
Jornal GGN – Primos de Jean Charles de Menezes prestaram suas homenagens no dia que marca os dez anos de sua morte. Jean Charles foi confundido com um terrorista e assassinado pela polícia metropolitana de Londres, dentro de um vagão de metrô na estação de Stockwell, no sul da capital britânica, no dia 22 de julho de 2005.
Os familiares e amigos de Jean Charles fizeram um minuto de silêncio e cobraram a punição dos envolvidos no crime. A polícia foi considerada culpada, mas até hoje ninguém foi criminalmente punido pelo assassinato. Os policiais alegaram que achavam que Jean Charles era Osman Hussain, suspeito de tentar um ataque terrorista mal sucedido na esteira dos atentados que deixaram 52 mortos em Londres, em julho de 2005.
Da Folha
Dez anos depois, morte de Jean Charles é lembrada e família cobra punição
Com flores, velas e um minuto de silêncio, um grupo de dez pessoas próximas a Jean, sob olhar de curiosos e de jornalistas brasileiros e britânicos, o homenageou em frente ao memorial inaugurado em 2010 na estação de metrô.
“Há dez anos, meu primo veio até aqui e foi morto. É inacreditável pensar no que ocorreu, ele era um inocente querendo ajudar sua família. Queremos a punição dos responsáveis pela operação”, disse Vivian Menezes Figueiredo, 34, prima de Jean e que vive Londres desde a época de sua morte.
“Nenhuma pessoa foi condenada, só gostaríamos de pedir que a justiça fosse feita”, reforçou Alessandro Pereira, 32, também primo do brasileiro.
No mês passado, a família de Jean entrou com uma ação na Corte Europeia de Direitos Humanos buscando punição para os envolvidos.
Em sua versão, a polícia alegou acreditar que Jean Charles fosse Osman Hussain, suspeito de tentar, sem sucesso, operar um ataque terrorista no dia 21 de julho, numa ação ligada aos atentados de 7 de julho que deixaram 52 mortos.
Segundo a polícia, Hussain vivia no apartamento 21 da Scotia Road, no bairro de Tulse Hill. Jean morava no 17.
A Scotland Yard foi considerada culpada pela Justiça britânica em 2007 pelos erros na operação e teve de pagar uma multa de £ 175 mil. Em 2009, chegou a um acordo de indenização com os pais do brasileiro em torno de £ 100 mil, cerca de R$ 286 mil na época. Mas nenhum policial ligado à ação foi condenado.
O então diretor da polícia, Ian Blair, desgastado pelo caso, deixou o cargo em 2008. Dois anos depois, virou nobre, o “Lord Blair de Boughton”, após ser nomeado para uma cadeira na Câmara dos Lordes, a câmara alta do Parlamento britânico.
“PRECISAVAM MATAR”
Em entrevista à Folha, Patrícia Armani da Silva, prima que morava com Jean Charles em Londres na época do ocorrido, também criticou a ação policial.
“Eles [polícia] precisavam matar alguém naquele dia, porque a pressão era muito grande por causa dos atentados do dia 7 de julho e depois do dia 21″, afirmou, aludindo aos atentados a bomba nos quais 52 pessoas foram mortas no sistema de transporte público da cidade e da ameaça ocorrida na véspera.
“Foi uma grande sacanagem, pois, por mais que a cidade estivesse vivendo um momento de puro horror, eles estavam lidando com a vida das pessoas e falharam”, disse.
luddita
22 de julho de 2015 4:59 pmO compositor Nitin Sawhney
O compositor Nitin Sawhney fez uma música sobre os atentados e sobre Jean, nessa apresentação o cantor usa a mesma camisa que os familiares da foto.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=G9ulurhU7CI%5D
Days Of Fire
Nitin Sawhney
There’s no more trains going that way
There’s no more trains coming this way
You better make your way home, son
There’s something going down in London
Well That ain’t gonna stop me
So I step out the station and what do I see?
Traffic for days
Let me walk a bit and I’ll see where it get me
Then it all went slow motion, everything slow motion
First came the flash of lights then the sound of explosion
And we’re still in slow motion, we’re still in slow motion
On these streets where I played
And these trains that I take, I saw fire
But now I’ve seen the city change in
Oh so many ways, since the days of fire
Since the days of fire
Now I’m on the train going that way
There were too many people coming this way
Delayed trains, delayed trains
Didn’t plan for death on the subway
So I step out the station, brazilian name all over TV
Realization – I was on the next train – could ‘ve been me
Then it all went slow motion, everything slow motion
First the flash of light then the rise of emotion
And I’m still in slow motion, I’m still in slow motion
On these streets where I played
And these trains that I take, I saw fire
But now I’ve seen the city change in
Oh so many ways, since the days of fire
Since the days of fire
One day going that way, one day going this way
Those summer days, that crazy phase
Like a jack-knifed car on the highway
Just two mad situations, fire on the news, fire on TV
A bus, a train station, the crossfire sights of destiny
Now it’s all gone slow motion, everything slow motion
The lights gone out – I feel no more emotion
I’m all out of emotion, I’m out of emotion
On these streets where I played
And these trains that I take, I saw fire
But now I’ve seen the city change in
Oh so many ways, since the days of fire
Since the days of fire