Planos ortodoxos nunca funcionaram porque são contra a cultura social brasileira

POLÍTICA ECONÔMICA NÃO ESTÁ NA CARTILHA – As escolas de pensamento econômico lidam com duas variáveis principais ao formular suas teorias: a eficiência e a justiça. É grande o número de postulados econômicos que expressam visões filosóficas de como o mundo deve ser gerido. Dos 75 galardoados com o Premio Nobel de Economia, identificam-se mais de vinte diferentes escolas. Do lado de uma visão mais social e humanista Simon Kuznets, Wassily Leontief, Gunnar Myrdal, Leonid Kantorovich, James Tobin, Amartya Sen, Joseph Stiglitz, Paul Krugman. Na bancada dos “economistas de mercado” Milton Friedman, Von Hayek, Gary Becker, Eugene Fama, Herbert Simon, James Buchanan, Robert Mundell.
Mas as escolas também são muito influenciadas pela História e pela política, das quais derivam os ciclos determinantes de muitas teses.
O “desenvolvimentismo nacionalista” teve sua moldura nos anos 50 com a emergência de países atrasados para criar seu desenvolvimento autóctone, através de substituição de importações e investimentos estatais.
Hoje essa escola, também conhecida como “cepalina”, perdeu o sentido dada a globalização comercial e financeira e a criação de cadeias produtivas que atravessam países. Hoje nenhum país faz um automóvel 100% nacional, como o Brasil já chegou a fazer, cada parte do carro vem de um país e não dá para voltar para trás.
Por outro lado não existem países de economia de mercado em sua pureza, nem os EUA, onde estruturas estatais garantem hipotecas residenciais, produzem energia hidroelétrica, administram trens de passageiros. Em certo sentido os EUA tem mais empresas estatais que o Brasil, são raros aeroportos privados, os transportes coletivos nas cidades são públicos e não privados, as rodovias pedagiadas são públicas, a maior empreiteira do país é o Corpo de Engenharia do Exército. França, Alemanha e Itália também têm boas porções de infra estrutura em mãos do Estado.
Não existe tampouco formula fixa de política monetária e modelos de crescimento padrão. Cada país faz sua receita. Não há essa divisão binária que apresenta-se como dois moldes no debate econômico brasileiro, o melhor modelo é o flexível, que faz a COMBINAÇÃO de instrumentos ortodoxos, como rigor nos gastos públicos, com heterodoxos com grandes investimentos públicos em infra estrutura para alavancar o crescimento.
Importante em uma política econômica é estabelecer PRIORIDADES. Hoje é mais importante no Brasil crescer e aumentar a base de arrecadação através do crescimento porque isso facilita o equilíbrio orçamentário, mas afrouxando a política monetária, mesmo com o risco de alguma inflação, a prioridade tem que ser o crescimento e o único gatilho que existe na prateleira é o investimento público. Não há outro.
Só o investimento público em saneamento e tratamento de lixo e as PPP (Parceria Público-Privadas) em ferrovias, portos e aeroportos podem puxar um crescimento de 6 a 7% ao ano. Temos em casa todos os fatores para esse programa, mão de obra, cimento, aço, equipamentos.
Keybes e Schacht foram dois grandes mestres da COMBINAÇÃO de instrumentos, mentes flexíveis, como também Delfim Neto. Nada de cartilhas, a cada ciclo um conjunto de ferramentas sem se ater a receitas. Na culinária existe o salgado e o doce mas é possível fazer pratos agridoces, que exigem cozinheiros mais sofisticados.
Tudo fica mais fácil para ajustar com CRESCIMENTO, é o lubrificante que permite mais liberdade de ação. Porém, tudo fica muito mais difícil com recessão, portanto o crescimento deve ser impulsionado mesmo com risco de inflação, que pode nem acontecer, como não aconteceu no New Deal de Roosevelt, quando os conservadores previam hiperinflação, o dólar ficou sólido, mesmo com maciça injeção de dinheiro na economia, não causou inflação porque havia capacidade ociosa na economia produtiva, como há hoje no Brasil. A capacidade ociosa na indústria americana era de tal ordem que mesmo as gigantescas encomendas de material bélico na Segunda Guerra não causaram inflação preocupante.
O Plano Levy é de inspiração ortodoxa e não vai funcionar, a politica econômica para o Brasil precisa ser FLEXÍVEL, é a nossa tradição histórica. Planos ortodoxos nunca funcionaram porque são contra a cultura social do país.
