3 de junho de 2026

Na Suíça, emissora de TV troca câmeras por iPhones

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Enviado por Kepler K

Do Meio Bit

Emissora suíça troca câmeras por repórteres com iPhones e paus de selfie

por Ronaldo Gogoni

A maioria dos canais de mídia tradicional ainda operam como se estivéssemos nos anos 1960, quando muito. Isso se aplica a todos os setores, dos jornais impressos a emissoras de rádio e TV. Incapazes de entender que o mundo evoluiu e a internet não é um simples acessório, a tratam como uma opção que pode abarcar a mesma linguagem ou ser simplesmente menosprezada como uma modinha (ainda há quem acredite nisso), não tendo seu potencial aproveitado. Resultado, deixam de ganhar dinheiro.
 
Só que há o outro lado, o mergulho de cabeça em mar aberto sem salva-vidas. É preciso realizar estudos, avaliar opções, adaptar suas estratégias e criar novas linguagens de modo que não acabe com um pato nas mãos: um produto que faz um monte de coisas, nenhuma delas direito.

 
A consequência disso: executivos preocupados em economizar dinheiro e ao mesmo tempo inovar para se destacar acabam metendo os pés pelas mãos. Um bom exemplo disso foi o que o Chicago Sun Times fez alguns anos atrás ao demitir todo o seu staff de fotojornalistas e entregar iPhones nas mãos de seus repórteres, como se fotografia profissional fosse algo que qualquer leigo faria. Hoje o jornal compra fotos de freelancers para a cobertura de grandes eventos, o resto os repórteres que se virem. Ele basicamente virou o Clarim Diário.
 
Agora uma emissora de TV suíça tomou uma decisão parecida. Em um movimento que alguns macfags veem como “revolucionário” (eu não estou inventando), a Léman Bleu forneceu kits de filmagem a todos os seus repórteres de campo durante o verão: um iPhone 6 e um pau de selfie. Os cameramen? Aparentemente rodaram, dada a declaração do diretor de jornalismo Laurent Keller:

É uma questão de portabilidade e receptividade, e também um meio de reduzir os custos das transmissões.”

Keller diz que a emissora pensou naquilo que deve ter ocorrido a você, que é a questão da qualidade. O executivo diz que o nível do iPhone não é drasticamente inferior ao de um equipamento profissional, o que justificaria se livrar tanto da aparelhagem quanto de um profissional qualificado para captar imagens externas. O repórter de campo agora que se vire, tendo que manusear um pau de selfie e se preocupar com outros fatores que não apenas olhar para a câmera. E nem estou falando de transmissões ao vivo, que adicionam uma camada adicional de complicações.

A Léman Bleu não está preocupada com uma ocasional queda na qualidade por não ter concorrentes na Suíça, mas nos Estados Unidos a história é bem diferente: em 2013 uma afiliada da Fox tentou uma estratégia “inovadora” para cobertura de campo, fornecendo iPads para que os jornalistas pudessem captar as imagens eles mesmos, além de serem encarregados de editar os vídeos. O resultado foi desastroso e o projeto foi cancelado.

Não é só uma questão de inovar a todo custo, é uma falta de respeito com profissionais que dedicam anos de estudo e ralam para captar imagens nas condições mais adversas, se vendo substituídos por uma vareta com um iPhone espetado só porque além de mágico ele é mais barato. Enfim, melhora para eles que eventualmente conseguirão empregos em lugares onde serão pelo menos reconhecidos. Quanto à emissora, vamos ver quanto tempo essa ação vai durar antes de perceberem que fizeram caca.

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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10 Comentários
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  1. Ivan de Union

    1 de outubro de 2015 10:40 am

    O que vem a ser “bichas do

    O que vem a ser “bichas do Mac” que eu nao sei?????

    1. José Almeida de Souza Jr.

      1 de outubro de 2015 1:35 pm

      O que vem a ser macfag

      De acordo com o Urban Dictionary: 

      TOP DEFINITION   macfagA person who buys and uses Apple computers and products, or is otherwise “gay for Apple”. Usually for one or more of the following reasons: 
      1) They enjoy paying $3000 for a laptop; 
      2) They heard somewhere that macs are better for multimedia applications (Please note that it is never a good idea to confront a macfag on this matter. They will not be able to produce any reason other then “because they are” and your head will explode.); 
      3) They think it will impress people at the coffee shop; 
      4) They enjoy being different; 
      5) They scoff at the idea of compatible software; 
      6) Because macs are available in pretty pastels.Jim: “Hey you wanna go get a cup of coffee?” 
      Steve: “Nah that place is full of hipsters and macfags.”por SteveJ 08 de Novembro de 2007 

  2. maria rodrigues

    1 de outubro de 2015 11:14 am

    Se a moda pega, o desemprego

    Se a moda pega, o desemprego dos câmeras profissionais será globalizado. Uma ideia bruta, cruel e infeliz essa aí.

