, tesouro direto, etc, em detrimento a uma menor rentabilidade da poupança. Com isso os investidores têm retirado suas aplicações na caderneta de poupança migrando estes investimentos para este tipo de investimento que apresenta uma rentabilidade superior”, diz o economista. “Em setembro de 2015 os Fundos de Renda Fixa apresentaram uma rentabilidade de 1,11% contra uma rentabilidade de 0,69% da Caderneta de Poupança. Em doze meses os Fundos de Renda Fixa tiveram uma rentabilidade de 12,58% contra uma rentabilidade de 7,78% da Caderneta de Poupança”.

Ao mesmo tempo, a retração da economia combinada a fatores como inflação elevada, juros elevados, aumento de encargos e impostos acaba por reduzir a renda das famílias dificultando seu orçamento. Com isso, sobram menos recursos para as famílias pouparem, e as famílias acabam resgatando investimentos de forma a complementarem sua renda e conseguirem pagar seus compromissos.

“Como o quadro descrito acima vai permanecer durante 2015 (inflação elevada, juros elevados, queda de renda, desemprego, além da SELIC elevada que reduz a rentabilidade da poupança frente aos fundos de investimento, etc) a tendência para os próximos meses é de que este movimento de redução no volume dos depósitos da poupança se acentue agravado ainda mais em um ambiente econômico mais recessivo com a elevação nos índices de desemprego e de inadimplência”, diz Oliveira.

 

(com Agência Brasil)

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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2 Comentários
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  1. antonio francisco

    6 de outubro de 2015 11:06 pm

    E os boatos de confisco??

    Uma empresa estrangeira inunda jornais e sites todo santo dia com a bombardeante informação de que a poupança será objeto de confisco, e é péssimo negócio deixar dinheiro lá, etc, e não aparece ninguém dos  órgãos públicos para fechar a matraca  desse zumbi.

    Taí o resultado.

    Afora isto, deve ter  gente tirando dinheiro da poupança  para ganhar com altas do dólar.

  2. Gustavo

    7 de outubro de 2015 6:44 am

    Ideologizados

    Antônio Francisco, que tal ler novamente a matéria? Que tal aprender o básico do básico de economia? Incrível o analfabetismo econômico do brasileiro médio, notadamente dos esquerdistas.

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