…
A foto acima é da LONDON SCHOOL OF ECONOMICS AND POLITICAL SCIENCES, a melhor escola de economia do mundo, símbolo da flexibilidade ideológica do pensamento econômico, onde lecionaram no mesmo corredor e na mesma época Friedrich von Hayek, o pai do neoliberalismo e John Maynard Keynes, o pai da intervenção do Estado na economia, dois homens que mudaram a economia do mundo em direções opostas e tomavam juntos o chá das cinco.
Edivaldo Dias Oliveira
13 de setembro de 2015 12:13 pmAliança Liberal, Oneide, Rizadainha tão de olho.
André, André. Ainda vais ser expulso do Clube dos Direitistas, acusado de quinta coluna.
Parabens, texto didático, claro, elucidadtivo para pessoas como eu que não possui a mínima simpatia por temas economicos. Adorei e compartilhei e recomendei, claro.
Edivaldo Dias Oliveira
13 de setembro de 2015 12:16 pmAliança Liberal, Oneide, Rizadainha tão de olho.
André, André. Ainda vais ser expulso do Clube dos Direitistas, acusado de quinta coluna.
Parabens, texto didático, claro, elucidadtivo para pessoas como eu que não possui a mínima simpatia por temas economicos. Adorei e compartilhei e recomendei, claro.
aliancaliberal
13 de setembro de 2015 1:49 pmSabe o que me deixa irritado
Sabe o que me deixa irritado é a não inclusão da poupança na discusão sobre economia.
Parece um tabu. Não sei como os entendidos querem desenvolver um país sem poupança interna, vai ser a primeira vez na história.
Fazer uma economia crescer em termos de PIB temporariamente é facil, você emite moeda, baixa os juros, aumenta a divida pública, pronto seu “PIB” cresce.
Depois vem a parte de pagar a conta , é esta fase que estamos passando, estamos pagando a conta porr ter emitido moeda, aumentado o gasto publico e reduzido juros.
Qual é a solução proposta pelo AA fazer o mesmo novamente, para que a destruição seja ainda maior e que a conta seja impagável, se já não é.
Conde de Rochester
13 de setembro de 2015 2:24 pmUno – Indivizivel
Individuo. Tem que se olhar para o Individuo.
O que vem acontecendo é a predominância de um sistema economico que lembra a corrente financeira que se sustenta com a entrada de novo elemento em prol do conjunto, contraditoriamente desprezando o individuo, porque mais cedo ou mais tarde o conjunto de uma parcela expressiva de indivíduos vai pagar a conta e o lucro daqueles que entraram primeiro na festa.
É como construir a casa, começando pelo telhado.
No inicio da industrialização o mercado contava com regras simples que mantinha o conjunto da sociedade em considerável equilíbrio, o capitalismo nascia sustentado por regras advindas de estruturas solidas. A ganancia fez com que se criasse novos mecanismos de lucro de forma mais rápida e iniciou-se a especulação financeira. Dirão alguns que isto é inevitável, esquecendo-se que tudo tem um limite, o modelo adotado até hoje, não leva em conta limite algum, o que conte é unicamente o lucro. Os modelos econômicos servem para situações determinadas. }Aqui no Brasil historicamente, jamais foi priorizado um modelo de prosperidade que beneficiasse o conjunto da coletividade e sim grupos específicos.
Em que pé chegamos?
Chegamos numa situação desoladora e de difícil solução. Toda estrutura da Nação esta corrompida, a bem da verdade seria necessário começar tudo de novo. E se insistir em modelos que continue priorizando grupos em vez da co9letividade o furo continua sombrio.
O Brasil se encontra na encruzilhada de seu destino como Nação. Cada pessoa categorizada em discorrer sobre os problemas que eclodiram e caracterizam a atual crise, apontam facetas e particularidades, que não deixam de expressar partes do problema todo. }Escute-se cada um em particular e não se pode deixar de lhe dar razão. Até os radicais de direita que desejam o impeachment revestem seus discursos com as mesmas parcelas de verdade. Cada um que se escuta e isto é muito bom para a sociedade, porque pelo menos se debate exaustivamente as mazelas que atormentam a vida da Nação desde a colonização, de acordo com seu prisma de entendimento aponta realmente para facetas e particularidades do problema todo. O problema todo é de um complexicismo desolador, se olharmos a coisa de forma abrangente é de desanimar, em síntese o Brasil ta numa pindaíba de difícil solução, esta que é a verdade, por mais que os ufanistas tentem manter uma mensagem de otimismo a realidade se impõem de outra maneira.
