4 de junho de 2026

O Estado Islâmico e quem inventou Osama Bin Laden, por Walnice Nogueira Galvão

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O Estado Islâmico e quem inventou Osama Bin Laden

Walnice Nogueira Galvão

Quem quiser entender um pouco as idas e vindas que ocorrem no Oriente Médio, e o que é o “Estado Islâmico” de que tanto se fala ultimamente,  pode depender do cinema para uma boa ajuda.

Há um filme que desencava o começo da história. É Jogos do Poder (Charlie Wilson´s War), com Tom Hanks e Julia Roberts, dirigido pelo grande Mike Nichols. O filme pôde finalmente ser realizado depois que uma investigação foi feita e publicada. Não se pode mais pensar que o Afeganistão derrotou o gigante bélico que é a União Soviética inexplicavelmente, em 1989, após uma guerra de dez anos. O senador republicano Charles Wilson, cuja única contribuição tinha sido reeleger-se por seis mandatos, ao ser espicaçado por uma milionária evangélica anticomunista do Texas descobre que será possível vencer os russos sem aparecer. Problema sério, pois os Estados Unidos não estão entre os beligerantes e não poderão portanto fornecer armas aos mujahedins. Consultando a CIA, fica sabendo que Israel e Egito têm estoques de armas compradas aos russos e que, com a conivência da Arábia Saudita e do Paquistão, será possível fazer chegar tais armas aos mujahedins e  passá-las por presa de guerra. Com todo tipo de suborno, incluindo uma artista de dança do ventre, chegarão ao objetivo de pôr lança-mísseis  Stinger nas mãos dos insurgentes para derrubar os helicópteros russos – e o fim da guerra chega rapidamente. Bastou fazer o malabarismo de ir multiplicando uma verba de 5 milhões de dólares inicialmente disponível até chegar a 1 bilhão, o que cobriu com folga as despesas. E tudo secreto, porque o comitê do Senado a que pertence Charles Wilson delibera em sigilo legal, sob a cobertura do Patriot Act. Quando, após o armistício, o senador pede a seus colegas que aprovem uma mísera verba de auxílio para escolas e saúde no país devastado, estes riem e não topam. Não tinham consciência disso, mas estavam mesmo era financiando Osama Bin Laden, formado e adestrado pelos americanos no Afeganistão durante essa mesma guerra, bem como os talibãs, que retiveram as armas e as voltaram contra os Estados Unidos. O resto, todo mundo sabe, e ainda não acabou até hoje.

Para esmiuçar as profundas ligações entre as famílias petroleiras Bush e Bin Laden, consultar Fahrenheit 9/11, do incorrigível dissidente Michael Moore, que, filme após filme, se esmera em mexer nos vespeiros de seu país. Entre os muitos e bons documentários sobre o conflito no Iraque,  Fantasmas de Abu Ghraib deve ser o mais famoso, por tratar de um escândalo que repercutiu internacionalmente. No filme, vêem-se soldados americanos fardados que se fotografam mutuamente, enquanto maltratam e humilham prisioneiros iraquianos nus.

Dois outros documentários americanos, Memórias de uma guerra recente os veteranos do Iraque eThe ground truth: the human in human lives   trazem depoimentos de veteranos dos Estados Unidos feridos, mutilados, deficientes mentais, com estresse pós-traumático, etc.

Convém ampliar a informação com mais dois documentários. Central Al Jazeera mostra a mais importante estação árabe de TV em plena discussão da cobertura da guerra do Iraque, que o Ocidente só recebe de maneira tendenciosa e favorável aos invasores. Uma brasileira, Júlia Bacha, é co-roteirista e editora: tornou-se célebre como diretora do muito premiado documentário Budrus, sobre a aldeia palestina desse nome, em que os habitantes resistiram ao muro erguido pelo exército israelense. The dreams of sparrows (2005), iraquiano,  discute a invasão norte-americana, o regime de Saddam Hussein, bem como sua captura e final inglório, as agruras da ocupação, a rotina ou falta de rotina em Bagdá. A invasão deixou 150 mil civis iraquianos mortos e o legado de uma guerra civil interminável.

A contribuição do cinema ao tema continuará a ser examinada na próxima coluna.

Walnice Nogueira Galvão é Professora Emérita da USP, da FFLCH.

