
Por André Araújo
A inflação brasileira se iniciou ao fim da Segunda Guerra por causas que se mantiveram não resolvidas e mais ainda, cresceram como desequilíbrios que permanecem até hoje. Pior ainda, com o Plano Real essas causas aumentaram exponencialmente, o fim da inflação ampliou o peso dessas causas, fazendo com que a carga fiscal aumentasse após o fim teórico da inflação em 1994.
A principal dessas causas é o custo do Estado em relação ao que a economia produtiva gera. A inflação era um mecanismo corretivo, ruim mas inevitável, desses desequilíbrios históricos que impedem a existência de um modelo de economia eficiente. A inflação é o remédio para ajustar os erros de fundo que agora estão se agravando.
1.FOLHA DO FUNCIONALISMO – Antes do Plano Real havia um pacto dentro da sociedade brasileira: o funcionário público, incluindo Judiciário e Legislativo, ganhado MENOS que seu equivalente na economia privada MAS em troca tinha estabilidade no emprego e aposentadoria cedo e com salário integral. Após o Plano Real os funcionários públicos ganham mais que seu equivalente na economia privada e continuam com as antigas vantagens da estabilidade e aposentadoria cedo e integral.
As distorções vem aumentando, membros do Judiciário com contracheques de 600 mil reais em um mês (no STJ houve um caso em novembro passado), contracheques de 300, 200 ou 100 mil são comuns, salário base de 28 mil e mais 30 ou 40 “auxílios”. No Legislativo, são centenas de salários acima de 30 mil, simples auxiliares de fóruns federais e muitos com 18 ou 20 mil de salário, enquanto um gerente de banco na área privada se dá por feliz com 7 mil mensais.
Aposentadorias após 30 anos de serviço, entrou com 18, aposenta com 48, vai viver mais 40 anos com aposentadoria. Os inativos ganham todos os aumentos dos ativos, inclusive com produtividade.O pedido de aumento de até 78% no Judiciário é a prova desse argumento, já sobre salários muito maiores que na economia privada, que está encolhendo e na iminência de grande desemprego e achatamento de salário. Com isso, o funcionário público, que não tem o risco do desemprego, vai abocanhando parcela maior da renda nacional contra o conjunto dos empregados da economia privada que com o desemprego vê encolher a massa salarial da economia produtiva.
Antes do Plano Real o salário do funcionalismo era “aguado” pela inflação, começava o ano ganhando 2.000 dolares por mês e terminava ganhando 900 dólares porque a inflação corroía o salário nominal. Sem a inflação, o salário de janeiro de 2.000 dólares continuou estável até Dezembro, então na realidade o funcionário dobrou seu salário, a participação da folha do funcionalismo DOBROU no orçamento do Estado após o Plano Real.
Todas essas distorções anteriores ao Plano Real não foram por ele corrigidas.
A aposentadoria de 1 milhão de funcionários públicos custa mais que a de 36 milhões de trabalhadores privados.
2.DESPERDICIOS DO ESTADO – Não foram corrigidas distorções historicas que não existem em economia sem inflação.
Moradias gratuitas, carros com motoristas aos milhares, viagens de primeira classe para autoridades há décadas proibidas nas economias centrais, todo um conceito de que o dinheiro do Estado é para gastar. O Presidente da Câmara acaba de contratar um serviço de vans para levar funcionários a dois estacionamentos gratuitos a 8 quilômetros do prédio da Câmara, ao custo de 9 milhões de reais por ano, são oito vans, dá 750 mil mensais, que daria para comprar as 8 vans a cada mês, mas a Câmara paga só aluguel. Os funcionários não pagam nada, como não pagam milhares de passagens aéreas toda semana. O Legislativo brasileiro, com 26 mil funcionários, é mais caro que o dos EUA, cujo PIB é 7 vezes maior.
3.SERVIÇOS GRATUITOS DO ESTADO – Universidades públicas gratuitas para alunos que tem carro zero, uma imensa distorção. Ensino superior é pago universalmente, que não pode pagar tem BOLSAS. Os bons alunos que não podem pagar tem bolsas dentro de CRITÉRIOS que os qualificam, não é presente, é um apoio do Estado a um cidadão valioso, mas precisa dar retorno, tem que ser bom aluno, é o sistema universal. O Plano Real não tocou nesse tema.