  3. rdmaestri

    1 de outubro de 2015 11:47 am

    Se alguém for filmar num local sem vento …

    Se alguém for filmar num local sem vento, tempo nublado, sem interferência de ruídos, sem movimento, sem isto e sem aquilo, até que o produto ficará somente um pouco abaixo da qualidade de uma filagem profissional, agora se qualquer uma das situações acima relatadas acontecer, a filmagem fica uma m…. .

    Um dia deste vi um curta sobre o cinema no Equador, um dos diretores improvisados pegou um parente como câmara, o resultado ficou muito bom para uma espécie de público que assistiu o filme, aqueles que gostavam de ficar tontos durante a assistência do filme, pois as mudanças de posição da imagem eram tão rápidas que ninguém conseguia assistir direito.

    Por volta de 1970 eu montei um mini-estúdio fotográfico em que além das fotos que eu tirava eu revelava e fazia posters em grandes dimensões, para ter um bom resultado na época tinha que pensar tanto antes de cada foto, que depois vendi todo o equipamento e não tiro foto nem de celular.

    Profissional é profissional, o resto é amador esforçado.

    1. Ivan de Union

      1 de outubro de 2015 1:56 pm

      Disseram a mesma coisa quando

      Disseram a mesma coisa quando “The Serpent and the Rainbow” saiu:  foi o primeiro filme de cinema totalmente feito com cameras de televisao.  Nada aconteceu.  (pensando bem, pode ter sido “Emerald Forest”, revirando a memoria pra descobrir)

      Quanto a cameras balancando, o pior de todos que eu ja assisti foi “Christiane F” -filme otimo apesar de tudo.

      Mas eu acho bem hipocrita o cara falar em respeito aos profissionais e aa profissao enquanto joga um “Macfags” no texto sem mais explicacao.  Nao, nao foi soletragem errada nao pois se fosse seria escrito separado, nao da pra confundir com Mac fans.

  4. paulmoura

    1 de outubro de 2015 1:43 pm

    sei não…

    a quantidade de imagens disponíveis na internet “captadas por amadores” e que fazem sucesso é enorme.

  5. Roberto Monteiro

    1 de outubro de 2015 2:25 pm

    Fora a discussão sobre a perda de empregos,

    lembro que existem câmeras de smartphones muito melhores do que as do iphone. E mais baratas.

  6. Lucinei

    1 de outubro de 2015 2:32 pm

    “Reduzir custos”…
    Em outras

    “Reduzir custos”…

    Em outras palavras: aumentar lucros. E pra onde vão esses lucros? Pra política antiestado e antitrabalhista e pro consumo conspícuo de poucos. Pra investimento é que não estão indo.

  7. Alexandre Weber - Santos -SP

    1 de outubro de 2015 2:38 pm

    Os pau de selfies com steady e a estabilização eletrônica

    Quando os paus de selfies com steady e a estabilização eletrônica estiverem mais desenvolvdos, junto com o foco por campo, os câmeras man serão realmente desnecessários. A tecnologia é implacável com as profissões, basta perguntar aos engraxates.

  8. Ricardo Icassatti Hermano

    1 de outubro de 2015 4:02 pm

    iPhpne substituindo câmeras nas TVs

    Talvez não seja o caso ainda de substituir completamente o camera man pelo iPhone, mas isso acabará acontecendo porque a tecnologia já permite. Participei de uma cobertura internacional feita com iPhone porque, devido às circunstâncias, não havia opção de levar uma equipe de TV. A repórter se saiu muito bem, fez um trabalho brilhante e as imagens ficaram perfeitas em HD. Ainda precisamos de camera man e a sua substituição não é uma questão de “respeito”. É a realidade do mercado. Outras profissões passaram por isso, não há novidade. Estive em Nova Iorque na década de 1980 e vi repórteres de TV na rua montando tripé com câmera e gravando suas matérias, sem camera man. Os repórteres eram acompanhados por um editor, numa van equipada para fazer edição de vídeo e transmitir. O editor às vezes fazia o papel de camera man. Como disse, não há novidade. Até hoje no Brasil temos a figura do auxiliar do camera man chamado “pau de luz” …

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