
por Matê da Luz
Tem uma atriz que anda fazendo um sucesso enorme nas redes sociais interpretando uma argentina que vive em São Paulo como blogueira. Num de seus últimos vídeos, ela dá dicas sobre como agir numa discussão: assista aqui.
Basicamente, ela fala sobre a forma como a enorme e esmagadora parte das pessoas têm se comportado ultimamente. Envolvidos nessa onde de ódio que, ainda por cima, é acelerada pela velocidade da vida online – a necessidade de ter opinião rápida, compartilhável e gostável move montanhas, pesquise sobre a substância química ativada quando a gente é “curtido”: é igual a de potentes drogas, acredite! – estamos, todos nós, com menos tempo hábil pra absorver sensações, digeri-las e, quem sabe, opinar sobre. Porque, olha, não sei se te contaram, mas ninguém é obrigado a ter opinião formada sobre tudo e qualquer coisa. O campo de batalha que a vida em diversas esferas se tornou é sufocante.
Este espaço, por exemplo. Desde o princípio, meu combinado com a redação do GGN foi escrever sobre variedades: como é ser mãe, algumas terapias e impressões sobre o mundo. As minhas impressões. Daí que de uns tempos pra cá tenho sido mais comentada, eba!, só que não: alguns desses comentários dão conta de que “o espaço só fala de mim, de mim e de mim”. Sim, é meu, e eu escolhi esse formato, já escrevi uma vez, pra compartilhar e trocar, quem sabe tocando uma ou duas pessoas com as impressões que tenho sobre os temas que acho pontuais. Estes temas, no meu mundo, são basicamente a maternidade, o feminismo, as evoluções pessoais possíveis e as invisíveis também.
Daí que eu nem jornalista sou, sou apenas uma mulher que gosta de escrever e me expressar, levantando, vez ou outra, um debate sobre algo que gostaria de conversar numa mesa inteligente. Sim, extrapolo de vez em quando e coloco na ponta dos dedos minhas emoções – as edito, mas escrever de fato me liberta e, entfim, desejo que aqui continue assim: diferente de uma notícia, diferente de uma coluna, diferente de uma impressão neutra. Quero que tenha minha cara, minha personalidade, quem sabe pra que seja também um espaço pra quem deseja ou precisa se manifestar de forma honesta e clara também.
Não é que não aceite críticas, mas por favor: julgar o perfil de um espaço de escrita e não o conteúdo do texto é bastante raso, não acha não? E pra quem viu o vídeo da Consuelo, fica a dica: gritar, por aqui, não vai adiantar muito não. Até porque este jogo é pra trocar, não pra ganhar.
Manja?
E então, o que eu sugiro com força e veemência é que antes de apertar o enter no seu comentário, antes de piscar e ter a necessidade de comentar/curtir/compartilhar, tome fôlego três vezes, de olhos fechados de preferência, e reflita: eu preciso mesmo fazer isso? Que corrente de troca estou gerando ao expressar essa opinião? …é o mínimo que peço por aqui, pelo menos – já que na vida real, enfim, a gente já quase não tem mais espaço pro diálogo.
Ivan de Union
6 de fevereiro de 2017 11:44 amEu adoro seus posts, Mate!
Eu adoro seus posts, Mate! Continue escrevendo o que der na telha.
ze sergio
6 de fevereiro de 2017 12:06 pmo que….
“Transformem o meu velório num grande comício….” A esquerda, que agora não é esquerda, que é elite, que elite são os outros, que trouxe o Brasil até aqui depois de 30 anos governando sob uma ConstituiçãoCaricaturaCidadã, que ela mesmo escreveu, quer dialogo? O Brasil se explica. É muita hipocrisia.
Roxane
7 de fevereiro de 2017 12:57 amMas que ”esquerda” escreveu
Mas que ”esquerda” escreveu a constituição ?Dá uma olhada na lista dos constituintes, verás que….
Desculpa Mate o papo é bem outro mas não passarão, não no que eu puder impedir.
chris
6 de fevereiro de 2017 2:03 pmHá espaço para todos
Bom senso, para não querer se passar por especialista sem ser, e honestidade são os requisitos. Depois disso, o que vale é a identificação do leitor . Quem quer literatura especializada sabe em que fonte procurar.
Dilma Coelho
6 de fevereiro de 2017 2:42 pmO que fazer quando não existe espaço pro diálogo?
Dois espaços que estão fora o meu dia a dia; globosta e feicebuck (facebook).
Sei que existem pessoas inteligentes no feice mas, não me interessam, sigo outros caminhos….