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O bruxo da marinha britânica

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O BRUXO DA MARINHA BRITÂNICA – Um homem de aparência esquisita, de traços mais orientais do que ingleses. Nascido no Ceilão, de pele morena, foi depois de Lord Nelson o maior personagem da Marinha britânica no Século XIX e começo do Século XX, lembrando que a Marinha era a arma mais poderosa do planeta e assegurou a glória e o poder do Império Britânico.

O Almirante Lord Fisher por 60 anos deixou sua marca nessa grande instituição. Nasceu em 1841 e se alistou numa Marinha de barco à vela legando a mais moderna marinha do mundo na abertura da Grande Guerra de 1914. Foi graças à estrutura de combate marinha que a Inglaterra derrotou a Alemanha no mar e garantiu seu império onde o sol nunca se punha, ocupando 1/4 da superfície terrestre do planeta.

John Fisher era um líder autoritário e um cérebro sempre cheio de ideias. Não gostava de ser contrariado, mas deve-se a ele a introdução de  mudanças fundamentais que garantiram o poder do Império Britânico. Aposentou 160 navios antigos e construiu os couraçados e cruzadores de batalha mais eficientes do que qualquer outra marinha. Introduziu os acionamentos por turbinas em vez dos êmbolos antigos, aumentou a velocidade dos navios, introduziu torpedos e inventou os navios contra torpedeiros, melhorou e modernizou completamente a artilharia de bordo, trocou o carvão por óleo pesado – só com isso aumentou em um terço a permanência da frota no mar. 

Todas as grandes modernizações da frota tem o seu dedo, não só no material mas também no trato humano. Trocou o biscoito duro tradicional por padarias que faziam pão fresco nos navios todas as manhãs, melhorou imensamente as condições de vida dos marinheiros, os sistemas de saúde a bordo, reorganizou os turnos e as folgas, melhorou a instrução.

Primeiro Lorde do Mar nos primórdios da Grande Guerra, teve que conviver com Winston Churchill que era seu superior como Primeiro Lorde do Almirantado e, evidentemente, tiveram problemas de relacionamento. Eram dois autoritários no mesmo cômodo, mas Churchill o admirava pela sua imensa contribuição à construção do poder naval britânico, então incomparável com qualquer outra potência. 

A grande luta dos dois foi contra o crescente poder naval do Império Alemão, desafiante da Inglaterra no domínio do mar, mas neutralizado nas batalhas fundamentais nas batalhas de Jutlândia e Heligolândia, quando se reafirmou o domínio inglês no Atlântico Norte, fechando a frota alemã no Báltico.

Antes do grande conflito mundial Fisher participara das guerras do Ópio, da Crimeia, dos Boers. Na Guerra Mundial bateu de frente com Churchill por causa da aventura de Gallipoli, mas ai estava no fim da longa carreira, morreu em 1920, enobrecido como 1º Barão Fisher. A Inglaterra muito lhe deveu por sua dedicação exclusiva à Marinha.

John Fisher era realmente um tipo curioso. Exímio dançarino de salão, seu maior hobby, introduziu a obrigatoriedade de saber dançar para todos os marinheiros. Quando em terra organizava bailes com a sociedade local e os marinheiros ele mesmo se exibia, galanteador e conquistador de damas em disponibilidade, era atrevido e ousado.

Essa figura ímpar depois de 60 anos de Marinha tinha um problema físico, ele enjoava a bordo, nunca se curou desse pequeno defeito, como é curiosa a vida dos grandes personagens.

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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10 Comentários
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  1. Luiz Antonio Antunes Machado

    30 de agosto de 2015 5:22 pm

    história

    Há uma história sobre Fischer que nunca foi confirmada ou desmentida, e que se referia a uma sugestão feita por Fischer ao rei inglês durante uma recepção. O almirante pediu apoio ao monarca para atacar de surpresa a esquadra alemã ancorada em Kiel, e isso bem antes da Primeira Guerra Mundial. O que se diz é que o rei ficou horrorizado e respondeu: “Fischer ! Você deve estar louco !

    1. Andre Araujo

      30 de agosto de 2015 6:37 pm

      O Rei só poderia ser Eduardo

      O Rei só poderia ser Eduardo VIII e nem seria ele que poderia apoiar, um ato de guerra só pode ser autorizado pelo Parlamento mas a Inglaterra jamais faria isso, não se encaixa na sua logica geopolitica atacar sem ser atacada.