Vejamos.
Politicamente seria necessário reformar a constituição porque ninguém acredita que o atual congresso legislaria contra seus próprios interesses, ou seja, não tem competência para o tamanho da tarefa. Desta forma os políticos não tem representatividade, a Nação carece de um sistema politico que lhe reverbere os anseios, é uma Nação órfã politicamente e anêmica economicamente em função desta falta de paternidade.
Economicamente é um desastre, politica e economia são os braços da Nação, enquanto a destra procura um movimento a sinistra busca outro, parece um louco balançando-se descontroladamente. Os problemas econômicos são de tal monta que somente a classe media cooptada e os barões da macroeconomia insistem em apontar soluções pontuais, o mais do mesmo, sem mudanças reais, para um problema de intricáveis e abrangentes causas. Personalidades do mundo econômico e social vem a publico externar a visão particular do momento dramático que vive a Nação, programas de televisão, debates nas mídias e todos conseguem focalizar parcelas das mazelas que judiam do populacho, desde sempre, se fosse somente o prejuízo das massas o problema todo seria novamente dissimulado empurrando-se a solução para debaixo do tapete, acontece que agora estão todos sendo afetados de alguma maneira e a hegemonia do poder vem se desmanchando como castelo de areia, e ai procura-se a solução definitiva, acontece que mesmo para aqueles que sempre se beneficiaram em causa própria da energia da Nação, a tão necessária solução parece miragem no deserto de impossível realização.
Fala-se da diminuição dos juros, lembra-se da necessidade de reforma da legislação que se regulamente o emprego, a previdência social, o sistema prisional, as policias que mais mata no mundo, a educação, a burocracia encracalada em todas as áreas da administração publica, da saúde… Enfim é uma casa totalmente tomada pelos cupins, seria necessário e mais producente, demolir tudo e construir outra com alicerces mais vigorosos.
pedro luiz
13 de setembro de 2015 3:07 pmCadê as prioridades?
Como sempre o André é lúcido e excelente articulista.Masa me pergunto a cada artigo que leio neste e outros host da rede: Como lidar, como “flexibilizar” a mente dos banqueiros que dètem nossa dívida pública em papéis nos seus cofres?.Como lidar com a banca privada que hoje domina o congresso nacional via financimaneto de campanhas milionárias indo do presidente ao deputado?.Como fdazer isso se nosso governantes NÃO querem PEITAR nossos credores de uma forma direta, ou seja, por exemplo renegociar esses paéis que hoje levam 40, 40% do nosso orçamento anual?.
pedro luiz
13 de setembro de 2015 3:08 pmCadê as prioridades?
Como sempre o André é lúcido e excelente articulista.Masa me pergunto a cada artigo que leio neste e outros host da rede: Como lidar, como “flexibilizar” a mente dos banqueiros que dètem nossa dívida pública em papéis nos seus cofres?.Como lidar com a banca privada que hoje domina o congresso nacional via financimaneto de campanhas milionárias indo do presidente ao deputado?.Como fdazer isso se nosso governantes NÃO querem PEITAR nossos credores de uma forma direta, ou seja, por exemplo renegociar esses paéis que hoje levam 40, 40% do nosso orçamento anual?.
Andre Araujo
13 de setembro de 2015 6:03 pmO aumento da taxa SELIC não
O aumento da taxa SELIC não foi pedida pelos banqueiros, eles não tem aultrnativa aos titulos publicos federais, uma quasi-moeda que paga uns juros que moeda circulante não paga. O aumento da taxa SELIC foi decisão unilateral do BC
para aplicar uma cartilha “juro alto segura a inflação” completamente caduca mas que essa turma aprendeu em alguma escola e dai não conseguem sair. A equação “juro alto segura a inflação” é uma das maiores imbecilidades que a mente humana conseguiu produzir, essa gente tem QI de ostra, o mundo inteiro está com juro zero e sem inflação.
Juro alto produz recessão, a inflação não tem nada com isso.
Paulo F.
14 de setembro de 2015 1:40 pmAndy
Travestido de João Batista, vestido com peles de camelo e comendo gafanhotos e mel e pregando no deserto….
Bota deserto nisso.
Parabéns Andy: contra a dominancia do pensmento binário.
Pudera o Levy ler o seu post!