4 de junho de 2026

O preço da inação política, por Maria Inês Nassif

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da Carta Maior

O preço da inação política, por Maria Inês Nassif

Dilma acreditou que calaria a boca da oposição ao mudar a política econômica, mas está isolada e corre o risco de enterrar o legado dos governos de esquerda.

A presidenta Dilma Rousseff desmobilizou a sua base de apoio social, na tentativa de cooptar setores à sua direita, sem entender que isso a fadava ao isolamento: as elites políticas e econômicas do país estão unidas em torno de um projeto de poder que não inclui negociar com o governo. É o que conclui Maria Inês Nassif, que hoje volta a integrar a equipe de articulistas da Carta Maior.

É assustadora a corrosão ocorrida na imagem da presidenta Dilma Rousseff e de seu governo em apenas 41 dias do início do seu segundo governo. Isso não é apenas efeito Operação Lava Jato. Aliás, é possível arriscar o palpite de que a operação, que desde o ano passado tentava vincular a rede de corrupção dentro da Petrobras ao governo, à Dilma e ao PT, apenas conseguiu esse objetivo porque encontrou terreno fértil na inação política do governo, no período posterior à campanha eleitoral.  

Assustada com a agressividade da oposição durante as eleições, a presidenta concentrou-se em tentar eliminar as restrições do mercado à política econômica anterior. Acreditou que, agradando o capital financeiro, desarmaria seus oponentes mais sensíveis aos humores do poder econômico. Ignorou o fato de que a agressividade da oposição, e o ataque especulativo à economia brasileira e à Petrobras, não se encerrariam com o fechamento das urnas e a consagração do candidato vitorioso. Isso porque, independentemente da sua vontade ou de sua intenção, tornou-se a grande protagonista de um momento da história em que ocorre uma radicalização visível e grave na sociedade. Quer ela queira, ou não, é a maior líder de um lado dessa disputa, no momento em que o outro lado passou a ter um projeto de poder que lhe é próprio, não admite mais intermediários.  
Neste momento, a elite brasileira não está delegando tarefas a terceiros. As elites política e econômica, juntas, acham que dão conta de operar diretamente seus interesses, da forma como fizeram durante toda a história desse país, salvo intervalos de governos mais populares — Getúlio Vargas, João Goulart, Lula e Dilma. O “outro lado” está forjando líderes na marra, com o uso ativo de uma máquina de mídia. Dilma tem que decidir se assume de fato a liderança do seu lado ou insiste numa política de tentar cooptar grupos políticos e econômicos que acreditam ter mais poder do que ela, e dificilmente serão seduzidos por um Executivo que vem sendo diária e persistentemente esvaziado pela ação da Justiça, da Polícia Federal, da grande mídia e da articulação parlamentar da política tradicional. 
 
A parcela excluída do poder federal pelas eleições tinha, cultivou e adubou formas de poder concorrentes ao obtido nas urnas, tem munição para bancar uma guerra própria e não está interessada na mediação que Dilma insiste em fazer para contentar seus interesses econômicos imediatos. Qualquer concessão que a presidenta fizer a esse grupo social será apenas uma concessão. Ela e esses grupos estão apartados pela radicalização política que existe efetivamente nas bases sociais. Abandonar a política econômica antiliberal, cooptar para o governo figuras emblemáticas da direita ideológica (como a ministra Kátia Abreu, a ruralista, e o ex-prefeito Gilberto Kassab) e desmobilizar as forças que a levaram ao poder em 20 de outubro passado — nada disso apaga da sua imagem a marca, agora indelével, de figura central de um projeto de poder que venceu as três últimas eleições presidenciais com o voto de uma massa de eleitores pobres. Foi o voto que ela pediu aos eleitores que a transformaram nisso. Não existe hipótese de Dilma ser aceita por esses setores conservadores. O projeto de poder que representa foi consagrado nas eleições e continua em disputa na sociedade, mesmo depois de fechadas as urnas, e assim continuará, pela simples razão de que contrariou interesses econômicos consolidados e desalojou os políticos tradicionais de suas bases, antes manipuladas eleitoralmente com grande facilidade por grupos que, ou estão na oposição, ou foram apoiar o PT, mas deixaram de ser donos de votos e passaram a sobreviver do apoio a programas sociais do governo federal, e certamente não gostam dessa situação. 
 
O início do segundo governo Dilma possibilitou uma reunificação de interesses das elites econômicas e políticas do país. As traições ocorridas nos partidos tradicionais que apoiavam a reeleição, durante o processo eleitoral, são expressão disso. Maior expressão ainda foi a vitória do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na disputa pela Presidência da Câmara. A derrota arrasadora na eleição para mesa daquela Casa legislativa não foi simplesmente uma humilhação política. Foi um golpe para o projeto político do eleitor de Dilma. Cunha consegue unificar interesses econômicos que antes orbitavam no Planalto apenas por razões de ordem prática. Agora, quase que se extingue a necessidade desses interesses negociarem diretamente com o Planalto. O deputado peemedebista fez uma enorme bancada de seguidores porque opera como mediador de financiamento de campanha para parlamentares. É uma ligação direta entre política e poder econômico. Com Cunha, esse vínculo deixa de ser uma hipótese ou recurso teórico e retórico: o deputado é a ligação tangível, real, palpável, sem subterfúgios, entre a política tradicional e o poder econômico; entre elites políticas e econômicas. Por isso ganhou as eleições para presidente da Câmara. E, investido do cargo, passa a ter o poder adicional de agendar interesses de qualquer grupo econômico. Tem poder e bancada para respaldá-lo. Cunha é um elemento fundamental na unificação dos setores econômicos e políticos cujo status quo foi ameaçado pela política econômica e social da última década, que permitiu melhor distribuição de renda e democratizou o acesso dos brasileiros aos direitos básicos de cidadania: renda, educação (inclusive superior), saúde e habitação.
 
