4 de junho de 2026

Liberdade de expressão e outros sonhos, por Milly Lacombe

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Enviado por Hugo1

Liberdade de expressão e outros sonhos

Do Blog da Milly

Por Milly Lacombe

Em 2006, drones americanos despacharam munição sobre uma pacata vila paquistanesa na esperança de matar Ayman Zawahiri, líder da Al-Qaeda. Na ação, 76 crianças e 20 adultos inocentes morreram, mas Zawahiri não.

Entre maio e agosto do ano passado, o exército de Israel matou dois mil civis palestinos, entre os mortos quase 500 crianças (no mesmo período, 80 israelenses morreram, sendo que 70 eram militares).

Durante a invasão do Iraque pelo exército que lutava “contra o terror”, um hospital foi tomado, seus pacientes arrancados das camas e algemados ao chão. A descrição do que ocorreu naquele dia é de indignar e enojar.

Por motivos que talvez devamos investigar não choramos por nenhum dos árabes assassinados nos três episódios acima, mas quando os terroristas entraram atirando na redação do Charlie Hebdo e chocaram o mundo reagimos em fúria.

Os terroristas ainda fugiam, e os canais de notícia já entravam ao vivo, chamando para a tragédia. Em questão de minutos, analistas politicos avaliavam o cenário no mundo: riscos de novos ataques e críticas acaloradas a respeito do aspecto violento do islamismo, ainda que não houvesse a certeza de que os assasinos eram muçulmanos e mesmo sem jamais terem lido o Alcorão para entender o que ele diz exatamente (até porque, todos os que se deram ao trabalho de estudar e comparar livros sagrados dizem que eles se repetem nas ímplicitas sugestões a violências e defesas de seus profetas e também na beleza de muitos ensinamentos).

Não demorou um dia para que a imprensa mundial jogasse a discussão para o risco de perdermos o direito à livre expressão. Jornais e redes de rádio e TV alertavam para a ameaça da censura via terrorismo, esse que é capaz de matar inocentes em Paris e tentar nos calar.

E, tocados como gado pelo poder da mídia corporativa, nos encontramos discutindo apenas isso: o absurdo de perdermos o direito à livre expressão. O que deveríamos estar nos perguntando é se existe de fato essa liberdade pela qual agora a imprensa mundial brada.

Antes de qualquer outra coisa, o que tinha que ser feito era um levantamento das charges do Charlie Hebdo para entendermos se, talvez, nos sintamos mais à vontade debochando de Maomé do que de Moisés ou de Jesus, e se, sendo esse o caso, não estaríamos submetendo os muçulmanos a uma espécie de bulling, esse mesmo que em dezenas de universidades e escolas americanas muitas vezes cria adolescentes assassinos que dizimam colegas de escola.

O que, evidentemente, não quer dizer que de certa forma entendemos os terroristas porque não há como entender ações de dizimam inocentes, mas para buscar explicações que talvez ajudem a nos tirar desse estado de conflito eterno.

De todas as charges do Charlie Hebdo, quantas eram de críticas ao judaísmo, quantas ao cristianismo e quantas ao islamismo? Não sabemos.

Depois é preciso que nos perguntemos se o fato de termos ignorado ações terroristas de americanos, ingleses e israelenses, mas chorado pelo Charlie Hebdo talvez não signifique que a tal aclamada liberdade de expressão exista apenas parcialmente nesse nosso universo ocidental chamado de democrático.

Vejamos.

Alguém ficou sabendo dos drones americanos sobre a vila paquistanesa? O número de inocentes mortos em Gaza e na Cisjordânia foi alardeado pela mídia de massa? Vídeos de bombas caindo sobre hospitais em Gaza, e de crianças sendo degoladas nas explosões, foram replicados pelos portais? Ficamos sabendo que os homens do primeiro-ministro Israelense assassinaram 17 jornalistas na Palestina e mataram com eles a tal liberdade de expressão? Lemos ou vimos depoimentos de pacientes do hospital Iraquiano em Falllujah que foram torturados pelos homens que estavam “lutando contra o terror” em seu nome e no meu?

Vocês não acham que se esse material tivesse sido exposto fartamente com foi o do Charlie Hebdo teríamos chorado por esses árabes mortos, e nos indignado pelo terrorismo cometido contra eles? Por que quando um muçulmano se explode no meio de Telaviv damos a isso o nome de terrorismo e quando um soldado israelense abre fogo contra um grupo de crianças palestinas que joga bola na praia, ou bombas caem sobre um hospital em Gaza, o mundo fala em contra-terrorismo?

