4 de junho de 2026

Onde se encontram os verdadeiros revolucionários?

Uma coisa comum em todos os processo revolucionários, é o fato de que em todos eles líderes revolucionários, verdadeiros arquitetos socias,  lutaram para que suas organizações se mantivessem ao lado do povo, mesmo quando o processo não era claramente insurrecional e os objetivos imediatos do movimento não visavam transformações revolucionárias na sociedade.

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Os verdadeiros líderes partiam do conhecimento de que processos revolucionários são de evolução não linear, às vezes lenta e outras vezes extremamente rápida. Se no momento insurrecional não houver junto às massas revoltadas lideranças capazes de liderá-la para a tomada do poder, o ímpeto revolucionário se perderá e redundará em refluxo.

Em fevereiro de 1917, quando se inicia o processo revolucionário russo, Lenine advertia os militantes bolcheviques: permaneçam ao lado dos operários e camponeses, mesmo que neste momento eles estejam ao lado dos mencheviques. Ainda que no início o processo não seja claramente revolucionário, este poderá chegar rapidamente quando proletários e camponeses se derem conta de que a burguesia não está disposta a aceitar suas reivindicações, e eles estão sendo utilizados como massa de manobra para defender interesses de uma outra classe.

De fevereiro a outubro as massas foram pacientemente ensinadas e organizadas pelos bolcheviques, acompanhando-as no processo de desilusão com os mencheviques. Chegado Outubro, as condições rapidamente evoluíram e os bolcheviques puderam assumir a liderança na tomada final do poder, com a consigna: Todo o poder aos conselhos de operários e camponeses (sovietes). Esta consigna teria sido impossível se estes conselhos não existissem o que só aconteceu pela atuação dos bolcheviques junto às massas revoltadas.

Com suas particularidades, o mesmo se passou com a Revolução Chinesa. Mao Zedong e o Partido Comunista Chinês, souberam liderar os camponeses e trabalhadores ao longo de um longo processo, a maior parte do qual lutaram ombro a ombro com o Kuomitang, o partido da burguesia chinesa, contra a invasão japonesa. Derrotado o invasor e com a profunda desmoralização do Kuomitang pela corrupção de seus comandantes, Mao lidera os revolucionários rumo ao poder em Beijing.

Vivemos hoje no Brasil momentos em que se aprofundam as contradições sociais, onde setores da elite, associados ao poder judiciário e órgãos de imprensa, tentam colocar um fim no regime que nos últimos anos conseguiu dar algum alívio à miséria em que vive nosso povo. Para os golpistas tudo é válido nesta luta, e em sua escalada não respeitam sequer a Constituição vigente. (vide http://www.jornalggn.com.br/blog/jose-muladeiro/a-legalidade-foi-rompida-viva-a-insurreicao-popular)

De um lado multidões de sadios filhos da elite procurando defender o pouco que perderam até agora, de outro lado, multidões de pobres assalariados procurando defender o muito que ganharam. No meio da disputa inserem-se interesses internacionais que veem a oportunidade de se apoderarem de vastas riquezas nacionais como as jazidas de petróleo.

E em todas estas lutas, onde estão os verdadeiramente revolucionários, aqueles interessados em promover mudanças profundas em nossa sociedade? Eles se conformam em se manter às margens do processo, na infantil política de proclamar sua pureza ideológica. Nesta prática inútil eles imobilizam setores populares importantes, acabando por prestar um serviço à elite nacional e internacional.

Mas, penso eu, ainda há tempo para corrigir os rumos da História. Faça como na canção: Todo revolucionário, o arquiteto da nova ordem social, tem de estar onde o povo está.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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