4 de junho de 2026

Enquanto a chuva cai, por Manuel Bandeira

Sugestão de Gilberto Cruvinel

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A chuva cai. O ar fica mole . . .

Indistinto . . . ambarino . . . gris . . .

 

E no monótono matiz

Da névoa enovelada bole

A folhagem como o bailar.

Torvelinhai, torrentes do ar!

Cantai, ó bátega chorosa,

As velhas árias funerais.

Minh’alma sofre e sonha e goza

À cantilena dos beirais.

Meu coração está sedento

De tão ardido pelo pranto.

Dai um brando acompanhamento

À canção do meu desencanto.

Volúpia dos abandonados . . .

Dos sós . . . — ouvir a água escorrer,

Lavando o tédio dos telhados

Que se sentem envelhecer . . .

Ó caro ruído embalador,

Terno como a canção das amas!

Canta as baladas que mais amas,

Para embalar a minha dor!

A chuva cai. A chuva aumenta.

Cai, benfazeja, a bom cair!

Contenta as árvores! Contenta

As sementes que vão abrir!

Eu te bendigo, água que inundas!

Ó água amiga das raízes,

Que na mudez das terras fundas

Às vezes são tão infelizes!

E eu te amo! Quer quando fustigas

Ao sopro mau dos vendavais

As grandes árvores antigas,

Quer quando mansamente cais.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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  1. Odonir Oliveira

    21 de fevereiro de 2017 5:22 pm

    Chuva, tema de Bandeira

    Gilberto, vou postar o primeiro poema que analisamos em aula com A. Cândido na FFCLH, da USP, em 1974. Recordo-me bem.

    Poema só para Jaime Ovalle

    Quando hoje acordei, ainda fazia escuro
    (Embora a manhã já estivesse avançada).
    Chovia.
    Chovia uma triste chuva de resignação
    Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
    Então me levantei,
    Bebi o café que eu mesmo preparei,
    Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando…
    – Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.

    BANDEIRA, Manuel. “Belo belo”. In:_____. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.

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