E, depois desse arsenal de perguntas, temos que fazer uma outra e mais fundamental: Por que, então, esse tipo de notícia não nos alcança?

Na resposta está contida a hipocrisia de líderes ocidentais marcharem em Paris em nome da liberdade de expressão: não nos alcança porque esse tipo de notícia não interessa ao capital privado concentrado. Não interessa às corporações (e nelas estão incluídos os grandes grupos de mídia) ou às elites ou ao poder estatal. Tirar da nossa frente o arquétipo do inimigo – hoje tão bem representado pelo árabe muçulmano – é diluir o poder de nos manipular.

Como somos manipulados? Pela comercialização do medo. Com medo, nos entregamos àqueles que nos protegem e vigiam. É, por isso, importante que sintamos medo do terror islâmico. Medo de explodir na próxima esquina por causa da ação religiosa de algum terrorista que sai às ruas para defender a honra do profeta

Se um norueguês sai de casa e assassina 77 inocentes, como aconteceu em 2011, ele era apenas um maluco doente. Se um negro faz a mesma coisa, todos os negros são colocados sob o holofote porque ele representa uma raça desencaixada. Se um árabe faz a mesma coisa, ele agiu em nome de uma religião.

Para manter o estado das coisas isso precisa ser divulgado porque essas histórias perpetuam o mito do terrorista que quer acabar com a liberdade no ocidente, uma liberdade que dizem que é muito nossa, mas que não temos tempo de questionar porque acordamos cedo para ir trabalhar e pagar todas as contas e empréstimos que fizemos porque o salário não dá conta de comprar o que precisamos e o que é ofertado como “você precisa ter isso” pelos anúncios na TV, e quando voltamos para casa estamos exaustos e queremos apenas ligar a TV e ser entretidos, seja pelo noticiário ou por algum programa estúpido que nos faça esquecer dos problemas. A isso chamamos liberdade. Tudo é vendido a você, e você consome e, sem questionar, digere como verdade.

Liberdade de expressão não é apenas ter o direito de debochar de profetas, mas tratar fatos e vítimas com o mesmo peso, a mesma intensidade e a mesma indignação a despeito de crença, cor da pele, sexualidade etc. E terrorismo é tirar a vida de civis inocentes sejam eles parisienses, israelenses, palestinos ou paquistaneses. Uma criança afegã não vale menos do que uma criança americana e só nos agigantaremos enquanto comunidade – que é o que somos – quando formos capazes de chorar igualmente por todas elas. Nesse dia teremos entendido que não existem raças, existe apenas a raça humana, feita do mesmo material, tendo os mesmos sonhos e desejos e dores. A imperial noção de que somos uma coisa só, ligados a uma mesma fonte.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

21 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. wendel

    17 de janeiro de 2015 4:08 pm

    Manipulações, nada mais …………

    Milly já disse tudo que eu gostaria de dizer/escrever, sem retoques !!!

    E agradecemos pelo privilégio de poder ler este artigo através do GGN, pois conforme abaixo:

    “Na resposta está contida a hipocrisia de líderes ocidentais marcharem em Paris em nome da liberdade de expressão: não nos alcança porque esse tipo de notícia não interessa ao capital privado concentrado. Não interessa às corporações (e nelas estão incluídos os grandes grupos de mídia) ou às elites ou ao poder estatal. Tirar da nossa frente o arquétipo do inimigo – hoje tão bem representado pelo árabe muçulmano – é diluir o poder de nos manipular.”

    Outro fato é dizer que todas, eu disse todas as Agências de Noticias só divulgam o que interessa, e os jornais, TVs e revistas, como papagaios só fazem repercutir estas boboseiras para nos manipular!!

    O luso politico/propagandistico destes espetáculos midiáticos sangrentos, só fazem ludibriar os incautos e inocentes uteis, mais artigos como este,servem de alertas para os que se recusam a se comportarem como gado a caminho do matadouro!