      1. Luiz Antonio Antunes Machado

        30 de agosto de 2015 7:57 pm

        Improvável

        Também acho improvável a história do jeito que foi contada. No entanto não duvido das intenções belicosas de Fscher e ou de Tirpitz, que se estudavam com cautela e desconfiança, especialmente após o início da corrida naval. Pelo poder naval que as duas nações acumularam muitos acreditavam que haveria mais choques do tipo de Jutland. De qualquer forma, o “Bon vivant” Eduardo dificilmente iria tentar influenciar o parlamento para isso.

  2. junior50

    30 de agosto de 2015 9:59 pm

    Leiam

    http://www.dticmil/dtic/tx/fulltext/U2/q573630.pdf

     “Geography, technology and British Navy, in dreadnought Era”  ( Naval War College – US Navy )

      Sobre a proposição de Fischer , não apenas dele, mas do Almirantado, referente a um ataque preventivo a Kiel, ou a barragem de minas da região de Heligoland * e  o Skagerrak, as versões são varias, desde que foi um estudo feito a época da “Crise de Agadir 1911 – incidente da “Canhoneira Panther “” , ou como é usual em marinhas, um “plano de contigência + jogo de guerra, ou em alemão “kriegspiel”, vazado durante a época da campanha de construção de novos couraçados, quando Inglaterra e Alemanha rivalizaram fortemente por estas belonaves, e a midia inglesa, abastecida por membros do Almirantado, somados a pressão vinda dos estaleiros ( Vickers, Elswick etc..), iniciaram uma campanha muito popular de apoio a estas construções. ( “Queremos 8, e não vamos esperar ” – 1912 ).

       Na virada do século XIX para o XX , com base nas experiências ocorridas, a partir da Criméia, passando pela importante Guerra Civil Americana, culminando na Guerra Russo – Japonesa, modificaram-se todas as táticas navais, velocidade + blindagem + poder de fogo – frutos da Revolução Industrial – fizeram “aparecer” a triade de “almirantes”, cujas idéias, permearam todas as operações navais do século XX, chegando até oos dias de hoje, homens como Fisher, Togo e Mahan, principalmente o ultimo, explicam bastante o que significa o “Poder Naval Estratégico”, uma concepção originária dos “cruzadores” coloniais britanicos e franceses, do final do séc. XIX , chegando atualmente as “Forças Tarefa da US Navy ” nucleadas em porta – aviões, uma sintese da projeção de poder de um Estado.

       * Minagem de Heligoland e Skagerrak : Para os planejadores navais britanicos, a minagem de Heligoland, travaria os portos da marinha do Kaiser , do Mar do Norte ( Kiel e Willhemshaven ), já a minagem do Skagerrak, apesar dos possiveis protestos diplomáticos da Dinamrca e Suécia, travaria a Esquadra do Báltico alemã, mas a operação possivel contra este estreito, foi considerada inutil a partir do momento da cosntrução do Canal de Kiel, ligando o Baltico ao Mar do Norte, este canal, vital para a Alemanha, foi completado pouco antes da eclosão da 1a GM, em 1914.

         P>S.: “Pesadelo do Mar do Norte ” :  Problema estratégico naval que ocorre até hoje, ainda mais com o petroleo extraido nele, sempre foi um local dificil, desde os alemães, passando pelos soviéticos, e agora com os russos, o fundamental para quem tanto defende como para quem ataca, é o controle dos estreitos e acessos ao Atlantico, desde a “linha” GIUK ( Groelandia – Islandia – Reino Unido ), passando pelas latitudes articas da Finlandia a escócia, chegando ao sul, pelos acessos ao Baltico, terminando na Mancha.

    1. Luiz Antonio Antunes Machado

      31 de agosto de 2015 1:49 am

      Pesquisa

      Boas referencias, Junior, vou procurar, pois faz tempo que não leio nada sobre o assunto.

      1. junior50

        31 de agosto de 2015 4:36 am

        Outras referencias

          http://www.diplomat.com/2014/the-geopolitical-vision-of-alfred-thayer-mahan/

         e o livro: “The influence of sea power, upon history ” de Mahan.

           Estes excertos, até academicos, oriundos do seculo XIX, quando compreendidos, em sua essencia, são atuais, pois a compreender, o significado , defensivamente, das “fronteiras estratégicas”, a a atuação politico – estratégica, da “projeção de poder naval”, ou da segurança, tanto de suas estruturas costeiras e  projeção de plataforma continental, continuam as mesmas – a doutrina não se alterou, apenas os meios envolvidos.

