
Os liberais fora do armário e a nova direita
João Feres Júnior*
Estão pipocando aqui e acolá na internet textos alertando para a ameaça trazida pela nova direita, representada acima de tudo pelo projeto de fundação do partido NOVO, articulado por figuras como Rodrigo Constantino e pequenos grupos neolibertários que organizaram o ato do dia 15.
Ao contrário dos partidos de direita e centro-direita do Brasil de hoje, que sempre tentam fazer uma mediação entre seus projetos de diminuição do Estado e a lógica eleitoral, conectada às demandas por políticas públicas de massa, esses grupos pregam abertamente a menor participação possível do Estado.
Acho que essa análise falha em algo crucial: nunca no Brasil partidos com plataforma abertamente liberal foram muito longe.
Se focarmos somente nossa história recente da Nova República constatamos que os dois principais partidos que carregavam a palavra Liberal em seu nome a descartaram ao longo do caminho. O Partido da Frente Liberal, antiga ARENA, antigo PDS, virou Democratas em 2006. Já o Partido Liberal (PL) se fundiu com o PRONA para formar o Partido da República (PR), no mesmo ano. É cristalino o movimento semântico de se trocar a palavra “Liberal” por outras que fazem alusão a regimes explicitamente populares: democracia e república. Será que o esforço de Gilberto Kassab para refundar o Partido Liberal pode ser lido como o sinal de uma inflexão? Difícil dizer no atual estágio.
Claro que as coisas podem mudar. Claro que a direita está se organizando no Brasil. Ora, só os tolos (e aqueles que acreditam que nações têm espírito pertencem a essa espécie) pensam que a história está fadada à eterna repetição. Porém, daí a essa direita abertamente liberal se tornar eleitoralmente poderosa vai uma grande distância.
O relativo sucesso da passeata antiDilma não é suficiente para referendar esse vaticínio. Primeiro, porque fora São Paulo, o sucesso foi mais de mídia do que de público propriamente dito. Segundo, porque muitos foram à passeata pedir por intervenção militar, golpe e outras violações legais e constitucionais. Esses supostamente não rezam a cartilha do liberalismo radical. Contudo, há uma razão maior. Enquanto a desigualdade for brutal em nosso país, o liberalismo de direita estará fadado a ter baixa efetividade eleitoral. Não se ganham eleições somente com o voto de elites.
O pior inimigo dos liberais fora do armário são eles mesmos, pois a realização de seus projetos contribui para corroer sua própria base de sustentação dentro de um regime democrático. Eles podem ser até eficazes para atacar o governo, mas não têm projeto eleitoralmente viável para governar o Brasil. Daí a necessidade de pensá-los sempre como linha assessória dos partidos de centro-direita e de direita. Na hora da eleição, não são eles que encabeçarão a chapa.
Sua única chance de ganhar o Estado é por meio da ruptura institucional: instaura-se o Estado forte para se produzir um Estado fraco. Repressão em uma ponta e liberalização econômica na outra. Isso já foi tentado no Chile há algumas décadas e o saldo ultrapassou 20 mil mortos, entre muitas outras violações dos direitos humanos. Não é coincidência, portanto, que esse novo liberalismo busque amplificar seu apelo se escondendo detrás do moralismo e de vários pequenos autoritarismos, como agora presenciamos. Resta-nos fazer com que a não repetição da história seja, para além da conclusão metodológica, um desiderato.
*João Feres Júnior é cientista político do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP), coordenador do Laboratório de Estudos da Mídia e Esfera Pública.
** Publicado também no SRZD
Athos
24 de março de 2015 4:22 pmTriste fim do Prona.Partido
Triste fim do Prona.
Partido nacionalista de direita que não se curvava a interesses alienígenas como outros. Agora acabou e não há outra alternativa a direita. Lamentável para o país.
O problema dos liberais é que não passaram da fase do discurso.
