“Dezesseis meses para desconfiar do Queiroz?”: racismo do Itaú repercute na web
por Nathalia Bignon
O relato de racismo feito pela influenciadora digital Lorenna Vieira fez com que a hashtag #ItaúRacista chegasse ao trending topics do Twitter nesta sexta-feira (31). Levada à delegacia pela Polícia Civil, acusada de fraude depois de tentar desbloquear o cartão e sacar R$ 1.500 em uma agência do Banco Itaú do Rio de Janeiro, a atitude do Banco foi alvo de críticas de parlamentares e anônimos, gerando milhares de memes contra o “protocolo” adotado no caso.
“Lorena foi mais um vítima do racismo institucional, dessa vez pelo Itaú. Aqui na Câmara, a bancada negra progressista apresentou o Projeto de Lei 5.875/19, para coibir essas e outras práticas. Esperamos que seja aprovado e inspire o fim do racismo em qualquer serviço’, disse Talíria Petrone, deputada eleita pelo PSOL-RJ. O PL citado pela parlamentar altera o Estatuto da Igualdade Racial, modificando o conceito de racismo estrutural e as formas de combate à discriminação racial nas organizações públicas e privadas.
Colega de bancada, Sâmia Bonfim (PSOL-SP) foi outra representante a lamentar o ocorrido. “Mais um caso revoltante de racismo. Por que uma mulher negra não pode ter dinheiro em sua conta? Por que foi considerada ‘suspeita’?, questionou.
Deputado e líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), recorreu à integrante dos Panteras Negras, o Partido Comunista americano, Ângela Davis, para criticar a postura dos funcionários. “Lembrando a grande Ângela Davis, não basta não ser racista. É preciso denunciar e combater esse fenômeno perverso todos os dias. O episódio no Itaú ontem, com Lorenna Vieira, se repete no Brasil inteiro diariamente centenas ou milhares de vezes”.
“Foi racismo, sim, o que ocorreu com a Lorena. E é um absurdo querer minimizar o fato. Itau Racista!”, sentenciou o vice-líder do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry (MA).
Durante o dia, também não faltaram menções ao caso de Fabrício Queiroz, o ex-assessor do deputado federal Flávio Bolsonaro (PSL-SP), cujas transações milionárias, com valores de compra e venda fraudados – operadas pelo mesmo Itaú – não foram questionadas pela instituição.
Primeira professora trans da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Dani Balbi foi uma a mencionar a isenção do banco frente ao outro caso. “O procedimento padrão do Itaú para Lorenna Vieira, empresária negra, sacar R$ 1.500 é chamar a polícia e levá-la à delegacia por ‘suspeita de fraude’ enquanto para o Queiroz a movimentação de R$ 1,2 milhão por um ano era normal até o COAF divulgar o relatório”, recordou.
“O mesmo banco que chama a polícia na hora porque desconfia de uma mulher negra que tenta sacar R$1.500, demorou 16 meses para desconfiar do Queiroz. É o racismo estrutural que apodrece nossa sociedade!”, bradou outro internauta.
Usando imagens da propaganda do Itaú, alguns usuários do Twitter questionaram o engajamento do Banco com a causa. “Parece que para o Itaú preto bom, é preto na propaganda, né? Agora na mesa do gerente movimentando as verdinhas, aí é suspeito, né?”.
Um ex-profissional do ramo fez questão de mencionar sua experiência diante da situação. “Fui bancário 40 anos e garanto que você não chama a polícia quando um cliente tem muito dinheiro na conta. Você conversa. Pergunta do ramo de atividade. Até oferece aplicação. Chamar polícia é recurso extremo, porque pega mal polícia dentro da agência. Foi racismo sim”, disse, taxativo.
Em um comunicado divulgado pelo Itaú, a instituição tentou esclarecer que o procedimento adotado na agência é um padrão em casos de suspeita de fraude e que não tem qualquer “relação com questões de raça ou gênero”. O Itaú ainda fez questão de ressaltar que considera que “toda forma de discriminação deve ser combatida”.
