4 de junho de 2026

O choro contagiante do “Só Alegria”, por Aquiles Rique Reis

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Na coluna da semana passada, numa tentativa de prolongar os bons momentos vividos em Jericoacoara, durante a sexta edição do Festival Choro Jazz, eu comentei o CD do Duo Taufic. Seguindo nesta tentativa, para que as lembranças não se apaguem inteiramente, rememorarei o show do quarteto Só Alegria, que tocou músicas do seu primeiro CD, cujo título traz o nome do grupo estampado na capa: Só Alegria (independente).

Os seus integrantes Celsinho Silva (pandeiro e percussão) – ele que é filho de Jorginho do Pandeiro, um exemplo de pandeirista/percussionista –, Eduardo Neves (flauta, pícollo, saxofones tenor e soprano),  Luis Barcelos (bandolim de dez cordas e violão tenor) e Rogério Caetano (violão de sete cordas de aço), selecionaram para sua apresentação na pracinha de Jeri, todas as onze faixas do álbum recém-lançado, e outras duas “Bole, Bole” (Jacob do Bandolim) e “Caminhando” (Nelson Cavaquinho).

Uma digressão: impressiona a capacidade que têm os chorões para dar título às suas composições. Na maioria das vezes eles exprimem fielmente o conteúdo dos choros e congêneres. Exemplo? Vamos lá: “Chorando Baixinho” (Abel Ferreira), “Carinhoso”  (Pixinguinha e João de Barro), “Assanhado” (Jacob do Bandolim), “Espinha de Bacalhau” (Severino Araújo).

Com o Só Alegria, acontece a mesma coisa: antes mesmo de ouvir “Criançada Reunida” (Rogério Caetano), “Melancolia” (Luis Barcelos), “Minha Valsa Triste” (Luis Barcelos), “Só Alegria” (Celsinho Silva), por exemplo, já dá para ante-ouvir o que ainda está para ser escutado.

Uma curiosidade: durante a apresentação deles, no show, coube a Luis Barcelos dizer alguma palavras sobre o novo disco. Ele não teve dúvidas, citou suas duas músicas, “Melancolia” e “Minha Valsa Triste” como não tendo nada a ver com o título do CD, Só Alegria. Mas o que importa é que o resultado é um discaço.

E é como me cochichou o grande Laércio de Freitas, que assistia o show ao meu lado: “Esse ‘Só Alegria’ não é fraco, não”. De fato, maestro, esses jovens chorões são para serem ouvidos em clima de festa total, tamanha é a capacidade que têm de passar a alegria que sentem ao tocar.

A cada chorinho, a cada valsa, a cada uma das músicas compostas pelos quatro bambas, fortalece a certeza de que o sopro de Eduardo é soberano; que o pandeiro de Celsinho é contagiante; que o sete de Rogerinho é um chamamento à satisfação; e que o bandolim de Luis é digno de pertencer à nobre linhagem de um Jacob ou de um Joel Nascimento.

Finda a audição de cada uma das faixas do Só Alegria, vejo ressurgir a imagem sonorizada e a atmosfera do ambiente na pracinha de Jericoacoara, sempre varrida pela ventania cultural que faz da vila um oásis. Uma realidade vivida a partir de um belo sonho que teve Capucho, um cara arrojado que junta instrumentistas e faz com que eles e o povo presentes nos shows sonhem juntos – e é aí que a música popular brasileira de qualidade vira uma alegre realidade.

Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4

Aquiles Rique Reis

Músico, integrante do grupo MPB4, dublador e crítico de música.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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  1. Gui Oliveira

    27 de dezembro de 2014 12:41 pm

    Assinatura

    Assino em baixo, Aquiles. São quatro bambas. Os assisti no lançamento do álbum aqui no Rio, na Sala Funarte Sidney Miller, e tenho o CD – que escuto sempre. Tudo farei para estar em Jericoacara ano que vem. Saudações.

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