4.JUROS SUBSIDIADOS – O BNDES faz empréstimos subsidiados para grandes grupos empresariais que poderiam tomar dinheiro no mercado. A conta devedora desse subsídio, que o Tesouro Nacional tem que pagar ao BNDES, está pendurada em 39 bilhões de reais hoje. Os juros subsidiados eram ideologicamente antagônicos ao Plano Real mas não foram tomadas medidas legislativas para PROIBIR que o BNDES fizesse empréstimos com subsídios do Tesouro, que precisa reembolsar o Banco pela perda que esse tem entre o custo de captação e o que recebe do feliz devedor (JBS, Suzano, Votorantim, Marfrig, multinacionais).
5.DÍVIDA PÚBLICA – A política de controlar inflação através da taxa de juros básica é suicida porque explode a dívida pública. Contigenciamento de crédito teria o mesmo efeito sem custo para o Estado. Precisa cortar a venda de automóveis? Limite as prestações a 12 meses, sem aumentar os juros. Os economistas do Plano Real acabaram com os contingenciamentos porque achavam que os juros eram suficientes para regular a inflação e eram ideologicamente contra intervenção na economia, contigenciamento é uma intervenção.
6.FALTA DE CONTROLE DOS BANCOS – Porque liberdade total para os bancos cobrarem qualquer taxa de juros?
O mercado bancario não é competitivo, banco é uma concessão do Estado, os juros tem que ter limitações, hoje os bancos cobram taxas VINTE vezes maiores que a taxa básica e inventam tarifas como quiserem. Não há justificativa lógica para a absoluta liberdade de cobrança em um mercado cartelizado. O Plano Real, feito por economistas de bancos e futuros banqueiros, DEU LIBERDADE TOTAL AOS BANCOS, que tem os maiores lucros do planeta, mesmo em tempos de crise. Os economistas do Real ideologicamente são contra qualquer controle, vivem no mundo de fantasia de que o mercado deixado livre se auto corrige pela concorrência, MAS ISSO É UMA FICÇÃO.
7.O PLANO REAL ABOLIU O CONTROLE DOS PREÇOS BÁSICOS – Grandes economias como a dos EUA usam, quando necessário, CONTROLE DE PREÇOS BáSICOS, que só podem ser aumentados após aprovação do governo. Cimento, aço, alumínio, combustível, adubos, insumos petroquímicos, são produtos que “puxam” os demais preços, DEVEM SER CONTROLADOS, como fizeram os Ministros Bulhões, Delfim, Simonsen com o CONSELHO INTERMINISTERIAL DE PREÇOS. O Presidente Kennedy EM 1961 MANDOU PRENDER OS EXECUTIVOS DA INDÚSTRIA DE AÇO APÓS UM AUMENTO DE 20% QUE ELE ACHOU ABUSIVO. Depois dessa crise, os preços do aço recuaram para um aumento de 3%. Todos os países da Europa usam controles de preços, quando necessário.
8.CUSTOS TRABALHISTAS mais altos do mundo, a oneração das folhas leva à ausência do estímulo para contratar empregados, transforma toda a economia em TERCEIRZAÇÃO com achatamento de salários, sobre a folha existem 16 TAXAS, IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES, que dobram o custo de um empregado. Nada disso foi corrigido pelo Plano Real.
O Plano Real seguiu o modelo técnico do Plano Schacht que debelou a hiperinflação alemã MAS apenas montou o modelo de troca de moeda e NÃO TOCOU NAS CAUSAS ANTECEDENTES DA INFLAÇÃO. Sem corrigir essas distorções a inflação volta porque a inflação é um mecanismo de ajuste desses desequilíbrios.
Ed Lopes Junior
6 de julho de 2015 11:05 amPT e PSDB
O PSDB deixou um sistema cheio de falhas e o PT detonou tudo. Cabe aos trabalhadores e o setor privado pagar os prejuizos causados por esses patetas.
Que fiasco!
ELS
6 de julho de 2015 11:36 aminteressante para o nossos atrasos
Acredito que um dos maiores erros do governo do PT, foi fazer a recomposição dos salários públicos, mas não trouxe junto a eficiência, apesar do impacto do salários, acho que é ainda maior o impacto da ineficiência, basta ver as obras publicas, o atendimento de serviços publico etc.
Um ponto interessante é que criou-se castas, muito ligadas a oposição, que inclusive pedem o impedimento do governo eleito, basta ver as entrevista do diretor da PF, o pedido de independência da PF, BC,MP, Juízes etc. Estas castas buscaram a manutenção de seus privilégios a qualquer preço, mesmo que signifique a volta da ditadura militar.
Outro ponto é que são os mesmo que não admitem o Bolsa-Familia e outras politicas de renda para o mais pobres.
Bruno Cabral
6 de julho de 2015 12:34 pmBons pontos
Tanto do artigo quanto do comentarista.
