
Quer conhecer o caráter de um homem? Dê-lhe poder.
Eduardo Cunha, na posição de presidente da Câmara dos Deputados, eleito pelo baixo clero com apoio da oposição unificada pelo inconformismo de PSDB, DEM e PPS, comporta-se como ditador e atropelador da República, assumindo-se justiceiro e vingador. Demagogicamente, carrega a bandeira do moralismo (falso, hipócrita) numa mão e, na outra, a lança com a qual promete destituir o governo e ‘destruir a raça do PT’ (idealismo, voluntarismo).
Com base em anunciados resultados de “pesquisas de opinião pública”, assume-se como uma legião que transporta a vontade maioritária do povo. Só que o número do papel divulgado pelos institutos tem sido, reiterada e progressivamente, negado pelo volume das massas que comparecem à rua marchando no sentido inverso das decisões que a maioria da Câmara tem empurrado, a golpe de força e de astúcias de seu presidente, goela abaixo da minoria parlamentar.
A arrogância, o autoritarismo, a fraqueza de caráter e o oportunismo rastaquera que o impulsionam levaram Eduardo Cunha (e sua tropa) a condição de vilão nº 1 da República: o cavalheiro do cavalo vermelho da democracia, uma verdadeira máquina individual de destruir consensos.
O demagogo Eduardo Cunha apresentou-se, assim, como alternativa ao lulo-dilma-petismo: o líder poderoso e autoritário que ‘tratora’ adversários, ignora a Constituição e as leis, subverte e anula o Regimento da Casa e vai impondo os (des)valores da velha política dos coronéis: a lei aqui sou eu! A única decisão aceitável será aquela que expressar a minha vontade.
Neste quadro, o demagogo não apenas ameaçou a presidenta do País de arrancá-la do cargo a que foi eleita por mais de 54 milhões de eleitores, mas, também, meteu a mesma faca no pescoço de todos os brasileiros democratas, que consideram indispensável desenvolver seus negócios e experimentar a sua vida dentro do ambiente de um Estado Democrático de Direito, submetido igualitariamente ao império da Lei e não à vontade arbitrária dos homens.
É a questão central que define a necessidade social de segurança jurídica, sem a qual não pode haver construção de expectativas, portanto de se fazer planejamento para a atualização e sustentabilidade do futuro do País.
O Poder Judiciário cumpre a função jurisdicional com o objetivo de reduzir, ao máximo possível, o problema dos riscos que interferem como complexidade na quebra das expectativas já previamente organizadas e reguladas. Essa função não pode ser suprimida por nenhum poder social, que não seja o revolucionário, e assim mesmo, este não a suprime; quando muito, suspende ou transfere temporariamente o seu exercício.
Essa, a essência do conflito que foi levado ao conhecimento e decidibilidade do STF: Eduardo Cunha, prenhado de poder voluntarista, estava submetendo a hermenêutica da lei à leitura astuciosa – pautado por seus caprichos pessoais -, como forma de alcançar objetivos políticos e vantagens pessoais, ora manipulando o funcionamento das instituições, ora chantageando as pessoas escolhidas para exercer decisões sobre a lisura de seu comportamento como deputado e como presidente da Câmara. Portanto, incomodamente aético.
Por muito menos (meras cogitações desprovidas de seriedade), um senador da República teve decretada a sua prisão em flagrante.
O fato é que o STF resolveu adequadamente o problema que o empoderamento de Cunha estava causando às instituições legislativas, executivas e jurisdicionais, aos mercados e à sociedade civil organizada, que se levantou no modo, a tempo e a hora oportuna para influenciar nos rumos dos acontecimentos.
A crítica que os partidários de Cunha fazem é porque o voto vogal vencedor propôs encaminhamento de resposta diferente daquele feito pelo relator, que conservava o sistema de governança arbitrária exercido autoritariamente na Câmara, como forma de fazer avançar a ameaça do impeachment. Os fatos demonstram que essa resposta não tem o apoio da maioria dos atores políticos da sociedade civil organizada.
O ministro Luis Roberto Barroso demonstrou, com argumento convincente e técnica jurídica apurada, que a resposta de manutenção do sistema arbitrário não convinha ao Estado Democrático de Direito e nem à sociedade a que ele organiza.
