4 de junho de 2026

Raio X dos caminhões: não existe mais capacidade ociosa na frota, por Luis Nassif

Há um erro de análise nas avaliações de que o frete rodoviário continua impactado pelo excesso de caminhões. Entre 2012 e 2015, de fato, houve uma explosão na venda de caminhões. Em parte, devido ao boom da economia. Em parte, devido a restrições ambientais que obrigou a uma renovação da frota.

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Quando se analisam os licenciamentos de caminhões, no acumulado de 12 meses, aparece nitidamente o boom. E também os sinais de que o excesso de produção já foi absorvido.

Em março de 2012, o licenciamento total anual estava em 171 mil veículos. Depois, veio despencando até bater no piso de 46 mil licenciamentos em julho de 2017.

De lá para cá, no entanto, vem ocorrendo uma recuperação gradual na frota, conforme se vê na tabela 1.

Aqui está o gráfico da produção de caminhões, sempre no acumulado de 12 meses. A produção caiu de 207 mil em 2012 para um piso de 59 mil em outubro de 2016. Depois, passou a se recuperar ainda que timidamente. Em fevereiro último estava em 107 mil.

A curva da produção está em azul. As demais linhas mostram o acumulado do mês em relação ao acumulado de 12, 6 e 3 meses anteriores, em percentuais. Conforme se confere no gráfico, está havendo uma redução acelerada nos níveis de crescimento da produção. Significa que houve um voo de galinha, com a produção batendo no teto.

Mas, de qualquer modo, mostrando que o excedente produzido no período anterior já se esgotou, seja pelo envelhecimento da frota, seja por alguma recuperação nos fretes.

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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6 Comentários
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  1. Anônimo

    17 de abril de 2019 8:49 pm

    Não sei se foi levado em consideração a variavél, que nem todos os caminhões adquiridos no periodo foram para frete. No periodo de 2012 e 2013 até 2014, muitas aquisições foram para suprir a demanda da construção civil que bombaram no periodo. Transformados em betoneiras, bombas, basculantes….

  2. Irineu Criveletto

    18 de abril de 2019 7:50 am

    Está análise é uma meia verdade, levando em consideração que muitos setores de produção perderam capacidade, e mesmo com a queda de produção de caminhões não significa uma diminuição na relação demanda e procura.
    Existe sim uma frota ociosa.

  3. Zé Sérgio

    18 de abril de 2019 11:17 am

    A Petrobrás não produz Álcool ou o tal Etanol. E acabaram com o Monopólio da Estatal sobre Combustíveis apenas para privatizá-la. O que melhorou com a abertura de Capital da Empresa? Merda nenhuma !! Álcool é mais fácil de produzir que pinga. Por que não se abre o Mercado para pequenas e micro usinas? Por que não se permite a venda direta do álcool para o Consumidor? Por que não se permite a importação direta de combustíveis, já que foi extinto o Monopólio da Estatal? Não era para a concorrência e melhoria das condições de mercado para o Povo Brasileiro? Por que não posso comprar a gasolina barata da Venezuela? Por que não se pulverizou as ações da Petrobrás entre seu verdadeiro e único dono que é o Povo Brasileiro, distribuindo bilhões e bilhões em valorização e dividendos? Acorda Brasil !!!!!

  4. frederico costa barros

    18 de abril de 2019 11:23 am

    De qualquer forma já se passaram 6 anos e muito provavelmente o que está ocorrendo é um renovação da frota não total mas parcial o que talvez a descrença na capacidade de pagar um financiamento para comprar um novo caminhão.

  5. Zé Sérgio

    18 de abril de 2019 3:23 pm

    Mercado Bilionário. De veículos novos, de serviços, peças de reposição e de revenda. MultiNacionais Estrangeiras agradecem. O restolho do restolho é vendido no Brasil. A preços extorsivos. Defendemos MultiNacionais Americanas e Européías, que nos extorquem, com a desculpa de defender a ‘Indústria Nacional’ contra os baixos preços e novas tecnologias e parcerias chinesas. Ficamos remendando por décadas, estas carroças a peso de ouro. Nada é desenvolvido aqui. Nada tem a marca brasileira. Marcas e Patentes revelam a prosperidade dos países onde estão as Matrizes. Pedágios, taxas, impostos, licenças, alvarás, vistorias, selinhos, Kit’s disto e daquilo, indústria das multas,…Não usamos, nem mesmo País Continental, para desenvolver soberanamente BIOCOMBUSTíVEIS, que sozinhos alavancariam uma Gigantesca Indústria Nacional sem concorrência possível. Riqueza e Prosperidade para o interior do país entre BioDiesel e Álcool Combustível. Ou algum outro país da terra tem o Sol, a Água, as terras que Nós temos? Pobre país rico. Lugar onde sobra bunda e falta cérebro.

  6. Anônimo

    19 de abril de 2019 12:14 am

    Concordo com a Eliane Silva sobre boa parte dos caminhões comprados na primeira metade da década serem para não-fretistas; com a devastação do setor da construção civil, por exemplo, estes caminhões demorarão bem mais tempo para serem renovados.

    É necessário lembrar que boa parte da produção de caminhões é exportada, não roda no Brasil.

    Também não acredito que tenhamos adição líquida de novos entrantes no mercado do frete rodoviário nos últimos tempos.

    O que me passa é que utilizaram o “excesso de oferta de frete” para não precisarem olhar o problema: o preço do frete caiu porque o consumo continua deprimido e, portanto, não há espaço para que os contratantes paguem mais pelo frete.

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