
Dilma Rousseff comemorou o nascimento do filho no Facebook. Postei lá meu comentário:
“Desculpe-me Dilma, mas não posso aplaudi-la. Não neste momento em que filhos de índios são degolados enquanto mamam nas mães. Não neste momento em que fascistas dizem que quebrarão a perna da sua netinho Gabriel. Não neste momento em que as PMs matam os filhos de paulistas pobres sob os aplausos dos tucanos que fazem selfies com os assassinos na paulista. Não… neste momento eu só posso lamentar o nascimento de outro brasileiro. Tenho 51 anos, aos 3 minha casa foi invadida a chutes várias vezes pelos marginais da Ditadura. Os mesmos que ainda sou obrigado a sustentar com impostos federais e estaduais. Os mesmos que ameaçam suas vítimas utilizando a internet. Os mesmos que seguem impunes e que agora conseguem milhares de adeptos nas ruas brasileiras. Meu pai, coitado, cometeu o erro de ter filhos. Este erro eu não cometi. Netos não terei. E lamento o fato de você ter tido mais um.” https://www.facebook.com/SiteDilmaRousseff/photos/a.351365628250368.87876.351338968253034/1045796168807307/?type=3&theater
Só depois me ocorreu algo ainda mais irônico. Grande terror causou aos colonos portugueses o hábito que tinham os tupinambás, tupis, carijós e outros indígenas de Pindorama de trinchar, moquear e devorar a carne dos inimigos em banquetes rituais. Não sem consumir grandes quantidades de cauim
Cinco séculos depois, banida no território nacional, a antropofagia seria finalmente se tornaria objeto do primeiro grande estudo sociológico feito no Brasil por um brasileiro. O livro “A Função Social da Guerra na Sociedade Tupinambá”, de Florestan Fernandes, foi publicado 23 anos depois que Oswald de Andrade lançou seu Manifesto Antropofágico defendendo a renovação da nossa literatura mediante a deglutição de influências externas e internas.
O medo ancestral da antropofagia, porém, nunca deixou de ser cultuado. Desde que chegou ao Brasil o comunismo foi execrado pela elite brasileira, que rapidamente o associou ao canibalismo. O resultado desta associação foi a perseguição ao temido “comunista comedor de criancinhas” realizada pelos tentáculos repressivos da Ditadura Militar. Meu pai, nascido em 1928, foi um destes temidos antropófagos de esquerda muito embora tenha morrido sem ter provado a carne de uma criança sequer.
A roda da história girou. Agora os devoradores de homens são os capitalistas que trabalharam diariamente para regurgitar o fascismo verde-amarelo nas ruas brasileiras. Um deles ameaçou quebrar as perninhas do primeiro neto de Dilma Rousseff. O segundo neto dela, nascido há alguns dias, corre sério risco de ser devorado pelos membros da tribo tucana, antropófagos de terno e gravata que acreditam ter direito natural ao poder independentemente do resultado de eleições. Em algum momento futuro estes canibais capitalistas terão que ser combatidos pelo braço forte do Estado.
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