4 de junho de 2026

As tentativas e erros de Dilma, por Ricardo Melo

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Da Folha

Tentativa e erro

Ricardo Melo

O recuo da presidente Dilma em relação à CPMF coroou uma série de iniciativas desorientadas que comandam o governo desde as ameaças de impeachment.

Primeiro foi a Agenda Brasil, coleção de postulados conservadores destinada a afagar a elite. Alguém sério ainda lembra dela?

Depois veio o anúncio atabalhoado do corte de ministérios. Quantos? Quais? Quando? Deixa pra lá.

Agora o ensaio de ressurreição da CPMF. Nem se trata de entrar no mérito da proposta. Tampouco perder muito tempo em registrar o cinismo de oposicionistas e outros tantos que criaram o imposto no passado e agora posam de seus maiores adversários.

A raiz do problema continua sendo a mesma. Como compatibilizar um governo que se diz social –e que, por isso, tem sido reeleito–, mas insiste em procurar socorro naqueles que nunca engoliram a hegemonia de um partido fora do cenário tradicional da política brasileira. O pau que bate em Chico continua preferindo os Chicos, este é o fato.

O resultado constrange. A tal base política esfarela-se dia após dia. As concessões a torto e, principalmente à direita, não surtem efeito. De uma certa forma, o Planalto caiu na armadilha montada pela oposição. O fantasma golpista passou a guiar todos os passos da administração.

Cada lado festeja vitórias fátuas em tribunais que há muito perderam o respeito público. Além do TCU, Dilma vem sendo ameaçada pelo TSE. Ora, na mesma corte o PSDB é suspeito de cometer pelo menos 15 irregularidades na campanha presidencial. Você sabia disso? Provavelmente não. O assunto está confinado ao pé de página de alguns jornais. Uma das acusações, veja só, refere-se a doações de empreiteiras citadas na mesma Lava Jato que sataniza o PT.

Isso sem falar do escândalo do HSBC e da roubalheira assumida na sonegação fiscal na Receita. Talvez a Operação Zelotes não seja tão sexy, como diria o ministro Levy. Nesta nem foi preciso recorrer a vazamentos premiados de criminosos reincidentes. O próprio juiz responsável pelo caso, aprendiz de Gilmar Mendes, tratou de bloquear a investigação.

O Brasil vive sobretudo uma luta política. Mas quem vai decidir o desfecho são aqueles que sentem na pele o emprego minguar, os preços aumentarem, o acesso à educação, à moradia e a benefícios trabalhistas duramente conquistados ficarem mais difíceis. Isso não se resolve com discursos ou batalhas apenas pelo poder, seja de que lado for.

ENCONTROS E DESPEDIDAS

Por motivos pessoais e profissionais encerro hoje mais uma etapa nesta Folha, a terceira em minha carreira de jornalista. Acredito ter correspondido aos objetivos a que me propus em minha coluna inicial.

O debate sobre a democratização dos meios de comunicação está na ordem do dia, e ultrapassa os efeitos decorrentes da multiplicação de tecnologias. A radicalização política muitas vezes envenena a discussão, cuja peça central deve ser assegurar a verdadeira liberdade de imprensa.

Qualquer que seja esta nova paisagem, a Folha tem seu lugar assegurado. Durante todo o período como colunista, nunca fui censurado, tampouco instado a mudar opiniões, conceitos e princípios. Ao contrário: sempre gozei de completa liberdade, e incentivo, para exprimir minhas ideias –independentemente de diferenças editoriais.

Sempre terá sido uma honra dividir esta página com jornalistas consagrados como Janio de Freitas, Clóvis Rossi, Marcelo Coelho e tantos outros que a restrição de espaço impede citar. À Direção de Redação, capitaneada por Otavio Frias Filho, agradeço o apoio e respeito profissional irrestritos. Espero ter retribuído à altura.

Muito do que aprendi neste ofício devo aos anos trabalhados nesta Folha. E me orgulho disso. 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

10 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. jc.pompeu

    31 de agosto de 2015 1:50 pm

    Presidenta Dilma II está

    Presidenta Dilma II está tendo oportunidade única e rara de testar e comprovar, com auspiciosa possibilidade de sucesso resolutivo, o ainda insolúvel sem resposta clássico pobrema da matemática criativa pura: oTeorema Esperando Godot…

    “Try again. Fail again. Fail better”

    [Tenta outra vez. Falha outra vez. Falha melhor] Samuel Beckett

    também conhecido na douta tradução-interpretação à lusitana:

    “Ten­taste sem­pre. Sem­pre falhaste. Não te apo­quen­tes. Tenta de novo. Falha de novo. Falha melhor”, do mesmo insofismável Samuel Beckett acima.