  2. Alessandre de Argolo

    17 de janeiro de 2015 4:21 pm

    Não há manipulação em condenar o atentado ao Charlie Hebdo

    O fato de existir terrorismo de Estado ou a mídia ocidental não repercutir os crimes praticados por países ocidentais contra inocentes no mundo islâmico não significa que condenar o atentado ao Charlie Hebdo seja errado ou que se esteja sendo manipulado ao condenar o atentado. Ninguém está sendo manipulado quando condena o atentado ao Charlie Hebdo, diferentemente do que afirma o texto.

    São coisas diferentes. Quem condena o atentado ao Charlie Hebdo deve condenar da mesma forma o terrorismo de Estado e a omissão da mídia em relação a isso, tudo também em nome da liberdade de expressão. A causa é exatamente a mesma, não há a diferença pretendida no post.

    Nada disso significa não condenar o atentado ao Charlie Hebdo, ao ponto de falar em “manipulação” quando se faz isso, como entendido no trecho abaixo:

    “Como somos manipulados? Pela comercialização do medo. Com medo, nos entregamos àqueles que nos protegem e vigiam. É, por isso, importante que sintamos medo do terror islâmico. Medo de explodir na próxima esquina por causa da ação religiosa de algum terrorista que sai às ruas para defender a honra do profeta”.

    Dizer que condenar o atentado ao Charlie Hebdo é uma manipulação vinculada ao quadro descrito é totalmente errado. Não existe comercialização do medo nenhuma em corretamente condenar o atentado ao Charlie Hebdo. O erro está em não abordar outros fatos tão ou mais condenáveis ainda.

    O que ela queria? Diz que o atentado é errado e depois fala em manipulação em relação ao sentimento que leva à condenação, o que induz ao entendimento de que a condenação não é tão certa assim.

    Não há manipulação. Tem que exigir a condenação contra o outro lado da moeda, que é onde reside a manipulação. No caso do Charlie Hebdo, a condenação é correta e não há manipulação: houve um atentado terrorista motivado por razões religiosas que deve ser condenado.

    Ela confunde falta de cobertura dos atos terroristas de Estado eventualmente praticados por países ocidentais com manipulação quando se condena o Charlie Hebdo. Totalmente errado. Se a pessoa que condena o atentado ao Charlie Hebdo estiver sendo manipulada, não seria muito certo condená-lo. As duas situações devem ser igualmente condenadas, sem qualquer diferença, sem qualquer manipulação.

     

    1. Mariano S Silva

      17 de janeiro de 2015 5:32 pm

      O artigo não desaprova a

      O artigo não desaprova a condenação ao ato de terror religioso, mas trata dos dois pesos e 47-2 medidas!

      Trata de uma justiça que é absolutamente vesga (veja a condenação do humorista afro-francês), canalha e que serve somente ao poder, em outras palavras: só serve para aparelhar o estado de poder e fingir que equilibra a situação com direitos do cidadão. Devo um galo a …

    2. enragé 2015

      17 de janeiro de 2015 6:44 pm

      Nos hoje longincuos anos 80,

      Nos hoje longincuos anos 80, vivi por 4 anos da França, e desde então segui o Charlie Hebdo.

      Na época, além dos sacrificados, Wolinski, Tignous e Cabu ( Charb, chegou 15 anos depois), pontificavam Reiser, Cavanna e o prof. Choron, que morreram nos anos que se seguiram…

      Legitimos herdeiros daquilo de mais generoso produzido pelo maio de 68, a patota do Charlie, fiel ao lema “journal bête et méchant” ( poderíamos traduzir mais ou menos  para “escroto e sacana”), sempre defendeu a 360 graus, os valores da laicidade e dos princípios da dignidade humana. Sátiras tão ou mais mordazes que aquelas dirigidas ao Islã,tiveram como alvo a Igreja Católica, o cristianismo e o judaismo em geral,

      Em meio ao apagão midiatico, justamente apontado pela articulista, o Charlie era uma das poucas vozes que chamava atenção da hipocrisia com que as mortes dos vira latas eram tratados pela midia tradicional.

      Concordo pois com os reparos feitos pelo Alessandre e definitivamente grito a plenos pulmões, Je suis Charlie, sem nenhum mas ou porém …

       

    3. Cafezá

      17 de janeiro de 2015 6:46 pm

      O erro está em não abordar

      O erro está em não abordar outros fatos tão ou mais condenáveis ainda.

