
Jornal GGN – A bolsa brasileira chegou a cair 2% ao longo desta terça-feira, mas conseguiu reduzir as perdas: o Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) fechou em queda de 0,57%, aos 49.072 pontos e com um volume negociado de R$ 5,839 bilhões. As operações foram encerradas antes do rebaixamento da nota do Brasil pela agência de classificação de risco Moody’s.
As ações da Vale puxaram a desvalorização ao longo do dia, após a valorização registrada nas operações desta segunda-feira. O papel preferencial da mineradora (VALE5) perdeu 5,11%, a R$ 14,66, enquanto o papel ordinário (VALE3) recuou 3,88%, a R$ 18,60. Os agentes também acompanharam a publicação de balanços corporativos e os desdobramentos do cenário político, em especial as medidas apresentadas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) para enfrentar a crise. O senador apresentou um pacote de sugestões, focadas na melhoria do ambiente de negócios, equilíbrio fiscal e proteção social, e recebeu elogios da presidente Dilma Rousseff.
No câmbio, a cotação do dólar fechou em alta de 1,60%, a R$ 3,498 na venda, interrompendo uma sequência de duas quedas. De manhã, a cotação operou próximo da estabilidade, mas disparou a partir das 10h. Na máxima do dia, por volta das 12h40, o dólar chegou a ser vendido a R$ 3,512. A divisa acumula alta de 2,13% em agosto e de 31,6% no ano.
A cotação foi influenciada pelo cenário externo. O Banco Central da China anunciou hoje a desvalorização do yuan em quase 2% em relação ao dólar norte-americano, com o objetivo de reforçar a segunda maior economia mundial e estimular as exportações.
Apontada como a maior desde as reformas do sistema monetário em 2005, a desvalorização da moeda chinesa surge em um momento em que a economia do país encontra-se em forte desaceleração. O objetivo é estimular as exportações, uma vez que a produção nacional fica mais barata – contudo, a medida poderá levar a uma reação dos Estados Unidos, que têm argumentado que o yuan está subvalorizado e pressionando as demais moedas asiáticas.
A decisão da Moody’s, que rebaixou hoje a nota da dívida soberana brasileira, não interferiu na cotação do dólar, porque foi divulgada após o fechamento do mercado. Apesar da redução, o país está uma nota acima do grau de investimento, que é a capacidade de um país não dar calote na dívida pública.
O Banco Central também continuou a rolar os contratos de swap cambial (equivalentes à venda futura de dólares) que vencem em setembro, vendendo a oferta total de até 11 mil contratos. Ao todo, a autoridade monetária já rolou US$ 2,767 bilhões, ou cerca de 28% do total que vence no mês que vem.
Para quarta-feira, os analistas aguardam a divulgação das vendas no varejo do Brasil. A agenda será mais movimentada no exterior, com a publicação do orçamento mensal e ofertas de emprego nos Estados Unidos; produção industrial na zona do euro; taxa de desemprego na Grã-Bretanha; produção industrial do Japão; estimativa do PIB, vendas no varejo e produção industrial na China. Na temporada de balanços para o segundo trimestre, a expectativa está em torno da divulgação do resultado de empresas como Gerdau, Marfrig, Light, SLC Agrícola, Bradespar, ALL e Suzano Papel e Celulose.
(Com Reuters e Agência Brasil)
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