           Exemplo: Onde se encontra nossa, Brasil, a “fronteira maritima” ?

            Resposta: Quando falamos sobre nossas fronteiras, sempre são as terrestres – é comum ao ser humano tal visão, de origem ele não nada ou voa -, mas nossa maior fronteira continua é maritima , recheada de riquezas,,portanto, em visão bem americana ( US Naval College ), o Brasil no mar, é um ente extremamente importante ( controla mais que a metade do Atlantico comercial, da “cintura dele” Natal  – Dacar, até a diagonal do Chuí – Boa Esperança ) – ESTRATÉGICO, pois alem do controle possivel das rotas e acessos, Sul – Norte de navegação, das riquezas do solo marinho e dos produtos do mar ( superficie liquida ), temos duas fronteiras; 1. a de “plataforma” (ZEE + extensão desta ), 2. a de “projeção “, a que vai alem da ZEE+ E , chegando a costa africana – nossos vizinhos, tanto quanto a Argentina, Paraguai ou Bolivia.

             Somos seres do Mar, e a geopolitica é do Mar, pois quem controla ou domina sua parte convergente oceanica, exerse dominancia continental.

  3. Luiz de Souza

    31 de agosto de 2015 1:45 am

    Bruxo britânico

    Feliz de quem tem seus heróis. Nós temos poucos, sinal que sofremos e também nos desenvolvemos menos.

    Sem maldade, agora esta glória passada é quase tudo que resta à Inglaterra que não passa de mais um estado americano, com direito a voto na ONU. É também sede de experiências neoliberais, como agora com a aprovação do corte dos impostos de 28 para 18% do PIB e aumento dos salários. Como já têm uma divida de 1,2 PIB não é difícil prever o que acontecerá, serão obrigados a vender até a marinha à iniciativa privada. É também a sede das espionagens que os americanos não pode fazer, para não ferir os tratados internacionais.

    Em tempo: fechar parte do centro de Londres ao tráfego e também aquela roda gigante são ideias fantásticas, das mais novas.

    1. Andre Araujo

      31 de agosto de 2015 3:16 am

      A Inglaterra com pouco

      A Inglaterra com pouco territorio é o pais central do sistema economico global, Londres é o maior centro financeiro do mundo, o inglês é a lingua franca do mercado financeiro, todas as instituições desse mercado foram criadas na Inglaterra,

      o Pais é uma especie de centro intelectual do capitalismo, do neoliberalismo,  da ciencia economica, as duas vertentes

      do pensamento economico nasceram lá, o capitalismo e o marxismo, O CAPITAL foi escrito na biblioteca do Museu Britanico, a London School of Economics é a torre do pensamento economico mundial.

      Dizer que a Inglaterra só ive da gloria é muito pouco.

      1. rdmaestri

        31 de agosto de 2015 6:19 am

        A Inglaterra abdicou da indústria e isto …

        A Inglaterra abdicou da indústria e isto vai lhe custar caro. Mesmo a indústria de alto valor agregado foi deixada de lado, setores como o de informática, aeronaval, automobilístico, ferroviário e outros foram todos deixados de lado, deixando somente espaço para o sistema financeiro. Isto é bem temerário.

    2. André W.

      31 de agosto de 2015 3:26 am

      Meu Brasil me deu muitos

      Meu Brasil me deu muitos heróis. Barão do Rio Branco, João Cândido, José Bonifácio,  Padre Antônio Vieira, Barão de Mauá, Delmiro Gouveia,  Os estudantes brasileiros que enxotaram os invasores  franceses do Rio de Janeiro, Joaquim Nabuco,  Getúlio, Juscelino, Lula, Betinho (irmão do Henfil). Fico só no campo político e econômico.   Ainda admiro como um país minúsculo, Portugal, quase do “norte da áfrica” uma neo-Cartago, conseguiu manter  expandir e conservar unificada uma colônia do tamanho do Brasil, com grandes macro-políticas que deram certo, como a miscigenação, por exemplo.  Todos mantém um foco exagerado na Inglaterrra e suas colônias por terem sido nos dois últimos séculos o centro do mundo. Eles colonizam as mentes, chamam nossa atenção. O mundo não é os EUA e os outros, por mais que façam parecer. Temos heróis o suficiente. Temos passado, o que nos falta é presente.

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