4 de junho de 2026

Dilma tem dificuldades em lidar com o problema fiscal, por Delfim Netto

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Da Folha

Consequências

Antonio Delfim Netto

O nível generalizado de desconfiança que dissolveu instantaneamente a relação de simpatia entre a sociedade e o governo Dilma, foi a descoberta que todo o custoso marketing feito durante a campanha eleitoral era apenas um nevoeiro para esconder uma triste realidade.

A decepção se apossou dos seus eleitores, um pouco mais de um terço do total, ainda que maioria no segundo turno. Hoje estão reduzidos a menos de 10% do total.

E, pior, aparentemente confinados ao gueto do ONGoismo, dos movimentos sociais domesticados e de sindicatos, todos beneficiados ou financiados pelo governo federal. A verdade é que um pouco menos de dois terços dos eleitores já eram contra ela no dia da eleição.

Parte da rejeição ao governo é devida ao conhecimento que a presidente, para reeleger-se, acelerou a crise fiscal anunciada há pelo menos 20 anos. Esta assumiu, agora, o status superior de “estrutural”, uma vez que o crescimento da receita (mesmo com os aumentos de impostos de mais de 10% do PIB no período) vão continuar a crescer menos do que a despesa, que é determinada endogenamente, pela vinculação de 90% dos gastos!

Dilma tem dificuldades de lidar com o problema, uma vez que, em 9 de novembro de 2005 –quando era Chefe da Casa Civil–, chamou o plano de ajuste fiscal de longo prazo que estava sendo preparado de “rudimentar” e acrescentou que “o tal debate é absolutamente desqualificado e não há autorização do governo para ele ocorrer”.

O surpreendente é que todos sabiam que ele estava sendo estimulado por Lula, por sugestão dos ministros Antonio Palocci e Paulo Bernardo.

Para sentir a gravidade da situação atual, em dezembro de 2013 o deficit nominal do governo foi de 3%, contra 6,2% em dezembro de 2014 e estima-se que terminaremos 2015, com um deficit nominal de 7% e, que a relação dívida bruta que era de 53,3% em dezembro de 2014, atingiu 58,9% em 2015 e deve beirar 62% ao final de 2015, um aumento de quase 10% do PIB em apenas dois anos!

Outra parte significativa da rejeição expressa nas “passeatas cívicas”, nos “panelaços” etc. parece vir da impressão generalizada que Dilma ignorou a realidade talvez, inconscientemente, como revelou sua entrevista na edição de ontem a esta Folha.

Como disse Nietzsche, “as mentiras mais comuns são as que contamos para nós mesmos; as outras são, relativamente, exceções”.

É preciso muita sorte e muita arte e engenho para desfazer tal impressão. Restabelecer a confiança da sociedade, é condição preliminar (ainda que não suficiente) para a volta do crescimento econômico que corrigirá todas as coisas. 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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16 Comentários
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  1. Francy Lisboa

    26 de agosto de 2015 10:31 am

    Delfim falando em

    Delfim falando em mentira?

    Por que ele não dá a dica para Dilma maquiar a inflação? Sabe-se que ele tem larga experiencia. Ahhh! Mas isso foi no passado caro Francy, agora ele só acerta.

    1. Diogo Costa

      26 de agosto de 2015 11:20 am

      Várias “dicas”

      Ele também poderia ‘dar dicas’ sobre como se faz um AI-5 prendendo, torturando e esfolando qualquer um oposicionista.

       

      Poderia também ‘dar dicas’ sobre como governar um país censurando a tudo e a todos e proibindo o direito de greve, cuja consequência óbvia é o arrocho salarial, a carestia e o brutal aumento na desigualdade social. 

       

      Poderia também ‘dar dicas’ sobre como levar um país com inflação média para um estágio de galopante hiperinflação, corroendo ainda mais o poder de compra das classes laborais. 

       

      Poderia também ‘dar dicas’ sobre como se endividar até o pescoço com empréstimos internacionais a juros pós fixados, e aí quando o FED de Paul Volcker, no início dos anos 80, elevou bruscamente a taxa de juros, para mais de 20% ao ano, quebrou o Brasil num piscar de olhos. 

