4 de junho de 2026

O estado geral da economia brasileira e suas perspectivas, por Rodrigo Medeiros

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Por Rodrigo Medeiros

Pesquisas e indicadores divulgados recentemente apontam para o fato de que a economia brasileira encontra-se no terreno da contração. Do ponto de vista da persistência inflacionária, é preciso dizer que a inflação não é de demanda. Essa inflação derivou de um choque tarifário de energia e de seus efeitos de difusão pela economia em 2015. Outro aspecto inflacionário que deve ser citado foi a combinação da acomodação de trabalhadores ao longo do boom das commodities em atividades econômicas de baixa produtividade com a desindustrialização prematura da economia brasileira.

O fim do superciclo global das commodities e a forte queda dos seus preços internacionais desde meados de 2014 expôs efetivamente a grande fragilidade do “modelo” brasileiro. Recente levantamento da Markit, de abril, revela o quadro do delicado momento contracionista da nossa economia.

Para que os empresários sejam competitivos é muito importante que as suas margens de lucro sejam próximas dos seus concorrentes internacionais. Ao passo que a desvalorização cambial do real impulsionou a maior viabilidade da produção manufatureira brasileira, os preços dos insumos de produção importados cresceram e parte desses custos produtivos foi repassada. O modelo de crescimento puxado pela demanda de consumo e pela expansão do crédito ao longo do boom das commodities, em um contexto de sobrevalorização cambial do real, fez com que houvesse o crescimento do coeficiente de penetração de produtos industriais estrangeiros, algo que prejudicou inclusive os produtores de bens intermediários e os encadeamentos produtivos na economia. A perda de complexidade exportadora decorrente da desindustrialização prematura criou restrições ao crescimento do Brasil por períodos prolongados.

Lei de Thirlwall: g = Ɛ (z)/π = x/π

Onde:

g é a taxa de crescimento compatível com o equilíbrio no balanço de pagamentos.

Ɛ é a elasticidade-renda das exportações.

z é a taxa de crescimento global.

Π é a elasticidade-renda das importações.

x é a taxa de crescimento das exportações.  

A desindustrialização pode ser compreendida como uma mudança na estrutura produtiva da economia, atuando no sentido de elevar π e reduzir Ɛ. Essa regressão estrutural afeta o crescimento sustentado de um país e faz ainda com que a “desinflação” seja bem mais dolorosa para os seus trabalhadores.

Do ponto de vista dos resultados fiscais primários no mundo, o Fundo Monetário internacional (FMI) dispõe de informações e projeções para diversos tipos de países. Como se pode notar no gráfico que segue logo abaixo, os déficits primários são a regra e deverão permanecer assim por mais algum tempo no mundo.

Caso se acelere um ajuste fiscal contracionista, tendo em vista a estrutura tributária regressiva brasileira, deveremos observar a elevação das desigualdades socioeconômicas entre nós. Para o pesquisador Marcelo Medeiros (Ipea), “o 1% mais rico é dono de um quarto da renda nacional. Os 5% mais ricos, de metade. Se o ajuste [fiscal] for pesado para os ricos, vamos ter queda da concentração de renda. Se for pesado para os pobres, vamos ter aumento” (“Valor Econômico”, 03/05/2016). Havendo o aumento de concentração da renda, existirão maiores dificuldades para o desenvolvimento produtivo brasileiro progressivo em um tempo no qual a Ásia avançou. Segundo “The Economist” (14/03/2015), a participação dos componentes importados no total das exportações da China caiu de um pico de 60% em meados da década de 1990 para aproximadamente 35% porque os chineses dispõem de aglomerados de fornecedores eficientes que outros lutam para replicar. Pode-se ainda dizer que o sudeste asiático evoluiu para arranjos de clusters eficientes e competitivos do ponto de vista global. Tal fato levanta questões sérias para os mercados emergentes que estão “fora” da órbita chinesa. Da Índia para a África e a América do Sul, a difícil tarefa de ficar rico tornou-se mais difícil.

Rodrigo Medeiros é professor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes)

Rodrigo Medeiros

Professor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e editor da Revista Interdisciplinar de Pesquisas Aplicadas (Rinterpap)

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  1. Luiz Veloso

    5 de maio de 2016 3:29 pm

    INFLAÇÃO = Culpa dos trabalhadores

    “Outro aspecto inflacionário que deve ser citado foi a combinação da acomodação de trabalhadores ao longo do boom das commodities em atividades econômicas de baixa produtividade com a desindustrialização prematura da economia brasileira.”

     

    ??? !!! ???

     

    Acomodação dos trabalhadores (??!!). Mal conseguiram recuparar parte do valor de seus salários, necessários para a sobrevivência!

     

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