Quando obteve os votos necessários à sua reeleição, Dilma foi credenciada pelos eleitores para ser a voz deles na disputa por espaço de poder não apenas formal — o da Presidência, com as limitações impostas ao exercício pleno de um projeto de poder consagrado pelas urnas –, mas como líder de um dos lados da luta social incontida na sociedade, que ganhou espaço e substância na luta eleitoral. Dilma desmobilizou a militância e os apoios que obteve na campanha eleitoral, no pressuposto de que isso acalmaria os detratores, sem se dar conta de que abria mão da sustentação social que deu a ela vitória nas urnas, e sem entender que isso não desmobilizaria os setores que a ela se opunham. Esses grupos têm lado definido, estão mobilizados, entenderam que a disputa política não se encerra nas eleições e estão dispostos a pagar — e fazer o país pagar — qualquer preço para tirar o PT do poder. 
 
Em 12 anos de luta contra aparelhos de Estado que se mantêm em permanente conflito com o poder instituído pelo voto, como o Ministério Público, Justiça e Polícia Federal, e de sofrer bombardeios diários e constantes da mídia tradicional, aparelho privado de ideologia mais forte e poderoso que os próprios partidos políticos, não ensinaram o partido que detém o poder que hegemonia eleitoral e hegemonia política são duas coisas distintas. Dilma sofre do mesmo mal. Ela e o PT desconhecem que o voto não passa simplesmente uma borracha no desgaste acumulado nesse período por ataques constantes à imagem (sem reação significativa nenhuma dela ou do PT a qualquer acusação). E que a nova classe média, que reelegeu Lula e elegeu Dilma, e em parte contribuiu para a reeleição da presidenta, entrou no mundo do consumo também como consumidor de uma informação que é produzida pela mesma elite que os manteve fora do mercado durante todo esse tempo.
 
O processo de desgaste político pode encontrar meios de reparação na ação política do governo e da presidenta Dilma — e se não enxergar o país e a democracia brasileira apenas no âmbito institucional. O desafio de Dilma, nesse momento, não é ganhar aliados discutíveis, mas manter a base de apoio social que deu a ela vitória nas eleições. Com dificuldades institucionais, num sistema político onde cada vez mais os poderes são concorrentes, e cada vez menos cooperativos; numa realidade onde a radicalização dos setores oposicionistas persiste; num momento em que o ativismo policial e judiciário tem servido ao caldo de cultura contrária ao partido que mantém o poder há 12 anos e em que a mídia tradicional reina, absoluta, nos corações e mentes, desmobilizar eleitores, militantes e simpatizantes significa isolar completamente a Presidência da República. 
 
Se a resposta política não for rápida e ampla, todavia, a repercussão sobre os instrumentos disponíveis de gestão das políticas econômica e social será desastrosa. O desgaste político torna o governo muito mais sensível ao ataque especulativo contra a Petrobras. Já é possível antever o próximo ataque, destinado ao BNDES. Sem Petrobras e BNDES, e com a decisão de fazer uma política fiscal restritiva, a chance de piorar muito a situação econômica do país é enorme. Aos poucos, a ação policial contra a Petrobras — que está mirando a estatal e o governo, não simplesmente depurando a empresa de malfeitos — vai amarrando todos os instrumentos que, a partir do segundo mandato de Lula, permitiram a ele e a Dilma resistirem à crise internacional: investimentos crescentes da petroleira estatal, banco de desenvolvimento, incremento da indústria da construção civil e capacidade do Estado incentivar setores via benefícios fiscais. Voltar a fazer uma gestão antiliberal sem esses instrumentos, no futuro, vai ser muito difícil. O risco futuro não é simplesmente a inviabilização da esquerda como alternativa de poder, mas junto com isso enterrar o legado — reconhecido internacionalmente — de construção de um país menos injusto.

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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36 Comentários
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  1. sergioa

    12 de fevereiro de 2015 12:42 pm

    A DILMA traiu quem votou nela

    A DILMA traiu quem votou nela …

    A Dilma traiu quem votou nela. Preferiu virar as costas a quem lhe deu um voto de confiança e correu para o abraço da morte com a elite, com os conservadores, com os rentistas preguiçosos e os banqueiros gananciosos,.

    Agora pague o preço da traição.

    Vai ser dificil ela reconquistar a confiança de boa parte dos que votaram nela, pois muitos não suportam a traição. E poucos irão acreditar nela, caso tente corrigir o rumo, pois sempre será alvo, de agora em diante, de desconfiança.

    Eu sempre achei que o candidato deveria ter sido o Lula, porém o PT e o próprio Lula preferiram correr o risco. Deu no que deu.

    Corremos o sério risco de regredir 12 anos em apenas 1. E depois adeus sonho da esquerda de colocar este país nas mãos de brasileiros.

  2. Josias Pires

    12 de fevereiro de 2015 12:44 pm

    Ao abandonar a disputa
    Ao abandonar a disputa simbólica e investir 12 anos na conciliação de classes o PT despolitizou a sua base social e está sendo engolido por seus amigos da onça.

    1. BRAGA-BH

      12 de fevereiro de 2015 1:13 pm

      É isso aí Josias! Boa síntese

      É isso aí Josias! Boa síntese de tudo que foi escrito pela Maria Inês.

  3. Carlos Cunha

    12 de fevereiro de 2015 12:48 pm

    A Dilma e o PT deram às

    A Dilma e o PT deram às costas para diversos grupos que ajudaram o partido à chegar ao poder, e agora ficam surpresos com a perda de apoio desses grupos. 