       

      Quem sabe ele não poderia ‘ensinar’ Dilma sobre como se quebra o pacto industrial que houve entre 1930 e 1980, graças a crise de 81/82, quando ele era governo… 

      1. Free Walker

        26 de agosto de 2015 12:22 pm

        Certamente ele, Delfin, deu

        Certamente ele, Delfin, deu muitas dicas quando foi conselheiro econômico ” quase particular” de Lula e escrevia odes ao ex-presidente na Carta Capital. À época, Delfin Neto era tratado aqui e em outros blogs governistas como “cult”, um economista “cool”, de direita mas gente fina, assim, uma espécie de arrependido que finalmente reconhecia e se prestava a prestar conselhos diante dos saberes quase divinos do proletário presidente.

         

  2. nilo

    26 de agosto de 2015 10:46 am

    Delfim Dilma na entrevista

    Delfim Dilma na entrevista (manipulada como sempre) se referia à crise internacional segundo El País. Ver, por exemplo, o arigo de Paulo Nogueira in:

    http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-que-leva-dilma-a-dar-entrevistas-para-jornais-que-vao-sacanea-la-por-paulo-nogueira/

  3. CarloB

    26 de agosto de 2015 10:46 am

    Nada que um bom corte

    de juros para os rentistas não resolva. E acho que resolveria já no curto e médio prazo. Só precisa um pouco mais de coragem.

  4. Marcos AS

    26 de agosto de 2015 10:48 am

    Conta Outra
    Acaso o eminente economista considera os gastos com juros? E Dilma não dizia ser rudimentar justamente o argumento que ignorava isso? A tentativa baixar radicalmente os juros em 2012, para com isso elevar a produção, não era uma saída à Keynes (e nada vale vulgar, diga se), para o deficit em causa? E estaríamos nós (ou o que o eminente economista chama de sociedade, embora saibamos bem do que se trata), em plena era do capitalismo rentista, imunes a qualquer tipo de chantagem? Perguntas, só perguntas…

  5. joao

    26 de agosto de 2015 11:30 am

    Sim sim sim
    Uma expressao do casteliano!
    Quando alguem como Delfim fala!
    Ate contraditorio nele, no seu pensamento economico e estah errado. Algumas formulas estabelecida na academia jah nao se aplica numa economia terrena, qdo era um mundo do universo proprio ou somente dentro das fronteira do pais, sim. Todas as metas e formulas para a economia brasileira vai muito alem de que algumas variaveis.
    Dilma nao disse nada! Muito menos sobre economia e seus erros, sim nada.
    Primeiro que nao precisava desta correcao e esquecendo o resto. Antigamente, na historia do Brasil e do mundo vimos que projetava assim. Foi o caso do cafe, foi o tempo da exportacao na ditadura e sempre se esquece de combinar com os parceiros. O Brasil precisa integrar sua dinamica e explorar sua economia interna com crescimento. O estado e seus funcionarios sao investimentos de quem nao tem poupanca. Certamente temos duas visoes comparativa, da politica economica FHC e LULA e cem por cento a do Lula/Paloci deu certo. O que quebrou nao foi a Dilma mais o Manteiga com seu otimo e sem plano e atitude para fazer,,falar e pensar para o governo. Ele e sua turma permitiu e fizeram com Dilma pontos, costuras, retalhos e agora outro academico que pelo visto nunca controlou a economia de sua casa como a Dilma. Estou louco ou estes caras vao acabar com o Brasil. Ela nao tem que dah pitacos. Ou chama o pessoal ou cala-se e se frita na maos dos seus escolhidos para isto.

  6. Joel Miranda

    26 de agosto de 2015 11:37 am

    Amigos, a gente se surpreende

    Amigos, a gente se surpreende com certos economistas, só por pura ingenuidade!

    É este caso do Delfim!

    Disse ele:

    “É preciso muita sorte e muita arte e engenho para desfazer tal impressão. Restabelecer a confiança da sociedade, é condição preliminar (ainda que não suficiente) para a volta do crescimento econômico que corrigirá todas as coisas.” 

    Pergunto, qual “sociedade” cara pálida?

    A do povo ou a dos agentes capitalistas?

    Claro, a dos agentes capitalistas, pois se eles não estão satisfeitos, ou não estão ganhando como querem, nenhum governante presta, principalmente se ele é de um governo popular!

    No puteiro capitalista, não pode haver santo!