Outro problema do Plano Real foi que privatizou grandes parcelas do estado mas nao diminuiu impostos (ex. IPVA x pedagios). Ao invés de forçarem os grandes bancos a pagarem os pequenos, socializou os prejuizos (PROER). Ou entregou empresas após fazer o investimento que devia em expansões (telefônicas).
Diego Oliveira
28 de abril de 2017 5:08 amUm dos pontos para o serviço
Um dos pontos para o serviço publico ser ruim é a falta de funcionário, pode reparar todos órgãos estão com faltas de funcionario sempre, quando nomeiam um novo servidor é que há um buraco negro. Em referente as obras, na maior parte sao realizadas pela empresas privadas que ganharam as licitações.
Márcio Carioca
6 de julho de 2015 12:23 pmConsiderações sobre alguns itens
1- há uma confusão aqui, os funcionários que recebem mais do que na iniciativa privada são uma pequena parcela do total; na grande maioria dos municípios, há um percentual considerável que ganha salário-mínimo; as aposentadorias com 48 anos e outras distorções não existem mais depois das reformas previdenciárias; é claro que existe um fluxo negativo do passado, mas que tende a se diluir; é um erro dizer que os salários deixaram de ser “aguados” pela inflação, pois os funcionários federais tiveram seus salários congelados por 5 ou 6 anos no governo FHC, o que resultou num achatamento considerável.
5- é fato que, durante o governo FHC, simplesmente se trocou inflação por dívida, pois os juros reais pagos pelo Tesouro chegavam a incríveis 10% ou até 15% ao ano; agora, porém, a situação é diferente: nos últimos 12 meses, mesmo com o aumento da SELIC, os juros reais foram inferiores a 2,5%, pois a inflação também foi alta; não se pode dizer, portanto, que o aumento da SELIC explodiu a dívida, pois a remuneração dos títulos foi apenas mantida, diante de uma inflação maior; se a SELIC ficasse em 10%, por exemplo, os títulos PERDERIAM para a inflação, já que incide IR de 15% sobre a taxa bruta de juros.
6 e 7 – concordo plenamente com o autor.
8- acho que esse ponto não tem a ver com as causas da inflação, embora seja uma questão que merece uma discussão abrangente.
Andre Araujo
6 de julho de 2015 4:16 pmhttp://congressoemfoco.uol.co
http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/exclusivo-todos-os-supersalarios-do-senado/
Não são tão poucos os SUPER SALARIOS. No Senado quase 500 ganham acima do teto, na Camara é muito mais, quase 800. No Judiciario é muito pior.
Numa familia grande como de minha mulher quase todos fizeram mestrado no exterior, estão na faixa de 25 a 30 anos, voltam e se empregam como TRAINEES ou executivos junior, faixa de 7 a 10 mil por mês, com excelente educação.
A unica da familia que fez concurso publico entrou para juiz do trablhao, inicial de 23 mil Reais, moça de 26 anos de idade,
é uma aberração começar quase no teto, ganhar tanto com pouca idade.
Roberto Guimarães
6 de julho de 2015 12:29 pmSerá que agora vão ajustar o que é necessário?
Esse excelente texto deveria ser lido por quem possui o poder de modificar as estruturas existentes. O momento é de ajustes na economia. Que tal aproveitar e executar alguns dos itens sugeridos no texto. Haverá coragem para mexer nesse vespeiro?
Frederico69
6 de julho de 2015 12:32 pmOi André
precisa atualizar o quesito número um. a maioria das vantagens enumeradas só se aplicam aos antigos funcionários. quem entrou depois da era fhc perdeu a maioria delas.
e mais quem fiscaliza milhões não pode ganhar tostões. ainda que o salário seja maior que o mercado, não tem o fundo de garantia como os celetistas. nem multa rescisória. e a maioria dos penduricalhos do contracheque some na aposentadoria.
Andre Araujo
6 de julho de 2015 4:09 pmMe refiro ao tempo do Plano
Me refiro ao tempo do Plano Real. Agumas distorções foram posteriormente ajustadas em parte mas o deficit das aposentadorias publicas continua imenso, a carga do passado não se dilui nem em décadas.
Frederico69
6 de julho de 2015 11:11 pmahnn
tá bom, entendi errado.