O fundamento de sua proposta de solução para o problema – que é fático, real e concreto, enquanto percebido como conflito de interesses – foi exatamente a necessidade de o STF garantir a Segurança Jurídica do Estado e da Sociedade, tanto para a fluência das relações econômico-financeiras dos mercados, quanto para a experimentação da vida social e cultural na dimensão de sua pluralidade e diversidade.
Foi claramente esse o sentido da decisão proferida no acórdão do colegiado daquele Supremo Tribunal. Acórdão quer dizer acordo, consenso de manifestação de vontade, pelo qual a maioria adere aos fundamentos de uma resposta jurídica, julgando-a adequada à solução do problema que é apresentado à turma julgadora como caso que transporta carga conflituosa.
Não adianta, depois da decisão, ficar procurando firulas nos vídeos que exibem o desenrolar dos debates, principalmente, quando a coerência do discurso do voto é interrompida por narrativas de terceiros, fazendo com que o assunto sofra interseção, desembocando em breves e inacabadas divagações paralelas ao eixo das proposições que interessam à argumentação jurídica.
O Tribunal decide. A decisão está compreendida no acórdão. Este afirma sua existência por meio de sua fundamentação fático-jurídica e de seu dispositivo de resposta ao caso concreto. Só nos limites formais desse ato normativo, configurado por protocolo técnico, será lícito fazer crítica consequente e séria e, mesmo assim, somente depois de publicado oficialmente o ato – porque sujeito a revisões técnicas antes disso.
A decisão é para ser cumprida. As regras e normas de cumprimento podem ser avaliadas e criticadas: em primeiro lugar, quanto ao valor técnico-jurídico do conteúdo da solução proposta ao critério da subsunção ao ordenamento jurídico. Depois, é de se investigar e criticar o valor administrativo da execução da resposta (circunstância que, provavelmente, tenha motivado a ida de Eduardo Cunha ao gabinete da Presidente da Corte, porém, prematuramente).
Finalmente, a decisão de um Tribunal deve tributo aos valores históricos das escolhas de seus membros ancestrais, decisões que funcionam como referências paradigmáticas que interferem na formação das expectativas dos agentes econômicos, políticos e sócio-culturais.
Não há dúvida. É o comportamento irracional e ressentido no estamento político, ampliado pela Mídia familiar, que está atuando como causa ou fator principal de instabilização das relações econômicas e sócio-culturais, prejudicando seriamente as tomadas de decisões empresariais e, pois, a economia nacional. Nesse sentido, o STF trabalhou o caso do impeachment Cunha-Dilma com o máximo de rapidez e diligência para cumprir a função de contrapeso.
Respondeu com segurança jurídica de fundamento jurídico-administrativo-histórico. Essa é a função social necessária do Direito para a conservação e o desenvolvimento da vida em sociedade.
Neste momento da história parece que a insanidade resolveu tomar de assalto o protagonismo midiático. Aumenta a dimensão do papel político-social da função jurisdicional. Essa missão só pode ser cumprida se exercida com foco na verdade factual, na coragem pessoal e independência institucional. Portanto, acima e ao largo deste perigoso e irresponsável Fla-Flu que assola o País.
O poderoso voto de Luis Roberto Barroso honra a jurisdição brasileira.
maria rodrigues
5 de janeiro de 2016 10:42 amOs tucanos e seus dependnetes
Os tucanos e seus dependnetes parasitários, como parlamentares do DEM, cansam de dizer que o povo nas ruas quer a saída de Dilma. Vimos não ser bem assim, após a manifestação em favor de Dilma. Por outro lado, duvido que haja alguém, com um mínimo de informação capaz de achar algum traço de moral na figura de Eduardo Cunha. Este, sim, já não tem mais fõlego pra nada. Já estaria de há muito fora do seu cargo se não tivesse encontrado nesses opositores fracassados, que não compreenderam até hoje a derrota nas urnas, os mimos, e, quem sabe, um dinheirinho para se manterem ao lado de um ser tão vil. O mais incrível é a não-atuação da PGR e do STF nessa questão, visto que sa saída de Cunha da cena política seria, certamente, um bem maior para que Dilma pudesse governar, e para que o Brasil pudesse sair desse caos desconfortável, muito mais político do que econômico, e tudo pela presença de um câncer em estágio avançado.