    O PT chegou ao poder com o apoio do funcionalismo e hoje trata o funcionalismo com desprezo e desrespeito. Controlam todos os sindicatos, que tratam os filiados como imbecis. Fazem jogo de cena, fingem que negociam com o governo, enquanto o Governo só retira benefícios. Nos últimos anos a tônica do discurso dos sindicatos é “Não podemos perder direitos”. Isto é, esse Governo leu Maquiavel direitinho, agora os servidores e sindicatos controlados tentam apenas manter direitos, e não conquistar melhorias para os cargos. Sinceramente, eu acreditava na Dilma, que ela daria um jeito no país, na Gestão do Serviço Público, mas o tempo passou e a competência dela virou pó. 

     

  4. altamiro souza

    12 de fevereiro de 2015 12:51 pm

    concordo com essa análise,

    concordo com essa análise, mas o alerta deveria ser feito

    não só a dilma ou ao pt, mas a toda a sociedade que reconhece

    o sucesso do governo progressista nestes últimos tempos. e tem muito a perder

    com esses golpismos da oposição e seus conluiados interesses economicos.

  5. Edivaldo Dias Oliveira

    12 de fevereiro de 2015 12:56 pm

    Parabens

    Isso é o que eu chamo de Análise de Conjuntura, com maiúsculas.

    Bem vinda de volta, Maria Ines Nassif, nós nos tornamos mais afortunados com a sua presença, embora a assesoria do Lula tenha se tornado mais pobre sem você.

    1. Rafael Silveira

      12 de fevereiro de 2015 1:48 pm

      Faço minhas, as suas

      Faço minhas, as suas palavras!

  6. Luiz Eduardo Brandão

    12 de fevereiro de 2015 1:12 pm

    Brava!

    Brava! Vou pôr em circulação o artigo.

  7. tolot

    12 de fevereiro de 2015 1:16 pm

     Caro Nassif, nota-se que

     Caro Nassif, nota-se que Dilma repete o mesmo erro do Lula no primeiro mandato, que foi tentar ser aceito pela elite canalhocrata. O resultado foi o conhecido “mensalão” e suas consequências deletérias. A Jornalísta descreve o caminho à percorrer. Ainda há tempo.

    1. Rcdo

      12 de fevereiro de 2015 7:42 pm

      Tempo? Será que não é outra coisa?

      Suspeito que não haja mais tempo. A Dilma dilapidou muito rapidamente seu capital político. Virou uma espécie de sistema Cantareira. É só uma questão de contagem regressiva para quando vai acabar.

  8. JB Costa

    12 de fevereiro de 2015 1:44 pm

    O que sinto falta nessas

    O que sinto falta nessas análises políticas, regra geral, é a absoluta falta de referência à omissão do papel do ex-presidente Lula nesse processo de paulatino desgaste político da atual mandatária da nação. Sobrelevam-se seus erros e equívocos e a pinçam como um elemento isolado de toda uma complexa estrutura política na qual os “caciques” políticos, mesmo fora do Poder, costumam operar. No PSDB, por exemplo, o ex-presidente Fernando Henrique, mercê do imenso estigma de ser mais propriamente um fado a carregar que uma liderança que agregue valor, está sempre envolvido nas articulações e ações do seu partido, e por extensão de todo o bloco oposicionista.

    A “política” Dilma foi uma criação de Lula e de mais ninguém. A ex-guerrilheira e militante contra a luta armada JAMAIS chegaria aonde chegou se não fosse  a “escolhida”. Tratou-se de uma aposta arriscada de Lula dado o perfil fortemente técnico da sua antiga colaboradora e, como muito se comentou à época, de pavio curto e de pouca disposição para o árduo ônus das articulações e embates políticos. 

    Dado isso, seria de se esperar que ele próprio – Lula – assumisse esse papel de articulador, mesmo que de caráter ex-machina, o que não ocorreu. Por que? Pelo recato do ex-presidente para não parecer mentor do governo e assim minar a autoridade da presidente? Para não se expor e assim se resguardar para futuros embates? 

    Uma coisa é certa: Lula é Dilma, Dilma é Lula. Esse sempre foi um refrão entoado nas duas campanhas. Já no Poder, enquanto o “barco” deslizava suave por um mar calmo essa simbiose era sobrelevado. Mas eis que quando o vento passa a uivar e as ondas crescem ao ponto da “embarcação” adernar, é justo só à “timoneira” cobrar uma fatura que decerto ela é devedor, mas esquecer seu coobrigado “avalista” de fora?

    Como já escrevi neste espaço não só uma vez: Lula é um liderança inquestionável não só no PT e no quadro político do país. Hoje é uma figura de projeção e respeito internacional. Fora as instâncias sempre a ele refratárias, a exemplo da grande imprensa e nichos conservadores-reacionários, transita facilmente pelos diversos estamentos políticos e sociais. Até nos hostes antes inimigos, caso de parte do empresariado, é uma referência acatada, se não mesmo cultuada. Por que todo esse capital político não foi, e não está sendo empregado, para contribuir para a minimização dessa crise política e econômica? Reduzi-la a termos menos drásticos e dar algum fôlego a presidente nesse início de novo mandato? 

    Claro que formalmente, pela sua indeclinável responsabilidade como presidente da Nação, as cobranças devem ser dirigidas a ela. Entretanto, por que esse silêncio com relação a passividade do ex-presidente frente ao sistemático e crescente desmoronamento  da imagem da sua ex-pupila? Do ocaso de um modelo por ela herdado, ou seja, erigido por Lula? 

    O estágio pior, mais desgraçado, a que pode chegar uma liderança política é a sacralização. É alçá-la a condição de intocável e impermeável a qualquer cobrança. Esquecer que por mais respeito e admiração que mereça ou faça por merecer, e Lula merece esse sentimento, ela ainda faz parte do mundo dos mortais e não do panteão grego.

