A contribuição do Brasil com a internet pode aumentar e ser histórica. Um cabo submarino ligando a conexões da America Latina com a Europa, além de representar mais segurança para os dados nacionais, vai dinamizar a rede mundial e ajudar a descentralizar sua estrutura.
Quando Paul Baran sistematizou as formas de estruturação de redes de comunicação, ainda na metade do século passado, disse que existiam três formas de estruturá-las: centralizada, descentralizada e distribuída.
Hoje a internet tem uma estrutura praticamente centralizada, com os EUA como nodo central. Pelo seu pioneirismo, há de se reconhecer a importância do país na propagação e criação da rede internacional, mas esta situação permitiu o projeto PRISM, de espionagem com base na infraestrutura de tecnologia, capitaneada pela NSA (Nacional Security Agency). Tal arapongagem só veio a conhecimento com o caso Wikileaks, denunciado por Edward Snowden e que rendeu sua saga em busca de asilo político, provisoriamente concedido pela Rússia.
Fonte: TeleGeography
Este cabo ligando a rede, diretamente do Brasil para Portugal, como programado, representa uma maior segurança nos dados, pois esta estrutura passa a ser monitorada pelo Brasil. Após a ligação dos cabos para a Europa, o Brasil vai estudar a construção de ligações diretas também para a África e a Ásia. Desta forma, a internet começa a ir para o caminho de uma rede distribuída como deve ser de fato, sem depender de um único fornecedor.
Há outros argumentos, econômicos, que apóiam o projeto. Um deles refere-se à balança comercial, cujo valor é majorado pró-norteamericanos por conta da compra de serviço de conexão por parte das operadoras de internet brasileiras. Assim, conseguiria-se dividir este custo com outros países, e o Brasil passa a ser fornecedor, melhorando as entradas em moeda estrangeira. Outro fator importante é a nacionalização do projeto, com fornecedores brasileiros, além do investimento (um pouco menos de US$ 200 milhões, segundo noticias) retornar para o país. Quem está supervisionando o projeto é a Telebrás, estatal de comunicações.
Mas é exatamente no argumento econômico que está o maior problema para os Estados Unidos. Além deste projeto, fornecedores de tecnologia já reclamam da diminuição de negócios por conta do escândalo Wikileaks. Há noticias que dizem que até 2016 as empresas do país perderão mais de 35 bilhões de dólares em negócios pela falta de confiança e o efeito espionagem. Grandes consumidores de tecnologia como Alemanha e países emergentes temem a continuidade da espionagem na estrutura da internet.
Menos pior para o Brasil, empresas do setor e o CGI (Comitê Gestor da Internet) avisam que a estrutura atual de conexão dá conta do crescimento de usuários somente até 2017. A partir daí seria o colapso. Usuários comuns sentem a realidade da estrutura nas horas em que a conexão fica lenta. O cabo Fortaleza-Portugal poderá ser a alternativa para o Brasil conseguir comunicação com toda a Europa e Ásia sem comprar banda dos EUA. E pode ficar um pouco mais tranquilo quanto a espionagem nos fios da rede. Quem diria que seria possível no século XXI, uma ligação por terra entre Brasil e Portugal, mesmo que seja através de um cabo? Este devaneio de ligação com os patrícios será realidade em pouco tempo.
Links de apoio:
Sobre o autor: Charlley Luz, é professor da pós-graduação em Gestão da Informação Digital da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo).
Ivan de Union
10 de novembro de 2014 1:02 pmAcho que link-a-link nao
Acho que link-a-link nao funciona pra imagens no blog. O link certo eh esse:
http://raws.adc.rmit.edu.au/~s3223004/blog2/wp-content/uploads/2010/08/pauldistri-1024×380.jpg
Testando:
jc.pompeu
10 de novembro de 2014 1:07 pmpobrema é que ratos vestidos
pobrema é que ratos vestidos com escafandros poderão migrar clandestinamente, pelos novos cabos submarinos, de lá pra cá daqui pra lá…
Mariano S Silva
10 de novembro de 2014 7:39 pmBasta descer o cabo a
Basta descer o cabo a milhares de metros de profundidade, não há mergulhadores ou submarinos (a não ser uns poucos batiscafos) que possam operar nessas fossas. Lembre-se o Brasil tem experiência em águas profundas!
Edsonmarcon
11 de novembro de 2014 12:57 amNão funciona
Perto do litoral, ou na plataforma continental, a profundidade será bem menor e será fácil interceptar
Não dá para o cabo ficar em águas profundas todo o percurso
Edsonmarcon
10 de novembro de 2014 1:33 pmSegurança
Em termos de segurança, pode não sevir para nada.
Quando foram reveladas as escutas da NSA pelo mundo, quando o ECHELON e otras cositas mas foram confirmados, se soube que a marinha dos EUA usa minisubmarinos para “grampear” os cabos submarinos.
