4 de junho de 2026

Bendine tem um peso simbólico, apesar dos embaraços recentes; por Alberto Dines

Por Alberto Dines

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Perigo, convém evitar manobras perigosas

No Observatório da Imprensa

Sexta-feira (6/2), hora do almoço: a forte resistência (tanto no Brasil como no exterior) à indicação de Aldemir Bendine para presidir a Petrobras levou alguns analistas a apostar na hipótese de que o Palácio do Planalto não poderia ter incorrido em tamanho erro.

Seria o truque do velho balão de ensaio: o atual presidente do Banco do Brasil seria, na verdade, o boi de piranha para saciar os mais indignados. Devidamente esfolado por críticos, o nome de Bendine seria então retirado em favor de outro candidato sempre citado na lista dos favoritos, também oriundo do setor público, também banqueiro e com uma folha-corrida sem qualquer interrogação: o economista Luciano Coutinho, presidente do BNDES.

No meio da tarde, precisamente às 15h22, a confirmação: o Batman salvador da Petrobras será o banqueiro do povo, o presidente do BB, Aldemir Bendine. O governo não admitia que a festa do 35º aniversário de fundação do PT fosse empanada por uma nova capitulação ao satânico mercado. A presença de Joaquim Levy no comando da economia já é um sapo suficientemente avantajado para ser engolido por um governo comprometido com programas assistenciais, antiprivatista e antimonetarista. E o anúncio foi feito durante o pregão numa clara demonstração de menosprezo pelo código bursátil.

Proposta imprudente

O PT vive o momento mais complicado da sua história, maior do que o dilema que precedeu a sua fundação: rachar a diversificada frente de oposição ao regime militar representada pelo PMDB e impregnada pelo mofo do peleguismo ou criar um partido dos trabalhadores novinho em folha, vigoroso, ético, moderno, respeitado até pelo patronato.

A escolha de Bendine não deixa de ser um ato de bravura. Depois de tanta perplexidade e vacilações, encostado nas cordas pelo incrível tsunami de denúncias de corrupção e incompetência na maior estatal da América Latina, só restou ao governo do PT encarar a adversidade. Sua bala de prata não poderia ser outra senão um mínimo de coerência – apegar-se aos seus valores e à sua mitologia. Sequer filiado ao partido, o quase desconhecido Aldemar Bendine tem um peso simbólico nada desprezível apesar dos embaraços recentes.

Em 2005, igualmente sitiado pelas revelações do mensalão, o presidente Lula refugou a ideia da refundação que considerava derrotista preferindo a tática malandra do “todos fazem e nós também” (caixa dois). Certo ou errado, pelo menos não colocou o cangote na guilhotina.

Uma década depois, com o flanco parlamentar visivelmente vulnerável graças à eleição de um desafeto cordial para presidir a Câmara e um ministério de nulidades que só produzirá aborrecimentos, a situação é mais dramática.

Sobretudo porque a oposição assanhada pela infiltração direitista agora joga mais pesado do que antes. Não foi prudente – sequer jornalisticamente justificada – a publicação pela Folha de S. Paulo, na terça-feira (3/2), do parecer do emérito jurista Ives Gandra Martins, reconhecidamente conservador e próximo aos velhos círculos militares, admitindo a legitimidade do impeachment presidencial.

Reforma política

O impeachment é um recurso constitucional, já havia sido lembrado quando a opinião pública levantou-se contra os desmandos do então presidente Fernando Collor de Mello, que preferiu renunciar. Nas atuais circunstâncias e desfraldado pela imprensa pode ser visto como provocação, desnecessária exacerbação dos setores petistas que esgoelam-se tentando provar o “golpismo” da mídia. Tipo de confronto que agora só agrava a tensão.

A sucessão de revelações sobre o descalabro na Petrobras tem vastas e profundas implicações econômicas, políticas e sociais. Não se trata de um escândalo de proporções inauditas, mas de algo maior e mais grave: estamos na iminência de uma catástrofe. E catástrofes evitam-se isolando suas causas, enfrentando cada uma com os recursos apropriados.

A nova diretoria da Petrobras é claramente interina – antes assim. O início das discussões sobre uma drástica reforma política permitirá que a diretoria definitiva possa agir num ambiente saneado, livre das armadilhas cujo desfecho é conhecido. Hora de dirigir com extremo cuidado. Nos dois sentidos.

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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3 Comentários
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  1. Andre Araujo

    8 de fevereiro de 2015 12:38 pm

    Luciano Coutinho teve uma

    Luciano Coutinho teve uma passagem catastrofica pelo BNDES criando os campões nacionais com dinheiro publico, financiando Eike Baptista, JBS, 350 bilhões do Tesouro que não criaram empregos e nem alavancaram o PIB.

  2. altamiro souza

    8 de fevereiro de 2015 1:34 pm

    hora de dirigir com

    hora de dirigir com cuidado.

    o pior é  aparecer um doido na contrramão da história para estragar tudo….

    basta os insanos cotidianos da grande mídia golpista….

  3. Nadraas

    8 de fevereiro de 2015 4:02 pm

    Sou micro micro micro pequeno

    Sou micro micro micro pequeno acionista da Petrobras onde estao boa parte de minhas economias. A Petrobras eh muito maior do que todos seus acionistas reunidos. Eh maior do que seu proprio patrimonio fisico-financeiro.

    F_ _ _ – _ e o Mercado! Quero a empresa forte e brasileira! Que imbecilidade eh essa na qual acionistas propagam o interesse de quem quer destrui-la? Chegou a esse ponto a estupidez?

    Acionistas que querem retorno financeiro imediato sao apenas especuladores, quase tao danosos ao pais quanto os lesa-patrias e quinta colunas como a rede Globo que sempre sonharam com sua destruicao.

    Sem desmerecer Lula, que tem uma historia diferente assim como o Brasil tem suas peculiariades, sinto imensamente por ele nao ter condicoes ou vontade ou coragem para enfrentar a midia como Chavez, Cristina Kirchner e  Rafael Correa  fizeram com suas similares venezuleanas, argentinas e equatorianas. 

    Se nao fosse pelo carisma de Lula todas conquistas ja teriam sido destruidas. E quando nao houver mais um individuo carismatico? Alguem realmente acredita que Dilma conseguiu segurar a onda por seus dons de estadista???? Temos de promover o fortalecimento das instituicoes para que todas conquistas nao dependam de um unico individuo.

    Estatizem a globo por R$ 1,00 ou Dilma ira continuar a ir em festas da Folha e a receber os Marinhos em audiencias sem pauta enquanto tentam destruir a Petrobras.

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