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18 Comentários
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  1. Sérgio Rodrigues

    30 de abril de 2015 3:20 am

    ?

    Quando o PT vai parar de nomear inimigos?

  2. Sairé

    30 de abril de 2015 8:36 am

    Beto Richa: além de criminoso, sádico

     

    Palácio se diverte enquanto professores apanham

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=Ram0jFobI2s%5D

  3. Sairé

    30 de abril de 2015 8:49 am

    Entrevista com Beto Richa: tudo ensaiado
    Publicado em 28 de abr de 2015

    Em 28/04/2015, em meio a uma greve de professores, o governador do Paraná Beto Richa (PSDB) concede uma entrevista ensaiada para a Rede E-Paraná (rede de TV do Governo do Estado). A edição esqueceu de cortar a parte em que o repórter e o governador comemoram o sucesso da entrevista.

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=YOMl9801eao&feature=youtu.be align:center]

  4. NICKNAME

    30 de abril de 2015 9:59 am

    Pauta: Brasilianas e GGN , uma sugestão:

    Eleições pra Reitores e pra Diretores em escolas públicas no Brasil. Seria isto democrático? Há tal processo em países de excelencia no ensino (Filnlândia, por exemplo). Num documentário sobre a educação na Finlândia, que á no youtube, vemos que os professores são avaliados por instâncias superiores. E que cada professor é o mesmo que acompanha uma turma por anos, portanto um acompanhamento personalizado é possível pro desenvolvimento dos pontos que se detectam falhos ou fortes de cada aluno. Claro que os salários e o status são muito altos lá. E que tal diminuir o número de disciplinas nos currículos? – Quem estiver de apoio que se manifeste, pelo menos em lançar o tema pro Brasilianas, que traz pessoas mais especializadas.

    1. Odonir Oliveira

      30 de abril de 2015 10:10 am

      Fechado. Ou seja, aberto.

      Correto.

      Há muitos trabalhos bons, de ensino consistente sendo realizados nesse momento no Brasil.

      Já fiz capacitação em serviço para professores que recebiam altos salários para lecionar em fundamental e médio, e, contudo, desenvolviam trabalho pedagógico pífio, sem dedicação, sem vontade de interferir, sem desejo de mudar nada. Queriam seus salários altos e por isso batiam ponto- digamos assim- contra os desejos de avanços e de mudanças.

      Os currículos estão pra lá de defasados nesse 2015 já. As disciplinas e os temas/tópicos superadíssimos , não só pelo momento em que vivemos, mas pelos próprios meninos que estão estudando isso que lhes ensina ainda.

      Estudar, mestres.

      Temos que estudar e voltar a fazer. Bem feito.

      PRÁTICA- REFLEXÃO- PRÁTICA

      1. NICKNAME

        30 de abril de 2015 10:20 am

        Então, vamos nos manifestar pelo Debate

        do jeito que tá (e já adianto meu ponto de vista) me parece demcoratismo, isto é, distorção do que seja democrático reduzindo tudo a uma eleição pelas bases. Não seria o Estado a Base a se considerar? Não havia, antes, uma lista tríplice pro governo (federal?) escolher e indicar? Estaríamos num avanço ou num retrocesso? As manifestações achoque poderão também serem encaminhadas pelo link lá embaixono canto direito “Contato”. Seja por visitante, seja por visitante cadastrado.

    2. Anna Dutra

      30 de abril de 2015 11:54 am

      Apoio veementemente o

      Apoio veementemente o debate!

      Vamos ao que interessa!!!

       

      1. NICKNAME

        30 de abril de 2015 5:14 pm

        Anna, aja

        envie sugestão através de Contato e publicamente . O “apoiado” (sou gato escaldado nisso…) dá a impressão de ficar esperando a iniciativa ficar tudo nas cosas de uma pessoa. Meu ibope não é lá essas coisas no posts do dia… já vi gente me dar 1 estrelinha enquanto davam 5 estrelinhas a um outro da mesmíssima opinião: é só olhar Nickname, o da Irmandade…, e não leram, nem gostaram (em parte, erro por não zelar pela escrita às pressas, sem mais ligar).

  5. maria rodrigues

    30 de abril de 2015 10:26 am

    Ontem assisti parte da sessão

    Ontem assisti parte da sessão plenária da Câmara quando estava sendo votada uma lei em favor dos gatos e cachorros. Vi que a maioria votou sim, mas não sei se todos. E a lei foi aprovada. 

    Eduardo Cunha está tirando das gavetas qualquer projeto para votação, inclusive uma bestialidade dessa, pensando em agradar a pouplação, e aparecer e aparecer. Acho que porque ele sabe o quanto esses animais são queridos. E quem votou a favor, foi na mesma linha, como se contrariando estivesse agindo contra a população, ou coisa que o valha, mesmo sabendo, pelo menos alguns mais entendidos, que essa é uma lei imbecil.

    Primeiramente nós, que amamos gatos e cachorros, não somos alheios aos outros animais, como cavalos, jegues, pássaros – araras, papagaios, tucanos, entre outros, sempre aparecendo na mídia debaixo de sofrimentos pela prática ciminosa dos humanos. Depois, muitos casos de violência contra animais tem sido motivo de processos, independentes dessa lei. Por fim, se um indivíduo mata um ou dez por atropelamento, e por dirigir embriagado, é considerado criminoso culposo, com direito a fiança mínima, e nunca é preso, como alguém vai acreditar que alguém que feriu um gato pode ser preso por um tempo entre 1 a 3 anos? 

    Ou a Câmara está constituído somente de palamentares asnos, ou esses parlamentares estão sofrendo daquele mal que os pastores conseguem fazer aos fiéis das pentencostais, ou, seria ainda pior: estão todos sendo pagos para votarem todos os dias qualquer coisa, inclusive uma lei favorável aos gatos e cachorros. 

    Quantos projetos importantes devem estar à espera de votação na Câmara, incluindo o dos pobres animais, claro, mas que tenha conteúdo abrangente com repercussão abranente também, e não uma idiotice desse tamanho.

  6. Daniel Klein

    30 de abril de 2015 10:46 am

    Brasil Potência

    Nos 14 anos que vão de 2003 a 2016, o Brasil será o país de menor crescimento entre os seis países mais desenvolvidos da América do Sul. O crescimento acumulado desses países no período será

    Peru         119%

    Uruguai     98%

    Colômbia   87%

    Chile         79%

    Argentina  64%

    BRASIL    48%.

    A participação brasileira no Pib mundial foi de 3,0% em 2003, e será de 2,4% em 2016. Mas, como falam os “progressists”, ninguém come Pib, e o Brasil continua célere no caminho de setornar potência mundial.

  7. Daniel Klein

    30 de abril de 2015 11:03 am

    Morte aos traidores que deixam o PT!

    Cinco mulheres de destacado talento político deixaram o PT ao longo da história do partido:

    Luiza Erundina, prefeita de São Paulo em 1989-1993

    Heloísa Helena, senadora 1998-2006

    Marina Silva, senadora 1994-2002, ministra 2003-2008

    Luciana Genro, Deputada Federal 2002-2011

    Mata Suplicy, Prefeita de São Paulo 2001-2005, ministra duas vezes, senadora 2011-2018.

    Heloísa helena foram expulsas por discordarem de decisões do partido. 

    TODAS ELAS foram demonizadas ao sair do partido. Assim como a Máfia, o partido condena à morte, 

    como traidores, quem deixa de concordar com suas ideias e seus métodos

  8. Emanuel Cancella

    30 de abril de 2015 3:08 pm

    Mídia

    A mídia no Brasil faz propaganda enganosa

    A mídia no Brasil não quer ser regulamentada, como acontece no resto do mundo desenvolvido; este é o motivo por que ameaçam de impeachment a presidente Dilma e insistem tanto em acabar com o PT.

     Usam como argumento o combate à corrupção e fazem campanha, nos meios de comunicação, acusando o governo Dilma e seu principal partido, o PT, de antro de corrupção, mas escondem da sociedade que toda essa retaliação tem como pano de fundo a promessa de Dilma de finalmente debater e construir, no Congresso Nacional, a regulamentação dos meios de comunicação.

    A corrupção que a mídia diz que Lula e Dilma sabiam, e agora ficou claro que ela está principalmente dentro dos órgãos de comunicação: Globo, Band, Folha de São Paulo e editora Abril, esta responsável pela revista Veja, todos eles estão listados no banco HSBC com conta na Suíça para lavagem de dinheiro, aliás, como fazem os maiores bandidos do mundo, principalmente os traficantes.

