4 de junho de 2026

Ato contra PL da terceirização balança Câmara, que adia votações

As paralisações em fábricas, rodovidas e ruas do país podem não ter mobilizado a imprensa, mas o barulho atingiu a Câmara dos Deputados
 
 
Jornal GGN – Na noite desta quarta-feira (22), o balanço foi de milhares de trabalhadores que foram às ruas de todo o país, desde o início do dia, contra a aprovação do Projeto de Lei que prevê o aumento da terceirização. Convocada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), outras sindicais, movimentos, associações e partidos apoiaram e levaram os manifestantes à ocupar as ruas em ao menos 21 estados brasileiros. Ainda que sem impacto simbólico em repercussão midiática, o barulho chegou ao Congresso e a Câmara dos Deputados adiou em uma semana a discussão das emendas.
 
A CUT chegou a pedir que todos os trabalhadores deixassem seus postos no dia de ontem para aumentar a paralisação. “Para que continuemos a ter dignidade nos nosso trabalhos e não permitir que eles tirem nosso direitos”, conclamou o presidente da Central, Vagner Freitas.
 
No estado de São Paulo, diversas fábricas foram paralisadas. Embraer, General Motors, Honda, Toyota, Mercedez-Bens, Volks tiveram suas atividades interrrompidas pela manhã. 
 
Operários metalúrgicos, petroleiros, bancários, funcionalismo público, estudantes, e movimentos sociais e populares, reuniram-se também na avenida Paulista, em frente ao prédio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). 
 
Um grupo de cerca de 300 ativistas também bloquearam a rodovia Anhanguera, a pista marginal da Via Dutra também foi fechada por cerca de meia hora, na altura de Guarulhos, e a rodovia Anchieta foi interditada no sentido litoral. 
 
Professores, alunos e funcionários da USP fecharam o portão da Cidade Universitária, bloqueando a entrada da Universidade das 7h às 9h30 e congestionando as vias locais. Fortaleza, Recife, Porto Alegre e Vitória também tiveram manifestação expressiva.
 
Barulho
 
Com as movimentações, a votação dos destaques e emendas ao Projeto de Lei foi adiada, novamente, para a próxima quarta-feira (22). PT, PMDB, PSDB, PRB, PR, SD, DEM, PDT, PPS e PV concordaram com o adiamento, depois de apelos de líderes que tentam modificar alguns pontos do texto-base. 
 
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que até então pretendia “esgotar o assunto” até, no máximo, esta quarta-feira (15), concordou com os partidos, já que eles “se comprometeram em não impedir votações de medidas provisórias para impedir a retomada da análise das terceirizações”, nem apoiar pedidos de retirada do tema da pauta.
 
 
“Prevaleceu o bom senso, um projeto desta magnitude, há que ter uma maioria para votação”, comemorou o líder do governo, o deputado José Guimarães (PT-CE). Para ele, vários deputados não tiveram tempo para entender a dimensão das mudanças propostas. “Pairou uma grande dúvida, vamos conversar, vamos dialogar para unificar a base”, disse.
 
O acordo para não tirar o tema da pauta não contou com o aval do PCdoB, Pros e PSD, que defendiam que as terceirizações fossem discutidas apenas após as medidas provisórias de ajuste fiscal. 
 
A principal alteração na legislação trabalhista, com o PL que já teve o texto-base aprovado na Câmara, foi na liberação da terceirização para a área-fim das empresas privadas, o que hoje é proibido pela Justiça do Trabalho. 
 
Para as centrais sindicais, movimentos sociais e associações de trabalhadores, essa principal polêmica incide na precarização da relação trabalhista. Um dos mais de 30 destaques que seriam votados essa semana tenta rever este ponto e manter na lei o entendimento de a terceirização restringir-se à atividade-meio na Justiça do Trabalho. 
 
Outras emendas tratam de obrigar a empresa principal e a fornecedora da mão de obra de responder igualmente sobre as dívidas, em responsabilidade solidária, e não subsidiária, como está no texto, em que a empresa só responde quando há a fiscalização.
 
Contrariado em seu objetivo de votar nesta semana, Cunha justificou o adiamento por uma “contaminação” de “um debate de cunho ideológico”. “Na quarta-feira que vem, vai ser votado sem dúvida nenhuma. É um projeto que está sendo debatido há 11 anos. Tem um debate de cunho ideológico que, de certa forma, contamina o processo. Isso é natural”, afirmou.
 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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9 Comentários
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  1. Sérgio Rodrigues

    16 de abril de 2015 7:57 pm

    Hurra!..