     

     

    1. Rcdo

      12 de fevereiro de 2015 7:29 pm

      Tomara

      Tomara, mas tomara mesmo que essa crise monstruosa acabe fazendo as pessoas perceberem que o Lula, apesar do tino genial que tem, é também muito estreito de ideias, informação e valores políticos.

      O lulismo nada mais foi que o projeto político do sonho de um peão da década de 70, para quem bem-estar social era todo mundo ter uma televisão e um carrinho. E justiça social era não perder o emprego.

      Esse ideário é um nada efêmero e superficial quando se trata de um projeto de gestão do poder em uma sociedade.

      O Lula só vale pelo que tem de símbolo, e não pelo que tem de lider ou estrategista.

  9. Alexandre Weber - Santos -SP

    12 de fevereiro de 2015 2:07 pm

    A Dilma precisa do pulo da Onça

    Sem uma saída espetacular não vejo como deslindar esta situação.

    Acorda, Dilma!

    1. Anna Dutra

      12 de fevereiro de 2015 3:52 pm

      Acho que está faltando um

      Acho que está faltando um “rosnar” inequívoco!

  10. José Rildo de Oliveira

    12 de fevereiro de 2015 2:11 pm

    A questão do poder

    Sua análise levanta pontos importantes para um maior aprofundamenteo da questão, no entanto, ela peca quando afirma que “o partido que mantém o poder há 12 anos”…Esse é o cerne da questão, o PT não é poder, o PT é governo, e a distância  entre uma coisa e outra é muito grande.  Tens razão quando afirmas que “as elites políticas e econômicas do país estão unidas em torno de um projeto de poder que não inclui negociar com o governo.”  Em outros momentos da historia brasileira eles mostraram do que são capazes de fazer quando esse poder é ameaçado. Realmente, a Presidente não fez uma leitura correta da conjuntura politíca brasileira, assim como Zé Dirceu em outra ocasião. Parece que é um mal  crônico que atinge os dirigentes petistas. 

    1. Rcdo

      12 de fevereiro de 2015 7:39 pm

      Ah! os álibis furados!…

      Engraçada essa tática de tirar o corpo fora. É uma espécie de álibi pelo fatalismo.

      Entrou na política pra que, então?

  11. Gilson AS

    12 de fevereiro de 2015 2:36 pm

    Não sei porque, mas ainda

    Não sei porque, mas ainda acho que todos os passos que a Dilma deu até aqui são todos calculados, medidos, pesados e pensados.

    Não vejo o governo sem rumo, sem norte, perdido, desarticulado, desesperados,muito pelo contrário.

    Acredito que o silêncio da Dilma é calculado, até porque, ela nunca foi de falar.

    Acho que o silêncio da Dilma pode ser algo muito além do que possa imaginar a nossa vã filosofia, eh,eh,eh até Shakespeare entrou no rolo.

     

    1. Jorge Leite Pinto

      12 de fevereiro de 2015 4:33 pm

      To contigo, Gilson. 
      A

      To contigo, Gilson. 

      A matéria é uma boa analise, mas acho que a Dilma não está cega em relação aos acontecimentos,  e nem poderia. Mas as opções de ação são muito limitadas. Ou se bate de frente com “toda essa fidalguia de 500 anos”, ou se come pelas beiradas. É um jogo de xadrez onde não estamos vendo as peças, mas ela está!

    2. Anna Dutra

      12 de fevereiro de 2015 6:50 pm

      Estou torcendo para que todos

      Estou torcendo para que todos nós tenhamos nos equivocado e tenhamos uma boa surpresa que contradiga tudo o que apontamos como negativo neste início de 2o. mandato. Nunca quis tanto estar errada!

    3. Rcdo

      12 de fevereiro de 2015 7:19 pm

      E?…

      E se você estiver viscaralmente enganado? Já deu pra “achar” também o tamanho do tombo????

  12. Maria Luisa

    12 de fevereiro de 2015 3:11 pm

    Muito bem

    Maria Inês Nassif foi cristalina sobre como os poderes econômico, midiatico, Ministério Publico, Policia Federal, Justiça e parte dos congressistas estão confrontando o Executivo e querem pôr em xeque sua legimitidade. Pois eu estou onde sempre estive: do lado de Dilma Rousseff. Foi ela que elegemos – e ainda que tenha contemporizado com setores do poder econômico, para poder governar  -, é à ela que apoiaremos contra qualquer tentativa de golpe anticonstitucional e é à Ela damos nosso voto de confiança para levar o Brasil avante. 

    1. Clever Mendes de Oliveira

      12 de fevereiro de 2015 4:36 pm

      Há o elogio, mas faltou a crítica

       

      Maria Luisa (quinta-feira, 12/02/2015 às 13:11),

      O artigo “O preço da inação política” de Maria Inês Nassif, publicado na Carta Maior e aqui foi transcrito neste post “O preço da inação política, por Maria Inês Nassif” de quinta-feira, 12/02/2015 às 10:12, merece esse elogio inicial do seu comentário pelo fato de ela mostrar como os poderes econômicos, mediático etc. estariam confrontando o Executivo.

      No entanto, ao fazer o elogio sem crítica você endossa a postura imediatista que a Maria Inês Nassif propõe que deveria ser adotada pela presidenta Dilma Rousseff para enfrentar poderes que na atual situação são superiores à força de que dispõe o Poder Executivo.

      De certo modo, o que ela propõe é que a Dilma saia à luta convencendo a população que a inflação é pequena, que o rombo na Petrobras foi cometido por funcionários corruptos, que a economia está crescendo e que o Poder Executivo tem força para enfrentar o Senado Federal.