antonio francisco
5 de janeiro de 2016 11:06 amPorém, o império do mal contra-ataca
Foi rápido: logo em seguida ao voto de Barroso, um site publicou documentos com negócios de off-shore feitos pela esposa dele,
http://vetorm.com/?p=558
a qual também, segundo o site, assina manifesto pró-impeachment de Dilma;
http://vetorm.com/?p=576
e na sequência menciona negócios do governo com o pai do ministro:
http://vetorm.com/?p=583
Se Gilmar Mendes estivesse do lado de Dilma, o site Vetor iria ter uma trabalheira danada, não é mesmo??
Flavio Dias Gonçalves
5 de janeiro de 2016 5:20 pmComprar imóvel nos EUA é
Comprar imóvel nos EUA é chique, segundo os ministros do STF, o Joaquim Barbosa que o diga, né ?!?
http://www.ocafezinho.com/2013/07/22/jb-ganhou-um-apartamento-de-presente/
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/109166/Barbosa-compra-ap%C3%AA-de-R$-1-mi-em-Miami-e-foge-do-Le%C3%A3o.htm
O registro foi feito com o nome de solteira. Será que o casamento é só de fachada (como muitos na alta sociedade) e a senhora Tereza Cristina Van Brussel que também é administradora de outros negócios pensa em seguir carreira solo ?
Só o tempo dirá, né Antonio Francisco ?!?
Aliás, sobre as duas outras emrpesas do Barroso no Brasil, você poderia tirar as suas dúvidas com o Ministro Gilmar Dantas, pois ele tem várias empresas dessas:
http://www.cartacapital.com.br/economia/gilmar-o-idp-e-o-tribunal-de-justica-da-bahia-3103.html
https://jornalggn.com.br/noticia/as-atividades-comerciais-do-idp-e-a-justica-que-nao-quer-ver
Aliás, Feliz Ano Novo ao Ministro Gilmar Dantas e sua família, 2016 será um ótimo ano para o Brasil, porém o nobre ministro poderia se declarar impedido de autar na ações patrocinadas pelo escritório no qual a sua esposa trabalha, né ?!?
http://www.conversaafiada.com.br/politica/2013/04/17/gilmar-e-bermudes-2-vezes-por-dia
http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/98670/Bermudes-ao-247-Pago-do-meu-bolso-a-festa-do-Fux.htm
Mas como diz o “incólume” juiz do Paraná: “Essas coisas sobre o Gilmar…não veem ao caso”
Cesario
5 de janeiro de 2016 11:15 amDuplo corte
Este pensamento de Abraham Lincoln pode ser aplicado indistintamente aos políticos tanto da situação como os de oposição. E nem o judiciário permanece incólume do isolamento, da arrogância, do endeusamento dos que foram eleitos ou investidos para servirem aos outros, mas a si mesmo se servem.
Cesario
5 de janeiro de 2016 11:15 amDuplo corte
Este pensamento de Abraham Lincoln pode ser aplicado indistintamente aos políticos tanto da situação como os de oposição. E nem o judiciário permanece incólume do isolamento, da arrogância, do endeusamento dos que foram eleitos ou investidos para servirem aos outros, mas a si mesmo se servem.
Emma
5 de janeiro de 2016 12:25 pmAdmiração
Nesse momento em que, a cada dia me decepciono com alguém, sinto até medo de ter admiração pelo ministro Barroso. Mas tenho. Pelo jeito claro, inteligente, humano e corajoso de expor sua opinião/votos.
Luiza
5 de janeiro de 2016 4:11 pmNo stf Abunda justiça, né messmo…?
Tenho que concordar com voce em 2 coisas: 1) humanidade – dar proteçao e externar lealdade é uma forma de humanidade, nao? e isso Barroso provou ter quando engavetou e depois enterrou a Operaçao Castelo de Areia para livrar a cara dos amigos tucanos de Sao Paulo que foram pegos com a mao no cofre e livrar, também, a cara do Marcio Thomas Bastos que foi pego na mesma Operaçao com remessa ilegal enviada para o exterior… 2) coragem – é verdade, engavetar e depois enterrar uma Operaçao que provava desvio de dinheiro público na cara dura precisa, além de cara de pau, muita coragem. Mas isso isso ele provou ter de sobra, aliás, essas duas virtudes abundam no judiciário brasileiro , né nao??