Elvys
6 de julho de 2015 12:39 pmUm pequeno adendo: aquestão
Um pequeno adendo: aquestão salarial foi digamos corrigida em algumas estatais. Veja o Banco do Brasil por exemplo, com 8 anos de congelamento salarial
Andre Araujo
6 de julho de 2015 4:20 pmO Banco do Brasil é um caso
O Banco do Brasil é um caso especial. Quando entrei como escriturario em 1965 o salario era muito mais alto do que nos bancos privados mas o cocnurso para entrar era dificl, precisa ter boa formação escolar. Durante o governo tucano a ideia dos neoliberais era rebaixar o Banco do Brasil, eram contra bancos publicos, então o nivel de acesso caiu e o salario tambem, virou um Bradescão, hoje ganham um pouco mais que nos bancos privados mas já não é a elite do passado.
Jorge Moraes
6 de julho de 2015 1:49 pmComo combater a inflação se os estados aumentam ICMS e energia?
Então, como combater a inflação se os governadores aumentam ICMS, energia, IPVA, água, etc? Outra questão que não entendo, como que a tarifa de energia continua subindo no Paraná e São Paulo mas no Rio Grande do Sul sofreu redução de 4,22%? Ninguém vai cobrar dos governadores o combate à inflação? Em relação aos salários, realmente não posso concordar com o que acontece no Brasil. O problema é que quem faz a lei neste país (Congresso) não está interessado em reduzir os ganhos dos marajás e da turma que eles colocam nos órgãos públicos para mamar nas tetas do estado. Se fosse possível, gostaria que os salários pagos no Brasil fossem proporcionais aos dos trabalhadores americanos. Por exemplo: Nos Estados Unidos um juiz ganha 4,6 vezes o salário de um professor primário. Fonte dessa informação: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0307200809.htm
MarFig
6 de julho de 2015 3:27 pmAbram a caixa preta do
Abram a caixa preta do Judiciário. É lá o principal escoadouro dos impostos pagos por nós.
André W.
6 de julho de 2015 7:34 pmO que você falou tem mais
O que você falou tem mais valor do que o artigo inteiro.
expertexx
6 de julho de 2015 3:29 pmprimeiro ponto, o plano real
primeiro ponto, o plano real não teve intenção de acabar com a inflação, e sim com a inércia inflacionária, no que foi bem sucedido… é notório que a estrutura brasileira é errada, muito em parte consolidada pela constituição “cidadã” de 88, excrecência que conta com o apoio da esquerda burra.
segundo ponto, o gasto com funcionalismo público veio a partir do governo lula, com aumentos absurdos e de forma generalizada, inclusive conheço inúmeras pessoas no RJ que votaram em lula/dilma por causa desses aumentos, ou seja, para ganhar eleição o PT arruinou a economia.
Gilberto Jorge
6 de julho de 2015 4:03 pmO que diz a C. Federal sobre aposentadoria do servidor público?
Regra geral:
Art. 41 – …
§ 1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão aposentados, calculados os seus proventos a partir dos valores fixados na forma dos §§ 3º e 17:
III – voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, observadas as seguintes condições:
a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem, e cinqüenta e cinco anos de idade e trinta de contribuição, se mulher;
b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição.
§ 14 – A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, desde que instituam regime de previdência complementar para os seus respectivos servidores titulares de cargo efetivo, poderão fixar, para o valor das aposentadorias e pensões a serem concedidas pelo regime de que trata este artigo, o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 15. O regime de previdência complementar de que trata o § 14 será instituído por lei de iniciativa do respectivo Poder Executivo, observado o disposto no art. 202 e seus parágrafos, no que couber, por intermédio de entidades fechadas de previdência complementar, de natureza pública, que oferecerão aos respectivos participantes planos de benefícios somente na modalidade de contribuição definida. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
O regime previdenciário previsto no § 14 já foi instituído no âmbito da União pela Lei 12.618/2012.
André W.
6 de julho de 2015 4:11 pmFico estarreceido que um
Fico estarreceido que um texto repleto de clichês, erros, simplificações pretensamente didáticas ao estilo de VEJA e voltado para a perseguição da categoria do funcionaismo público tenha sido aceito pelo senhor Nassif, além de decepcionado.
Em primeiro lugar o exemplo apelativo de sujeito que se aposenta aos 48 anos com salário integral é mentiroso pois hoje se aplica um redutor para quem se aposenta abaixo de 60 anos, e a expectativa de vida do brasileiro não é 88 anos como supõe o mal – intencionado redator. Além disso é um fato isolado, como são todos os fatos mencionados, pois que a remuneração média do funcionalismo nas esferas estadual municipal e federal é baixa. Esse tipo de falácia pode ser usada, por outro lado para atacar as distorções das empresas privadas como por ex. os bônus anuais de milhões que os Managers e CEOs de empresas se auto concedem, com as mesmas na bancarrota como foi useiro e vezeiro na crise financeira mundial de 2007-08. Mas são apenas distorções pretensamente didáticas usadas para atingir à traição um setor importante da população e da atividade econômica. Senti um fundo de inveja dos citados “marajás” pelo arremedo de articulista.