      O discurso dela casa com o discurso de Luis Nassif que também tem aproveitado o momento para assumir uma posição de neutralidade ganhando audiência de todos os lados. É verdade que ter os vários lados em um blog seja um mecanismo de tornar o blog mais abrangente no seu alcance e que os blogs que não agem assim acabam se tornado um ponto solitário de encontro de uma meia dúzia de pessoas com uma idéia única. Só que o comentarista tem de perceber esses posicionamentos inconsistentes da nossa intelectualidade.

      Primeiro é preciso reconhecer que a presidenta Dilma Rousseff não tem carisma, não se comunica com facilidade e não é política. Não ser política é o maior defeito dela. Nesse sentido eu tenho feito menção ao ótimo comentário de Marco Antonio Castello Branco enviado para o post ótimo comentário de Marco Antonio Castello Branco e que foi enviado quinta-feira, 26/06/2014 às 01:45, para junto do post “Para entender o desgaste do governo Dilma”, segunda-feira, 16/06/2014 às 16:47. O endereço do post “Para entender o desgaste do governo Dilma” é:

      https://jornalggn.com.br/noticia/para-entender-o-desgaste-do-governo-dilma

      E deixo também o endereço do post “Pequeno manual de como discutir política nas redes sociais” de quinta-feira, 26/06/2014 às 12:51, aqui no blog de Luis Nassif e que pode ser visto no seguinte endereço:

      https://jornalggn.com.br/noticia/pequeno-manual-de-como-discutir-politica-nas-redes-sociais

      Deixei um link para o post “Pequeno manual de como discutir política nas redes sociais” porque lá há um comentário meu enviado para Luis Nassif na quinta-feira, 26/06/2014 às 22:56, em que eu elogio e critico o comentário de Marco Antonio Castello Branco, além de o transcrever. Na época o nome era desconhecido e pelo sobrenome e pelo teor do artigo eu imaginei que fosse da oposição lúcida. Depois ele foi indicado para compor a equipe de transição do governador eleito Fernando Pimentel e depois foi indicado para a Codemig (Companhia de desenvolvimento de Minas Gerais).

      Agora não é por não ser política que a presidenta enfrenta todas as dificuldades. O problema basicamente é econômico, associado com o problema da Petrobras que veio na esteira do problema do julgamento da Ação Penal 470. E além disso nós temos um país conservador sendo governado há doze anos (E de certo modo o PSDB na sua fundação era mais de centro esquerda) o que deixa a direita injuriada.

      E não é porque a presidenta Dilma Rousseff não seja política que as derrotas vêm acontecendo. De certo modo, se considerarmos que se o PT tivesse na oposição e Aécio Neves vencesse a eleição, ele iria conseguir um presidente da Câmara dos Deputados mais palatável à esquerda. O que parece depreender disso é que a opção de perder a eleição está sendo considerada por pessoas de esquerda como uma opção muito boa porque assim, nós, da esquerda, ficaríamos livre de Eduardo Cunha. Essa não é nem uma visão imediatista, mas mais falta de visão.

      Bem deixo aqui mais dois links. Um para o post “A incapacidade de Dilma de limpar a agenda negativa” de sábado, 31/01/2015 às 18:18, e de autoria de Luis Nassif e o outro para o post “Brasil 2015: a importância da comunicação pública” de sexta-feira, 06/02/2015 às 09:32, e também de autoria de Luis Nassif. Sendo que este último fora postado originalmente terça-feira, 22/07/2014 às 06:00, e nele nós debatemos um bom bocado e eu faço referência a um velho post “A estratégia da despolitização da crise política” de segunda-feira, 24/06/2013 às 10:32, aqui no blog de Luis Nassif em que há uma chamada de Assis Ribeiro para artigo de Maria Inês Nassif de 2011. Não só pela autoria como pelo conteúdo vale também deixar o link para o post “A estratégia da despolitização da crise política” que pode ser visto no seguinte endereço:

      https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/a-estrategia-da-despolitizacao-da-crise-politica

      E o endereço do post “Brasil 2015: a importância da comunicação pública” é

      https://jornalggn.com.br/noticia/brasil-2015-a-importancia-da-comunicacao-publica

      Além do comentário meu mais antigo enviado terça-feira, 22/07/2014 às 09:27 a partir do qual fizemos um debate, há um comentário meu mais recente enviado sexta-feira, 06/02/2015 às 19:23, para junto do comentário de Altamiro Souza enviado sexta-feira, 06/02/2015 às 13:33.

      E o endereço do post “A incapacidade de Dilma de limpar a agenda negativa” é:

      https://jornalggn.com.br/noticia/a-incapacidade-de-dilma-de-limpar-a-agenda-negativa

      Deveria deixar o endereço para a segunda página onde fiz dois comentários um para Luis Nassif enviado domingo, 01/02/2015 às 02:02, e outro para junto do comentário de Jorge Rebolla enviado domingo, 01/02/2015 às 08:45. O segundo comentário foi enviado 09/01/2015 às 1949, mais de uma semana depois.

      Deixei todos esses links e referências a comentários meus porque eles reforçam a minha crítica as pessoas quererem que a presidenta Dilma Rousseff vá agora para o campo de batalha lutar. Esse desiderto revela uma visão curta que poria a perder qualquer estratégia.

      Clever Mendes de Oliveira

      BH, 12/02/2014

      1. Rcdo

        12 de fevereiro de 2015 7:36 pm

        Campo de quê mesmo?

        Meu caro Clever

        Eu acho que se alguém quer, no fundo não acredita mais que a Dilma algum dia pudesse ir ou que ainda vá para algum campo de batalha. Ela renunciou a ele. Ela renunciou a ele em nome do jogo de corte. Se ela quisesse ir para alguma batalha, teria ficado com a militância, que é a única, no fundo, disposta a encarar batalhas.

        Cardozo, Mercadante, Gleise Hoffmann, Dilma, Rui Falcão… você acha que alguém dessa trupe tem algum estofo para ir para alguma batalha???? Ora, não me venha com escárnio!

