4 de junho de 2026

Era impossível não saber

 

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Há análises diversas sobre o que será dito sobre o dantesco momento daqui trinta, quarenta, cinquenta anos. De fato, a maioria das análises parece pender para a narrativa de que o presente momento se caracteriza como golpe parlamentar aos moldes do século XXI.

Mas há outras formas de analisar o momento no futuro, e isso tem relação direta com a proteção individual em relação à massa ignara. Sim, é muito bonito dizer que as Leis são feitas para proteger os indivíduos contra os arroubos incivilizados da turba; porém, discurso e prática tem  dissociação perene no Brasil.

No futuro, é provável que o período do PT, em que Lula e Dilma estiveram à frente do executivo nacional, seja destacado também pela subjetiva em matéria de culpabilidade. Será possível detectar, uma vez mais, o padrão repetitivo da história quando comparando o momento atual com a Idade Média, por exemplo, onde bastava o apontar de dedos para que qualquer mulher sofresse as penalidades destinadas à bruxaria.

Com as variações intrínsecas a cada contexto, os trechos construídos abaixo serão padrões de referência para aqueles que se debruçarem para tentar entender como o “é impossível não saber” elevou-se como prova irrefutável de crime durante a era petista.

– Não é possível que alguém consiga defender essa corja de criminosos do PT. Parece que todos são inocentes e ninguém sabia de nada. Vejam a Dilma e sua reticente negativa de que não sabia de nada…quanta desfaçatez.

– Concordo em número gênero e grau. Ela parece estar seguindo os passos de Lula no Mensalão, ao afirmar que não sabia de nada. Como pode alguém não saber do que se passa em seus ministérios?

Sim, seremos fatidicamente lembrados pelos discursos horripilantes na sessão da Casa Baixa que abriu o processo de impedimento de Dilma Rousseff. Por muito tempo ficará na lembrança a ode ao torturador; a lembrança do show da Xuxa com direito a microfone para mandar um beijo para minha mãe, para meu pai e especialmente para você; a lembrança de que Deus, pelo menos naquela época, estava do lado de corruptos tendo em vista tantas citações a Ele e seu filho pródigo.

Contudo, esse momento também será lembrado como aquele em que o antipetismo garantiu que apenas a acusação fosse necessária para desencadear a caça às Bruxas. As Leis foram devidamente flexibilizadas para não confrontar a narrativa de que o indivíduo não pode ser protegido contra o coletivo. Bem medieval, não?

É esse medievalismo que estamos presenciando, com o “impossível não saber” como prova criminal, que certamente ficará grafado para aqueles que um dia estudarão os motivos desse país jamais ter tido a chance de ser levado a sério, dentro e fora de suas fronteiras. 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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