Emma
5 de janeiro de 2016 7:27 pmPois então…
Se desconstruiram até Ghandi e Madre Teresa de Calcutá, quem mais não hão de …
Gilson AS
5 de janeiro de 2016 1:12 pmAlém do poder, dê-lhe também
Além do poder, dê-lhe também dinheiro.
Diante de um bem material e outro imaterial, o homem tem que ser muito seguro de si, para não ter alteração de personalidade.
Sinceramente, acredito que poucos homens conseguem tal façanha.
No fundo, sempre há uma pontinha de soberba, muitas das vezes não externada.
altamiro souza
5 de janeiro de 2016 2:00 pmpoder e dinheiro, muitas
poder e dinheiro, muitas loucuras políticas e tresloucados
gestos que indicam que tem culpa no cartório,
mereciam gestos firmes do mpf e das instituições,
principalmente o congresso,
se quiserem manter o estado democráticode direito funcionando regularmente
Luiza
5 de janeiro de 2016 3:29 pmNão se enganem. Barroso gosta de gaveta, pá e cal.
Nao dá prá fazer só merda na corte, nao é? Além de pegar mal, limpar um pouco a barra faz parte da bagaça, acho..
Lembram-se da Operaçao Castelo de Areia. Entao, Barroso nao só foi o que engavetou esta Operaçao como foi ele que, ao final, deu o tiro de misericórdia. Nao atoa. Enterrar a Castelo de Areia livrou a cara dos tucanos paulistas e a cara do Márcio Thomaz Bastos, um dos apanhados na Operação, com remessa ilegal para o exterior.
http://www.conversaafiada.com.br/economia/2014/12/07/castelo-de-areia-barroso-esvazia-a-lava-jato
“Ela pega os tucanos gordos com a boca no cofre.Foi a operçao desnudou a ligação orgânica, estrutural de empreiteiras – Camargo Correia com os tucanos de São Paulo. Realizada em 2009, a Castelo desarticulou o esquema de desvios em obras e pagamentos de propina a agentes públicos capitaneado pela Camargo Corrêa. Em 2010, uma liminar no STJ do Ministro César Asfor Rocha atendeu a demanda do advogado Márcio Thomaz Bastos, que, como se sabe, foi um dos apanhados na Operação, com remessa ilegal para o exterior… (Bastos, como se sabe, nomeou vários ministros do Supremo, na era trabalhista. Sem comentários …) A Castelo de Areia descreve as atividades do doleiro da OAS, Kurt Pickel. E deve muito ao trabalho provisoriamente frustrado da corajosa Procurador Karen Khan.
Ela e De Sanctis, com a investigação primorosa do delegado federal Otavio Rosso, chegaram ao coração do tucanato paulista: Robson Marinho, chefe da Casa Civil de Covas e herói do trensalão; e Paulo Vieira de Souza, que Cerra chama de Paulo Afro-descendente, “acusado de desviar dinheiro arrecadado para a campanha do tucano José Serra, em 2010”.
Na Castelo também se conhece a generosidade de Paulo Vieira de Souza, que emprestou R$ 300 mil ao Senador e candidato a vice-presidente Aloysio Nunes.
Tucano gordo é o que ali não falta.
Na reportagem “A Operação das Operações”[a Castelo de Areia] o repórter Fabio Serapião da Carta Capita concluiu: “Ao sair do limbo, as provas (em mãos do Ministro Barroso) comprovariam que a novidade não é a existência de um cartel de empreiteiras a atuar em todos os níveis de poder, mas o compromisso do Judiciário em punir os envolvidos em desvios de dinheiro publico.”
Pessoalmente, acho que está tudo muito claro. Esse sujeito age de acordo com a ocasiao, igual o Fux(o que deu fim na Satiagraha) O judiciário quer é mais só que nao dá prá fazer titica o tempo todo, pega mal, aí dao umas dentro..
joao
6 de janeiro de 2016 2:38 amPosso me enganar e a verdade!
Primeiro nao sou defensor do Barroso e sabedor de suas origens de Vassouras!