  13. edna baker

    12 de fevereiro de 2015 3:17 pm

    Perfeita análise. Parabéns!

    Perfeita análise. Parabéns!

  14. wendel

    12 de fevereiro de 2015 4:18 pm

    E …………….

    ” ….e de sofrer bombardeios diários e constantes da mídia tradicional, aparelho privado de ideologia mais forte e poderoso que os próprios partidos políticos, não ensinaram o partido que detém o poder que hegemonia eleitoral e hegemonia política são duas coisas distintas. Dilma sofre do mesmo mal. “

    Também acho excelente a analise da Inês Nassif, mas embora cite vários deslizes da Dilma, acredito que nem ltudo esteja perdido.

    Ocorre que os vacilos, e são vários, deveu-se as tentativas a meu ver , de se estabelecer e/ou manter as aparentes e cordiais relações construidas no governo LUla com os donos da produção e rentistas.

    Haja visto os milhões de desonerações e renuncias fiscais feitas em seu primeiro governo, mas pergunto : bastaram ?

    Como voce bem coloca, ” …  Esses grupos têm lado definido, estão mobilizados, entenderam que a disputa política não se encerra nas eleições e estão dispostos a pagar — e fazer o país pagar — qualquer preço para tirar o PT do poder. 

    É evidente que a consagração nas urnas, embora mintam/digam o contrário, não garante a estabilidade de nenhum governo e no presente oq ue estamos vendo, é nada mais que a formação de um governo paralelo, que não precisará mais de intermediarios, pois serão os proprios que darão as cartas.

    Seria talvez o que chamam de “Democracia Corporativa” pois os “eleitos” somente iriam legislar a favor de seus financiadores.

    E a midia ? Ahahaha esta prostitura, nada mais é que a coadjuvante destes grupos para desconstruir e desestabilizar os governos progressitas. E não so no Brasil, mas no mundo todo !!!!!!!!!!!!

     

  15. Leo V

    12 de fevereiro de 2015 4:25 pm

    Estamos assistindo mais uma

    Estamos assistindo mais uma vez, se fosse ainda necessário, o fundo do poço que é a esquerda se entregar de cabeça na via eleitoral, com a consequencte burocratização e tomada de perspectiva como gestor do capital.

    Os 12 anos vão virar pó. O mundo se muda qui de baixo, não lá de cima. Que vai pra cima é que é mudado. No caso, mudado e depois cuspido fora.

  16. Anselmo Afonso Ferrreira

    12 de fevereiro de 2015 4:49 pm

    ” Esses grupos têm lado

    ” Esses grupos têm lado definido, estão mobilizados, entenderam que a disputa política não se encerra nas eleições e estão dispostos a pagar — e fazer o país pagar — qualquer preço para tirar o PT do poder.” 

    Certamente a Dilma precisa entender isso, mas tão importante como entendr é saber operar meios de neutralizar.

    Nós, os eleitores de Dilma, estamos sós, defendendo um governo que não nos municia de informações e/ou fatos para replicarmos.

    Não entendo como Dilma age assim, pois se quiser terá a seu lado o Lula, que é muito hábil nesse tipo de embate. 

    ” E que a nova classe média, que reelegeu Lula e elegeu Dilma, e em parte contribuiu para a reeleição da presidenta, entrou nomundo do consumo também como consumidor de uma informação que é produzida pela mesma elite que os manteve fora do mercado durante todo esse tempo.”

    Isso que foi dito precisa ser esclarecido para que tenhamos mais discernimento político.

     

  17. alirio

    12 de fevereiro de 2015 5:33 pm

    Pizzolato

    Está na hora de uma reação contra o injusto “mensalão”. Se a decisão contra a extradição for política é a hora de demonstrar as verdades sobre o processo e partir para defesa do Pizzolato, lá na Itália, contra a falsa juridicidade da PGR.

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    PGR: decisão sobre extradição de Pizzolato será política

    :

    “Se ele não for entregue por decisão política do Estado italiano, o segundo pedido do procurador-geral da República se colocará. Um pedido de execução do acórdão do Supremo Tribunal Federal nas cortes italianas”, explicou o secretário de Colaboração Internacional da Procuradoria-Geral da República (PGR), Vladimir Aras; já o Plano C da PGR consiste na abertura de um novo processo penal em solo italiano

  18. Jose de Almeida Bispo

    12 de fevereiro de 2015 6:26 pm

    Não existem governos

    Não existem governos “técnicos”; todo governo é político. A tecnoburocracia é apenas um instrumento da política. Se bem usado, tudo progride; se mal ou não usado, é desastre na certa.

  19. Toni

    12 de fevereiro de 2015 7:05 pm

    Texto irretocável

    E uma análise radiográfica.