O seu Araújo não entende que existe uma estratégia ao qualificar certos cargos do funcionalismo e reduzir terceirizações cujo esvaziamento do estado pela politica de FHC multiplicou e só serviu para enriquecer donos de empresas terceirizadas, que intermediavam a contratação e trocavam favores com o governo. Pegar recortes de dados e sair atirando é sinal de desinteligência, pois não considera as consequências de longo prazo. Assim se formam gerentes medíocres e soluções impensadas que são todas revertidas na justiça posteriormente. Não esqueçam que Color se elegeu para acabar com os marajás, algo totalmente sem relevência e porque era bonitinho também…
Quebrem se mais regras, quebrem se todas e assim teremos uma nova União Soviética repartida por gânsteres pós gorbachov ….
Carlos Marques II
6 de julho de 2015 4:23 pmQuando se quer justificar
Quando se quer justificar algum argumento vale qualquer coisa:
1. A grande maioria do funcionalismo público ganha MENOS que seus pares da iniciativa privada. Quando entrei no setor público meu salário foi 50% do que ganhava no setor privado.
2. Usar salário do judiciário como base de comparação é uma tremenda, mas uma enorme sacanagem. O judiciário ganha TUDO que pede. No Paraná os professores apanharam feito cachorro pra ganhar um reajuste de 3,45%, quando pediam 8,17%. O judiciário sem esforço ganhou esses 8,17%. Então não dá pra comparar;
3. Serviços gratuitos: NINGUÉM ganha serviço gratuito do estado. TODOS pagam imposto pra tê-los. Escrever isso é uma enorme, uma puta sacanagem. Tem que cobrar mais imposto dos que ganham mais, isso sim. Tem que cobrar imposto das grandes forturnas, isso sim.
3. Aposentadoria. O funcionlismo público paga 11% do salário para o INSS (sem limite). Se meu salário fosse de R$ 200 mil, como sugere o sr. Araújo, pagaria R$ 20 mil e uns quebrados de INSS, enquanto o equivalente na iniciativa privada, que ganhasse R$ 200 mil, pagaria R$ 500,00. Uma diferença de R$ 19.500,00. Isto durante os 30 anos de serviço.
Enfim.
Parei no ítem 3…..o autor poderia ser mais honesto.
Cesar Ferreira
6 de julho de 2015 4:32 pmUniversidades Públicas
3.SERVIÇOS GRATUITOS DO ESTADO – Universidades públicas gratuitas para alunos que tem carro zero, uma imensa distorção. Ensino superior é pago universalmente, que não pode pagar tem BOLSAS.
Excelente texto. Particularmente por apontar a falácia de que os mercados são auto-eficientes. Mas sou de opinião diferente quanto a questão das universidades públicas…
Muito se fala que é injusto as universidades públicas serem gratuitas pois elas atenderiam os filhos das classes mais altas. *Fato* evidenciado pelos estacionamentos cheios. E isso é até bem verdade hoje, o que se explica pelo fato do carro ficar mais acessível a cada nova geração. Porém se for contar a quantidade de alunos que não tem carro ou que até tem, mas pertencem a classe média, esse argumento se desfaz. Eu mesmo vim de classe média baixa e pegava ônibus na minha época. E posso dizer o mesmo de muitos colegas da engenharia. E se era assim na engenharia da UFRJ, o que dizer para os cursos de humanas tradicionalmente frequentados pelos nada ricos.
E esse fato, verdadeiro, de que os alunos da UFRJ viriam na sua maioria da classe média de média para baixa, foi o que levou em minha opinião a acabarem com o vestibular unificado.
Esse canal até era muito criticado por argumentos válidos, mas era um instrumento do ponto de vista estatístico que permitia uma maior democracia. Isto é, o garoto fazia uma prova que no meu caso dava chance de conseguir vaga em 4 faculdades públicas o mesmo tempo (UFRJ, UFF, CEFET, UERJ) e quando isso acabou a primeira coisa que fizeram foi marcar provas isoladas nos mesmo dia caindo a máscara de qual eram as verdadeiras intenções para se acabar com o vestibular unificado.
Ou seja, o objetivo era elitizar o acesso, pois os alunos agora teriam que escolher quais universidades teriam mais chance e não aquela que realmente gostariam de cursar. Óbvio. Assim, os filhos das classes mais altas, que estudaram nos melhores colégios e podiam pagar excelentes preparatórios podiam se concentrar na UFRJ com a vantagem de sofrerem uma concorrência menor. Golpe mais desonesto e antidemocrático não poderia haver.