Mas nao podemos temer e nem deixar escapar a verdade: A operacao ja tinha sido enterrada pelo tribunal e era um apelo para reabertura do caso. Portanto o cal e a terra jaz continha os mortos. A operacao foi anulada por grampos ilegais este eh um ponto e o contra ponto que a operacao da epoca nao contava com orientacao na lei, eram policiais que tomaram a investigacao por si, caso que do Moro um juiz no lava jato e o STF constantemente consultado para a legalidade do processo. Outro ponto muito importante vou sublinhar no final da reportagem. O Policial e o carrasco! Lembrete: Carrasco, algoz, executor ou verdugo são nomes dados ao funcionário diretamente encarregado da execução de uma sentença de pena de morte
Barroso nega recurso e mantém decisão do STJ que anulou castelo de areia
Por Tadeu Rover
ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, negou dois recursos do Ministério Público Federal que buscavam reabrir a discussão sobre a legalidade das provas obtidas na operação castelo de areia, anuladas pelo Superior Tribunal de Justiça. De acordo com Barroso, além dos obstáculos processuais que impedem a análise do Recurso Extraordinário, o recurso não seria provido pois a decisão do STJ está alinhada com a jurisprudência do STF.
Nelson Jr./SCO/STF
“Não seria possível dar provimento a este recurso extraordinário. De fato, é pacífica a jurisprudência Corte, no sentido de que é permitida a ‘deflagração da persecução penal pela chamada denúncia anônima, desde que esta seja seguida de diligências realizadas para averiguar os fatos nela noticiados’”, afirmou em seu voto citando diversos precedentes.
Deflagrada em 2009, a operação castelo de areia investigou a construtora Camargo Corrêa por acusações de crimes financeiros. No mesmo ano, o juiz Fausto Martin de Sanctis acolheu parte da denúncia do Ministério Público contra três executivos da empreiteira. Entretanto, em 2011, o Superior Tribunal de Justiça declarou ilegais as interceptações telefônicas. Segundo o STJ, denúncias anônimas não poderiam servir de base exclusiva para que a Justiça autorizasse a quebra de sigilo de dados de qualquer espécie.
O Ministério Público recorreu da decisão, mas o Recurso Extraordinário não foi admitido pelo ministro Félix Fischer por falta de prequestionamento da matéria constitucional discutida. Inconformado, o MPF interpôs agravo no Supremo Tribunal Federal. Ao analisar o caso, o ministro Luís Roberto Barroso negou o Recurso Extraordinário com Agravo.
O ministro justificou sua decisão afirmando que a análise do recurso encontra óbice nas súmulas 279 (impossibilidade de reexame de prova), 282 e 356 (ausência de prequestionamento). Além disso, o ministro registrou que, ainda que não houvesse nenhum obstáculo, a decisão do STJ está de acordo com a jurisprudência do STF e por isso não poderia ser admitido.
“A 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, por acórdão da lavra da ministra Maria Theresa de Assis Moura, determinou a anulação do recebimento da denúncia, com base (a) na análise dos fatos e das provas, concluindo ter o procedimento criminal se baseado exclusivamente em denúncia anônima; e (b) na interpretação do direito infraconstitucional — considerando ter havido ilegalidade na quebra do sigilo telefônico. Sua conclusão, ademais, é alinhada com a jurisprudência do STF na matéria. O vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Félix Fischer, por sua vez, não admitiu o recurso extraordinário, por não ter sido prequestionada a matéria constitucional nele discutida”, explicou.
Ações anuladas
Esta não é a primeira ação anulada devido às ilegalidades durante as investigações. Pelo mesmo motivo que foi derrubada a castelo de areia — escutas baseadas exclusivamente em denúncias anônimas — o STJ derrubou a operação suíça em 2013.