    Contra a escravidão!…Avante!…

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    16 de abril de 2015 8:07 pm

    Se desafiar o “povo forte” a
    Se desafiar o “povo forte” a Câmara cai e com ela cairão também a imprensa e o PSDB.

  3. Fabio Pereira Veloso

    16 de abril de 2015 8:49 pm

    Democracia já!

    Isso é uma lição aos coxinhas que pedem intervenção militar.

    Imagina se numa ditadura os protestos e as greves ecoariam dentro do congresso, isso nunca!

    Uma vitória, praticamente certa, de seu Cunha teve uma bela guinada graças a mobilização popular.

    Viva a Democracia.

  4. peregrino

    16 de abril de 2015 8:55 pm

    estes aí sim, são a cabeça do povo…

    ai daquele que seguir acreditando que nosso povo tolera e engole tudo

    tremei, seus oportunistas de uma figa

  5. MARCOS FERREIRA

    16 de abril de 2015 11:11 pm

    Ato de oportunismo e

    Ato de oportunismo e revanchismo do Cunha que com apoio da FIESP aproveitou a fragilidade do governo para aprovar esse projeto.

  6. MARCOS FERREIRA

    16 de abril de 2015 11:13 pm

    Coxinhas aprendam, numa

    Coxinhas aprendam, numa ditadura militar quem protestasse contra esse projeto amanheceria o dia debaixo de 7 palmos.

  7. ROGERIO FARIA

    17 de abril de 2015 12:24 am

    Que exagero…

    CLIQUE NA IMAGEM PARA MAIS TIRINHAS!

  8. democracia direta

    17 de abril de 2015 2:18 am

    VEJA PORQUE A TERCEIRIZAÇÃO TAMBÉM PREJUDICA AS EMPRESAS!

    ECONOMIA É A COISA MAIS SIMPLES DO MUNDO!

    Se parar a roubalheira, sobra dinheiro no caixa do governo, para elevar o salário mínimo, as aposentadorias e o funcionalismo público; tudo sem gerar inflação. O que melhora a vida dessas pessoas, além de aumentar as vendas no comércio e na indústria! Ora, mas que espécie de fraude ideológica é esse tal de marxismo, que propõe o conflito, a luta, e a guerra, entre quem tem os mesmos interesses? E os neoliberais histéricos, de onde tiraram a ideia de promover um arrocho salarial? Vocês precisam conhecer:

    OS TRÊS TIPOS DE CLASSES EMPRESARIAIS DO BRASIL!

    VEJAM QUEM SE LASCA COM A LEI DA TERCEIRIZAÇÃO DO TRABALHO:

    __Primeiro temos as empresas que exploram o mercado interno, que vendem seus produtos no Brasil. Elas vão se lascar, se a renda do trabalhador diminuir com a terceirização, porque venderão menos, e com lucros menores.

    __Em segundo tem os exportadores, que preferem a miséria e a redução dos salários, já que vendem seus produtos nos EUA e Europa. Eles são uma minoria, mas têm dinheiro, pra colaborar com a “vaquinha dos bancos”, que despejaram bilhões de dólares nos principais candidatos em 2014. E depois ainda tem quem defenda o financiamento empresarial das campanhas políticas…

    __Em terceiro lugar temos os abestados, os “Maria vai com as outras”, que não sabem diferenciar uma coisa da outra, e vão se lascar junto com todo mundo; mas ainda assim defendem os interesses dos exportadores, mesmo vendendo seus produtos somente aqui no Brasil. Nessa classe, podemos ou não, dependendo de seu posicionamento, incluirmos alguns médicos, dentistas, engenheiros, advogados, contadores, e diversos tipos de profissionais liberais, que também se lascam, quando o povo tem menos dinheiro pra gastar com eles. Mas afinal, temos que reconhecer uma coisa, os exportadores realmente são irresistíveis, eles são tão elegantes : )

    https://www.facebook.com/democracia.direta.brasileira/photos/a.300951956707140.1073741826.300330306769305/611193355682997/?type=3&theater

    MAS COMO COMBATER A CORRUPÇÃO?

    Basta participar mais, e de forma ativa, sendo protagonistas das mudanças desejadas. Porque simpatia não enche a barriga de ninguém. Conheça a NOVA POLÍTICA, que está sendo trazida da Europa:

    http://democraciadiretabrasileira.blogspot.com.br/2015/02/partidos-com-democracia-direta-e-um.html

    Não defenda político vagabundo, seja ele de esquerda, ou de direita. Partido não é igual time de futebol. Se a coisa der errado, é pra valer, e somos nós que pagamos a conta. Estude mais, e participe do partido de seu agrado, cobrando por MAIS DEMOCRACIA; pois quanto mais pessoas participam da tomada de decisões, menor serão as chances delas serem compradas pela corrupção.

