3 de junho de 2026

Amnésio Neves descobre a existência de negros e pobres, por Sebastião Nunes

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Do Jornal O Tempo

Amnésio Neves descobre a existência de negros e pobres

Menino do Rio, imperador deposto das Minas Gerais, passeava com seu guru, EfeAgáCê, o Príncipe da Sorbonne, na praia do Leblon. Eram seis da tarde. O sol sumia. A noite descia. Os gatos miavam. Os cachorros…

 

Naquele lusco-fusco, pintou na frente deles um negro que, não fosse a bermuda semitransparente, estaria pelado.

Amnésio cutucou o Príncipe:

– Olha lá, Mestre! Aquilo não é um crioulo?

– Oui – respondeu o Príncipe. – Mas você não deve chamar crioulo de crioulo, que é politicamente incorreto. Nem de preto ou negão. Se o pessoal do PT descobre, você tá ferrado. Chama só de negro.

– Quanta frescura, né, Mestre? Mas o que será que esse cara tá fazendo aqui? Pedindo esmola? Se fosse assaltante – como é comum entre os criou… desculpe, entre os negros – com certeza estaria armado, né, Mestre? Hi, hi, hi!

PESQUISA ELEITORAL
– Bonsoir, mon ami – cantarolou o Príncipe da Sorbonne chegando perto. – Comment-allez vous?

– Como é que foi, Mestre? Você disse o quê?

– Só cumprimentei e perguntei como é que ele vai. Papo pra descontrair.

Amnésio, bestificado, ficou olhando o negro. Claro que conhecia negro, tanto ao vivo quanto na televisão. Só estava estranhando aquele negro na praia, àquela hora, que nem assaltante parecia. Seria o quê, hein? Algum africano extraviado?

O negro sorriu, mas não chegou perto. Foi sumindo, sumindo, sumiu.

SOCIOLOGIA PURA
Amnésio e o Príncipe fizeram caretas.

– Viu o que eu vi, Mestre? Os dentes dele estão cariados. Por que será que não procura um dentista? Fica feio um criou… perdão, um negro, andando por aqui, nesta praia tão bonita, com aquele bocão fedorento. Hi, hi, hi!

– É que dentista custa caro, pelo menos em Paris – solfejou o Príncipe. Nos meus desgovernos, a maioria deixava apodrecer, arrancava os cacos e botava dentadura. Estou achando que esse negro é um fantasma de pobre do meu tempo.

– Acha mesmo, Mestre? Mas pobre não vive é no subúrbio? Na fazenda do meu tio – aquela do avião, sabe? – tem muito pobre. Até já distribuí balas pra molecada. Ah, e dei um retrato autografado também. Eles adoraram! Hi, hi, hi!

– Fez bem, Amnésio. A gente deve cuidar dessa gente, nunca se sabe quando vamos precisar deles. Como eleitores, quero dizer. Sabia que eles também votam?

POLÍTICA SONHADA
– Isso eu sei, Mestre. Quando fui imperador de Minas… sabe Minas? É aquele Estado em que fui imperador duas vezes e depois nomeei o Anestésico meu sucessor. Tive voto que não acabava mais, até de criou… ah, sim!… até de negro.

– Conheço a história. Mas se não fosse a fama de seu falecido avô, a grana de sua família e certa pressão política e financeira… Bom, mas com isso lá na Pauliceia estamos acostumados, não é mesmo?

– Claro, Mestre. Também sei que é absurdo voto de pobre valer o mesmo que voto de rico, mas inventaram que é tudo igual, fazer o quê? Porém meu sonho é ser presidente de um país diferente, bem diferente. Hi, hi, hi!

– Como assim? Diferente em quê?

POLÍTICA APLICADA
– Pensa que sou bobo, Mestre? Veja só. Fui imperador de Minas durante oito anos e o Anestésico, amigão do peito, imperador mais quatro. Deitamos e rolamos. Alguém chiou? Ninguém. Praticamos direitinho o cala-boca. Hi, hi, hi!

