4 de junho de 2026

A diversidade humana, o real sentido das Olimpíadas

A diversidade humana, o real sentido das Olimpíadas

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Inicialmente um breve reparo.

As Olimpíadas não se constituem em uma mera disputa onde um ou vários países se sagrarão vencedores, não é uma disputa individual por estados ou pessoas, em busca do maior número de medalhas e fama para os competidores e de poder para as nações.

Numa Olimpíada em seu  sentido real quem ganha são as pessoas, todas, em todos os lugares e não apenas o reduzido número de atletas, e seus países.

Nelas, o homem, em seu sentido pleno, de todos da espécie humana, está na busca não somente de seus limites físicos, mas também da diferenciação possível de existir em cada indivíduo singularmente considerado, de modo a nos permitir  alcançar determinados feitos.

Não é apenas a capacidade individual para se impor pela velocidade, força ou destreza, perante seus pares,  mas sobretudo a ação conjunta  centrada no delírio do humanamente possível.

Nas Olimpíadas, idealizadas em razão da busca da nossa humana semelhança com os deuses, na realidade, se idolatra o “homem “ em busca de limites, para ultrapassá-los.

Esqueceram-se disso.

Tentam individualizar o que é coletivo, mensurar por países o que é uma conquista de todos.

Muitos se lembram de fatos em que, pela brutalidade, esta idéia foi corrompida.

Pelo nazismo, nas Olimpíadas de Berlim (Alemanha, 1936), onde a “supremacia da raça ariana”, era a negação desta concepção e nela se prenunciava uma era de trevas.

Entretanto, nem sempre a história se mostra clara e evidente e, nesta época em que vivemos, muitas vezes as máscaras (feitas de sons e imagens) nos impedem de vislumbramos a verdadeira face da corrupção dos conceitos.

É que, as Olimpíadas não podem se resumir a beleza estética ou a força das disputas, pois nelas reside apenas a parte visível, a sua essência esta no esplêndido conjunto humano.

Ao reduzirmos a Olimpíada a uma disputa entre países e entre competidores por medalhas, retiramos sua essência humana, universal e atemporal,  e aí resta apenas a busca de heróis nacionais e interesses particulares.

Mesmo que alguns deles, pelo seu excepcional desempenho, logrem fama mundial, ainda assim, estarão quase que inevitavelmente presos pelos laços políticos e ideológicos que transformam seus feitos esportivos em atributos do sistema e, desta forma, não mais são vistos como aspectos singulares da individualidade humana, mas são reduzidos a objetos, para manipulação de desejos, por interesses inconfessados e vis.

Este é o quadro, e nele, as Olimpíadas podem ser a festa da humanidade ou sua negação.

A diversidade é o que dá credibilidade força e asas a festa, é a soma de todos homens e das possibilidades humanas, não apenas dos expoentes, pessoas de uma determinada cor, credo ou nacionalidade que eventualmente se destaquem.

Novamente vemos este desvirtuamento quando as pessoas esquecem os sonhos e passam a exaltar as medalhas obtidas por seus países, e isso é feito de forma crua, ainda que não desapaixonada, manifestações compartimentalizadas, isoladas em seus contextos, políticos, sociais, ideológicos, como se isso fosse apenas a peça de um jogo e não a celebração coletiva da “alma” humana, em busca de sua força universal.

Mesmo nos esportes coletivos, que expõem, além do talento individual, a capacidade de organização e unidade do conjunto, ainda neles, muitas vezes resulta a oposição de pequenos “Davis”, que ainda que não sejam sagrados no mais alto pódio mostram caminhos ainda não imaginados.

E o resultado real nestes esportes esta nestas novas concepções, não na vitória pura e simples de cada conjunto, mas sim do que se agrega ao jogo, esta forma delirante de se exercitar a solidariedade do conjunto, da oposição de conceitos tecidos nestes embates, e da possibilidade que deles possam se extrair lições para a vida.

Mas, em meio a tudo isso, ainda que de forma inconsciente, ressurge a centelha primordial, e o que extasia mesmo é um Usain Bolt, um velocista, representante de um pequeno país, minúsculo em tamanho e em projeção mundial.

Ele, alheio a todos estes conceitos,  se mostra extraordinário em suas performances, e vibra de forma intensa, e ri, como se em seu riso viesse nele representado toda a humanidade, por excelência estampada em sua face.

E todos torcem por Bolt, por este imaginário e lendário Homem, que supera as nossas limitações e impõe novas fronteiras, cada vez mais amplas, de nossa restrita existência corpórea.

Em si mesmo ele carrega toda esta ânsia de ir além de nossos limites físicos, ele carrega todos nossos sonhos, de modo que mesmo não sendo, no sentido exato, Bolts, vamos juntos, porque junto com ele vai nossa crença em nossa capacidade e forças.  

Nele esta a essência perdida dos jogos, é o homem por excelência, todos os homens, em todos os tempos e lugares, na sua velocidade, no seu riso e força, mostrando que mesmo nos cantos mais esquecidos do planeta pode surgir uma nova superação humana.

Ele é o herói de todos, e é o que faz possível que a paraolimpíada seja apenas o prosseguimento da olimpíada, não algo a parte, mas sim a celebração de que a força e a determinação podem ser ainda maiores e que a diversidade humana não admite que nenhum de seus membros seja relegado, pois dela depende sua contingente eternidade.    

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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