  20. Jota A. Botelho

    12 de fevereiro de 2015 7:54 pm

    Belíssimo artigo

    Sempre admirei os artigos da Maria Inês, que bom que tenha voltado a escrevê-los. Ela sempre fez parte do rol de articulistas que mais admiro na blogosfera. Bem focado, com uma enorme clareza e flui como água cristalina, que talvez seja esta a sua verdadeira fonte – a mais pura reflexão política. Sem intermediários. Mas neste rito de passagem (de novo!) que verificamos hoje, me parece que estamos no terceiro estágio. Explico-me. Antes, tomando as expressões lacerdistas (afinal ele sempre representou a mais bem acabada direita brasileira, isto é, o que ela foi e é): “Ela não deve ser candidata” – a direita havia alertado sobre isso com o “qualquer um serve, menos ela e o PT”, no entanto, Dilma foi a candidata e venceu. “Se vencer, não deve tomar posse” – a direita bem que tentou um golpe ‘paraguaio’ junto ao TSE (denunciado aqui no blog), mas ainda assim a Dilma tomou posse. “Se tomar posse não governa” – na minha opinião, estamos neste estágio(?!). A última seria: “Se governar, deve ser derrubada”.  A ver… mas já está em curso. E o artigo da Maria Inês reforça essas visões. Houve muitos erros de cálculo por parte do PT. O principal deles sem dúvida foi perda da comunicação de forma mais eficaz com a sociedade brasileira. E o fortalecimento das organizações populares. Embora não estamos aqui defendendo nenhuma revolução, mas sim, a possível e necessária resistência para continuarmos avançando, inclusive devido as velhas e conhecidas lições históricas que o país já nos legou. Por fim, a sacada de Gilberto Gil. Uma vez conversando com amigos, um deles nos alertou que devido as dificuldades de se ter da noite pro dia uma alternativa de comunicação com a população, os pontos de cultura criados por Gilberto Gil poderiam ser uma ótima ferramenta do Governo, e do PT, para conscientizar o povo, sobretudo os mais jovens. O futuro, portanto. Levar arte e política Brasil afora. Ao invés disso, tivemos foi uma baita crise no Governo Dilma no Ministério da Cultura (vou dispensar maiores comentários). Agora nos encontramos de volta à nossa encruzilhada. Ou de volta ao país poupança (grande reserva de mercado, riqueza e renda) que o Brasil sempre foi no sistema capitalista. E a nossa elite, como sempre, no papel que ela se sente mais confortável: vassala lá fora e suserana aqui dentro. Cito então uma velha expressão que criei e que sempre uso nessas ocasiões: “Como a vida (o país, no caso) nos maltrata quando não damos certos”. 

  21. Plínio J. V. Lins

    12 de fevereiro de 2015 7:54 pm

    Cadê o “nosso” Millenium?

    O lado de lá é bem apetrechado. Tem o Millenium, o think tank que pensa, organiza e sistematiza cada etapa do ataque, além de manter a tropa unida.

    O campo progressista precisa ter o seu Millenium. E deixar de ser dividido, como sempre foi.

  22. Rcdo

    12 de fevereiro de 2015 8:03 pm

    Indisposição geral da esquerda

    O mau humor da esquerda com Dilma

    Embrião do grupo frustra-se com guinada ortodoxa na economia e não se dispõe a defendê-la de impeachment. Em apuros, presidenta buscará conselhos de Lula por André Barrocal — publicado 12/02/2015 06:17

    Pouco antes de chegar ao cargo, o ministro da Educação, Cid Gomes, lançou a ideia de criar-se uma frente de esquerda no País. A intenção era manter vivo o movimento suprapartidário surgido em torno da reeleição de Dilma Rousseff, a juntar sindicalistas, camponeses, intelectuais, militantes gays, congressistas. Sua missão seria ajudar o governo a lidar com um Congresso conservador e uma oposição beligerante. Nem bem Dilma iniciou o novo mandato e o entusiasmo sumiu naquilo que se poderia chamar de “embrião da frente”. E mais: não há disposição para ir às ruas defender o governo mesmo que a oposição lance a campanha do impeachment, uma ideia já namorada.

    O embrião do grupo reúne sindicalistas das centrais CUT e CTB, sem-terra, petroleiros, dirigentes do Movimento Passe Livre e do coletivo Fora do Eixo, parlamentares do PT e do PSOL. Em um encontro no fim de janeiro, em São Paulo, traçou-se um diagnóstico bastante pessimista sobre os rumos do governo.

    Segundo um dos participantes, existe um incômodo geral com a guinada ortodoxa de Dilma na economia, simbolizada no pacote de restrição de seguro-desemprego e abono salarial e na escolha do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, um egresso do sistema financeiro que cairia perfeitamente bem em uma administração de Aécio Neves, o adversário de outubro passado.

    Embora o espírito geral do pacote fosse conhecido dos sindicalistas desde a gestão Guido Mantega na Fazenda, o lançamento das medidas foi considerado desastroso – avaliação compartilhada por ao menos um dos ministros do Palácio do Planalto. Não houve negociação prévia com as centrais, e agora seus líderes estão numa sinuca. Se aceitarem o que foi imposto pelo governo, correm o risco de desmoralização perante as bases. Sobretudo porque a Força Sindical, sob forte influência do deputado federal oposicionista Paulinho da Força, está firme na resistência.

    Na reunião em São Paulo, conta o mesmo participante, uma das vozes mais “incendiárias” contra a inflexão conservadora na economia era de um representante da direção do PT. O desconforto no partido com a situação é latente, apesar de o ex-presidente Lula andar dizendo que a sucessora tomou medidas necessárias. Em meados de janeiro, a fundação ligada ao PT Perseu Abramo, que promove estudos, divulgou um boletim interno com críticas às medidas de austeridade. O risco de “aprofundarem as tendências recessivas da economia nacional não é desprezível”, dizia o texto.

    O mau humor no embrião da frente de esquerda é preocupante para o governo, por revelar-se em um momento de fragilidade política de Dilma. A presidenta tem hoje um inimigo no comando da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, baixa popularidade, conforme recente pesquisa Datafolha, e poucos aliados fiéis até no PT. Se a oposição decidir desfraldar a bandeira do impeachment, ideia que começa a ser defendida por lideranças do PSDB, é improvável que haja militância disposta a ir às ruas. Ao contrário do havido com Lula nos tempos do “mensalão”.

    O momento parece tão delicado, que o embrião da frente de esquerda resolveu fazer reuniões a cada dois meses para examinar a evolução do quadro político. O governo está a par da situação. Recebe informes a respeito. Principal interlocutor do Planalto perante os movimentos sociais, o secretário-geral da Presidência, Miguel Rossetto, acredita que o governo ainda conta com respaldo destes grupos. “Podemos ter diferenças pontuais, mas fazemos parte de um mesmo projeto”, diz.