    Caso não se sinta bem em nenhum partido, ajude as novas propostas, como a do PARTIDO DA INTERNET, para que possamos trazer a NOVA POLÍTICA da Europa para o Brasil. Porque ficar só reclamando, pode até encher o saco, mas já demonstrou que pouco pode mudar…

    VEJAM O MARAVILHOSO E REVOLUCIONÁRIO ESTATUTO DISCUTIDO PELO PARTIDO DA INTERNET (A ideia pode ser levada para seu partido também):

    https://docs.google.com/document/d/1hsYS3RFAmWelFKNLpi_kyHOaEWemOBG1Mlrov_JaVNs/edit?pli=1#heading=h.zcngrmsuc70h

    O brasileiro precisa se conscientizar de que os bilhões de reais dados pelos bancos às campanhas presidenciais, representam a própria corrupção no Brasil. Por isso essa gente, os banqueiros, exportadores, especuladores imobiliários, etc; nunca sofrem nada, mesmo nas crises. Vejam a situação confortável em que se encontram, ficando praticamente isentos de impostos, enquanto nós pagamos a conta sozinhos:

    http://democraciadiretabrasileira.blogspot.com.br/2015/02/impostos-sim-mas-com-justica.html

    Isso não ocorre apenas porque eles compram todos os principais candidatos a presidente, que quando chegam lá, já estão comprometidos com essas oligarquias. O principal culpado somos nós mesmos, que não nos dispomos a lutar por mudanças dentro dos partidos políticos, para torná-los mais democráticos; e nem ao menos ajudar quem está querendo trazer propostas novas ao Brasil. O que pode ser feito sem gastar um único centavo, para quem não tem condições; bastando participar e ajudar com trabalho voluntário, onde for preciso. Ou seja, enquanto eles despejam bilhões de reais, para ter acesso ao centro de decisões políticas do país; nós não nos dispomos nem de participar de uma reunião, ajudar a formar uma ideia, fazer uma crítica, etc; ajudando quem está procurando associar, organizar, e unir a sociedade; para que tenha mais força, para enfrentar a corrupção. Por isso quem manda no país, e sai ileso de toda crise são eles…

    Nossa maior participação nos partidos, estudando a política e participando de seus encontros e reuniões, pode inclusive forçar a própria direita a defender mecanismos de austeridade, como o RECALL, nosso direito de cassar políticos por iniciativa popular; além de uma maior participação da sociedade através do direito de se convocar plebiscitos e referendos. Isso até por uma questão de ter vergonha na cara, já que ainda temos bons políticos. E essa conversinha da direita de querer culpar o governo pela roubalheira, não cola; pois o povo já está mais politizado, e sabe que só acusações, sem propostas inovadoras contra a corrupção, não passam de conversa fiada.

    No exterior, essas medidas são defendidas pela própria direita, que zela pela austeridade; sabendo que se sobrar dinheiro em caixa, qualquer governo poderá pagar melhores salários ao funcionalismo, sem gerar inflação, aumentando as vendas do comércio e da indústria. É simples, basta parar de roubar!

    Tem gente que reclama até pelos cotovelos do atual governo, e com razão; mas não percebe, que ele só será derrubado, se houver propostas melhores do que o PT. Nessa traição do congresso, por exemplo, de liberar completamente a terceirização das relações de trabalho, o PMDB e o PSDB votaram em peso a favor da nova lei. Se quisermos um governo melhor que o do PT, temos um imenso desafio, o de criar propostas melhores que as deles. Porque o que temos hoje como opção para substituí-los, chega a ser uma aberração, infelizmente.

    E agora, que fazer?

    Será que a atual oposição criará melhores propostas, para combater a corrupção?

    Ou será que somente a sociedade organizada e unida, livre desses políticos profissionais, conseguirá essa resposta?

  9. Roberto São Paulo-SP 2015

    20 de outubro de 2015 3:03 am

    Os seguidos erro da oposição ao PT

    Não é para menos que  apesar dos erros o PT está mais de 12 anos na presidência, a oposição ao PT erra muito mais.

    Colocar para  votação o projeto da terceirização, além de enfraquecer as manifestações da oposição ao Governo  da Presidenta Dilma, pode viabilizar uma mobilização gigantesca dos que elegeram a Presidenta Dilma em 2014.

     

     

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