4 de junho de 2026

As fragilidades do documento ‘Cenários de Defesa 2040’, por Francisco Carlos Teixeira

O documento desobedece de forma desavergonhada as diretrizes estratégicas de dissuasão, da política de defesa e da externa brasileira, retorna à precária e provocativa política de "hipótese de guerra"

As fragilidades do documento ‘Cenários de Defesa 2040’

por Francisco Carlos Teixeira

Acerca do Documento Cenários de Defesa 2040. É um documento muito ruim, um retorno aos anos de 1960, numa visão epistêmica mais geral. Do ponto de vista estrutural, desconhece a END, PDN e anos de Modernidade Estratégica, mais parecendo um roteiro da Netflix “B” sul-americana. Os seus não levaram em conta qualquer noção de dissuasão, prevenção no geral e especificamente, os possíveis avanços industriais e tecnológicos da dissuasão balística e aviônica ou do papel do submarino nuclear do Brasil em 2040 – por sinal a Marinha foi varrida do mapa estratégico brasileiro em 2040 – bem como o desenvolvimento de uma eficaz BID.

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Partem, e estacionam, num Estado de coisas que supõe a subordinação da soberania nacional perante uma potência estrangeira. Não conseguem prever, aconselhar e analisar o desenvolvimento de setores fundamentais da BID para a soberania nacional, como ainda a sua integração na Defesa Nacional, como no caso do submarino de propulsão nuclear,
como ainda de uma missilística autônoma e eficaz.

A preguiça intelectual, e renúncia prévia em relação a BID, já considera que ao país só resta a entrega de bases ao estrangeiro – princípio pétreo negado por todos os governos brasileiros como inegociável!

O documento ofende a Argentina tirando do nada uma presença física estrangeira no país vizinho, em vez de propor, isso sim, o estreitamento da cooperação militar, industrial e tecnológica com Buenos Aires, num notável caso de desmonte dos Tratados de Assunção e Ouro Preto, o que nos assegurou a paz e tranquilidade no “front” sul (inclusive para cuidar da Amazônia).

Tal cegueira estratégica é indesculpável e implica em (1) vício histórico corporativo da Força Terrestre e (2) retorno ao isolamento no continente e aliança subordinada com potência extra continental

10, designando vizinhos sul- americanos – em especial a Argentina, como inimigos, e parceiros econômicos – como a China – e comercias e estratégicos-comerciais, como França, como inimigos, sem nenhuma base (para além de bate-boca de lideres políticos ocasionais ) e abandona diretrizes fundamentais da política de defesa como o reequipamento das FFAA por capacidades.

Da mesma forma, e aqui surge uma desconfiança centrada na origem exclusivista do documento, as “hipóteses de guerra’, bem como de GLO amplificada, potencializam o papel da Força Terrestre, reforçando o papel deste no futuro da Nação

O que temos visto no passado recente e em curso, no entanto – domínio das Malvinas, e da Líbia, da Síria, Gaza, operações no Iraque, Afeganistão e enfrentamento Irã x EUA, é um papel bastante restrito da Força Terrestre – exceto enquanto tipo “Brigadas Especiais” – em favor da missilística/balística, forças aeroespaciais, forças aeronavais, submarinos de ataques com ampla capacidade furtiva e de desdobramento etc… Temas silenciados no documento em pauta do CEE/ESG.

Por fim, tema tão importante deveria (1) ter chamado o conjunto da Nação , através de empresários, cientistas, especialistas e políticos para opinar, sob o risco de validar a máxima do grande Clemenceau; é injusto que as FFAA queixem-se de incompreensão e ao mesmo tempo se auto-isolem da Nação; (2) da mesma forma, a ligeireza com que o documento tratou de tais temas, colocando-os de forma imprudente aos olhos de qualquer aventureiro causa espanto.

Francisco Carlos Teixeira, historiador da UFRJ, professor emérito da ECEME

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4 Comentários
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  1. CARLOS HEITOR CHAVES

    10 de fevereiro de 2020 7:25 am

    É o que sempre soube , o Exército Brasileiro é uma força de ocupação do território nacional

  2. José de Almeida Bispo

    10 de fevereiro de 2020 8:16 am

    Isso não pode ser levado a sério, por dois motivos: o primeiro e mais importante é que na comunidade de defesa ninguém publica o que realmente vai fazer; não entrega o jogo ao inimigo. O segundo, é que ser for a sério será nulo devido ao constante no primeiro.

  3. Anônimo

    10 de fevereiro de 2020 1:18 pm

    Esse trem parece coisa de quem desconfia que as perspectivas não conduzirão a um país maravilha e já tratam de arrumar inimigos externos.

  4. CARLÃO

    12 de fevereiro de 2020 7:13 pm

    NENHUM DEPUTADO…
    NENHUM JORNALISTA…
    NINGUÉM DA ESQUERDA FOI CHECAR
    E JÁ ESTAVAM CREMANDO UM CORPO AS PRESSAS NO RJ
    É MAIS UMA FARSA SENDO MONTADA COM A CUMPLICIDADE DA ESQUERDA???

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