Jornal GGN – Se 96% dos franceses aprovam as medidas de contenção anunciadas pelo presidente Emmanuel Macron, 85% dos entrevistados, em pesquisa realizada pela Odoxa para o Le Figaro, lamentam que essas restrições não tenham ocorrido antes.
Segundo o Instituto Odoxa, o discurso do presidente Macron, convenceu como nunca antes, convencendo 65% do público. E, num evento raro, Macron é aprovado para além de sua legenda política, com 78% dos socialistas, 60% dos LRs, 57% dos partidários de Melenchon e 45% dos RNs, que se dizem convencidos.
“Em tempos de crise, os franceses sabem como se unir”, disse um conselheiro de Macron na terça-feira.
A contrapartida é a lamentação de 85% dos franceses, que acham que a medida deveria ter sido anunciada antes. Mas são medidas duras, que têm sérias repercussões na vida cotidiana, por isso não ter sido anunciada anteriormente. Mas é só o início. De acordo com a agência de saúde pública francesa, uma extensão das medidas de contenção implementadas esta semana deverá, muito provavelmente, ser anunciada, para conter a propagação do vírus.
A contenção já mudou profundamente a vida do povo francês e seu comportamento. Segundo a pesquisa, 20% reconhecem que fizeram estoques, mas o instituto entende que é um indicativo subestimado, já que não explica a escassez de alguns alimentos. Outro ponto levantado é a migração de franceses para outras regiões do país para um melhor confinamento, com 7% das respostas, mas que não ilustra as imagens de êxodo apresentadas pela televisão logo após o pronunciamento de Macron.
Com informações do Le Figaro.
F.
22 de março de 2020 12:38 pmMais ou menos, a insatisfação é muito grande. Vivo aqui há muitos anos. Macron e seus ministros são acusados de irresponsáveis e de incompetência. Tiveram dois meses para se preparar desde o surgimento da crise na China e não fizeram nem planejaram nada. Só blá blá.
Enquanto a situação explodia na vizinha Itália, o governo repetia que na França ia tudo bem e que não aconteceria nada por aqui. Diziam que a situação estava sob controle. Tergiversaram até o ultimo momento para a tomada de decisões fortes. Fazem só cinco dias que o país está sob confinamento.
Em plena epidemia, mantiveram o primeiro turno das eleições municipais domingo passado, contra a indicação da classe médica — abstenção histórica de mais de 60% em grande parte do país, anulação do segundo turno que deveria ser hoje, e provável anulação do primeiro turno adiante se respeitada a constituição.
Em suma, um bando de amadores irresponsáveis colocando em risco dezenas de milhares de vidas. O povo tá pê da vida com o governo Macron, e arrependeu-se amargamente de ter eleito esse aventureiro amador à serviço do grande capital. Acreditem em mim, esse é o clima por aqui nesse momento.
E vai ficar muito pior nas próximas semanas quando chegarmos no pico da crise : centenas de mortes diárias (ontem foram 130, entre os quais um médico infectado pelo vírus três semanas atrás no hospital em que trabalhava), hospitais abarrotados, risco de desabastecimento, economia em frangalhos, etc.
Essa pesquisa do Figaro (jornal pelego de propriedade do Grupo Dassault, indústria armamentista) é uma piada, “pra brasileiro ver” (sei que de longe e comparado com os Bolsonaros, Macron e cia parecem ótimos, mas a situação está tensa por aqui para o governo, que não se reelege).
Abraços, Nassif e pessoal do blog.
F.
Williams
22 de março de 2020 3:15 pmDesculpem-me mas vivo na França e esta informação é falsa, não corresponde a realidade. Vocês estão somente veinculando uma notícia divulgada pela mídia que faz propaganda positiva do presidente francês, que
demorou muito para tomar as medidas necessárias. Aqui falta mascaras e gel desinfectante mesmo nos hospitais e faltam também os teste para controlar e identificar os contaminados que não têm sido utilizados como maneira de combate, para isolar e tratar os possiveis transmissores… Se quiserem conhecer um pouco o verdadeiro contexto visitem o site michelonfray.com por exemplo…
Anônimo
22 de março de 2020 4:25 pmOpa, atenção à tradução… 57% dos « rebeldes » deve se referir aos «insoumises », partidários da France Insoumise, partido do Melenchon.