     A mídia quer fazer parecer que só há corrupção no PT, no governo e na Petrobrás, mas isso não é verdade, pois existe em todo o mundo e, no Brasil, só agora, no governo Dilma, bem como através da delação premida, também sancionada por Dilma, é que a corrupção está sendo realmente apurada. Temos que combater toda a corrupção sim, mas em todos os partidos, do governo ou não, e em todas as empresas. E respeitado o direito de ampla defesa, caso condenados, corruptos e corruptores precisam ir para cadeia e seus bens  confiscados. A justiça tem que valer para todos!

    Essas emissoras de comunicação, divulgam diariamente em manchete a operação Lava Jato, da Polícia Federal, na Petrobrás, conhecida como Petrolão, e escondem da sociedade o escândalo do HSBC (SwissLeaks), o da Receita Federal (Zelotes) e agora a operação da Policia Federal, Pavlova, que investiga escândalos financeiros desde 2011, na RBS, sucursal de o Globo, no Rio Grande do Sul.  Eles escondem a própria corrupção e de seus aliados.

     

     A estratégia dos meios de comunicação, apesar de criminosa, é bem orquestrada, pois procura chamar a atenção para a corrupção na Petrobrás, assim desgasta o governo, já que o mesmo controla a Petrobrás. Isso tem funcionado porque essas empresas de comunicação constituem um verdadeiro monopólio, e se eles não informam corretamente, a sociedade fica sem saber quem são os principais corruptos no país, pois esses crimes, SwissLeaks, Zelotes e agora Pavlova,  são muito superiores, em valores, ao perpetrado na Petrobrás. Eles usam a tática do batedor de carteira que grita ”Pega Ladrão!” para desviar a atenção da multidão!

     

    A sociedade tem que ser comunicada de toda a corrupção no país, inclusive porque essas empresas, principalmente de TV e rádio, são concessões públicas, além dos crimes apurados, a omissão para se auto proteger, pode resultar na hipótese de perda da concessão. Não seria o caso de a sociedade denunciar ao Procon a propaganda enganosa dessas empresas de comunicação?

    .OBS.: Artigo enviado para possível publicação para o Globo, JB, o Dia, Folha, Estadão, Veja, Época entre outros órgãos de comunicação.

    Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).

    Rio de Janeiro, 29 de abril de 2015

  9. Odonir Oliveira

    30 de abril de 2015 3:32 pm

    “Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária”

    TENTAÇÃO

    Clarice Lispector

     

    Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva. 

       Na rua vazia as pedras vibravam de calor – a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos. 

       Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo. 

       Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro. 
       A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam. 

        Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo. 

        Os pelos de ambos eram curtos, vermelhos. 
       Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos. 
       No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos – lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam. 

       Mas ambos eram comprometidos. 

       Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada. 

       A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina. 
       Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.

    __________________

    Conto extraído de LISPECTOR, Clarice. A legião estrangeira. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

     

  10. Pedro Penido dos Anjos

    30 de abril de 2015 4:09 pm

    Por que a Taxa de Juros é tão

    Por que a Taxa de Juros é tão elevada e a Taxa de Inflação não cai?

    Posted on30/04/2015by

    Decompoisção da taxa de inflação de 2014Inflação de preços livres

    Prosseguindo na busca de respostas a duas perguntas aparentemente simples –
    Por que a taxa real básica de juros no Brasil é tão elevada? Por que, apesar da taxa nominal básica de juros ser tão elevada, a taxa da inflação permanece muito elevada? – vamos agora começar a examinar esta última questão.

    Poderia ser a minha resposta quase uma tautologia: “ora, a taxa de juros é tão elevada porque a taxa de inflação ainda é elevada e a diretoria do Banco Central do Brasil insiste em derrubá-la com este único (e equivocado) instrumento”. Em outras palavras, a questão-chave seria por que a taxa de inflação ainda é alta – e não por que a taxa de juro é alta. Esta seria consequência daquela e não causa a queda dela! Todos os diagnósticos – e as terapias decorrentes – estariam equivocados!

    A experiência brasileira de estabilização inflacionária em taxa inercial mais baixa demonstra que ter Banco Central independente para praticar política de juros não é nem condição necessária nem suficiente. Para esse objetivo, há sim a necessidade de adotar política macroeconômica abrangente e coordenada, envolvendo política de controle de capital, política fiscal, política cambial, política de juros e política de rendas, em condições internacionais propícias ao acúmulo de reservas internacionais e à sobrevalorização da taxa de câmbio ou apreciação da moeda nacional. Além dessas políticas econômicas em curto prazo há que cortar o custo extra do Brasil com investimentos em infraestrutura e logística, cuja maturação ocorre em longo prazo.

    Porém, chegado ao historicamente baixo patamar da taxa de inflação – no último decênio (2005-2014) abaixo do teto (6,5% aa) do regime de meta – será que a política de juros, via controle indireto da demanda agregada, não tem eficácia apenas para impedir sua elevação, mas não para provocar sua queda?

    Conforme o Relatório da Inflação do BCB, referente ao primeiro trimestre de 2015, a inflação medida pelo IPCA em 2014 (6,41%) foi superior aos 5,91% observados em 2013. Considerando-se os dois grandes grupos de preços que compõem o IPCA, a inflação de preços livres encerrou o ano em 6,72% (7,29% em 2013), e a inflação dos preços administrados em 5,32% (1,54% em 2013).

    Considerando variações trimestrais, a inflação de preços administrados, que havia sido negativa no primeiro e terceiro trimestres de 2013 (devido à redução nas tarifas de energia elétrica e às revogações de reajustes de tarifas de ônibus urbano, respectivamente), iniciou em 2014 um processo de realinhamento em relação à inflação de livres.

    Considerando os seis componentes da inflação, a maior contribuição individual para a variação absoluta do IPCA em 2014 adveio dos preços livres (3,14 pontos percentuais (p.p.), seguida pela contribuição dos preços administrados (1,04 p.p.) e do choque de oferta (0,87 p.p). Em termos relativos, esses três itens responderam por 49,0%, 16,2% e 13,6% da inflação total em 2014. Por sua vez, a inércia, as expectativas e o repasse cambial contribuíram com 0,70 p.p., 0,69 p.p. e -0,03 p.p.; ou seja, com 10,9%, 10,8% e -0,5% da variação total do IPCA, respectivamente.

    Com relação aos choques de oferta, foi observado um forte efeito inflacionário em 2012, decorrente de significativa elevação de preços agrícolas em consequência de problemas climáticos que afetaram tanto regiões produtoras no exterior como no Brasil. Em 2013, o efeito menor, mas ainda positivo, manifestou-se na alta dos preços dos alimentos in natura observada no início do ano. Em 2014, fatores climáticos novamente afetaram os preços de alimentos, tanto no mercado doméstico como no internacional, ao longo do primeiro semestre.

    No período considerado de 2012 a 2014, pode-se observar o efeito crescente da inércia da inflação do ano anterior. As expectativas também apresentaram contribuição crescente no período analisado. Em 2012 e em 2013 observa-se contribuição positiva da desvalorização cambial para a inflação. Mas, em 2014, apesar de se observar um aumento de 11,8% na taxa de câmbio do quarto trimestre em relação ao quarto trimestre do ano anterior, houve uma pequena contribuição negativa para a inflação devido à dinâmica da taxa de câmbio ao longo do ano (tendência de queda até o terceiro trimestre) e à defasagem do repasse cambial para os preços ao consumidor.

    Tipicamente, a variação cambial afeta a inflação por meio dos preços de produtos importados. Contudo, mudanças na taxa de câmbio também impactam os preços ao consumidor por meio de um canal adicional: a depreciação cambial que leva a preços mais altos dos produtos importados irá, por sua vez, aumentar a demanda pelos produtos domésticos que competem com os bens importados. À medida em que a demanda aumenta, haverá também pressões de alta sobre os preços domésticos e sobre salários. Todavia, essa pressão de demanda é reduzida em contexto de menor crescimento econômico.

    Alguns economistas, sempre diagnosticando “inflação de demanda“, acham que “a   expansão   do   custo   não é causa   de inflação”, porque sem um aumento do poder aquisitivo e da demanda, o aumento do custo levaria ao desemprego e à recessão, e não à inflação. Em outras palavras, sem a oferta de moeda sancionar, não há aumento contínuo de preços, devido ao risco de perda de mercado. Mas com a criação endógena (isto é, pelas forças do mercado) de moeda, a responsabilidade pela inflação, fomentada pela pressão dos sindicatos e empresas sobre os preços relativos, é apontada por esses autores pela falta do “freio” monetário.