Dizem que deve ser tudo privado e vc rebate que não vê motivos para privatizar a Embrapa, o INSS e a Imbel por exemplo. Aí o cara gagueja e fica sem ter o que dizer. Mais fácil que tirar doce de criança!
Entre o discurso e a prática há um oceano. É difícil mesmo ser conduzido por quem não tem qualquer plano a não ser o poder em si.
ruyacquaviva
24 de março de 2015 5:35 pmSeria bom
Seria muito bom que os neoliberais se identificassem como tal, formalizassem suas propostas, se comprometessem com o seu projeto político e formassem seu (ou seus, pode ser mais que um) partido político claramente identificado com sua ideologia.
O que não pode é ficar se escondendo e escamoteando seu discurso.
Veja o PSDB, com o nome de social-democrata mas na verdade um legítimo partido neoliberal. Eles apenas se escondem atrás de um nome que representa uma ideologia que eles não praticam e que atacam veementemente eum seus discursos, mas sem admitir que estão fazendo isso.
Ora, isso é falsidade, má-fé e desonestidade intelectual.
Acho muito positivo que a direita assuma suas posições e pare de se esconder atrás das mentiras e diatribes da imprensa, recheando seu discurso com mentiras, insídia e má-fé.
A questão dessa malta não é ética nem moralidade, é uma questão de ideologia, só que eles não assumem isso.
Se assumirem suas posições, por pior que sejam, desde que não fundamenteda no discurso do ódio ou pregando a ruptura democrática, estarão em minha opinião prestando um serviço ao Páis, por mais que eu discorde de suas posições.
Aí sim, cada um pode assumir e defender o que realmente pensa e a população pode escolher em quem confiar com base em fatos reais e não em mentiras e mistificações.
Isso é democracia.
Só que infelizmente eu acho que eles não vão fazer isso porque sabem que dessa forma vão ser preteridos. Mas eles deveriam confiar em sí mesmos e apresentar seu projeto político. Projeto do qual discordo, mas defendo o direito deles de o apresentar à sociedade.
Não gosto é de mentiras e dissimulações.
Não quero saber do que as pessoas são contra, quero saber do que elas são a favor.
Nessas condições sou a favor de todos apresentarem e defenderem suas opiniões.
Andre B
25 de março de 2015 12:40 amUltraliberalismo:Estado minimo na economia e máximo na repressão
Segundo, porque muitos foram à passeata pedir por intervenção militar, golpe e outras violações legais e constitucionais. Esses supostamente não rezam a cartilha do liberalismo radical. Ledo engano o liberalismo radical de hoje não é o liberalismo radical do século XVIII e XIX que defendia uma democracia ‘contida’ e não a democracia de massas. Von Mises, o mestre idológico dos libertinos de mercado (o liberalismo radical de hoje), defendia o fascismo como ‘a salvação da civilzação européia’. Não era casual, Musoline praticou uma politica econômica liberal nos primeiros anos do governo fascista. O novo ‘liberalismo radical’, subordina o liberalismo politico ao econômico, não tem nada a ver com os ‘radicias’ ingleses do início do século XIX. Como o autor do post lembra o primeiro experimento de ‘liberalismo radical’ foi a ditadura de Pinochet, apoiada por Hayeck e Milton Friedman. Estado minimo na economia e máximo no aparelho repressivo. Isso é a nova direita: O neofascismo é a forma mais desenvolvida do liberalismo econômico.
Alexandre Weber - Santos -SP
25 de março de 2015 12:39 pmNeoliberais em poucas palavras
Privatizam tudo e retiram o dinheiro do povo, assim só os da elite minúscula podem ser “donos” de empresas e bens.
Melhor do isto, só dois disto.
Marcelo Delfino
5 de abril de 2015 12:18 pmPartido Novo
Enquanto o TSE presidido por Dias Toffoli barrar o registro do Partido Novo solicitado em julho de 2014, o partido não terá mesmo sucesso eleitoral. Quanto a isso, os críticos fiquem tranquilos.