Carlos Elisio
31 de janeiro de 2020 8:39 pmO Itaú é dos estabelecimentos bancários o mais canalha.
Roger
31 de janeiro de 2020 9:43 pmNão nos esqueçamos do Maligno Santander.
André
31 de janeiro de 2020 9:49 pmModelinho de atendimento “mande in Brazil”…a “crasse mérdia”, é a que mais tem preconceito…o que é um funcionário de um banco?
O livro do Jessé, a elite do atraso, explica isso daí!
Ivan
31 de janeiro de 2020 11:03 pmNathalia, agora estão dizendo que o documento que a Lorenna portava era falso. O Itaú não teria condições de constatar se o documento era verdadeiro ou falso antes de chamar a polícia. E, como a polícia permitiria que ela deixasse a delegacia portando um documento falso, sem que ele fosse apreendido e ela fichada por uso de documento falso? Isso não se sustenta. Ela foi liberada da delegacia, com o documento em mãos, e o queimou depois, por indignação! A história de documento falso, dada pela polícia, só surgiu depois que souberam que o documento havia sido queimado. Alguém acredita nessa história da polícia, pra tentar inverter a narrativa de racismo, só pra defender o Itaú? Foi racismo sim. E, se a polícia mentiu, há outro crime igualmente grave.
Por gentileza, apurem isso!
AMORAIZA
1 de fevereiro de 2020 6:27 pmIvan,
é assim:
diante da repercussão do caso e da evidente ação de danos morais que o Itaú deverá responder, seu departamento jurídico deve ter orientado o banco para pedir desculpas em público e se entender em privado com a polícia.
Como parte mais fraca, ela a vítima, já entra perdendo num eventual processo contra o banco.
Você não tem idéia das indignidades que um advogado desse banco é capaz de fazer e alegar em defesa da “entidade”.
Caetano.
1 de fevereiro de 2020 7:30 pmQueimar seu próprio documento por indignação??? Acredite quem quiser…
Maria Celia
31 de janeiro de 2020 11:56 pmÉ racismo sim!!!! Que protocolo é esse de chamar a polícia para um saque de mil e quinhentos reais ????? Por que não fizeram o mesmo diante de movimentações de milhões de reais por Flavio Bolsonaro e Queiroz, para ficar apenas neste caso exemplar!!!!!
Ademar Amâncio
1 de fevereiro de 2020 12:32 amPois é… No passado o racismo era bem pior,já presenciei coisas horríveis nesses meus 56 anos.
Serralheiro velho
1 de fevereiro de 2020 10:54 amDesde 1992 deixei de ser correntista deste banquinho de merda por considerar ser mal atendido por seus funcionários de gerência.
Marcos Videira
1 de fevereiro de 2020 11:08 amOlavo Setúbal, dono do Itaú, apoiou a ditadura militar de 64 e foi nomeado prefeito biônico de SP. Parlamentares juram q o próprio Olavo Setúbal pagava a propina pra quem votou pela reeleição de FHC. Nos tempos atuais, seus descendentes teriam patrocinado o golpe contra Dilma e a eleição de Bolsonaro. Portanto, quem tem conta no Itaú é condescendente com tudo isso.
AMORAIZA
1 de fevereiro de 2020 6:30 pmDiante da repercussão do caso e da evidente ação de danos morais que o Itaú deverá responder, seu departamento jurídico deve ter orientado o banco para pedir desculpas em público e se entender em privado com a polícia.
Como parte mais fraca, ela a vítima, já entra perdendo num eventual processo contra o banco.
As pessoas não tem idéia das indignidades que advogados desse banco são capazes de fazer e alegar em defesa da “entidade”.
Não é o publicitário
2 de fevereiro de 2020 12:32 amItaú, bem feito pra você.
AMORAIZA
3 de fevereiro de 2020 2:08 pmkkkkkkkkkkkkkkk!!!!!!!!!!!!!!
Lacrou!
Luan
6 de fevereiro de 2020 9:43 amLacrou?? Lacrou o que??? Aonde tem lacre? Detesto esses palavreados Mitou, Lacrou, etc… Fala certo, fala serio viu…