4 de junho de 2026

Golpe atrás de golpe e a esperança só pode ser a última que morre, por Matê da Luz

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Golpe atrás de golpe e a esperança só pode ser a última que morre

por Matê da Luz

“É o governo mais imaturo que presenciamos” – assim escreveu um colega em seu mural no Facebook. Não estava analisando detalhadamente os últimos episódios tristes que acometeram nosso País mas, de forma fria e calculista, expondo um ponto individual referente à reforma trabalhista. Tal ponto dá conta de que as gestantes podem trabalhar em ambientes insalubres desde que liberadas por ordem médica.

Tão bizarra a narrativa em si – uma grávida trabalhar em ambiente insalubre – que o amigo em questão aponta a falta de noção, tato e estratégia do atual governo no que diz respeito à comunicação propriamente dita pois, de certa forma, não é exatamente isso o que a lei determina, mesmo que dê margem enorme e assertiva para esta interpretação.

Segundo ele, faltou tudo isso e mais um tanto no sentido de transmitir a mensagem correta à população por meio da mídia, especialmente no que diz respeito aos pontos que obviamente serão explorados negativamente pela oposição como, por exemplo, esta questão relacionada às grávidas. É claro que é tão absurda a frase em si que a probabilidade de milhares de pessoas se atentarem essencialmente à argumentação contrária à reforma, repetindo à exaustão “você viu que a reforma libera as grávidas pra trabalhar em ambiente insalubre?, nossa, que absurdo!” e realmente é quase desumano argumentar em favor disso que, enfim, a imaturidade do governo dá a faca e o queijo na mão do opositor.

Mesmo que, já cansados, a gente saiba que não vai dar em nada, nem em pizza, nem em acusação, nem em queda de presidente golpista nem em lugar bom que seja, pelo menos por enquanto.

Desiludida, escrevo esse texto pra tentar me manter envolvida com o noticiário, uma vez que o desânimo é tanto que, se antes já fazia sentido por aqui estar descolada e desconectada, agora mais ainda. Buscando amparo nas palavras do meu pai, comento que “o Brasil acabou”. “Que nada, ainda há muita luta pela frente”. Respondo que ele é uma das pessoas mais otimistas que conheço e, então, o final da conversa traz um ar de esperança: cresçamos na adversidade.

Contrariando os passos do governo, que desgoverna engatinhando em todo os sentidos, vou tentar, pai, vou tentar. 

Mariana A. Nassif

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4 Comentários
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  1. Marisa

    13 de julho de 2017 1:02 pm

    Matê

    Ótimo texto. Temos de matar politicamente todos os monstros que assobram o país, que exterminam direitos, que atropelam leis, que fazem terror com os menos favorecidos, atingido até, veja você, a classe média babaca que apoiou o golpe.

    Menos a esperança. Essa não deve sucumbir à desgraça desse governo desprovido de humanidade e de decência. Sds

  2. Maria Luisa

    13 de julho de 2017 5:15 pm

    A gente vai tentando manter a fé no futuro….

    O que me deixa perplexa é ver mulheres defendendo essa perversidade. A imprensona, principalmente a Globo, ja colocou na cabeça dos patetas que as senadoras tulmultuaram a sessão ontem, fazendo baderna etc etc etc. Eh incrivel como, mesmo lutando pelo povo, a população consegue ficar contra quem a defende. E a sindrome de Estocolmo. Dah para entender? Dah, né…

  3. romulus

    13 de julho de 2017 7:32 pm

    MORO/GLOBO INTIMIDADOS POR LULA: “LEÃO” DE CURITIBA… MIOU!

    MORO/GLOBO INTIMIDADOS POR LULA: “LEÃO” DE CURITIBA… MIOU! – DE NOVO!

    Por Romulus

    Muitos leitores vieram me perguntar o que eu achei da condenação de Lula por Sergio Moro ontem. Queriam saber “quando eu ia publicar um artigo sobre isso”.

    Confesso que, assim que saiu a notícia, além de postagem sumária nas redes sociais, não pretendia escrever sobre isso não.

    E por quê?

    Ora, porque essa “notícia” foi uma…

    – … NÃO-notícia!

    Pior: foi uma não-notícia visando, justamente, a virar a pauta do noticiário em relação a notícias de verdade.

    Ia lá eu fazer o jogo da Globo/ Moro e ajudar a pauta fake a subir?

    Tratando dela especificamente?

    Não…

    Nada disso!

    Não que o (não) acontecimento seja irrelevante…

    Não é bem isso…

    A questão é a minha “pegada” como analista…

    Como os leitores já sabem, pensando ~estrategicamente~, meu foco costuma ser muito mais no ~subtexto~ do que nos textos disparados pelos diversos atores do jogo político.

    E em “atores do jogo político” entram, evidentemente, a Globo e Sergio Moro.

    Muito mais importante do que a condenação de Lula por Moro – per se – são:

     

    (i) a sua timidez!;

    (ii) o timing;

    (iii) as limitações técnicas; e

    (iv) os movimentos casados da Globo para tentar pautar os seus desdobramentos.

     

    Passemos, pois, à análise desse subtexto.
     

    LEIA MAIS »

     

  4. Tchê de Souza

    14 de julho de 2017 10:57 am

    Acabou não, Maitê

    O próprio comandante do exército declarou no senado que o Brasil é grande demais para ser reduzido a uma colônia americana (por mais que parte de nossa elite assim o deseje…). Juntando-se com o resto da América Latina, tem-se uma massa crítica cuja explosão ninguém segura. Daí a pressa em roubarem nosso petróleo (e o da Venezuela) e o cuidado em destruírem nossa economia, para retardarem a explosão, enquanto transferem o que ainda podem de nossas riquezas naturais para a metrópole. Mas a explosão é inevitável! 400 milhões de pessoas não vão permanecer escravas para sempre!

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