Enquanto os políticos realizam manobras do lado de cá e do lado de lá para promover seus interesses particulares, a população comum, onde me insiro, dança em volta da cadeira, esperando a música parar pra sentar. “Promover seus interesses particulares”sim, cara pálida, que este se tem algo que este período mostrou é que a democracia, tão batalhada e conquistada recentemente no país, é ainda frágil. Não fosse, este processo de impeachment já teria minguado no primeiro desejo íntimo daquele que coordena as manobras.
Exemplo da vida real: antes da formação em terapia, eu já caminhava para o mercado de bem estar e, então, desenvolvi uma marca charmosinha de produtos de bem estar. Há três anos, participo feliz e contente de bazares promovidos pela cidade, afim, de apresetar meus dons para o público presencial, estreitando laços invisíveis começados na vida online. Um destes bazares tem fama de chique, sofisiticado e, verdade seja dita, só tem nome de bazar: as peças são caras, incluindo alta joalheria e alfaiataria dentre o que é ofertado.
Pois bem. Lá fui eu na semana passada com minha banquinha chiquetosa, montada e preparada com antecedência ansiolítica – dia das mães é considerado o segundo natal no ano, para o varejo. Corta, costura, investe dinheiro que não tem, me senti pronta pra enfrentar as vendas. Levando a crise em consideração, mas lembrando do sucesso do ano passado, segui corajosa e otimista. Que fosse menor, qualquer valor (ainda mais em momentos de crise!) seria bem vindo.
Primeiro dia de bazar, moscas davam às caras até mesmo mais do que os próprios expositores que, nesta edição, de saída, já não tinham verba disponível para investir na compra de espaço – estes bazares costumam cobrar a participação + um tanto percentual em cima da venda de cada artesão. Casa linda, bem arrumada, produtos interessantes e alguns até com preços promocionais – quando o mercado faz zaz, você faz zum, não é o que disse o seu Sílvio? – e, então, lá estávamos nós, tantos menos dos que os presentes em 2015, com um ar de curiosiade sobre o que viria a seguir.
Eu estava ao lado do caixa e presenciei a escassês de consumidores: as longas filas, que inclusive beneficiavam minhas vendas por impulso no ano passado, deram espaço lietralmente para as conversas de corredor: “será que a crise chegou até aqui?”, “mas rico não sente a crise…”. Sente, e se não sente, escolheu justamente este bazar pra se manifestar, então.
No segundo dia, até competição de dança pra estimular os humores aconteceu entre os expositores. Não, eu não ganhei nada além da certeza de que se a gente se movimenta quando a água bate no bumbum, aquele bazar era um forte indício de que eu teria que reformular meu currículo. O fiz antes de sentar para escrever este texto, saiba.
Terceiro e penúltimo dia, “amanhã é sexta, melhora tudo, quinto dia útil…”- a gente já estava pensando com a cabeça do proletariado, ignorando que ali um conjunto de anel e brinco foi pago à vista, no débito, no total de R$5.300,00 – a única manifestação de riqueza vista na edição 2016 do tal bazar, que rendeu assunto e risadas pelas horas que se arrastavam por ali.
No último dia, a corrida era contra a fila do estacionamento pra carregar muito mais do que desejava de volta pra casa, pro atliê de sonhos e consumo sustentável, já que os boletos de venda registravam o inimaginável: minhas vendas neste ano somavam extamente 10% das vendas do ano anterior, ou seja, queda de 90% no mesmo período.
A frenética música da política brasileira faz a gente dançar, de um jeito ou de outro e eu, que havia sentido a crise na dificuldade em pagar uma conta ou outra, vejo a necessidade de rumar pra um porto seguro mais firme o que a maré dos sonhos.
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