30 de junho de 2026

Os prejuízos contábeis da Petrobras, por Luis Nassif

Os próximos meses serão complicados, com as cotações internacionais de petróleo em queda, excesso de produção, em relação à queda de consumo, e a valorização do dólar, impactando o caixa da empresa.

A Petrobras divulgou os resultados do primeiro trimestre: prejuízo de R$ 48,52 bilhões, resultado de uma baixa contábil de R$ 65,3 bilhões. Sem a baixa contábil, teria um resultado positivo de R$ 16,78 bilhões.

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Em 2015 houve perda similar, decorrente de dois fatores. Um, a queda nos preços do petróleo; outro, a imagem afetada pelo barulho da Operação Lava, muito mais do que pela corrupção em si – grande, em termos de pessoas físicas beneficiadas, inexpressiva, perto da dimensão da companhia.

Em janeiro de 2015, a opinião pública tratou essa reavaliação contábil – denominada de impairment -de R$ 88 bilhões como se fosse o valor dos desvios, sem que a gestão da Petrobras conseguisse explicar de maneira minimamente compreensível a lógica da operação.

O impairment é um recálculo do valor dos ativos da companhia, em cima da projeção de resultados daquele ativo.

Suponha o seguinte, bem grosso modo para entender a lógica do “impairment”.

  1. O custo de extração do barril do pré-sal é de US$ 40,00.
  2. A cotação internacional do barril estava em US$ 120,00.
  3. A cotação cai para US$ 50. Nesse caso o teste do “Impairment” iria definir uma baixa de quase 88% nos ativos do pré-sal.
  4. Aí o mercado se recupera e a cotação vai para, digamos, US$ 70. Nesse caso, o teste iria exigir um aumento de 200% no valor dos ativos.

Por isso mesmo, nenhuma grande empresa lança de uma vez todo o ajuste do “Impairment” no balanço. Simplesmente chama o auditor interno e o externo, discute com eles e definem em conjunto uma maneira gradativa de incorporar o “Impairment” ao balanço, levando em conta o fato de que os cenários futuros são voláteis.

Em 2015, quando as cotações de petróleo despencaram e agora a Petrobras decidiu lançar toda a perda contábil no balanço.

Há diferenças entre um período e outro. Em 2014, com as cotações de petróleo explodindo, os preços da Petrobras foram contidos, afetando seus resultados. Agora, tem-se uma empresa menos robusta, com a venda da BR Distribuidora, unidades de refino e de gás.

Toda a lógica das estatais de petróleo reside na integração na cadeia de produção e distribuição. Isso devido ao fato da prospecção ser a etapa de maior risco. Por isso mesmo, em momentos de queda das cotações, compensa-se o prejuízo com ganhos no refino, distribuição e transporte.

Os próximos meses serão complicados, com as cotações internacionais de petróleo em queda, excesso de produção, em relação à queda de consumo, e a valorização do dólar, impactando o caixa da empresa.

E enfrentando o maior risco, o político, com um governo que não dispõe de uma estratégia sequer de recuperação da economia.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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3 Comentários
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  1. Roland Matt Rola

    15 de maio de 2020 10:49 am

    Cadê o deputado 5ª Kategoria (DEM-SP)?!
    Não seria um futuro brilhante para a empresa?!

  2. Roberto Monteiro

    15 de maio de 2020 11:10 am

    E o fator ideológico, Nassif??? mostra prejuízo pra justificar a venda total… aos pedaços já deixaram a petrobras…

  3. roberto nacai

    15 de maio de 2020 6:45 pm

    Nassif, você podia ter destacado que o balanço mostra 83 bilhoes de reais em caixa.
    E tentado entender o porquê de precipitar um impairment dessa magnitude, quando nem Shell nem Exxon nem outras assim o fizeram.
    Quem ganha com a divulgação de
    resultado tão desastroso ? Os que querem depreciar a empresa ?

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