Mas enfim, sou absolutamente contra a idéia de tornar paga a Universidade Pública e dar bolsas para alunos “pobres”. O discurso de que isso é socialmente mais justo é mera ideologia que não se sustenta em dados objetivos, não passando de um cavalo de tróia para elitizar e não para tornar mais democrático o acesso.
E lembrando, a formação dos alunos não deve ser visto como um prêmio as famílias de qual classe for. É um investimento da sociedade como um todo para produzir mão de obra qualificada para servir a ela. Se o sujeito é filho de rico ou de pobre pouco importa. Mas importa sim que o acesso seja o mais democrático possível sem artificialismos e burocracias (as bolsas para “pobres”) que fatalmente só levará a levantar barreiras e estrangulamentos odiosos.
Ademais dizer que é assim em “todo o mundo” é argumento falso. Há contra exemplos óbvios, particularmente nos paises de regime socialistas onde, sem entrar no mérito da discussão capitalismo x socialismo, é inegável terem conseguido em poucas gerações o que paises como os EUA levaram séculos para conseguir em matéria de educação.
Andre Araujo
6 de julho de 2015 5:31 pmPaulo Maluf, que nasceu
Paulo Maluf, que nasceu milionario, estudou na Politécnica de graça, os filhos dos grandes construtores e incorporadores de São Paulo, todos super ricos, formaram seus filhos sem por a mão no bolso, está certo? A USP é mantida por uma cota do ICMS, imposto pago pelos mais pobres e miseraveis, incide até na padaria, esse impostos dos miseraveis financia a escola dos ultra ricos, vc acha justo?
A bolsa de estudos resolve o problema dos mais pobres mas em SP boa parte pode pagar, para que esse benemerencia
a classe media alta e ricos? O ensino universitario é caro e é raro no mundo ensino superior de graça.
Elvys
6 de julho de 2015 6:56 pmAndré, entendo que um sistema
André, entendo que um sistema de cotas para alunos de baixa renda de escolas públicas pode corrigir essa distorção em uma USP por ex. (fui uspiano de baixa renda).
André W.
6 de julho de 2015 7:32 pmQuando alguém pega um caso
Quando alguém pega um caso isolado para justificar uma política abrangente é o último ato de desespero e insensatez. E o mesmo artifício usado para as pessoas atacarem o bolsa-família, porque descobriram alguém que não preenchia os requisitos, etc, para desqualificar o programa todo.
Repito, sinto novamente ares de inveja quando a pessoa fala nos minimos detalhes de fulano ou sicrano… Mesmo do Sr Cleptocrata Maluf.
Andre Araujo
7 de julho de 2015 3:08 amMeu caro, ninguem está com
Meu caro, ninguem está com desespero ou insensatez mas as tres universidades estatais paulistas estão QUBRADAS,
mal conseguem pagar a folha, então existe uma crise real, a universidade até poderia ser degraça para alunos de escola publica e familias de baixa renda mas não tem sentido ser de graça para filhos de ricos. Esses não pagam nada enquanto filhos de pobres so conseguem estudar em faculdades particulares pagando, tem logica?
Cesar Ferreira
7 de julho de 2015 8:27 pmPergunto, um aluno que paga
Pergunto, um aluno que paga uma universidade particular é pobre ou de classe média? Porque é obvio que se ele vive com um ou dois salários mínimos ele não tem como pagar.
Logo vamos deixar pacifico que estamos a nomear de “pobre” a classe média de média a baixa.
Porque o pobre de verdade só tem chance de cursar uma universidade se ela for uma Federal mesmo que isso possa soar incompreensível para quem só consegue enxergar nessas universidades os estacionamentos cheios e não os garotos e garotas lotando os ônibus que por lá passam.
Segundo, qual é o custo por aluno na USP ou na UFRJ?
Vamos colocar isso em perspectiva… Admita que 50% das vagas sejam reservadas para os “pobres” e 50% para os ricos para efeito de cálculo. Nesse caso, quanto os alunos ricos deveriam pagar para sustentar a USP?
E por que não tem lógica todos os cidadãos terem os mesmos direitos perante o Estado?
Não é ilógico um rico não precisar pagar uma universidade que é gratuita para todos. Ilógico é querer que o pobre tenha que pagar ou disputar por bolsas quando deveria ser igual e gratuito a todos. É preciso não inverter o real sentido da lógica nessa história.