    Outros economistas, sempre diagnosticando “inflação de custos“, acham que “o excesso de demanda global não é causa da inflação”, porque os preços e os salários não aumentam por pressão do mercado, mas são “aumentados” por decisões administrativas formais e explícitas. Porém, resta a pergunta: há economia de mercado em que todos os preços e salários sejam administrados na base do cálculo de custo e   mantidos   nos   níveis predeterminados,   mesmo perante o excesso de demanda, caracterizado pela ocorrência de pedidos não atendidos? O “racionamento capitalista” não se dá via preços?

    Seguindo sempre o primeiro diagnóstico, o Banco Central limita-se a regular a demanda agregada via mecanismo de transmissão monetária indireta, isto é, através do canal dos juros. No caso brasileiro, em vez de fazer um controle monetário geral (e recessivo), há um controle seletivo, mantendo um crédito direcionado aos setores prioritários com taxa de juros subsidiada, pois é fixada abaixo da taxa de mercado com recursos livres.

    Metas de Inflação 1999-2013

    Prosseguindo na busca de respostas a duas perguntas aparentemente simples –
    Por que a taxa real básica de juros no Brasil é tão elevada? Por que, apesar da taxa nominal básica de juros ser tão elevada, a taxa da inflação permanece muito elevada? – vamos, neste artigo final da série, concluir o exame desta última questão.

    A experiência de combate ao regime de alta inflação colocou menos ênfase nas causas primárias e mais na inércia inflacionária, provocada por comportamento racional defensivo, pelas demandas salariais se transformarem de questões econômicas em questões políticas e sociais e pelo poder de fixação de preços.

    Desde então, a terapêutica antiinflacionária, qualquer que seja a causa primária, tem consistido então em tentar neutralizar, via controle da demanda agregada, a ação dos mecanismos de reajustes, espontâneos ou não, de preços, salários, câmbio, taxas de empréstimos, etc. Porém, nesse ajuste recessivo, tipo stop-and-go, ocorrendo quedas das margens de lucro, também cai a taxa de investimento e aumenta o desemprego.

    Sob o ponto-de-vista da análise da inflação, interessa o comportamento em curto prazo dos distintos mark­ups. A hipótese de constância dos mark­ups reduz o mercado de preços administrados ao papel de transmissor passivo de impulsos inflacionários gerados em outras partes do sistema econômico. Nesse caso, a discussão volta a se concentrar sobre os fatores determinantes desses impulsos primários.

    Em   oposição   a   esta   visão   do fenômeno   inflacionário com base em repasses de custos, via mark-up fixo, pode se supor um papel ativo dos oligopólios: as decisões de preços das empresas jogam um papel autônomo no processo inflacionário através de variações em curto prazo dos mark­ups. Estes se tornam flexíveis.

    Sendo assim, haveria independência dos mark­ups das empresas oligopolistas em relação às variações da demanda. Em contrapartida, as decisões de preços não seriam uma função exclusiva de custos, mas sim levariam em conta:

    a informação disponível sobre decisões dos fornecedores e concorrentes;o nível de incerteza sobre a taxa de inflação futura;as considerações de risco de renda (perda de clientes) e de risco de capital (custo de oportunidade na formação de estoques e do preço – a vista e a prazo).

    A taxa de juros básica acaba atuando como custo de oportunidade para a formação do juro mercantil na venda a prazo.

    Se essas variáveis experimentam mudanças significativas, as decisões de preço se dão através da variação em curtos prazos dos mark­ups, incluindo, além da margem de lucro, uma margem de segurança que busca antecipar a inflação futura para a reposição de estoques de insumos. Entretanto, o poder de decisão não é distribuído de forma igualitária. Como os poderes de mercado, os comportamentos e as expectativas são heterogêneos e divergentes, a resultante é a incerteza derivada da complexidade econômica.

    Recentemente, tem sido realizado um esforço de teorizar a Economia Complexa, abandonando-se o modelo mental de equilíbrio estável de preços relativos. Na verdade, não se encontra nenhum “centro de gravidade”, devido ao desbalanceamento de forças e à incompatibilidade de planos dos múltiplos agentes ao longo do tempo.

    Nas diversas etapas do mecanismo de transmissão, cada   agente escolhe um mecanismo de reação, que lhe diz o que fazer nessa nova interação, em função do que ele e outros agentes econômicos fizeram em interações prévias. Ele pode iterar ou repetir uma sequência de operações, mas cada qual se dará em novo contexto resultante das interações precedentes. As condições iniciais não se repetem e as dependências de trajetórias caóticas não podem ser predeterminadas.

    Nesta análise da complexidade do mecanismo de transmissão monetário, com base em decisões descentralizadas, descoordenadas, desinformadas uma das outras, porém interdependentes, a aspiração do analista é descrever trajetórias dinâmicas – e não buscar determinar níveis em torno de um centro de gravitação – das variáveis econômicas. Repudia a noção de convergência para um equilíbrio nesse jogo competitivo, não cooperativo ou antagônico.

    Observa a interação entre os agentes. Sem a análise das conexões em níveis diferenciados de escala, não se pode compreender o fenômeno macrossocial. A despeito da complexidade dos fenômenos observados, é possível distinguir padrões ou classes de comportamento em casos reais, seja na natureza, seja na sociedade.

    A Economia Complexa não condena o analista ao niilismo teórico. Por exemplo, o desemprego em longo prazo e mesmo o persistente desalinhamento inflacionário de preços relativos seriam resultantes dos comportamentos incongruentes motivados pelas expectativas divergentes dos agentes econômicos que tomam decisões.

    Equilíbrio, segundo a sabedoria convencional, é o estado no qual os planos dos   agentes estão consistentes entre si e com a disponibilidade de recursos produtivos. Nessa “visão equilibrista”, nenhuma sociedade poderia funcionar se os planos de todos os agentes fossem sempre frustrados, pois a frustração universal dos planos provocaria o caos econômico. Mas não há Teoria do Caos na Física? Por que não adequar sua metodologia à Economia da Complexidade?

    Alguns economistas ortodoxos acham que, para evitar o estado de caos, a cooperação e a coordenação só podem ser centralmente impostas por instituições sociais respaldadas pela força governamental. No caso brasileiro, imagina-se que o anúncio de uma meta de crescimento da taxa de inflação, conjuntamente com a flexibilidade cambial e o ajuste fiscal, constituiriam a melhor condução para se atingir o Equilíbrio Monetário. Neste “tateio para realinhamento do tripé”, investimento e poupança se equilibrariam, dispensando qualquer crédito excessivo dos bancos públicos…

    No entanto, o modelo de interação e iteração indica a ineficácia desse método de pensamento equilibrista para se atingir a coordenação de uma economia cujos agentes interagem de maneira descentralizada e resistem às regras compulsórias via inovações. O ato de jogar o jogo capitalista modifica suas regras!

    Pequenas diferenças que se afastam das condições iniciais resultam, através do efeito borboleta, representados por cálculos cumulativos em série (“em cascata ou em cadeia”) de sistemas abertos não lineares, em estados posteriores extremamente diferentes dos previstos nos modelos de equilíbrio. A meta do analista da complexidade é descrever o mínimo necessário, mensurando a essência do fenômeno observado em cada escala de análise. A recusa do capitalismo em se repetir, permanecendo inerte em certo estado estacionário, resulta na incapacidade dos economistas de apreendê-lo e prevê­lo com certeza.

    É verdade que a redução da demanda agregada provocará só liquidação de estoques e queda dos preços? Esse nivelamento por baixo, com objetivo de alcançar “a paz dos cemitérios” – não se restringe a essa meta. Uma recessão provoca também a desqualificação da mão de obra que fica desempregada e a deterioração dos equipamentos das empresas de tal forma que a economia estará mais frágil do que antes para conseguir uma retomada de maneira autônoma…

    A verdade é que não há verdade! O importante é percorrer o eterno caminho em busca da verdade inalcançável. O caminho se faz ao caminhar. Temporariamente, passo a passo, atingiremos verdades parciais e transitórias. Até falseá-las e prosseguirmos na busca.