  7. Juliano Santos

    26 de agosto de 2015 12:10 pm

    Não vou ao passado mais

    Não vou ao passado mais distante, vou ao bem recente. É o suficiente para mostrar as contradições do articlulista. Delfim tem sido um dos maiores defensores da política econômica do governo. Tem uma coluna na Carta Capital que leio quase sempre. Todas que eu me lembro diziam que a Dilma estava no caminho certo. 

    Será que o Delfim é um na revista do Mino e outro no jornal do Otavinho? Será que ele quer tirar o corpo fora porque acha que a crise chinesa vai complicar as suas antigas previsões? De qualquer forma ele nunca tinha feito uma avaliação dessas, estilo Miriam Leitão.

  8. Aleandro chavez

    26 de agosto de 2015 12:16 pm

    No post de ontem, do Bresser

    No post de ontem, do Bresser Pereira, ele é definido nos comentários como uma das vozes lúcidas ao lado do …. Delfim Neto!!! Podem ler lá.

    Hoje o Delfim fala mal do PT e é definido como um crápula.

    Isso mostra como o lulipetismo perdeu qualquer referencia. Se a pessoa fala bem do PT, é ótimo. Se fala mal, é péssimo. O mesmo ocorre com as ideias. Não se tem mais ideologia no lulopetismo. Uma ação é defendida se for tomada pelo governo, qualquer uma, mesmo que seja contra a história do PT. A questão é se manter no poder.

  9. Jose Americo

    26 de agosto de 2015 12:21 pm

    Que artigo é esse?

    “E, pior, aparentemente confinados ao gueto do ONGoismo, dos movimentos sociais domesticados e de sindicatos, todos beneficiados ou financiados pelo governo federal. A verdade é que um pouco menos de dois terços dos eleitores já eram contra ela no dia da eleição”.

    De onde o Delfim tirou isso? Aderiu ao estilo Veja de análise? São os bolivarianos financiados pelo governo, por acaso? Quer dizer que votamos em Dilma e já eramos contra ela, subconscientemente? 

  10. Jose Gonçalves

    26 de agosto de 2015 12:33 pm

    Resposta

    Acho que o mesmo está ficando gagá, sem mais comentários. Também para dizer que não sou e nunca fui apadrinhado por qualquer partido, apenas tenho as minhas convições em função de tudo que ocorre no Brasil e no mundo. Aqui em baixo, uma vez que acredito que ele esteja lá em cima, a vida melhorou, com toas as adversidades encontradas para tentar reduzir este ganho.

  11. RSF

    26 de agosto de 2015 1:09 pm

    À Francesa II….rsrsrsrsrsrs…

    Cade o CONSELHO FEDERAL DE ECONOMIA que não desfilia e caça o “diproma” de economista dessa senhora ?????

    Essa senhora não era “DOUTORA” em economia??????? aaaaaaaahhh, lembrei!!!!! FOI ENGANO.

    O ignorante do Lula (ignorante, não burro!!) via essa coitada fazendo apresentação no Powerpoint e achava que ela entendia de alguma coisa do que apresentaga. PUTZ, PUTZ, Mil vezes PUTZ….rsrsrsrsrs…

    Certa tá a OAB que já DEFENESTROU dos seus quadros o MENSALEIRO CONDENADO “Zé Dirceu” – Também conhecido como BOB PAI………

    TODOS, mas TODOS mesmo, sabemos que Dilma já deveria ter abandonado, à francesa, a festa. POBRE COITADA.

    Parte mais difícil da festa: SABER QUANDO IR EMBORA. Go Dilma, GO !!!!….

    Delfim: Fez o bolo crescer mais não repartiu com os pobres.

    Lula/Dilma: Fizeram o bolo crescer, repartiram, um pouco, com os pobres e, agora, vão fazer com que VOMITEM TUDO…rsrsrsrs…Brasil….MOSTRA A TUA CARA….

    Resultado de imagem para saindo de fininho

  12. Calvin

    26 de agosto de 2015 3:26 pm

    Delfim não entende bulhufas!

    Só Dilma, ela está certa!