    De qualquer forma, o cenário é realmente preocupante para Dilma, sobretudo após a divulgação do levantamento Datafolha a mostrar o governo com uma reprovação recorde (44%) e uma presidenta com imagem de indecisa, falsa e desonesta. Uma incrível reversão de números bem mais favoráveis a Dilma há apenas três meses, quando ela disputava a reeleição.

    Na campanha, a presidenta usava e abusava de propaganda na tevê, entrevistas e discursos, armas em falta nos últimos tempos. Mas não é a única explicação para seu ibope ter despencado. “Dilma tinha melhores conselheiros na eleição”, afirma o cientista político Fabiano Santos, coordenador do Núcleo de Estudos sobre o Congresso da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

    Um destes conselheiros é o ex-presidente Lula. Dilma anda afastada dele. Ouviu o antecessor algumas vezes em novembro, quando quebrava a cabeça para escolher seu ministro da Fazenda, e só. Em apuros, resolveu procurá-lo. Iria a São Paulo na quinta-feira 12, para encontrá-lo.

     

  23. Claudemiro

    12 de fevereiro de 2015 8:45 pm

    Governo Dilma x lulopetismo

    Acho que tá faltando autocrítica nessa análise. Enquanto Dilma serviu aos desmandos de Lula ela foi a melhor, quando não conseguiu mais conter os vazamentos dos crimes cometidos pelo PT virou a responsável por todos os males do partido. Esse é um discurso típico do “volta Lula”… mais uma vez o PT apela para seu messias salvador mas não acredito que dê certo como não acredito mais no discurso de esquerda, isso não vale mais nada hj!

  24. democracia direta

    13 de fevereiro de 2015 9:41 pm

    Polarização não!

    Embora não deva ficar alheia a esses problemas, acho que a Dilma não deve partir para radicalismos. Se os países desenvolvidos conseguem superar seus antagonismos, e viver em harmonia; seria uma vergonha, se não fizéssemos o mesmo. No fundo, acho que é fundamental um diálogo com as bases da direita, como a classe médica, os engenheiros, advogados, pequenos e médios empresários, etc. Precisamos fazê-los ver, que não existe tantas divergências assim. Se tivermos um povo culto, bem alimentado, e com uma renda elevada; o consumo aumentará, e todos esses profissionais e empresários sairão ganhando, porque faturarão muito mais. Sem contar que melhoraremos o nível de vida em geral, a segurança pública, a satisfação das pessoas com seu país. Quanto custa viver num país melhor, sem violência e injustiças?

    Nesse ponto, chega a ser favorável, o fato de que o poder foi dividido; pois um Congresso mais conservador pode sentir-se mais seguro, para aprovar uma Constituinte exclusiva do sistema político. A sociedade não deve dividir-se, devemos lutar pela união, onde todos tenham direito a voz, e poder deliberativo. O melhor caminho é o diálogo, e o endereço são as bases da direita, que tem praticamente os mesmos intereses do povão, e vivem do que sobra no bolso do trabalhador. Porque a cúpula da direita defende interesses estrangeiros e de grandes empreendimentos exportadores. Devemos contaminar suas bases de apoio, fazendo com que vejam o quanto são prejudicados pelo apoio ao grupo exportador, que quer a recessão, o arrocho salarial, e o desemprego. Sem as bases da direita, sua cúpula não é nada. E são elas que podem pressionar seus parlamentares para aprovar uma profunda reforma política.

    O problema do Brasil é que todos querem tirar proveito da roubalheira. Chegou a hora de dar um basta nisso, precisamos aprovar com urgência o REFERENDO REVOCATÓRIO DE MANDATO, nosso direito de cassar políticos por iniciativa e voto popular. O povo passaria a ser o juiz a julgar os corruptos, e não teria interesse algum em poupá-los. Na medida em que acabar a roubalheira, sobrará recursos para elevarmos as aposentadorias, funcionalismo público, e salário mínimo, sem gerar inflação, como nos países desenvolvidos. Ou seja, se acabarmos com a roubalheira, as riquezas do país serão melhor distribuídas entre o povão, os profissionais liberais, e os empresários de pequeno e médio porte, fazendo com que todo se enriqueçam muito mais. Porque do jeito que está hoje, só quem leva vantagem é a cúpula da corrupção, aqueles que têm controle direito sobre os votos dos políticos eleitos.

    Superar o clima de desconfiança é fundamental, e creio que  Dilma esteja no caminho certo. Sem esquecer de que uma profunda reforma política é a prioridade de seu governo. Os cargos distribuídos no governo, podem ser tomados a qualquer tempo. Ou seja, ela ainda tem a faca e o queijo nas mãos.

    Para saber mais sobre a cúpula da direita e o setor exportador:

    http://democraciadiretabrasileira.blogspot.com.br/2014/11/como-deixar-de-ser-colonia.html 

    http://democraciadiretabrasileira.blogspot.com.br/2015/02/impostos-sim-mas-com-justica.html

  25. jeronimo

    14 de fevereiro de 2015 12:48 am

    Primeira etapa do golpe –

    Primeira etapa do golpe – isolar Dilma. Estão conseguindo, a começar com nossos articulistas de esquerda que ainda sonham com o desenvolvimentismo. Falam em ‘alianças’ da burguesia, mas não conseguem propor alianãs à esquerda – inclusive, talvez por ‘receios’ da critica – de falar abertamente de alianças de apoio a um governo de coalizão que tem do outro lado, só e exlusivamente o fascismo.

     

    E segue Luciana Genro, Boulos e outros ‘patetas’ a dizer em alto e bom tom: ‘nós, pelos MESMOS caminhos, faríamos milagres’

     

    Essa Montanha, essa montanha… mudam apenas as siglas.

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