     

     

  11. Cláudio José

    30 de abril de 2015 6:30 pm

    PROJETO: ÁLBUM DE FIGURINHAS RECONSTRUINDO O NEPAL
    Rio de Janeiro, 30 de abril de 2015 ONU: DireçãoPROJETO: ÁLBUM DE FIGURINHAS RECONSTRUINDO E CONHECENDO O NEPAL Caros amigos da ONU, nesse momento de tristeza e de ajuda humanitária com o povo do Nepal, gostaria de sugerir um projeto, para ajudar esses nossos irmãos, onde as crianças também poderão aprender desde cedo ser mais solidárias: ÁLBUM DE FIGURINHAS RECONSTRUINDO  E CONHECENDO O NEPAL, onde onde os antigos monumentos da humanidades, seriam mostrados lada a lado, com o que aconteceu, como está agora, e também o seu povo e a seus lugares turísticos e a sua cultura seriam também retratados em forma de figurinhas. Amigos (as) com a força e a união de todos, nós poderemos ajudar esse povo tão sofrido. Uma parte da verba arrecadada com esse álbum poderia ser utilizada, para ajudar as crianças, que perderam as suas famílias.   Atenciosamente:
    Cláudio José, um amigo do povo e da paz. 

  12. NICKNAME

    30 de abril de 2015 7:54 pm

    Eleição direta para reitor é raridade nas melhores universidades

    http://abecedario.blogfolha.uol.com.br/2013/10/02/eleicao-direta-para-reitor-e-raridade/

    http://abecedario.blogfolha.uol.com.br/perfil/

  13. NICKNAME

    30 de abril de 2015 8:19 pm

    Eleições na universidade – por Jacques Marcovitch ( * )

    Eleições na universidade

    por Jacques Marcovitch ( * )

    A questão universitária no Brasil impõe um foco maior em medidas que tragam rápidos e efetivos benefícios sociais. Entre estes, o avanço contínuo do desempenho em pesquisa científica e o incremento da oferta de vagas gratuitas ou financiadas, avanço que promove o bem-estar e incremento que favorece a integração. Nunca é demais repetir que o Brasil tem, na faixa etária correspondente, apenas 9% de sua juventude no terceiro grau, contra 40% na Argentina e 80% no Canadá, para citar apenas dois contrapontos. Enquanto isso, no espaço da universidade pública, onde essa questão social deveria prevalecer, alguns setores ainda levantam, como prioritário, o tema da eleição direta para reitor.

    Formulada esta objeção preliminar à reincidência de pauta que me parece alheia ao interesse coletivo, espero contribuir, nestas linhas, para examiná-la de forma objetiva. Lembrarei dois fatos ocorridos em minha gestão reitoral. Faço o retrospecto por entender que um dirigente universitário serve à academia esforçando-se ao máximo no exercício do seu cargo e, depois, transmitindo aos colegas, quando necessário, a memória da experiência vivida.

    Cabe reconhecer, antes de expor os fatos, que nem todos os adeptos do voto direto para reitor subestimam as questões principais da universidade. Agem, muitos deles, na suposição de que o seu critério de escolha é o mais democrático e o mais legítimo. Tenho a expectativa de que o meu relato ajude a reverter este equívoco e demonstre que o voto direto, ideal na representação política do Estado, é de todo inconveniente na escolha dos dirigentes de uma universidade. Não alonguemos, porém, os argumentos nesta linha, que dão sempre margem a excessos retóricos de um lado ou de outro. Voltemo-nos para a realidade concreta, que nos traz ensinamentos de maior valia.

    O primeiro ponto a relatar diz respeito a uma pesquisa que desenvolvemos na Reitoria da USP junto às grandes instituições acadêmicas internacionais. Era nosso propósito saber qual o processo que adotavam na escolha de seus reitores e como encaravam a hipótese de uma eleição direta para esse fim. As universidades foram escolhidas com base em critérios de qualidade de seu desempenho e presença em redes de universidades mundialmente reconhecidas, como a Association of American Universities e a League of World Universities, da qual a USP é participante.

    Foram ouvidas, na ocasiã0, 27 grandes instituições em todo o mundo: University of Oxford e University College London (Inglaterra); Université de Lausanne (Suíça); Université Lyon 2 (França); Leiden University (Holanda); Universität München e Universität Berlin (Alemanha); Universidad de Salamanca (Espanha); Stockholm University (Suécia); University of Sydney (Austrália), McGill University (Canadá); Hebrew University (Israel); University of Tokyo (Japão); Universidade de Coimbra, Universidade Nova de Lisboa, Universidade do Porto (Portugal); Universidad de Los Andes (Colômbia); University of Malaya (Malásia); Johns Hopkins University, Vanderbilt University, New York University, Emory University, Brandeis University, Association of American Universities, Duke University, University of Pittsburgh e Michigan State University (EUA).

    Presume-se, e não seria lícito julgar de outro modo, que sendo estas universidades muito bem-sucedidas em seu desempenho, a forma de escolha dos respectivos dirigentes é a mais adequada. O questionário enviado compunha-se de quatro itens: procedimento atual da escolha do reitor, Presidente ou Vice-Chancellor; composição das assembléias que referendam a indicação final; duração do mandato; e, finalmente, o pedido de uma opinião sobre a hipótese de ser o reitor eleito em votação direta de todos os professores, funcionários e alunos.

    Dito isto, passemos às opiniões colhidas na pesquisa. A principal informação foi a de que nenhuma das instituições consultadas adota o sistema de eleição direta para reitor. A maioria escolhe seus dirigentes em processo assemelhado ao adotado pela Universidade de São Paulo. Algumas, notadamente nos Estados Unidos, chegam a indicar o reitor após uma busca entre executivos mais capazes, incluindo-se apresentação de currículo e outros meios praticados por empresas e Fundações no recrutamento dos seus dirigentes.

    Julgo adequado reproduzir aqui, sem comentários meus, os juízos emitidos pelos reitores das universidades pesquisadas quando chamadas a opinar sobre o item da escolha direta. O reitor da Universidade de Oxford, Inglaterra, dr. Colin Lucas, perguntado se admitia uma escolha feita por alunos, professores e funcionários, pela via do sufrágio universal, foi categórico: “Absolutamente não. Isto produziria resultados baseados em considerações altamente políticas e campanhas com promessas sendo feitas ou procedimentos não adequados ao tipo de liderança que uma universidade necessita. O corolário seria o desenvolvimento de um tipo de governo ministerial, pois outros líderes teriam que ser trazidos para satisfazer outros interesses. Nada disso é positivo para a boa liderança e o bom julgamento”.

    Outra importante universidade inglesa, a College London, representada pelo seu Presidente e Provost, Chris Llewellyn Smith, desaconselha o sufrágio direto. Diz o dirigente: “Não sou favorável a um sistema de voto direto de docentes, funcionários e alunos. Isso apesar do fato de que em universidades que não têm Conselhos com a maioria dos membros vindos de fora possa haver argumentos em favor de tal procedimento.

    No caso da UCL, tenho que prestar contas ao Conselho, que poderá demitir-me se não estiver trabalhando adequadamente. As desvantagens de tais eleições diretas residem no fato de que, em minha opinião, a maioria dos docentes, funcionários e estudantes realmente não têm muita idéia de como uma universidade deve ser administrada. E tenho observado que em alguns países onde há esse tipo de eleição para reitor surge a tendência de candidatos lançarem plataformas com base em propostas populistas, que poderão não trazer os melhores resultados para as universidades”.

    O Presidente da Universidade de Lyon 2, França, Gilbert Puech, comenta: “Uma eleição direta tem seus atrativos, mas não seria fácil ponderar o voto entre os diferentes constituintes de cada comunidade: membros da faculdade, pesquisadores, pessoal administrativo e técnico”.

    O dr. Douwe D. Breimer, da Universidade de Leiden, Holanda, resume o seu ponto de vista contrário: “Não me parece que uma eleição geral seja uma boa idéia. Um reitor deve ser escolhido com base em sua forte competência. O risco de eleições gerais é que a política venha a ser o mais importante”.

    Na Universidade de Munique há um movimento no sentido de restringir mais ainda o processo de escolha. Informa seu reitor, Professor Andréas Heldrich: “Quanto ao processo de eleição do reitor e ao período do seu mandato parece que não há insatisfação com o atual estado de coisas na Universidade de Munique. Em estudo muito recente, uma firma de consultoria sugeriu que se estabelecesse um colégio eleitoral menor, com membros vindos de fora da Universidade, ao invés do Senado Estendido que temos atualmente. Nossos consultores apontaram para o fato de que esta mudança faria com que o reitor fosse menos dependente das pessoas que é obrigado a supervisionar. Portanto, as discussões em nossa Universidade estão caminhando para uma mudança na estrutura administrativa, ao invés de uma abertura maior na participação interna”.

