O Prof. Márcio Pochmann é subconsumista. Acha que o Bananistao não vai crescer sustentavelmente apesar da baixa taxa de juros porque a riqueza se concentrou ainda mais nas mãos dos ricos, cuja propensão marginal a consumir é baixa, em detrimento do poder aquisitivo dos trabalhadores, cuja propensão marginal a consumir é alta. Ou seja, a crise é causada não pela alta oferta, mas pela baixa demanda decorrente do baixo valor da força de trabalho.
Em resposta às teorias subconsumistas de seus dias, Marx escreveu:
“É mera tautologia dizer que as crises decorrem da carência de consumo solvente ou de consumidores capazes de pagar. O sistema capitalista não conhece outra espécie de consumo além do solvente, excetuados os casos do indigente e do gatuno. Ficarem as mercadorias invendáveis significa apenas que não encontraram compradores capazes de pagar, isto é, consumidores (sejam as mercadorias compradas, em última análise, para consumo produtivo ou para consumo individual). Mas se, para dar a essa tautologia aparência de justificação mais profunda, se diz que a classe trabalhadora recebe parte demasiado pequena do produto do seu trabalho e que o mal estar seria remediado logo que a referida clssse recebesse parte maior, com aumento dos salários – bastará então observar que as crises são sempre preparadas justamente por um período em que os salários geralmente sobem e a classe trabalhadora tem de maneira efetiva participação maior na fração do produto anual destinada a consumo. Esse período, de acordo com o ponto de vista desses cavalheiros do ‘mero’ bom-senso, teria, ao contrário, de afastar as crises. A produção capitalista patenteia-se, portanto, independente da boa ou má vontade dos homens, implicando condições que permitem aquela relativa prosperidade da classe trabalhadora apenas momentaneamente e como sinal prenunciador de uma crise”).
Rui Ribeiro
18 de dezembro de 2019 10:38 pmO Prof. Márcio Pochmann é subconsumista. Acha que o Bananistao não vai crescer sustentavelmente apesar da baixa taxa de juros porque a riqueza se concentrou ainda mais nas mãos dos ricos, cuja propensão marginal a consumir é baixa, em detrimento do poder aquisitivo dos trabalhadores, cuja propensão marginal a consumir é alta. Ou seja, a crise é causada não pela alta oferta, mas pela baixa demanda decorrente do baixo valor da força de trabalho.
Em resposta às teorias subconsumistas de seus dias, Marx escreveu:
“É mera tautologia dizer que as crises decorrem da carência de consumo solvente ou de consumidores capazes de pagar. O sistema capitalista não conhece outra espécie de consumo além do solvente, excetuados os casos do indigente e do gatuno. Ficarem as mercadorias invendáveis significa apenas que não encontraram compradores capazes de pagar, isto é, consumidores (sejam as mercadorias compradas, em última análise, para consumo produtivo ou para consumo individual). Mas se, para dar a essa tautologia aparência de justificação mais profunda, se diz que a classe trabalhadora recebe parte demasiado pequena do produto do seu trabalho e que o mal estar seria remediado logo que a referida clssse recebesse parte maior, com aumento dos salários – bastará então observar que as crises são sempre preparadas justamente por um período em que os salários geralmente sobem e a classe trabalhadora tem de maneira efetiva participação maior na fração do produto anual destinada a consumo. Esse período, de acordo com o ponto de vista desses cavalheiros do ‘mero’ bom-senso, teria, ao contrário, de afastar as crises. A produção capitalista patenteia-se, portanto, independente da boa ou má vontade dos homens, implicando condições que permitem aquela relativa prosperidade da classe trabalhadora apenas momentaneamente e como sinal prenunciador de uma crise”).