       

      Concordo em parte. Convenhamos que é impossível “abordar outros fatos tão ou mais condenáveis ainda” senão nas redes sociais. Não há espaço para isso, haja vista que a comoção social ocasionada pelo atentado ao Charlie não foi a mesma dos outros fatos mais condenáveis. Há uma diferença enorme. Tudo passa pelo crivo da mídia golpista e não se conhece, até o momento, formas de dar o mesmo destaque com enfoque realista às milhares de crianças assassinadas pelos ataques dos EUA e seus aliados no Oriente Médio e em outras regiões do mundo. Mesmo os artigos críticos dos  bons jornalistas e intelectuais que apresentam fundamentações inquestionáveis não encontram a divulgação destacada que os artigos do pessoal cooptado pelo sistema encontram. Não são divulgadas, por exemplo, os nomes nem as fotos das 500 crianças assassinadas pelo último ataque de Israel a Palestina. São apenas crianças pobres. Por que causa não dar a estes mártires igual destaque ao dado aos cartunistas da França? Se fossem filhos de ricos, suas fotos estariam estampadas nas TVs e nos jornais, bem como diversas entrevistas dos seus pais.  Resolva essa questão, Argolo.

      1. Raimundo Gomes Soares

        17 de janeiro de 2015 7:01 pm

        Concordo inteiramente, ao não

        Concordo inteiramente, ao não dar nomes ou rosto a essas crianças e vitimas inocentes você as desumaniza tornando-as apenas um número sem rosto, sem identidade, sem família que chora ou lamenta a perda….é matar muitas e muitas vezes.

         

    4. hugo1

      17 de janeiro de 2015 6:54 pm

      Se você quer resumir o artigo

      Se você quer resumir o artigo em um parágrafo, utilize esse:

       

      Se um norueguês sai de casa e assassina 77 inocentes, como aconteceu em 2011, ele era apenas um maluco doente. Se um negro faz a mesma coisa, todos os negros são colocados sob o holofote porque ele representa uma raça desencaixada. Se um árabe faz a mesma coisa, ele agiu em nome de uma religião.

      ou esse:

      Liberdade de expressão não é apenas ter o direito de debochar de profetas, mas tratar fatos e vítimas com o mesmo peso, a mesma intensidade e a mesma indignação a despeito de crença, cor da pele, sexualidade etc. E terrorismo é tirar a vida de civis inocentes sejam eles parisienses, israelenses, palestinos ou paquistaneses. Uma criança afegã não vale menos do que uma criança americana e só nos agigantaremos enquanto comunidade – que é o que somos – quando formos capazes de chorar igualmente por todas elas. Nesse dia teremos entendido que não existem raças, existe apenas a raça humana, feita do mesmo material, tendo os mesmos sonhos e desejos e dores. A imperial noção de que somos uma coisa só, ligados a uma mesma fonte.

       

    5. wendel

      17 de janeiro de 2015 8:02 pm

      Manipulação, nada mais ……………….

      Há manipulação sim, e quem diz o contrário, é um inocente util , ou faz o jogo dos que querem se manter no poder a custa do medo e do divisionismo!

      Falar que não há manipulação, é o mesmo que justificar a matança de inocentes quando, quando não há interesses globais e economicos em jogo!

      Quem tem um mínimo de inteligência verá que, as notícias que os meios repercutem divulgadas pela Agências de Notícias, que em quais mãos sabemos muito bem em que se encontram,  

      E tem mais, para sabermos de como são feitos as manipulações destaco do texto.

      – ” Não há manipulação. Tem que exigir a condenação contra o outro lado da moeda, que é onde reside a manipulação. No caso do Charlie Hebdo, a condenação é correta e não há manipulação: houve um atentado terrorista motivado por razões religiosas que deve ser condenado.”

      – ” Ela confunde falta de cobertura dos atos terroristas de Estado eventualmente praticados por países ocidentais com manipulação quando se condena o Charlie Hebdo. Totalmente errado. Se a pessoa que condena o atentado ao Charlie Hebdo estiver sendo manipulada, não seria muito certo condená-lo.”

      Este eventualmente, então diz tudo, ou seria simplesmente como dizem: NÓIA !

      E para fechar com chave de ouro, ainda dizem – ” se a pessoa que condena o atentado estiver sendo manipulada, não seria certo condená-lo.” – quando os fatos provam e comprovam que a manipulação não é sobre o fato ocorrido e sim como as midias diuturnamente o divulgam, sem sequer analisarem os motivos dos atentados, e darem o outro lado da versão.

