4 de junho de 2026

Plano Biden antecipa os princípios do Plano Lula, por Luis Nassif

Parte dos economistas aposta que o pacote permitirá à economia americano a maior taxa de crescimento anual desde meados da década de 1980. Os alertas - que partem principalmente de economistas liberais de mercado - são sobre eventuais pressões inflacionárias.

O Plano Biden, de recuperação econômica dos Estados Unidos, impõe mudanças radicais em relação aos pacotes fiscais de Donald Trump – antecipando uma tendência mundial trazida pela crise econômico-pandêmica. Aliás, essa tendência se tornará quase irreversível no Brasil pós-Bolsonaro.

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Trata-se de mudar o foco das políticas públicas. Em vez de mirar as empresas e o mercado, mirar o cidadão – especialmente os mais vulneráveis. É o cerne do projeto apresentado por Lula, em sua apresentação de ontem.

Modelo mercado – a lógica é que, promovendo cortes fiscais de empresas e dos mais ricos, haverá um aumento nos investimentos, beneficiando, no momento seguinte, a geração de empregos e melhoria de renda.

Modelo cidadão – apoio aos mais vulneráveis. Melhorando sua condições econômica, movimenta-se o consumo, que gera mais empregos, mais renda e mais crescimento.

Em 2017, Trump propôs um pacote de redução de impostos que beneficiou corporações e os americanos mais ricos. Não aconteceu o aumento sustentado do investimento, mas os cortes ajudaram a impulsionar temporariamente o crescimento econômico.

Agora, o “Plano de Resgate Americano”, de Biden, visa os mais vulneráveis, os mais afetados pela pandemia, privilegiando, dentre eles, as mulheres, as que mais sofreram com a pandemia.

A crise derrubou os empregos em mais de 10 milhões em relação ao pico anterior. Para homens negros, a taxa está acima de 10%. Quase metade das famílias que ganham menos de US$ 35 mil por ano relataram atrasos nos pagamentos das hipotecas. Um quarto das famílias não tem comida suficiente.

Segundo estudos do Centro de Pobreza e Política Social da Universidade de Columbia, o plano poderia reduzir a taxa de pobreza em mais de um quarto para adultos, e cortaria a taxa de pobreza infantil pela metade.

A aposta não se limita à melhoria de vida dos americanos, mas também a acelerar o crescimento econômico, ajudando a reduzir o endividamento familiar, aumentar a aquisição de alimentos, e evitar ações de despejo ou de execução hipotecária.

Parte dos economistas aposta que o pacote permitirá à economia americano a maior taxa de crescimento anual desde meados da década de 1980. Os alertas – que partem principalmente de economistas liberais de mercado – são sobre eventuais pressões inflacionárias.

Aqui, as principais medidas:

  • cheques de US$ 1.400,00 dólares por pessoa para pessoas que ganham menos de US$ 75.000 anuais e casais cuja renda não supere os U% 150 mil. Inclui-se também US$ 1.400,00 por dependente. Custo de US$ 400 bilhões.
  • até 6 de setembro, pagamento de adicional de subsídio de desemprego de 300 dólares por semana.
  • para famílias mais pobres, créditos fiscais de 3.600 dólares para crianlças de até 5 anos e de 3.000 dólares para crianças entre 6 e 17 anos. Os créditos estarão disponíveis para todos os americanos com filhos, independentemente de sua renda.
  • aplicar 100 milhões de doses de vacinas nos primeiros 100 dias de sua gestão;
  • um pacote de US$ 126 bilhões será destinados às escolas, do jardim de infância ao ensino médio, mais US$ 40 bilhões para as universidades.
  • cerca de US$ 350 bilhões para os Estados, comunidades locais, tribos e territórios. Foi o ponto de discórdia com os republicanos, já que as receitas estaduais caíram apenas 1,6% no ano fiscal de 2020.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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