– Bom, andei lendo e ouvindo por aí que professores chiaram, empresários chiaram, industriais chiaram, funcionários públicos…

– Tudo intriga da oposição! Esse pessoal quer mais é ver minha caveira! É tudo armação do PT, que detesta ver rico ficando mais rico. Armação! Mania de perseguição, como se pobre valesse o mesmo que rico. Hi, hi, hi!

EDUCAÇÃO & CULTURA
De repente irritado, Amnésio fez cara feia:

– Minas é o terceiro, quarto ou quinto Estado do país, não é? Tem riqueza de sobra. É só cavar buraco e achar minério. Faz mais de 300 anos que Minas vive de cavar buraco e tirar minério. Quantos Estados podem se dar a esse luxo?

– Mas o pessoal anda reclamando que educação e saúde – essas coisas que pobre aprecia – andam faltando em Minas. Reclamam, por exemplo, que vocês, os dois últimos imperadores, não compraram um único livro de literatura para distribuir nas escolas. E que os professores ganham uma merreca. Será verdade?

– Não deve ser verdade, não tô lembrado. Mas, se for, não faz mal. Pra que é que pobre precisa de educação e leitura? E professor deles ganhar bem? Se um cara vai ser peão, vendedor de loja, camelô, frentista, motorista, faxineiro, coisas do tipo – então pra que precisa aprender a ler? Pra reclamar depois? Pra fazer greve?

– Mas também falam de saúde. Que os doentes do interior abarrotam hospitais da capital. E falam de presídios privados… E de superlotação carcerária…

– Intriga! Mentira! Além do mais, pobre já nasce desnutrido, morre mais dia menos dia, pra que tanta frescura? E por acaso eu sou babá de bandido?

– Tá bom, Amnésio, deixa pra lá. Faz de conta que é tudo mentira e intriga. Mas agora, no segundo turno, prepara um programa bem bonitinho, dizendo que vai fazer no Brasil o que não fez em Minas. Se o pessoal acreditar…

– Acredita, Mestre. Criou… negro e pobre acredita em tudo. Hi, hi, hi!

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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8 Comentários
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  1. Gardenal

    13 de outubro de 2014 7:01 pm

    Não se misturam com “gente

    Não se misturam com “gente diferenciada”. http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/05/presidente-nucleo-negro-psdb-e-loira.html

  2. Arnaldo Summer

    13 de outubro de 2014 7:09 pm

    Aécio Neves: centro administrativo “meu avô” custou 1,7 bilhão
    Comentário postado por Alberto Porem Jr. no Blog do Nassif O centro administrativo “meu avô”. seg, 13/10/2014 – 15:20 Porque será que ainda não vi ninguém falar nada sobre isto? Reportagem da Folha de São Paulo em  04 de março de 2010 Aécio inaugura nova sede de governo de R$ 1,7 bilhão Custo da obra, investigada pela Promotoria, é superior ao orçamento de 7 secretarias  A menos de um mês de sair, mineiro entrega maior obra da gestão, com o nome do avô, Tancredo Neves, que completaria cem anos hoje  BRENO COSTADA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE  A menos de um mês de deixar o cargo, o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), inicia sua despedida hoje, com a inauguração da maior obra de seus sete anos de gestão: um complexo administrativo erguido ao custo de R$ 1,688 bilhão.Após 112 anos, a sede oficial do governo de Minas sai do Palácio da Liberdade, inaugurado junto com a fundação da própria Belo Horizonte, e passa para o modernista Palácio Tiradentes, uma das cinco edificações projetadas pelo arquiteto Oscar Niemeyer na Cidade Administrativa de Minas Gerais. O valor investido vai demorar 18 anos para ser compensado pela economia prevista de R$ 92 milhões anuais. O R$ 1,69 bilhão é superior à soma dos orçamentos aprovados para este ano nas áreas de assistência social, cultura, habitação, meio ambiente, ciência e tecnologia, agricultura e esportes.Avaliadas inicialmente em cerca de R$ 550 milhões, as obras de engenharia chegaram a R$ 1,1 bilhão, o dobro do previsto. Somada a outros 87 contratos levantados pelaFolha desde o início das obras, em janeiro de 2008, o custo total chega a R$ 1,69 bilhão. A 20 km do centro de BH, às margens da rodovia estadual que leva ao Aeroporto de Confins, a Cidade Administrativa não tem estrutura de serviços no entorno. Para facilitar a adaptação, Aécio reduziu a jornada dos servidores de oito para seis horas, até o final do ano. O volume de recursos movimentado pelo projeto que virou a menina dos olhos de Aécio Neves chamou a atenção do Ministério Público Estadual.Hoje, quatro inquéritos estão em andamento, todos referentes a supostas irregularidades em processos licitatórios. Nenhum deles chegou a conclusões, até o momento. A escolha de 4 de março para a inauguração não foi acaso. É o centenário de nascimento do avô de Aécio, Tancredo Neves (morto em 1985), que dá nome ao centro administrativo. A inauguração será, essencialmente, um evento político, a última grande cerimônia oficial comandada pelo governador, que se desincompatibilizará para a disputa das eleições. Para que isso fosse possível, a inauguração foi acelerada. 