      Manipulação sim dos fatos ocorridos e por extensão, uma intensa lavagem cerebral global !!!!!!!!! 

       

    6. wendel

      17 de janeiro de 2015 8:04 pm

      Manipulação, nada mais ……………….

      Há manipulação sim, e quem diz o contrário, é um inocente util , ou faz o jogo dos que querem se manter no poder a custa do medo e do divisionismo!

      Falar que não há manipulação, é o mesmo que justificar a matança de inocentes quando, quando não há interesses globais e economicos em jogo!

      Quem tem um mínimo de inteligência verá que, as notícias que os meios repercutem divulgadas pela Agências de Notícias, que em quais mãos sabemos muito bem em que se encontram,  

      E tem mais, para sabermos de como são feitos as manipulações destaco do texto.

      – ” Não há manipulação. Tem que exigir a condenação contra o outro lado da moeda, que é onde reside a manipulação. No caso do Charlie Hebdo, a condenação é correta e não há manipulação: houve um atentado terrorista motivado por razões religiosas que deve ser condenado.”

      – ” Ela confunde falta de cobertura dos atos terroristas de Estado eventualmente praticados por países ocidentais com manipulação quando se condena o Charlie Hebdo. Totalmente errado. Se a pessoa que condena o atentado ao Charlie Hebdo estiver sendo manipulada, não seria muito certo condená-lo.”

      Este eventualmente, então diz tudo, ou seria simplesmente como dizem: NÓIA !

      E para fechar com chave de ouro, ainda dizem – ” se a pessoa que condena o atentado estiver sendo manipulada, não seria certo condená-lo.” – quando os fatos provam e comprovam que a manipulação não é sobre o fato ocorrido e sim como as midias diuturnamente o divulgam, sem sequer analisarem os motivos dos atentados, e darem o outro lado da versão.

      Manipulação sim dos fatos ocorridos e por extensão, uma intensa lavagem cerebral global !!!!!!!!! 

       

    7. Alex Sotto

      18 de janeiro de 2015 1:12 am

      PQP

      Você realmente tem dificuldades de entender o poder da mídia em manipular, formando a opinião pública de quem é o inimigo a ser temido e quem é que vai te proteger contra ele ?

      Acho que não. Aliás, acredito que não, pois você já demonstrou muito conhecimento e inteligência por aqui.

      Fazer de conta que não entendeu o texto, não vai me fazer pensar que você é burro, mas apenas que está se fazendo.

  3. janes salete

    17 de janeiro de 2015 5:03 pm

    A mídia comandando a manada.

    A mídia comandando a manada. Se a mídia se importasse com palestinos mortos, com paquistaneses detonados e outros desafetos do USA, eles se revoltariam. A mídia os comanda, só o que ela cospe eles conseguem assimiliar. As mortes que não interessam à mídia, não interessam e não revoltam os teleguiados. Os estudantes mexicanos desaparecidos pelo governo escravo de USA, nada, nenhuma faixa de revolta. Sao nojentos esses “revoltados” que só tem capacidade de enxergar o que lhes é mandado enxergar, só veem um lado da moeda. Bonecos de ventrílocos midiáticos.

  4. basílio

    17 de janeiro de 2015 5:21 pm

    Brilhante exposição, sim

    Brilhante exposição, sim estamos sendo o tempo todo manipulados.

    Sim, qualquer dos atos violentos como os descritos, perpetrados por forças armadas ocidentais (ou israelenses) contra civis no oriente médio são atos de terrorismo explícito, assim como também o quase ignorado massacre de civis ora em curso na Nigéria por grupos de fanáticos religiosos muçulmanos, todos mais graves que os cometidos em solo francês  já  que fizeram vitimas em número muito superior.

    Sim, somos manipulados, vítimas européias, israelenses ou norte-americanas são profundamente sentidas e lamentadas, vítimas do oriente médio(salvo israelenses), africanas ou de outras regiões do terceiro mundo são ignoradas.

    E ainda agora essa manipulação quanto a liberdade de opinião.

    Vide colunistas para lá de conservadores da lamentável imprensa oligopolista brasileira criticando o Papa por este ter se manifestado em desacordo com opiniões que ridicularizam, desrespeitam e humilham o próximo ou sua fé.