  13. m.cubiak

    26 de agosto de 2015 5:18 pm

    Defendo todas as conquistas

    Defendo todas as conquistas dos últimos 12 anos. E na análise que fiz, penso que estes avanços principais são três:

    1) política de valorização do Salário Minimo; 2) A redescoberta do Nordeste e o desenvolvimento interiorizado e, 3) A inclusão dos pobres no orçamento.

    Agora, não posso defender governo que vem corroendo estes avanços. Eu não posso, ainda, defender uma presidenta que desconhecia fatos e conjunturas econômicas de menos de 8 meses atrás. Como assim? Eu nao devo me irritar, ou dividir minha compreensão em relação a Dilma em duas ou três parcelas, como o Levy gosta de fazer?

    Sem querer brincar de disputa de grêmio estudantil, muito comum em setores da esquerda de hoje, o governo petista – e daí, já saimos do campo da Dilma – em seus anos de assento na cadeira e acesso à grande caneta mágica continua a irritar.

    A gente tem que ver o governo naquilo em que ele age e naquilo em que ele se omite. E mais: não sou bobinho pela pauta que apresento abaixo. Não esperava um abraço forte e quente, mas, apenas um aceno de “venha, o governo está aberto a sua participação”. Hoje o governo e PT são belos burocratas. E por isso, vou elencar aqui algumas omissões que irritam am parte da sociedade e desgastam o governo e partido:

    1) ainda temos – depois de 12 anos de governo trabalhista – 44 HORAS DE JORNADA DE TRABALHO;

    2) Ainda temos o padrão de Imposto de Renda que privilegia os ricos e abastados;

    3) A midia concentrou-se ainda mais, e participação social das Conferências de Comunicação e a proposta da Ley de Medio foram para as gavetas sem fundo;

    4) Taxação de fortunas gigantes, imposto sobre herança, cadê vocÊs? Em nossa situação, não basta aumento do Salário e Bolsa Familia pra redistribuir renda.

    5) Nenhum grande plano de desenvolvimento da Educação ganhou terreno na educação básica. Como um governo dos trabalhadores não empenhou-se com toda sua força para os 10% da educação? Porque jogar pro futuro aquilo que poderia ser feito ontem? Continuamos com nossas escolas fabricando desigualdades, um ensino médio defasado. Não fosse o PROUNI, COTAS e redefinição do FIES, isto é o Ensino Superio, a era petista teria feito apenas gerencialismo. 

    6) O Sistema prisional piorou, nenhuma grande articulação entre as secretarias de segurança foram estimuladas, a violência da policial ficou mais pesada, nunca foi tocada a tecla da desmilitarização da Policia e assim vai. 

    7) A homofobia não foi criminalizada. O PT não conhece a diversidade no seio dos trabalhadores?

    8) As drogas não foram descriminalizadas. Continuamos mandando pra cadeia jovens que, no mundo do tráfico, conseguem organizar grandes empreendimentos economicos. Se fosse uma atividade social ou economica, valeria aparição no TEDx. Mas que olhamos para esses jovens como perdidos. Sob o governo dos trabalhadores, ainda mandamos, 13 anos depois, jovens pra universidade dos PCCs, ao invés do PROUNI.

    8) Reforma agrária, esse salto cidadão do capitalismo, morreu por intoxicação de agrotóxicos;

    9) Faz 10 anos que a nova Lei Rouanet, que impactaria positivimanete a redistribuição de recursos para projetos culturais, está parada, por falta de empenho.

    Dá pra aumentar a lista de irritações. Ainda mais, nestes tempos de Agenda Brasil e governo se fechando nos palácios longuínquos de Brasília.

     

  14. Doney

    26 de agosto de 2015 8:04 pm

    Como economista que é Delfim

    Como economista que é Delfim possui uma versão dos números bastante curiosa. Ao dizer que no dia da eleição “dois terços dos eleitores já eram contra” Dilma promove uma falácia absurda.

    Ela obteve mais ou menos um terço dos votos, Aécio um terço e o outro terço não votou. Daí a dizer que este terço que não votou era contra ela… de onde ele tirou isso? Quem poderá afirmar que era contra, a favor, e em quais percentuais?

    Convenhamos, que embuste.

    Outra coisa, o déficit público é o que é por conta dos juros e do aumento de gastos do judiciário e legislativo – e não do aumento de gastos da parte do executivo. Aliás, até é do executivo, mas especificamente do BC.

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