    O documento que recebemos da Universidade Livre de Berlim também se opõe a uma eleição direta: “Não consideramos este sistema muito apropriado, pois o grande número de estudantes teria o voto majoritário. Este modelo seria adequado se o Presidente tivesse somente uma função representativa. Tendo em vista que ele tem poderes de decisão, sua aceitação por todos os grupos, especialmente pelos professores, é essencial”.

    Da Universidade de Salamanca, encaminhada pelo dr. Ignácio Berdugo Gómez de la Torre, veio a informação de que a maioria dos reitores espanhóis é contrária ao processo eleitoral direto. Declara este dirigente: “Sou claramente contrário ao voto direto. Entendo que, ao ser ponderado, tenha este uma grande carga demagógica e traga mais inconvenientes do que a legitimação pretendida”.

    Da Suécia, onde os reitores são escolhidos por um Conselho Eleitoral, veio esta resposta curta e eloqüente, subscrita pelo Presidente Gustaf Lindencrona, da Universidade de Estocolmo: “Acho que o sistema de voto indireto, conforme existe em nossa Universidade, é melhor”.

    Ainda mais conciso foi o Professor Gavin Brown, reitor da Universidade de Sydney, Austrália: “O modelo para eleger um reitor diretamente é inapropriado”. Eis a resposta que nos foi enviada pelo dr. Bernard J. Shapiro, da McGill University, do Canadá: “Eu não acredito que em nosso meio o voto direto pelos estudantes e/ou funcionários da Universidade seria muito bom. As contendas envolvendo publicidade politizam desnecessariamente o ambiente e raramente produzem a liderança necessária para uma instituição acadêmica. Além do mais existem muitos ‘stakeholders’ da Universidade que não são representados por aqueles que freqüentam a Universidade ou que nela trabalham”.

    A Universidade Hebraica de Jerusalém, Israel, não opinou sobre a eleição direta, preferindo informar que a eleição do seu presidente se faz por um Conselho de Curadores. O reitor é escolhido pelo Senado e através de um Comitê de Busca, no qual o Presidente tem poder de veto.

    Na Universidade de Tokyo a escolha do Presidente da Universidade é feita em duas etapas. Na primeira, os delegados/representantes de cada uma das 14 faculdades e 12 institutos de pesquisa são escolhidos pelos professores, professores associados e professores assistentes da Universidade. Esses delegados/representantes se reúnem em assembléia e escolhem, através de voto secreto, cinco candidatos. Na segunda etapa, os professores, professores associados e professores assistentes votam em um dos cinco candidatos selecionados. O candidato com maior número de votos será o Presidente daUniversidade de Tokyo. Neste estágio do processo é possível votar em outros candidatos além dos cinco apresentados pelos eleitores. Não é necessário ser docente da Universidade para concorrer à vaga para Presidente. A instituição considera que, deste modo, as eleições “têm sido diretas, pois as pessoas com responsabilidade direta pelo ensino e pesquisa (docentes), são as que elegem o Presidente”.

    A Reitoria da Universidade de Coimbra, esclarecendo que o seu executivo principal é indicado entre os professores catedráticos de nomeação definitiva e eleito pela Assembléia da Universidade, sequer comentou a possibilidade de eleição direta.

    O Professor Luís Sousa Lobo, Reitor da Universidade Nova de Lisboa, enviou-nos a seguinte resposta: “O processo de eleição direta, com conversão da proporcionalidade dos votos obtidos em cada corpo eleitoral, foi praticado com sucesso na Universidade do Minho entre 1982 e 1989, mas a Lei atual não o permite. Torna a eleição mais visível na comunidade acadêmica, embora conduza a uma campanha eleitoral mais consumidora de tempo para os diversos intervenientes”.

    Também na Universidade do Porto uma Assembléia da instituição escolhe o Reitor entre catedráticos de nomeação definitiva. O Professor J. Novais Barbosa, seu atual reitor, opina sobre o voto direto: “Seria um princípio aceitável, se não tivesse o inconveniente de incluir um apreciável número de pessoas certamente muito interessadas na sua área de incidência, mas pouco interessadas na atividade global da instituição”.

    Enfatizando que a eleição do reitor por um Conselho de Diretores vem funcionando muito bem há mais de 30 anos, o atual Reitor da Universidade Los Andes, Colômbia, Professor Carlos Ângulo-Galvis, opina sucintamente: “Não favorecemos o voto direto. Consultamos os membros da comunidade e levamos em consideração as suas opiniões”.

    O Reitor da Universidade da Malásia, Dr. Anuar Zaini Md Zain, informou apenas que o Vice-Chancellor é indicado pelo Ministro da Educação. Sugeriu como alternativa um Comitê para procurar o melhor candidato.

    As universidades norte-americanas condenam por unanimidade a votação direta. O Presidente da Associação que representa aquelas com maior engajamento em pesquisa, Dr. Nils Anselmo, também respondeu à pesquisa, e nos seguintes termos: “Eu não acredito que a eleição através de voto direto dos docentes, funcionários e alunos seja um modelo viável para as universidades norte-americanas, tendo em vista suas estruturas de administração.

    Todas elas têm, entretanto, Senados Universitários, com grupos separados para docentes e estudantes, para determinadas finalidades, que têm um peso considerável sobre questões acadêmicas. Este fato é referido como ‘shared governance’ (administração compartilhada). Mas a função dos docentes e dos estudantes é somente opinativa no caso de eleição de um Presidente/Chancellor”.

    Seguem-se, em bloco, as opiniões encaminhadas à Reitoria da USP por oito destacadas universidades dos Estados Unidos:

    Universidade Johns Hopkins – (Dr. William R. Brody) – “Seria contrário aos Estatutos da Universidade eleger o Presidente por voto direto. Seria também um erro que mudaria completamente o caráter desta instituição, na qual o Presidente responde ao Conselho, entidade autônoma, independente. Esta independência é tão importante que os Estatutos proíbem expressamente qualquer aluno, docente ou funcionário de servir como Conselheiro. Como nenhum Conselheiro é afetado diretamente pelas políticas e ações definidas pelos Curadores, eles têm maior objetividade sobre como administrar a Universidade, o que não seria possível se fossem stakeholders. “(…) Se a estrutura de governo permitisse a escolha direta, a Presidência ficaria politizada ao ponto em que o próprio Presidente não poderia levar avante sua missão com eficácia”.

    Universidade Vanderbilt – (Dr. Mark J. Justad) – “Se fosse uma situação como a de Vanderbilt, eu seria cético quanto ao estabelecimento de um processo direto de eleição”.

    Universidade de Nova York – (Dr. L. Jay Oliva) – “Meu pensamento quanto à eleição direta de um reitor (por todas as pessoas da comunidade – alunos, docentes e funcionários) é que não é uma boa idéia. O voto direto, nesse caso, resultaria num concurso de popularidade ao invés de se buscar o candidato certo, com as credenciais apropriadas”.

    Universidade Emory – (Dr. Gary S. Hauk) – “Muitas vezes os passos necessários para levar a universidade a um nível mais alto são impopulares ou apenas parcialmente compreendidos por algumas comunidades. A eleição popular de um dirigente limitaria, portanto, a capacidade dos Curadores na busca de uma pessoa com as qualidades necessárias para liderar”.

    Universidade Brandeis – (Dr. John R. Hose) – “A eleição direta para Presidente da instituição abriria a possibilidade de campanhas de candidatos e uma seleção altamente politizada que encorajaria a divisão e o surgimento de ‘ganhadores’ e ‘perdedores’ entre as várias comunidades. É de vital importância que as vozes dos docentes e alunos sejam  ouvidas na seleção de um Presidente, porém nenhuma dessas comunidades está na mesma posição do Conselho de Trustees para tomar uma decisão imparcial e baseada naquilo que é melhor para a Universidade”.

    Universidade Duke – (Dr. Nannerl O. Keohane) – “Não acredito que a eleição de um Presidente pelo voto direto dos docentes, funcionários e estudantes favorecesse os melhores interesses de uma instituição. Este processo poderia dividir o campus e politizar a seleção”.

    Universidade de Pittsburgh – (Dr. Mark A. Nordenberg) – “Não tenho experiência para medir esse enfoque e preferiria o processo desta Universidade, que eu sei que funciona”.