    Será que esses pretensos jornalistas são também a favor, defendem a “liberdade” de ofensa (seja por palavras, escrita, desenho, etc. ) a pessoas de outras etnias e religiões, das quais não gostam ou não  concordam, de atrasados, macacos, ladrões, debilóides ou coisa pior?

    Ou só se os ofensores forem jornalistas?

  5. mc

    17 de janeiro de 2015 5:23 pm

    Mas que alívio imenso…
    Mas que alívio imenso… Sinais de vida inteligente no planeta. Obrigada pelo artigo excelente, Milly Lacombe e Hugo1…

  6. natanferreira_

    17 de janeiro de 2015 5:47 pm

    Milly, seus comentarios sobre

    Milly, seus comentarios sobre futebol, na tv, eram otimos,

    mas seu texto politco eh muito melhor.

    Nao ligue para o Argolo, ele soh quer manipular.

  7. Raimundo Gomes Soares

    17 de janeiro de 2015 6:56 pm

    O grande problema reside em

    O grande problema reside em só condenar o que interessa como se qualquer ato surgisse do nada e estivesse fora de um contexto ou pior ainda dentro de um contexto fabricado onde só existe seres humanos de um lado.

  8. Andre B

    17 de janeiro de 2015 7:04 pm

    Muito bom o texto, pois deixa

    Muito bom o texto, pois deixa claro que a manipulação reside não em dizer que o massacre ao Charlie não ocorreu, ou que ele não deveria ser condenado  – algo que não aparece em nenhum momento no texto. Não adiante malabarismo retóricos para confundir a expressão ‘comercialização do medo’ com ‘condenção do massacre’. Qualquer pessoa que não tenha deficiencias cognitivas ou esteja agindo de ma-fé sabe que um livro em cima da mesa não é o mesmo que um pato na lagoa!. Uma forma de manipulação é dizer que alguém falou e escreveu o que não foi dito e escrito, a manipulação pela distorção dos referentes e do sentido de um texto. Isso ocorre de todas as formas na grande mídia, inclusive no muitos chamam de PIG.

    A manipulação segundo o texto, lido de forma literal e sem distorções retóricas subjetivas, se refere a forma como a atentado é apresentado na grande mídia e pelos governos frente a outros equivalentes. Se refere a como ações equivalentes à do atentado, são ocultadas ou diminuídas, tratadas como não equivalentes. O texto é absolutamente claro sobre esse ponto. Por exemplo:

    Se um norueguês sai de casa e assassina 77 inocentes, como aconteceu em 2011, ele era apenas um maluco doente. Se um negro faz a mesma coisa, todos os negros são colocados sob o holofote porque ele representa uma raça desencaixada. Se um árabe faz a mesma coisa, ele agiu em nome de uma religião.

    ou ainda:

    Liberdade de expressão não é apenas ter o direito de debochar de profetas, mas tratar fatos e vítimas com o mesmo peso, a mesma intensidade e a mesma indignação a despeito de crença, cor da pele, sexualidade etc. E terrorismo é tirar a vida de civis inocentes sejam eles parisienses, israelenses, palestinos ou paquistaneses [ênfase adicionada por mim]

     

  9. will

    17 de janeiro de 2015 9:40 pm

    Totalmente de acordo!

    Nunca serei Charlie Hebdo. E incrível como a midia fez, faz e fará a caveira do mundo Árabe. Mas fico perplexo é que metade da Humanidade acha que ganha alguma coisa com isso. A outra já esta no prejuízo.

    (espero que o M1TO  Rogério Ceni tenha lido isso! Ela esta totalmente redimida!) 

  10. Anna Dutra

    17 de janeiro de 2015 11:39 pm

    De novo?
    De novo? Outro post do Argolo?

  11. Alex Sotto

    18 de janeiro de 2015 1:38 am

    Muito bom

    Pura manipulação. 

    O que o povo tem que exigir é que se traga à tona, quem financia o terror. 

    O exemplo que o povo francês, última vítima do terror, tem que dar é a busca da resposta que não quer se calar : Quem financia o terror que nos faz refém do medo ?

    Esse é o movimento que deveria ser viralizado na rede. Quem financiou o esquema terrorista que matou o CH ?

    Qualquer coisa que não seja a busca por levar a cortes internacionais os financiadores do terrorismo, sejam eles líderes árabes ou ocidentais, é mera manipulação.