Cesar Ferreira
6 de julho de 2015 10:26 pmComo expliquei antes, esse
Como expliquei antes, esse argumento de que os ricos abocanham a maioria das vagas não procede. Logo esse apelo aos filhos do Maluf é argumento para fazer as pessoas olharem para o lado errado da questão.
As questões objetivas são os seguintes.
1- As grandes Universidades não tem como cobrir seus custos só com o dinheiro de mensalidades. Um aluno custa dezenas de milhares de reais numa universidade com bons centros de pesquisa; só super-ricos poderiam pagar. E isso é tanto aqui quanto nos EUA, por exemplo. Logo é erro pensar que as universidades deveriam ser pagas para que o filho do rico não seja bancado pelos mais pobres… O fato é que de um jeito ou de outro quem financia quem estuda lá, seja filho do pobre ou rico, é o conjunto da sociedade.
2- O que interessa afinal? Criar indiretamente um imposto para os mais ricos (a mensalidade) ou permitir que haja maior acesso a universidade para os mais pobres?… Essa é a questão principal.
É mais do que óbvio que tornar as universidades federais pagas não vai criar nenhuma barreira para os “filhos do Maluf”, porém complicarão muitíssimo a vida dos filhos dos mais pobres que terão que se engalfinharem para conseguirem bolsas para as poucas vagas que sobrarem.
Ademais se é para taxar os mais ricos não é preciso reinventar a roda. Existe um mecanismo mais funcional e de alcance cirúrgico chamado Imposto de Renda Progressivo. E note, uma mensalidade é um imposto nada racional pois o mesmo valor será cobrado seja o aluno filho de uma familia de classe média alta, seja o aluno filho de um grande magnata como o Maluf.
Daytona
6 de julho de 2015 11:41 pmEu concordo com o Araújo
Eu concordo com o Araújo nesse ponto, seu comentário é equivocado. Os mais pobres já não se engalfinham para conseguir as poucas vagas que lhes restam, nas universidades públicas?Quantas vagas em cursos disputados de USP, Unicampe afins são ocupadas por pessoas mais pobres?
O que existe no Brasil é que os mais ricos pagam por um ensino médio de qualidade, voltado para a aprovação nos vestibulares, para não pagar pelo ensino superior. Há algo mais irracional que isso?
E a maneira como filhos de políticos sempre passam estudam em cursos de elite demonstra como o próprio processo seletivo é uma farsa. Se é filho de alguém importante, não precisa estudar, eles dão um jeito de colocá-lo lá dentro.
Que seja cobrado mensalidade e que o governo adote um mecanismo de bolsa para os alunos carentes, seria um sistema muito mais racional e justo. O Estado precisa é investir na educação primária de qualidade.
Cesar Ferreira
7 de julho de 2015 7:20 pmOs mais pobres já não se
Os mais pobres já não se engalfinham para conseguir as poucas vagas que lhes restam, nas universidades públicas?Quantas vagas em cursos disputados de USP, Unicampe afins são ocupadas por pessoas mais pobres?
Pois é, quantas? Sem um número fica difícil falar. E claro, defina o que é pobre e o que é ser rico.
E o que quer dizer com “poucas vagas”… Não está a confundir o aspecto de que os mais ricos já largam com vantagem por possuírem uma melhor educação?
Note, uma coisa é haver 100 vagas, disputadas por pobres mal preparados contra ricos bem preparados e outra muito pior é o pobre mesmo tendo condição de passar não ter condição de pagar a mensalidade. Nesse caso a única chance passa a ser disputar meia dúzia de bolsas. E obviamente 6 não é 100, concorda?
Em resumo, concordo plenamente de que existe vantagem dos ricos na competição por vaga nas Federais pelo fato de terem melhor educação. Isso todos sabemos. Mas onde tornar as federais pagas consertará essa distorção?
Que seja cobrado mensalidade e que o governo adote um mecanismo de bolsa para os alunos carentes, seria um sistema muito mais racional e justo.
Racional por quê? Não tem nada de racional nisso.
Explique o que é “um mecanismo de bolsa para os alunos carentes”. Explique o que seria isso, como seria feito, quais os critérios, quantas vagas…
Daytona
6 de julho de 2015 5:27 pmBom, mias um artigo de
Bom, mias um artigo de economia do sr. Araújo, onde é proibido utilizar conhecimentos da teoria e história econômica para fundamentar seus argumentos.
O trecho abaixo é de fazer corar qualquer estudante de primeiro semestre de qualquer curso de economia.