    Universidade do Estado de Michigan – (Dr. Peter McPherson) – “A função do Presidente muitas vezes envolve a busca de fundos externos e relações com Assembléias Legislativas, líderes da comunidade e público em geral. Por isso, um voto direto pelos docentes, funcionários e estudantes, não seria apropriado porque constituintes externos importantes estariam fora do processo. O nosso atual sistema é melhor, pois a busca envolve membros eleitos pelo público e também constituintes internos”.

    As opiniões aqui registradas evidenciam um consenso a ser atentamente examinado. Se queremos uma academia moderna e sintonizada com as boas práticas internacionais, devemos seguir o exemplo das melhores universidades. Não se trata de copiar mecanicamente os procedimentos adotados em outros países, mas acompanhá-los no essencial, que é o respeito aos interesses acadêmicos. Caberia sublinhar ainda que as instituições ouvidas pela USP situam-se, na quase totalidade, em países de sólida tradição democrática, onde o direito de opinião é fundamento pétreo em suas Constituições. Nota-se, porém, que estas academias percebem sabiamente as sutis e importantes diferenças entre a organização do Estado e a organização universitária.

    À guisa de ilustração, serão descritos os processos de escolha de dirigentes em algumas das instituições pesquisadas. Todas elas integram a lista de universidades melhor avaliadas no “Academic Ranking of World Universities – 2004″, elaborado sob a coordenação do professor Nian Cai Liu, do Instituto de Ensino Superior da Universidade de Xangai – China, com o objetivo de orientar os estudos de chineses no exterior.

    Associação de Universidades Americanas – Esta associação reúne as cem maiores universidades norte-americanas, em especial aquelas que priorizam as atividades de pesquisa e pós-graduação. Nessas instituições, públicas ou privadas, o presidente ou chancellor é eleito pelo Conselho da universidade. Os membros dos Conselhos, por sua vez, são eleitos ou designados de formas variadas. Nas universidades públicas, alguns dos conselheiros são eleitos quando das eleições gerais dos Estados e outros são indicados pelos governadores. Nas universidades privadas o próprio Conselho elege os seus membros e se auto-renova periodicamente. Na escolha de um presidente ou chancellor o Conselho geralmente indica um comitê de busca com representação do próprio Conselho, docentes, funcionários e estudantes e, às vezes, ex-alunos. Os mandatos variam de indicação anual até mandatos de cinco anos com a possibilidade de recondução.

    Universidade Johns Hopkins – É dirigida por um Conselho de Curadores provenientes do setor privado, sendo que os próprios membros elegem os seus sucessores. O Presidente é escolhido por esse Conselho de Curadores e fica no cargo até quando o desejar. Quando um Presidente sinaliza que quer deixar o cargo, o Conselho de Curadores indica um comitê de busca para identificar o sucessor. Este Comitê, muitas vezes dirigido pelo Presidente do Conselho de Curadores, é integrado, em sua maior parte, pelos próprios Curadores, mas também inclui representantes de todos os setores da Universidade – docentes, estudantes, funcionários e ex-alunos. O processo para identificar um novo Presidente leva de 12 a 18 meses e envolve a consulta a pessoas da própria Universidade, de outras instituições, ou mesmo do exterior. Os indicados finalistas são entrevistados pelo comitê de busca e por membros da direção da Universidade. O comitê de busca recomenda um único candidato ao Conselho de Curadores que, então, decide se elegerá essa pessoa para o cargo.

    Universidade de Nova York – A seleção é feita por um comitê de busca composto por pessoas conceituadas da Universidade (administração central, docentes, estudantes e funcionários). Não há mandato fixo para o Presidente. O Conselho de Trustees da Universidade é que decide quando um Presidente deve ser escolhido.

    Universidade de Oxford – O Vice-Chancellor, dirigente executivo da universidade, é escolhido por um colégio eleitoral, integrado por quatorze membros, sendo cada um deles indicado por um setor diferente da Universidade. O colégio eleitoral é presidido pelo Chancellor (patrono da Universidade com poucas funções executivas, sendo a maioria delas de representação externa). O colégio analisa em sigilo possíveis nomes para a função e poderá fazer consultas reservadas. Não há candidaturas ao cargo e, caso seja percebida uma campanha em prol de um dos nomes, este será automaticamente desqualificado. O nome escolhido pelo colégio eleitoral é então proposto a todo o corpo de acadêmicos/professores. O nome é referendado, a menos que haja, dentro de um prazo determinado, uma contestação fundamentada. Nunca, na história da Universidade, um indicado foi chamado ao debate ou feita oposição ao nome proposto. O mandato é de cinco anos, podendo ser prorrogado por mais dois, não sendo permitida a recondução.

    Universidade Colégio de Londres – O Presidente e Provost da UCL é indicado porum Conselho sob a recomendação de um Comitê de Seleção composto por membros do Conselho e do Conselho Acadêmico. O Conselho é integrado por cerca de trinta pessoas, a maioria não pertencente à Universidade, mas vinda da área empresarial e de representantes das profissões liberais. Atualmente integram também o Conselho dois professores representantes das escolas de segundo grau. Os membros internos incluem a representação de funcionários docentes e não-docentes e representantes dos estudantes. Já o Conselho Acadêmico é integrado por professores titulares e por membros eleitos de outras categorias docentes. O mandato tem duração mínima de cinco anos e máxima de dez anos.

    Universidade de Estocolmo – A eleição do Reitor/Presidente acontece em três etapas. Na primeira, há uma decisão do Conselho Eleitoral, constituído por 60 membros, sendo 36 escolhidos pelos docentes, 12 pelos estudantes e 12 pelos sindicatos do comércio. Na segunda, há a decisão do Conselho Universitário, que geralmente escolhe o candidato que obteve a maioria dos votos no Conselho Eleitoral. Finalmente, o Reitor/Presidente é indicado pelo Governo. O mandato é de 6 anos, podendo haver reeleição para um período de mais 3 anos.

    Universidade de Lyon 2 – O Presidente da Universidade é escolhido entre os docentes titulares e eleito por uma assembléia de aproximadamente cento e trinta membros integrantes do Conselho de Administração, do Conselho Científico e do Conselho para Assuntos Acadêmicos. O processo eleitoral inclui uma consulta a todos os membros da Universidade, mas a eleição é por delegação, pois é feita nos três conselhos. O mandato é de cinco anos e não se permite a reeleição.

    Universidade de Los Andes – O reitor é eleito pelo Conselho de Diretores, composto por quarenta e cinco membros, tendo um mínimo de dois professores e dois estudantes. Um comitê de busca, constituído pelo Presidente e doze membros do Conselho de Diretores, entrevista membros do próprio Conselho, docentes e outros integrantes da comunidade da Universidade, prepara um relatório e apresenta suas conclusões ao Conselho. As conclusões incluem a recomendação de um a três candidatos para serem votados. O primeiro mandato é de quatro anos, que pode ser estendido por mais dois, indefinidamente.

    Universidade Nova de Lisboa – A eleição é feita por um colégio eleitoral de cerca de duzentas e cinqüenta pessoas, designado Assembléia da Universidade, com representação das Faculdades, em que há 27% de estudantes e 10% de funcionários. Recentemente foram feitos ajustes no processo para assegurar a representação autônoma de estudantes de pós-graduação e introduzida uma regra de proporcionalidade mitigada, com três escalas de dimensão para a representação das Faculdades (1º escalão: até 1000 estudantes; 2º escalão de 1000 a 3000 estudantes; 3º escalão para Faculdades com mais de 3000 estudantes). Foram introduzidas, também, as alternativas de candidaturas ou deproposituras (por 5 a 10% de membros do colégio eleitoral). O mandato é de quatro anos admitindo-se apenas uma reeleição.

    Toda a argumentação recolhida sobre a escolha do Reitor centra-se, como vimos, no princípio da competência. Esta será, em todos os casos, aferida por um grupo notoriamente qualificado e sem outro interesse que não seja de ordem acadêmica. O viés político é absolutamente desprezado. Exige-se do candidato um perfil em que se sobressaiam a capacidade administrativa e um pleno domínio de questões pertinentes às atividades fins da instituição. Está descartada qualquer hipótese de influência privilegiada no exercício de suas ações futuras.