     

     

  12. Mauro Chazanas

    18 de janeiro de 2015 2:04 am

    Milly ainda não sabe que perdeu amigos

    Há alguns argumentos curiosos no texto.

    Ficarei só com dois ou três pontos que chamaram mais a atenção.

    Há essa sugestão para se fazer um levantamento estatístico das charges de Charlie Hebdo, para averiguar o quinhão que cada religião recebeu. Aqui, Milly Lacombe já iria perder o apoio de Noah Chomsky, que defende o direito de livre expressão absoluto ( se é que entendi corretamente a posição de Chomsky; particularmente acho um absurdo não haver a possibilidade de alguém que se sinta ofendido de recorrer ao Judiciário, posteriormente ao fato. Não consigo ainda aceitar a tese de Chomsky, se é que a entendi mesmo, tomara que não seja isso, que em última análise permitiria a um membro da Ku Klux Klan discorrer sobre sua teoria racial em um programa de tv a ser exibido em Ferguson; ou o comediante francês que está detido por apologia ao terrorismo ser solto e gravar um vídeo cuspindo nas tumbas dos mortos da mercearia judaica para divulgação na internet; ou o Bolsonaro usar tempo de tv para descrever o tipo de mulher que ele considera merecer ser estuprada, etc… e etc… e etc… e não poder ser feito nada no campo judicial contra eles).

    Mas, esse levantamento é inócuo. E se fosse apenas um cartum sobre o Profeta Maomé? O fato de ser um só desqualificaria a indignação do muçulmano?

    Em seguida, a finalidade do levantamento: para saber se nós, na hipótese da religião muçulmana ficar em primeiro lugar, se não estaríamos, nós, fazendo bullyng com os muçulmanos. 

    Mas como assim “nós”? A gente não trabalha no jornal e nem reproduz em casa a capa das edições e tira xerox e vai pra porta de fábrica ou pro campus panfletar. Tirando a França e talvez um ou outro país da Europa, talvez Nova Iorque e talvez o Líbano, não se encontra nas bancas, vai só pra assinantes, aí sim do mundo inteiro. E, nas bancas, custa 3 euros, compra quem quer, não é de distribuição gratuita e massiva. Pelo contrário, é de circulação restrita para os padrões franceses. Le Nouvel Observateur tira 510.000 exemplates semanais; uma de suas concorrentes, L’Express, tira 430.000; Le Canard Enchainé, 420.000. Charlie Hebdo, 30.000. 

    A escolha dos cartuns não é feita por votação popular, nem a escolha dos temas. O jornal tem editor e tem reuniões pra discutir as edições.

    Uma grande confusão que está sendo feita, intencionalmente ou não, é considerar que Charlie Hebdo tinha como proposta editorial primeira o ataque às religiões. Isso é falso, religião era um dos temas de interesse, e política francesa o principal, sendo os Le Pen e seu partido o alvo preferido.

    Charlie Hebdo não tem culpa do uso que a grande mídia faz do atentado e nem tem culpa pelo sentimento de culpa de parte das esquerdas. 

    Para Milly Lacombe sair do estado de conflito eterno em que se encontra, como diz no texto, terá que encontrar outro jeito. Um bom comêço seria prezar seus companheiros. Miguel do Rosario, em seu blog O Cafezinho, em três ótimos posts, o primeiro destacando-se por beirar o magnífico, trata do caso Charlie Hebdo. Se o visitasse Mily, e visse os cartuns tratando da Palestina, por exemplo, constataria que perdeu, como todos nós, e aqui sim cabe o “nós”, valiosos lutadores pelo progresso da humanidade.

     

     

     

  13. altamiro souza

    18 de janeiro de 2015 2:32 am

    o que exsite no oci é uma

    o que exsite no oci é uma ampla liberdade de expressão dos interesses

    –  adivinhem de quem… – do ocidente capitalista, finsanceirizador,

    hegemonizado pelo armamentimo e pelo imperialismo norte-americano.

    é o fundamentalismo murdoquiano.

    só uma face da moeda.

    a outra face é composta só de inimigos, no caso, o islã, a rússia,etc….

    ver o mundo sob um único prisma nunca foi explicitação de

    verdade sequer filosófica do próprio  ocidente,quanto mais humana.

Recomendados para você

Recomendados