Walnice Nogueira Galvão

Professora Emérita da FFLCH-USP

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16 Comentários
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  1. CARLOS PINHEIRO JR.

    2 de fevereiro de 2015 3:17 pm

    Correção

    O Charles Wilson (1933-2010) focalizado no filme do Mike Nichols não foi um senador republicano, e sim um deputado federal democrata.  

  2. NICKNAME

    2 de fevereiro de 2015 3:31 pm

    Sugiro. Tem a ver com o conteúdo de:

    http://www.monde-diplomatique.es (edição brasileira é diferente, e espanhol é muito parecido com português, principalmente pra quem vive em Porto Alegre, ouvindo muitos sul-ameircanos ou ouvindo rádio de perto, do Uruguai, p ex, e lendo é sempre mais fácil do que falar e ouvir uma lingua). Há vários artigos sobre o tema-título, o atentado, e outras matérias. Parte da ediç´~ao só assinando online.

  3. Free Walker

    2 de fevereiro de 2015 3:38 pm

    a

    Quem inventou Bin Laden foi a União Soviética na invasão de 79.

    Isso todo mundo sabe.

     

    1. Paulo F.

      2 de fevereiro de 2015 6:28 pm

      Soviéticos? Inversão total da realidade

      Surgimento da Al-Qaeda

      Durante a guerra, entre as facções mais extremistas dos mujahidins, surgiu a al-Qaeda. Supostamente, eles estavam entre os grupos que receberam dinheiro, armas e outros tipos de ajuda vindo dos americanos e seus aliados. Os combatentes que viriam a servir na al-Qaeda ganharam proeminência por sua bravura em combate contra os russos.113 Os americanos afirmariam mais tarde que a organização liderada por Osama Bin Laden estava “fora da alçada da CIA” e que eles não receberam apoio destes, porém esta informação é muito contestada.114

      Osama Bin Laden, que era um amigo próximo do príncipe Turki al-Faisal (chefe dos serviços de inteligência da Arábia Saudita entre 1977 e 2001), e de Ahmed Badeeb (na época chefe de gabinete de serviços de inteligência da Arábia Saudita), foi a principal liderança entre os cerca de 4 000 sauditas que lutaram no Afeganistão. Os sauditas eram apenas uma parte dos cerca de 100 mil combatentes estrangeiros, que foram financiados, armados e treinados pela CIA e Arábia Saudita para lutar ao lado dos fundamentalistas.115

       

  4. Marco a

    2 de fevereiro de 2015 3:39 pm

    Tema do post é só pretexto

    Tema do post é só pretexto pra falar mal dos malvados americanos.

    o político em questão de fato criou a operação ciclone mas isso ocorreu no início da década de 80. Ele não fez as coisas em sigilo por conta do patriot act porque o mesmo só foi assinado pelo presidente Bush após o 11.09.2001.

    O Afeganistão foi invadido pela então URSS por volta de 1979 e não se tratava de um mero movimento de guerra civil.  Qual era a opção, autor do post?  Se meter abertamente na guerra ou armar o lado invadido?

    Bin Laden já era mulcumano de extrema tanto que foi ser voluntário no Afeganistão.

    Quanto ao relacionamento dos Bush e os ladem no limite, seria o mesmo que me acusar de ter relacionamento com criminosos se fosse amigo ou parceiro comercial do pai do autor da postagem porque seu irmão mais novo resolveu ser traficante de drogas. Michael moore não apresentou prova, salvo engano, de que a família ladem finançasse o terror.

    O autor cita a questão da tortura na prisão. Ao que me conste e ele não cita, os militares que aparecem nas fotos torturando e humilhando foram punidos, julgados e presos. E não me recordo de ter visto americanos nas ruas comemorando a tortura ou condenando a prisão dos militares. Mas é preciso recordar da comemoração em países islâmicos de pessoas nas ruas quando as torres gêmeas foram derrubadas matando mais de 3.000 civis.

    bin ladem não foi criado pelos EUA. Já era islâmico de extrema e belicista. Não se juntou na luta afegã porque os americanos forneceram mísseis para quem lutava com mosquetes, mas porque a URSS invadiu o Afeganistão.