O Plano Real seguiu o modelo técnico do Plano Schacht que debelou a hiperinflação alemã MAS apenas montou o modelo de troca de moeda e NÃO TOCOU NAS CAUSAS ANTECEDENTES DA INFLAÇÃO. Sem corrigir essas distorções a inflação volta porque a inflação é um mecanismo de ajuste desses desequilíbrios.
Quanto ao restante dos “argumentos” apresentados, o gráfico abaixo é bastante elucidativo:
No aspecto histórico, a inflação brasileira não advem da II Guerra como afirmou Araújo, mas, no plano interno, das reformas realizadas por Campos/Bulhões durante o governo Castello Branco, principalmente devido à criação do mercado de dívida pública e sua indexação, e, no plano externo, do longo ciclo inflacionário resultante do colapso do modelo Bretton Woods I, principalmente com a flutuação do dólar durante o governo Nixon.
Enfim, apenas para ilustrar, pois Araújo, em outros tópicos, já esclareceu que seus argumentos são válidos apenas para quem não conhece nem a história nem a teoria econômica. Araújo escreve sobre história e economia sem a pretensão de ser historiador ou economista, e sem a necessidade do conhecimento mínimo dos pressupostos teóricos dessas disciplinas.
Andre Araujo
7 de julho de 2015 2:58 amEste é um blog de debates e
Este é um blog de debates e discussões sobre politica, artes, musica, historia, sociedade, filosofia, NÃO é um blog sobre
teoria economica ou de Historia como ciencia, não é um blog dedicado a economistas academicos e historiadores profissionais, é um forum de ideias gerais, não se exige mestrado em economia para discutir economia e nem diploma de Historia da USP para comentar sobre fatos historicos.
Pedro Mundim
6 de julho de 2015 7:44 pmA inflação foi parte integrante do modelo econômico
A inflação brasileira teve uma história tão antiga e persistente porque, na realidade, foi parte integrante do modelo econômico: os cepalinos sempre afirmaram que “um pouquinho de inflação” era essencial para o desenvolvimento, e o próprio Celso Furtado chegou a criticar o plano real por não proporcionar inflação suficiente. A moda começou com Vargas. JK rompeu com o FMI e deu a conta para o povo pagar através da inflação, Castelo Branco criou a correção monetária para “corrigir” a inflação ao invés de combatê-la, os militares achavam que a inflação era boa para financiar o “milagre”. Até que o bicho fugiu da jaula e ninguém mais conseguiu controla-lo.
A inflação é a solução mágica para os problemas do governo: basta emitir mais dinheiro que os deficit´s estão cobertos e a fatura vai para o infeliz usuário da moeda, que a paga com a perda de seu poder aquisitivo. É como um imposto invisível, que pode ser criado sem aprovação do congresso. Por este motivo que a contrapartida ao fim da inflação, desde o plano real, tem sido um aumento substancial da carga tributária. Apenas a diminuição do tamanho do estado sanará de vez este problema.
Conde de Rochester
6 de julho de 2015 9:22 pmEsperança
Excetuando, talvez, os provaveis equivocos pontuais em algumas correções, apontadas pelos criticos deste posts, o mesmo não deixa de ter razão, as dificuldades estruturais do Brasil são aterradoras, da até medo e desmotiva qualquer esperança de que o Brasil encontre finalmente o rumo que o retire do buraco.
Burocracia, leis demagogicas, interesses os mais diversos, que impedem de se pensar o Brasil como coletividade, como Nação, persistem como cracas nos cascos dos navios. Qdo se olha para os porões deste Pais é preciso coragem e muita determinação para continuar a manter esperança de que se consiga mudar com este tragico destino.
É até cruel, mas o que vigora por estas terras é a verdadeira lei das selvas. Predação continua e insaciavel.
E o povo que se vire.
fbiorodrigo
6 de julho de 2015 9:52 pmA velha ideia fixa da elite
A velha ideia fixa da elite braasileira que o problema da inflação é o estado brasileiro.
Ou seja privatizando tudo, até as policiais militares se resolveria tudo!
quanto ilusão meu deus!
Andre Araujo
7 de julho de 2015 2:53 amNada a ver. Ninguem falou em
Nada a ver. Ninguem falou em privatização como causa ou solução.
Calvin
8 de julho de 2015 2:11 pmDiscordo
No plano real criou-se o “emprego temporário” e todas as agências reguladoras criadas (e muitas autarquias) não tinham quadro próprio (eu trabalhava em uma) e usavam deste artifício, sem FGTS e com salário menor, exatamente porque se sabia que várias autarquias trabalham com PROJETOS, que um dia implantados, basta, com carga de trabalho menor, mante-los funcionando, que foi o que houve com a privatização da telefonia por exemplo.