4 de junho de 2026

Crônica, em brigas de herdeiros o jornalismo mais se esvai, por Rui Daher

Aos poucos fui percebendo que a Folha não seria The Guardian, The New Yorker, Nouvel Observateur. Obcecada contra Lula, se mediocrizava.

Crônica, em brigas de herdeiros o jornalismo mais se esvai

por Rui Daher

Fui assinante da Folha de São Paulo desde a década de 1970, tempos ainda da ditadura civil-militar, e até cinco anos atrás.

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Naquele período, como informativo e noticiário, em São Paulo, o que tínhamos, fora dos alternativos “O Pasquim”, “Movimento”, “Opinião”, e poucos outros? O Estadão?

Sobravam os livros, sempre e até hoje. Comprava-os nas livrarias Kairós, Cortês, Avanço, e nas feirinhas dos barracões da Ciências Sociais, na USP. Cléo e a recém-nascida Mariana lá me encontravam depois que eu deixava o trabalho, em uma fábrica de tintas, em Guarulhos.

Se aquele foi nosso ambiente, há 45 anos, o que esperariam de nós hoje em dia? Adeptos do bolsonarismo?

Na Folha, junto ao Jornal do Brasil, na mesma época, ajudaram a formar o meu pensamento, desde Cláudio Abramo, Luís Nassif, Clóvis Rossi (quando correspondente), Jânio de Freitas, Paulo Francis, Tarso de Castro, Matinas Suzuki, Marilene Felinto, Barbarica, Xico Sá, tantos mais.

Aos poucos fui percebendo que a Folha não seria The Guardian, The New Yorker, Nouvel Observateur. Obcecada contra Lula, se mediocrizava.

De seus meandros, pouco sei. Agora, com a briga societária entre Luís Frias e Maria Cristina, muitos insiders ou ex, poderão tratar disso.

Mas, após a morte do patriarca da família e de Otavinho, o intelectual da família que no período Fernando Collor, mesmo tendo-se feito parecer neutro contra Lula e Brizola, passou a atacá-lo impiedosamente, sacando os fatores mercadológicos da crítica ostensiva, a quem já era cachorro morto.

Essa a ética dos Frias.

Luís está com 55 anos, formou-se em economia pela USP e sempre cuidou dos interesses financeiros do grupo. Nunca li algo que tivesse escrito, além de assinar balanços. Preside o Conselho de Administração. Com a morte de Otavinho aos 61 anos, em 2018, pôs suas asinhas de fora contra a irmã, Maria Cristina, que se formou jornalista, na PUC/SP.

Trabalhou como analista no SBT, Globo e TV Bandeirantes, e muito mais, como jornalista da própria Folha. Nada a ver, pois, com Luís, e muito mais com Otavinho.

Acaba de ser destituída por Luís, como Diretora de Redação do jornal, substituída por Sérgio D’Ávila, responsável pela tendência direitista da FSP.

Estariam aí os motivos para a demissão de André Singer, da redução do espaço para as colunas de Jânio de Freitas, a substituição de Paula Cesarina Costa, como ombudsman, e da inclusão dos neoliberais Armínio Fraga e Beltrão Filho, como novos colunistas.

Como, há muito, deixei de assinar o jornal, espero vingança de Harmônica, meu serial killer, vez ou outra, publicado no GGN.

Cuidado, Mônica Bérgamo e Laura Carvalho. São usadas para garantir a neutralidade falsa da Folha de São Paulo.

https://www.youtube.com/watch?v=4NZfssEdCkw

 

Rui Daher

Rui Daher – administrador, consultor em desenvolvimento agrícola e escritor

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