    No limite, quem criou bin ladem foi a URSS.  O Afeganistão sofreu um golpe de estado pelo partido comunista em 1978 declarando o Afeganistão antes um estado soberano islâmico em um estado ateu e torturou centenas de opositores ao comunismo. Logo depois a URSS invade para anexa-la ao bloco. Vem daí a resistência dos grupos islâmicos com os quais bin ladem se juntou.

    Depois disso, assume aquela ideologia idiota de combater o ocidente, impor o Islamismo,  jirad e que os EUA são o grande Satã que deve ser combatido.

    1. junior50

      2 de fevereiro de 2015 10:06 pm

      Panfleto cheio de erros

       1. Ato Patriota: Publicado em 26/10/2001 – Pelo que deu para entender do texto, quem o escreveu assistiu o filme, mas não conhece nada de como funcionam as comissões do Congresso dos Estados Unidos, onde as comissões de Defesa e Inteligência, são separadas, podem receber fundos e dotações orçamentarias “off-budget”, aprovadas por estas comissões, sem a necessidade da anuência do executivo, não são “verbas secretas”, mas movimentações de verbas que poderiam estar em outros programas e são remanejadas, dentro de um limite do orçamento do Congresso.

       2. “Familia Bin Laden ” :  ERRO comum em ocidentais, não importando a afinidade ideológica, pois trata-se de um CLÃ, originário do Yemen, que se estabeleceu na Arabia Saudita nos anos 60, e é composto por 4 ramificações principais, das quais se originam ( pelo conceito ocidental ) varias “familias”, as quais na maioria das vezes, devemos multiplicar 1 chefe de “familia” por 4 ( numero de esposas oficiais ) ou até por 6,7,8….. (concubinas aceitas, cujos filhos podem ser perfilhados – tornam-se Bin Laden – ou não ).

       3. Osama Bin Laden NÃO se tornou anti-americano no Afeganistão, claro que como um fanatico wahabista, todo “kafir” – infiel em arabe, em pashto é “nasrani” – tudo do ocidente é um mal ( menos o futebol e o time londrino do Arsenal), mas no Afeganistão o apoio deste “mal” era necessário, Osama Bin Laden começou sua peroração anti-ocidental, não diretamente contra os Estados Unidos, mas contra o governo saudita, em 1991, por ocasião da Guerra do Golfo, tanto que sua cidadania saudita foi cassada, voltou a ser iemenita, expulso da Arabia Saudita por volta de 1993, fixou suas operações, criando a Al-Qaeda, em Khartoum no Sudão, elegendo o “Grande Satã” ( Estados Unidos ) como inimigo, devido a fortes ingerencias americanas, incluindo tentativas de assassinato, em 1996 o governo sudanês o expulsou, e  Mullah Omar – lider do Taliban – o acolheu no Afeganistão, assim como a outros lideres da Al-Qaeda, como Zawayri ( o egipcio).

        4. Outro papo-furado, mas já cronificado, é que o Manpads Stinger, “venceu” os soviéticos no Afeganistão.

      1. Andre Araujo

        2 de fevereiro de 2015 11:32 pm

        Meu caro Junior, sempre um

        Meu caro Junior, sempre um tesouro de conhecimentos, parabens. O reducionismo dos leigos é impressionante, reduzem questões super complicadas em dois ou tres pensamentos toscos, simplorios, como se a Historia fosse assim simples.

  5. Jurandir Paulo

    2 de fevereiro de 2015 3:57 pm

    Alvíssaras!

    Temos mentes ainda não estragadas pela obtusa cobertura de internacional de nossa mídia.

    Aproveito para lembrar que, ao menos no cinema, os EUA estão montando outras histórias, mais reais, sobre suas políticas. Homeland, House of Cards, Scandal, Person of Interest são algumas séries onde a CIA tortura e mata, os EUA fazem jogo duplo com seus inimigos, false flags são montadas para enganar a opinião pública. Sinal dos tempos. 

    1. Andre Araujo

      2 de fevereiro de 2015 4:04 pm

      Não é sinal dos tempos,

      Não é sinal dos tempos, sempre foi assim. O jogo duplo faz parte da Historia. A duplicidade é inerente ao mundo da espionagem. Philby era chefe da Contra-Espionagem britanica em 1951 e desde 1937 era espião sovietico.