    O dirigente acadêmico, além de sólido conhecimento da área que lhe cabe gerir e uma compreensão abrangente da universidade, precisa ser um articulador. Mas a liderança, neste caso, não tem aquele sentido que ostenta quando relacionada com o embate sindical ou político. A condução partidária ou corporativa repousa basicamente na habilidade para arregimentar segmentos da sociedade e em atributos pessoais como oratória, carisma ou até mesmo alguma teatralidade no comportamento. A liderança de um dirigente universitário se mede pela capacidade na agregação de competências e formulação de um projeto para a academia. O desvio capital na tese do voto direto é o de exigir do Reitor ou dirigente de unidade o posicionamento de um agitador de massas. Ele não é isso, por mais que admitamos, no plano político, um protagonista com este perfil.

    Não se veja, nesta observação, qualquer menosprezo à política e seus ritos, perfeitamente legítimos quando praticados em âmbito próprio. A política é a estrutura essencial do sistema representativo. Uma crítica irrefletida aos seus processos quase sempre oculta convicções totalitárias ou revela uma total incompreensão dos valores democráticos. Que fique bem claro: no caso em análise o erro está em partidarizar o contexto acadêmico e ignorar a sua verdadeira natureza.

    As diferenças também ocorrem entre aqueles que vão escolher a liderança. Na universidade, ao contrário do que sucede no conjunto social, os liderados exercem um papel ativo. Eles não se limitam a seguir os passos de alguém, mas ajudar este alguém nas tarefas de governança e, mais do que isso, na concepção das políticas acadêmicas. Esta influência mútua é praticada nos colegiados, que por sua vez não devem guardar semelhança com os plenários políticos ou assembléias de classe, onde atuam “bancadas” e “facções” mais preocupadas com a reação de suas bases eleitorais.

    Freqüentemente se ouve dizer que as congregações e conselhos superiores na universidade assumem posições “conservadoras”. Melhor seria caracterizá-las como prudentes, inclusive para identificar os líderes verdadeiramente inovadores e saber diferenciá-los dos que pretendem apenas trocar uma rotina por outra. Parece-nos que estas premissas estão implícitas nos depoimentos colhidos junto aos dirigentes das universidades internacionais ouvidos pela Reitoria da USP sobre as suas respectivas estruturas e processos de escolha.

    Um Reitor não deve estar ligado a qualquer facção partidária, mesmo que ocasionalmente esta facção represente, no espectro político, um programa justo de governo. O compromisso da autoridade universitária restringe-se ao contexto exclusivo da qualidade acadêmica. Neste caso, a chegada ao posto de Reitor assemelha-se ao ingresso de um estudante na universidade.

    O improvável cenário da eleição direta para Reitor teria uma porta escancarada para o aparelhamento da universidade pública. Por ela entrariam grupos ideológicos em busca de fortalecimento. Grupos de direita, como no tempo da ditadura militar ou grupos de vários matizes, como nos dias de hoje. Nocivos, todos, ao interesse universitário, porque visam em primeiro lugar a política e não as questões relevantes da academia.

    Demo-nos por felizes que haja no Brasil plena liberdade e que se possam expressar as mais variadas correntes partidárias. Mas seria inadequado ampliar o campo de confronto destas forças para dentro da universidade visando a ocupação de espaços e permitindo que militantes de qualquer origem viessem a exercer cargos destinados a gestores de formação específica. A livre circulação de idéias é a razão de ser de uma universidade crítica e plural, como defendemos. Mas não se pode instrumentalizar este princípio com objetivos de poder interno, sob pena de trair o seu verdadeiro sentido.

    Ficou demonstrado que um “concurso de popularidade”, para usar a expressão do reitor Jay Oliva, da Universidade de Nova York, é a pior forma de eleger um dirigente universitário. O melhor é fazer todas as escolhas pelo critério da competência e do vínculo permanente com a missão acadêmica. O autor deste artigo, quando reitor da USP e ainda hoje, vem expondo em escritos diversos o conceito de uma universidade generosa, empreendedora, crítica e plural. Nela, tudo depende de todos, mantido o sistema de representatividade que valorize o compromisso histórico com a instituição. Voltada para o aperfeiçoamento de suas políticas internas, culto aos valores humanos e debate dos grandes temas nacionais, a academia terá correspondido ao investimento público e às expectativas da sociedade. Ela deve ser tomada igualmente como um sistema aberto, constituído por milhares de células vivas – alunos, professores, funcionários e dirigentes – agrupados na gestão central, departamentos, núcleos, institutos, faculdades, museus. São estas células que têm assegurado, com êxito, a realização de metas e a preservação do pacto universitário firmado em 1934 e sempre renovado ao longo dos 70 anos da USP.

    Professores de notória convicção liberal e até conhecida militância na esquerda democrática, opõem-se ao sistema da eleição direta para reitor. A propósito, relatarei o segundo fato referido no início deste artigo, que também ocorreu durante a minha gestão reitoral. Ocorreu, para ser exato, no dia 14 de setembro do ano 2000 e foi, para mim, uma experiência inesquecível. Naquele dia, atendendo a um convite do DCE, resolvi participar da instalação do Congresso dos Estudantes da USP – evento que anunciava em sua programação duro questionamento às práticas da Reitoria. Já fora informado por telefone que teria cinco minutos para falar, um pouco antes do Professor Antonio Candido – que seria o palestrante da sessão de abertura.

    Entrei no Anfiteatro e percebi, em torno, olhares de perplexidade. Havia cerca de 400 alunos na platéia e um grupo de 20 deles, não mais do que isso, começou a gritar “Reitor, ditador!”, tentando puxar uma vaia, sem ressonância. Dirigi-me ao palco e sentei-me junto a um dirigente do Diretório Central de Estudantes (DCE). Este fez um comentário inicial em que explicitou, com ênfase, sua posição favorável a uma eleição direta para reitor e representação partidária de alunos e professores no Conselho Universitário. Em seguida passou-me a palavra e estendi-me, no tempo disponível, sobre as tensas relações daquele momento entre o DCE e a Reitoria. Lembrei que os dirigentes universitários, vistos equivocadamente pela representação estudantil como patrões ou detentores de poderes imperiais, na verdade exercem transitoriamente funções executivas. E subordinam-se, todos, à soberana decisão de colegiados em vários níveis, eleitos pela comunidade acadêmica. Concluí exortando todos a um diálogo sereno, mesmo a partir de idéias eventualmente opostas. Um diálogo em que prevalecesse a noção de que a amizade sempredeve sobreviver aos desacordos.

    Concluído o meu discurso, falou o Professor Antonio Candido. Ele prestou riquíssimo depoimento sobre a sua trajetória na Universidade de São Paulo, desde os tempos de estudante. E aí aconteceu o fato de maior impacto naquela tarde, que agora resgato para o contexto deste artigo. Antonio Candido, surpreendendo os diretores do DCE, declarou-se contrário à eleição direta para reitor e à paridade no Conselho Universitário. E acrescentou que, embora discordando francamente de algumas posições do diretor do DCE, jamais o vaiaria por assumir estas posições. Foi delirantemente aplaudido por toda a platéia.

    Os grupos que contestam o critério vigente nas eleições da USP escudam-se, em defesa de suas posições, na evolução política do País. A memorável campanha cívica em prol de eleições diretas para a Presidência da República, em 1984, é por eles indevidamente apropriada, como se coubesse relação entre um fato e outro. Não cabe. O voto direto para eleições gerais na sociedade fundamenta-se no princípio de que todos os brasileiros são aptos a escolher o seu presidente, tendo em vista que o poder, na organização democrática, emana do povo – este, fora de dúvidas, um ente social permanente.

    Na universidade, porém, o referencial permanente é o seu corpo de professores, porque tem ele, na missão acadêmica, um projeto de vida inteira. Os estudantes freqüentam o campus temporariamente, durante seus cursos, e os dedicados funcionários nele permanecem enquanto não surgirem, no mercado de trabalho, melhores oportunidades.

    Claro está que não pode haver paridade na votação e que o corpo docente deve ter um peso maior na definição dos destinos da academia. Estas razões, alinhadas às demais invocadas nas linhas anteriores, em especial a de notória competência dos candidatos, devem nortear a escolha de um reitor. Vincular o funcionamento da instituição aos interesses do sindicalismo interno e posições corporativas ou partidárias é o mais grave erro que se pode cometer numa escolha reitoral.

    A pregação do voto direto na sucessão de um dirigente acadêmico não teve, e jamais terá, o caráter representativo que sempre alcançou nas decisões da sociedade civil. Espera-se, em nome da racionalidade e das melhores experiências, que este discurso equivocado, cada vez mais frágil, em breve seja definitivamente esquecido.