  2. sergio ribeiro

    31 de agosto de 2015 1:57 pm

    Que chato

    Um dos poucos contrapontos que havia na Imprensa não vai escrever mais. Fica cada vez mais difícil acompanhar os jornais com seus discurso monocórdio, pois vão saindo as poucas exceções à gritaria insana da nossa medíocre oposição.

  3. Rui Daher

    31 de agosto de 2015 1:59 pm

    Pronto!

    Sai o Ricardo Melo, permanecem Azevedo, Magnoli, Coutinho, Pondé, Caiado. Quando pedi o cancelamento da assinatura, o editor Sérgio D’Ávila me enviou e-mail mostrando o equilíbrio. Equivocadamente, citava Ricardo, Jânio, Laura Carvalho, Vladimir Safatle, André Singer, Marcelo Coelho, à esquerda. Não são. Apenas não seguem o desvario escroto que tomou conta do jornal. Aí o desequilíbrio. A saída de Ricardo é mais um motivo de estar contente por ter cancelado a assinatura.

    Sugestão: em seu lugar, voltem com a Marilene Felinto. Cadê coragem?

    1. Rabuja

      31 de agosto de 2015 4:18 pm

      Marilene Felinto: “Quem se

      Marilene Felinto: “Quem se importa, afinal, com essa “mer…” dessa Folha de S. Paulo? Quem precisa dessa “bos…” pra escrever ou publicar algo?”

      http://www.viomundo.com.br/denuncias/marilene-felinto-chico-sa-escrever-para-folha-nao-enobrece-ninguem.html

      Por onde ela anda? Pena que ela está há quase sem publciar nada em seu blog.

  4. helio dias horvath

    31 de agosto de 2015 2:07 pm

    Deixe de bobagem, Melo. Dilma

    Deixe de bobagem, Melo. Dilma não recuou como disseram os jornalões. Em tempos de Lava Jatos, de liquidação de máfias do ICM de São Paulo, do ISS, também de  São Paulo e outras MÁFIAS mais, valeu apenas a ameaça da reimplantação da CPMF. Quer apostar como vai aumentar a arrecadação dos tributos daqui para a frente? É o que vai acontecer, porque os vira-latas fantasiados de empresários, habituados a sonegar, poderão dar lugar a uma nova Operação Zelotes, com Polícia Federal e tudo! Todo apoio à Dilma!

  5. joel lima

    31 de agosto de 2015 2:39 pm

    Fico feliz que Ricardo Melo

    Fico feliz que Ricardo Melo não terá que esperar dois meses para pegar o seguro-desemprego. Ele vai assumir a Diretoria de Jornalismo da EBC. 

    1. Nira

      31 de agosto de 2015 3:58 pm

      Ah !

      Ah !

  6. Bruno Cabral

    31 de agosto de 2015 2:59 pm

    Cego em tiroteio
    Parece pra mim que a Presidenta está mais perdida que cego em tiroteio, tem o poder mas não sabe o que fazer com ele.
    Da concessão e não cobra contra-partida. Cria fies e não negocia desconto. Aborta a queda da selic para niveis civilizados e cria essa crise sem fim que derrubou a arrecadação sem acabar com a inflação nem com os lucros do sistema financeiro ou a vida boa do judiciar ou legislativo.
    Enquanto isso o povo continua se f*

  7. Rabuja

    31 de agosto de 2015 3:44 pm

    Eu tenho a impressão que a

    Eu tenho a impressão que a cada vez que alguém diz que a Dilma errou, ela insiste em querer provar que acertou. E erra novamente. E o processo se realimenta. Azar nosso.

  8. Doug_SP

    31 de agosto de 2015 4:49 pm

    Acho que politicamente foi um

    Acho que politicamente foi um acerto deixar a “reinvelçao” da CPMF de lado.
    Se os coxinhas por muito menos – reajuste de transporte publico – fizeram aquele monte de bobagens imagina o que seria com uma re-criação de imposto.

    Aliás o erro foi ter jogado a noticia de que pretendiam fazer, já foi osuficiente para começar o chororô; acho até que a oposição estava torcendo para a coisa vingar, assim teriam um novo assunto para levantarem a barbárie de Impeachment.

    Se o governo está precisando de caixa poderiam rever a taxação de bancos e grandes empresas.

    Não sei se é verdade, e não tenho motivos para duvidar, mas sempre li que inúmeras empresas grandes devem uma grana violenta em impostos não pagos. Que tal começar por aí?

     

Recomendados para você

Recomendados