       

      1. Jurandir Paulo

        2 de fevereiro de 2015 4:18 pm

        Sempre foi

        Verdade, mas agora os EUA colocam a humanidade em risco e posam de mocinhos. Inventaran uma guerra com inimigo invisível e querem convencer muitos que são as únicas virgens no prostíbulo.

  6. Andre Araujo

    2 de fevereiro de 2015 4:08 pm

    Narrativas tendo como pano de

    Narrativas tendo como pano de fundo os bastidores da Historia tem geralmente uma parte de realidade de duas partes de ficção. Rm cima da realidade como alicerce se constroem parede e telhados inventados porque não há provas, testemunhas, documentos. A parte verdadeira dá credibilidade à parte ficticia e é dificil separar as duas. A verdade completa fica para a imaginação.

    O que é espantoso é a taxa ficional de sucessos da CIA, uma organização desmoralizada por fracassos historicos, no mundo do cinema e da literatura panfletaria de esquerda a CIA faz muito mais do jamais imaginou fazer, até gostariam de ter feito, aliás essas invenções sobre a CIA é que salvam sua reputação e justificam seu orçamento.

  7. alexis

    2 de fevereiro de 2015 4:24 pm

    Fosse na Globo…

    Teriam mandado mudar o nome do post agregando…O “milionário” Bin Laden….

    Caso contrário, recebe puxão de orelha do Kamel (como Bonner recebeu um dia em pleno jornal nacional).ao mando de algum poderoso oculto que manda também na Globo.

  8. Marcos Oliveira

    2 de fevereiro de 2015 4:48 pm

    E o contexto, como fica ?

    O comportamento dos Estados Unidos foi certamente infeliz, mas é ideologicamente desonesto “se esquecer” que os mujahidden estavam lutando contra um governo comunista, suportado tanto economicamente como com tropas pela União Soviética, que havia chegado ao poder em 1978 por meio de um golpe militar (a chamada “revolução Saur”), sem legitimação popular.

    Portanto, os EUA apenas aplicaram a famigerada política do “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”, que já fez muita gente da esquerda defender o Irã, por exemplo, apesar do péssimo histórico da Revolução Islâmica no que diz respeito a direitos humanos.

    Aumentando a hipocrisia, vejo muitos argumentarem que o governo comunista do Afeganistão era muito liberal no que diz respeito a direitos das mulheres, mas se esquecem que o mesmo é verdade no que diz respeito ao governo do xá no Irã, se comparado com o período pós-Revolução Islâmica.

    Sim, a intervenção dos EUA apoiando o que se tornaria o Taliban mais tarde foi desastrada, mas fica a pergunta: se os mujahidden não tivessem apoio desse país, o que teria acontecido ? O regime comunista do Afeganistão teria caído de qualquer forma com o fim da União Soviética – isso é praticamente certo. Sabendo que o país é conservador e sofre grandes influências da Arábia Saudita e do Paquistão, quem garante que algo parecido com o Taliban não teria se formado de qualquer forma? Mas retratar o tema de forma maniqueísta é tão mais fácil né ?

  9. altamiro souza

    2 de fevereiro de 2015 8:03 pm

    eua criam estados islamicos


    eua criam estados islamicos para manter a estratégia de eterna

    guerra externa, invasora.

    aí vendem armas de ataque para os estados islamicos

    e as de defesa para  o restante.

    ou vice-versa.

  10. junior50

    2 de fevereiro de 2015 8:15 pm

    De filme pode entender

     Mas de Afeganistão o texto é de uma quantidade de asneiras, já identificadas por outros posts, que classifica-lo como um “panfletinho” de partideco politico de esquerda delirante seria um elogio.

     Querem criticar a CIA, o governo americano, coloca-los no paredão, é facil, tem um monte de cagadas históricas e bem documentadas de seus malfeitos, e REAIS, portanto não é necessário o recurso da fantasia,  de informações truncadas, absurdos temporais, erros crassos de data e personagens, basta pesquisar a verdade.

  11. Anahh

    3 de fevereiro de 2015 1:47 am

    POr fora

    Nunca entendi bem esse conflito,enchem nossa cabeça de info. e contra info, nenhum colega meu nunca tentou me explicar até pq sou enfermeira. Vou parar de ver Tv .Só ligo de volta quando ver uma invasão alienígena  no centro da cidade .

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