    ( * ) Jacques Marcovitch é ex-reitor da USP e professor  titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA). O presente artigo foi escrito como texto-base para conferência realizada em 8 de março de 2005 no Instituto de Estudos Avançados (IEA) e publicado pela Edusp no livro  Ensino Superior – Conceito e Dinâmica, organizado por João Evangelista Steiner e Gerhard Malnic.
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  14. Mara L. Baraúna

    30 de abril de 2015 9:39 pm

    101 anos de Dorival Caymmi

     

              Dorival Caymmi (Salvador, 30 de abril de 1914 – Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2008) 

    Dorival Caymmi nasceu em Salvador, em 30 de abril de 1914, filho de Durval Henrique e Aurelina Cândida (Dona Sinhá), sendo ele neto de italianos e portugueses e ela descendente de portugueses e negros. Durval era funcionário da alfândega baiana, trabalhando – de farda e arma! – como fiscal dos navios que aportavam na Baía de Todos os Santos. Era também músico amador, sendo instrumentista de violão, piano e bandolim – instrumento que a dona de casa Sinhá também tocava muito bem. “Pra minha sorte, eram pessoas musicais”, como diria no documentário Um Certo Dorival Caymmi, de Aluísio Didier.

    Quando Dorival nasceu, o casal já tinha tido três filhos: Hildebrando e Maria de Lourdes (que nasceram mortos, enforcados no cordão umbilical) e Deraldo, de 1912. Assim como o irmão mais velho, Dorival tinha D no nome, seguindo a promessa que Sinhá fizera na terceira gravidez: batizar todos os filhos com a inicial de Deus.

    Nasceu na casa em que a família morava de aluguel, no número 77 da Rua do Bângala (hoje Luiz Gama), de onde se mudaram pouco depois para uma casinha no Campo da Pólvora, 6, e depois para a Rua Direita da Saúde, 27. Foi lá que a família se completou, com o nascimento das meninas Dinah (1916) e Dinahir (1918). Todos trazidos ao mundo pela mesma parteira, Dona Quinquinha, a mesma que viu nascer Durval, o patriarca.

    Apesar do ambiente musical e festeiro de sua família (como veremos adiante), o momento que Dorival define como seu “despertar para a música” se deu fora de casa, quando ele tinha apenas 4 anos. Ele estava perto da casa de vizinhos, os Campos de França, quando ouviu sair pelas janelas um som diferente, que imediatamente captou sua atenção: era a canção erudita Élégie, do francês Jules Massenet, que vinha da vitrola de corda dos meninos Lídia e Augusto.

    Ficou estático, ouvindo aquele som, como se estivesse em estado catatônico. “Foi um despertar violento com Élégie, que me provocava um sentimento pungente, uma melancolia. Parece que chorei, mas eu era tão pequeno, meu Deus…”, relembra nosso personagem no livro Dorival Caymmi – o Mar e o Tempo, de Stella Caymmi.

    Foi na casa da Rua Direita da Saúde que a família viveu até 1925, quando Dorival completou 11 anos de idade. São de lá as primeiras lembranças que guarda da infância, brincando com os irmãos na roça de Seu Queiroz (vizinho), onde jogava bola, caçava com badogue (estilingue), empinava arraia (soltar pipa) e comia fruta no pé.

    À noite, o silêncio absoluto da vizinhança só era quebrado pelas festas de Seu Brim e pelas vendedoras de acarajé, que passavam pela rua cantando seus pregões. Das lembranças guardadas das vendeiras se inspirou para compor A Preta do Acarajé, como deixou registrado no livro Cancioneiro da Bahia, que publicou em 1947.

    Uma particularidade da casa dos Caymmi – e de outras casas baianas naquelas primeiras décadas do século XX – eram as “mulheres de saia”, ex-escravas que, por opção, continuavam ligadas às famílias para as quais trabalhavam.

    Foi numa dessas “mulheres de saia” que se inspirou para escrever a canção História pro Sinhozinho, como escreveu no livro Cancioneiro da Bahia: “Era uma preta velha vinha do tempo da minha avó, chamada Sinhá Inocência. Embalava a gente nos seus braços trêmulos, contava histórias, e que histórias!

    Outra característica da família em que cresceu Dorival Caymmi (aí incluídas as oito tias por parte de pai e os seis tios por parte de mãe) era o gosto pela festa – na biografia escrita sobre o avô, a escritora Stella Caymmi conta que havia quatro pianos espalhados pela família.

    Da mesma maneira com que observava, atento, esses encontros familiares, gostava de acompanhar as festas tradicionais de Salvador. Tinha uma queda especial pelas festas de janeiro, como a de Nosso Senhor dos Navegantes (no dia primeiro, que inspirou a canção Festa de Rua), o Dia de Reis (dia 6) e a Festa do Bonfim (segundo domingo após o Dia de Reis). Mais ainda ele gostava das festas de junho, que também eram as preferidas de seu pai. Durval passava o ano guardando enfeites e fogos de artifício para celebrar Santo Antônio (dia 13), São João (24) e São Pedro (29).

    Por sua caligrafia irretocável, era solicitado pelos colegas para copiar em seus cadernos as letras do Hino Nacional e do Hino da Bandeira. Em troca, ofereciam-lhe ingressos para o cinema. “Eu ia às matinês do Cinema Jandaia por conta da minha caligrafia”, conta Dorival. 

    Mansidão e traquinagens

    A primeira lembrança que Caymmi guardava do mar era também uma lembrança de dor: estava na casa de sua madrinha, Tia Pipi (Maria da Piedade, irmã de Sinhá), no Rio Vermelho, quando decidiu subir no muro para ver o que estava do outro lado. Mal teve tempo de ver o mar, pois escorregou e caiu com o pé direito em cima de um caco de vidro que lhe abriu um talho no dedão. Diferentemente de Deraldo, que era levado e adorava jogar bola e soltar pipa, Dorival era mais sossegado.

                                                                  

                                          

    Fontes:

    Dorival Caymmi na Wikipédia 

    Dorival Caymmi no Dicionário Cravo Albin

    Biografia comemora centenário do compositor Dorival Caymmi

    Caymmi e o mar da Bahia, por Joaquim Ferreira dos Santos

    Caymmi e o Rio, por Joaquim Ferreira dos Santos

    Caymmi solar, Rádio Batuta, por Joaquim Ferreira dos Santos

    Centenário de Dorival Caymmi: O samba baiano com gosto de mar e de vida, por Marcos Aurélio Ruy

    Devoção entre espumas e sargaços: representação de Iemanjá em canções praieiras de Dorival Caymmi, de Queite Pereira de Miranda e Marielson Carvalho 

    Dores de Dorival, Rádio Batuta, por Luiz Fernando Vianna

    Dorival Caymmi, Rádio Batuta, por Luiz Fernando Vianna

    Dorival Caymmi, Série Pequenos Notáveis, por Pedro Paulo Malta.

    Dorival Caymmi influenciou gerações e marcou a MPB com sua ‘teimosa paciência’

    Dorival Caymmi, o Buda baiano

    Ilustrador, um Dorival Caymmi que poucos conhecem, por Aline Veroneze

    O imaginário da cidade de Salvador nas canções de Dorival Caymmi: uma reflexão geográfica, de Jânio Laurentino de Jesus Santos 

    Poesia e memória cultural: uma análise das principais influências do  imaginário das águas português em composições de Dorival Caymmi, de Ivanildo Bispo dos Santos Júnior 

    O portador inesperado: a obra de Dorival Caymmi (1938 – 1958), de Stella Caymmi 

    O sublime mar de Caymmi, de João de Carvalho 

    Caymmi foi homenageado no carnaval, sendo tema de enredo da Mangueira, em 1986, e da Águia de Ouro, em 2014 

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    [video:https://www.youtube.com/watch?v=y5I8-7WjRMU%5D

    Homenagens: Caymmi ganhou uma estátua em bronze na Praia de Copacabana, na altura da Rua Francisco Otaviano, no Posto Seis, vizinha da Vila dos Pescadores. O mar sempre foi um dos temas preferidos nas canções do baiano. O compositor baiano já tinha sido homenageado antes, quando uma rua do Lebon , na Zona Sul, foi batizada com seu nome.

         

                                                                                    

                                                                         Caymmi pintor

                                                       

                                      

    Vídeos:

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