  3. Gilson AS

    13 de outubro de 2014 8:01 pm

    Fico puto quando vejo negro

    Fico puto quando vejo negro dizendo que vai votar no Aécio porque no PT só tem ladrão.

    Estou tendo brigas ferrenhas com alguns negros que estão em boa situação, e para se “destacarem” no grupo,dizem com orgulho que votam no PSDB. 

    Tá certo, todos tem o direito de votar em quem quiser, aida bem po isso. 

    Mas sempre questiono, como estão os seus primos, irmaõs, amigos de infância…

    Geralmente como resposta recebo um muxoxô, ou seja, não quero nem saber.

     O importante é que fui convidado para festa na casa grande, o resto que se dane.

    Quando me deparo com esses casos observo a falta que faz uma classe média negra consciente em nosso páis.

    Tenho certeza que as cotas raciais em médio prazo cumprirão esse papel.

    E por favor, não venham pra cá com essa papo de racialista, cotas, bláblábla, que não estou com saco.

    Por isso estou empenhado em não deixar essa elite egoísto voltar ao poder.

    Para ser sincero, essa eleição está prejudicando o meu negócio, principalmente nesse 2° turno.

    Teve dia que fiquei 6horas direto na internet tentando desconstruir as imagens negativas que eram postadas sobre a Dilma.

    São ações como essas que o pessoal do PSDB não consegue entender.

    E para ser sincero nem eu.

    Mas enfim… e por uma causa justa.

    1. implacavel

      13 de outubro de 2014 9:03 pm

      Concordo com vc

      Concordo com você Gilson, 

      Também fico extremamante irritado quando vejo algum negro dizendo que vai votar no Aécio…

      Só porque melhoraram de vida (graças ao Lula e a Dilma), acham que já são elite…

      Estão sendo usados por essa raça reacionária e nem se tocam…

      Quando não servirem mais serão defenestrados…

  4. luiz sergio nacinovic

    13 de outubro de 2014 9:14 pm

    O Necrológio de Marina Silva

    Que o ressentimento leve Marina Silva para o mesmo lugar para onde irão Roberto Freire, José Serra e FHC. http://popmuzikrocknroll.blogspot.com/2014/10/o-necrologio-de-marina-silva.html

     

  5. altamiro souza

    13 de outubro de 2014 11:32 pm

    o amnésico apagão é o símbol

    o amnésico apagão é o símbol da atual direita brasileira,

    falaciosa, mentirosa, desagregadora, que tende a levar

    o país para o absimo porque renega a própria história criminosa da privataria tucana.

    sem lembrar da ruínas que criou, isso só pode levar ao caos.

  6. Maria Carvalho

    14 de outubro de 2014 2:00 am

    A propósito, sabendo que aqui não é

    o multimídia…

    Mas, sempre questiono aqueles que dizem que “votam pela mudança”:

    como foi sua vida nestes últimos quatro anos? sem querer saber nos últimos doze anos…

    você quer mudar o quê?

     

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=7mx-FfjVOzs%5D

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=PCHBpkaqM1Y%5D

  7. aliancaliberal

    18 de outubro de 2014 10:51 pm

    Tenis não é coisa para preto,

    Tenis não é coisa para preto, preto tem que jogar futebol.

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=GXg3-SyFdVs%5D.

     

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