Se eles quiserem interceptar, eles vão interceptar.
joao
10 de novembro de 2014 1:45 pmnao ha seguranca
Nao importa.
Mais autonomia e dificuldade existem.
Os codigos em determinado nivel sao dificuldades e os hack sua contra posicao.
O objetivo eh descentralizar, criar novos caminhos e novas ideias.
A comunicacao nao pode ser ouro dos tolos e chegamos a um ponto que podemos dizer basta e nao nos submetermos a aluguel.
o satelites ainda assim persistente.
Athos
10 de novembro de 2014 2:08 pmRsrsrs , não existe grampo de
Rsrsrs , não existe grampo de cabos submarinos.
Estes cabos levam uma quantidade enorme de informações. Estas informações tem que ir.para algum lugar FISICO.
Ou vc grampeiam o cabo com outro cabo de. milhares de.km ou faz um HD do tamanho de um petroleiro.
Durante a guerra fria os EUA grampeiam UM cabo com um dispositivo que gravava conversas. A quantidade de informação ali era ínfima.
A história se tornou famosa nas hoje não se grampeiam mais assim porque há muita informação.
Edsonmarcon
10 de novembro de 2014 3:03 pmfiltro
Eles não precisam gravar tudo, eles podem procurar por assuntos específicos.
Nesse caso, não precisa gravar zilhões de dados.
O ECHELON, que monitora dados transmitidos por satélites, funciona nesse esquema.
J. Alberto
10 de novembro de 2014 3:48 pmMesmo assim a quantidade de
Mesmo assim a quantidade de dados é absurda.
Transportar uma quantidade absurda de dados não é muito difícil, mas processá-los (entenda-se: ler um por um e descobrir o que realmente interessa aos espiões) ou mesmo armazená-los num lugar específico (uma base de espionagem ou mesmo um conjunto de computadores com este propósito) para posterior processamento exige um poder computacional desafiador.
Acredite, beira o inviável. É preferível assumirmos que a NSA, por exemplo, grampeie provedores locais responsáveis por transferir um menor volume de dados, e mesmo pra isso precisam de uma infraestrutura absurda.
O cabo é seguro, mas só uma criptografia avançada pode garantir a segurança em “estradas” de dados menores e mais vulneráveis.
Athos
10 de novembro de 2014 4:44 pmSim, mas aí a informação
Sim, mas aí a informação teria que ser processada ali.
Entendeu?
Então, como eu disse antes, para ser processada “on the fly” vc teria que cosntruir um cabo submarino para grampear O Cabo submarino, para assim ter acesso a informação e poder processa-la ao vivo.
Ou…armazenar a informaçao para posterior processamento.
Informação é ALGO FÍSICO! É físico, precisa de espaço para ser armazenada para depois ser processada.
Basicamente informação é uma sequencia de zeros e uns gravados em pedra.
Ou vc “pega a pedra” e leva para casa, ou lê ali mesmo.
Em ambos os casos, teriam que investir bilhoes para faze-lo.
No caso do grampo da guerra fria, eles optaram por pegar a pedra que era bem pequenininha. Iam lá de tempos e tempos para recolher.
Echelon nunca funcionou a contento. Simplesmente não há capacidade de processamento para analizar toda a informação.
Simples assim!
Mateus Souza
10 de novembro de 2014 9:55 pmAcho que aí você subestima
Acho que aí você subestima consideravelmente as capabilidades desconhecidas de hardware específico que a NSA pode ter pra tarefa. Tiveram n notícias com resumos de vários dos leaks apresentando casos específicos aonde a intercepção em massa de metadata foi bastante útil. Metadata, a princípio eles não precisam interceptar tudo que passa, só uma parte definida por um algoritmo, depois usando todo o resto dos recursos deles eles podem ir atrás de dados completos a qual pertence um ali em específico considerado de interesse da agência
Athos
11 de novembro de 2014 12:00 pmSim e para isso preciso de um
Sim e para isso preciso de um supercomputador. ..
Do tamanho de um pequeno petroleiro.
Ou vc acha que fazem isso com um cell de bolso?
Gente, vcs estão vendo filmes demais…
Wendel
10 de novembro de 2014 5:47 pmMerece nosso aplauso esta
Merece nosso aplauso esta nova investida do Brasil neste projeto, pois nos possibilitará ficar menos vulnerável na espionagem feitas pelas transmissões por via satélite!
Teremos que ver se o projeto será executado por empresas norte-americanas, pois do contrário, nada será confiável também !!!!!!!!!!!
altamiro souza
10 de novembro de 2014 11:21 pmao fim (a internet) e ao
ao fim (a internet) e ao cabo(a segurança), a independencia.