A mais famosa anulada pelo STJ é a operação satiagraha. Nesse caso o delegado responsável pelas investigações convocou, de maneira secreta e ilegal, agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para ajudar nas interceptações telefônicas. Hoje, o Supremo Tribunal Federal investiga se a operação não foi financiada por empresas privadas. Também foram derrubadas, entre outras, as investigações das operações
-http://www.conjur.com.br/2015-fev-19/ministro-barroso-mantem-decisao-stj-anulou-castelo-areia
Ramalho12
5 de janeiro de 2016 4:39 pmPara conhecer um pouco de FHC

Pedro Maciel
Advogado, sócio da Maciel Neto Advocacia, autor de “Reflexões sobre o estudo do Direito”, Ed. Komedi, 2007
FHC: espião, criador de mitos e paraninfo dos golpistas
Em entrevista ao programa Manhattan Connection o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a defender o afastamento da presidente Dilma Rousseff. Ele foi ofensivo e irônico, atitudes que o tornam seguramente o paraninfo do movimento golpista. FHC tem defendido o “vale tudo lacerdista” para derrubar Dilma: “renúncia, retomada da liderança presidencial em novas bases ou, sendo inevitável, impeachment ou nulidade das eleições”.
Mas afinal, quem é FHC?
Bem, o Jornalista Sebastião Nery afirmou que FHC foi cooptado pela CIA e que tornou-se, financiado pela agência de informação dos EUA, um “propagandista” do american way of life, uma espécie de espião de segunda classe.
Não é exatamente um segredo que após a 2ª. Guerra Mundial a CIA passou a financiar artistas e intelectuais de centro e de esquerda, num esforço de cooptação para afastar esses intelectuais do comunismo e aproximá-los do citado American way of life. Quem afirmou foi Frances Stonor Sauders, no seu livro “Quem pagou a conta? A CIA na Guerra fria da Cultura” [1]. Fernando Henrique Cardoso, dentre outros, corrompeu-se e vendeu-se à CIA por um punhado de dólares?
Noutro livro chamado “Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível[2]“, da jornalista francesa Brigitte Hersant Leoni há a seguinte narração: “Numa noite de inverno do ano de 1969, nos escritórios da Fundação Ford, no Rio, Fernando Henrique teve uma conversa com Peter Bell, o representante da Fundação Ford no Brasil. Peter Bell se entusiasma e lhe oferece uma ajuda financeira de 145 mil dólares. Nasce o CEBRAP”.
Esta história está contada na página 154 do citado livro de Brigitte Hersant e somada à densa pesquisa da pesquisadora inglesa Frances Stonor Saunders nos revela que possivelmente o Brasil tenha sido governado por oito anos por um intelectual corrupto, cooptado pela CIA em fevereiro de 1.969, e quem “pagava a conta” de Fernando Henrique e do seu CEBRAP era a CIA, através da Fundação Ford.
E não se pode esquecer que em dezembro de 1968 a ditadura lançou o AI-5 e jogou o Brasil no máximo do terror do golpe de 64, desde o início financiado, comandado e sustentado pelos interesses dos Estados Unidos. FHC poderia explicar esse paradoxo?
E enquanto centenas de cassações e suspensões de direitos políticos estavam em curso, com prisões lotadas, Fernando Henrique recebeu da poderosa Fundação Ford a primeira parcela de 145 mil dólares para fundar o CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) de um total de quase 1 milhão de dólares à época.
O jornalista Sebastião Nery afirmou que “Os americanos não estavam jogando dinheiro pela janela. Fernando Henrique já tinha serviços prestados. Eles sabiam em quem estavam aplicando sua grana. Com o economista chileno Faletto, Fernando Henrique havia acabado de lançar o livro “Dependência e desenvolvimento na América Latina”, no qual FHC e Faletto defendem a tese de que países em desenvolvimento ou mais atrasados devem para desenvolver-se manterem-se dependentes, ou alinhados, aos países mais ricos. Como os Estados Unidos.
FHC, cheio da grana, fruto da venda de sua alma, logo se tornou uma “personalidade internacional” e passou a dar “aulas” e fazer “conferências” em universidades norte-americanas e européias. Era “um homem da Fundação Ford”, ou melhor, da CIA.
Esse senhor foi Presidente do Brasil: um intelectual corrupto.
Mas não é só. Amigo de FHC, Theotônio Costa, em artigo denominado “Carta Aberta a Fernando Henrique Cardoso” afirmou que FHC foi um fracasso como presidente em todas as áreas de seu governo. O artigo trouxe à reflexão argumentos que me parecem bastante razoáveis e oferece interessantes elementos de reflexão. Ele afirma que FHC é pura ficção, se não fosse não teria saído do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixou o seu governo com 96% de aprovação. E diz também que o “sucesso do período FHC” é puro mito, recriação da história, muito eloqüente, mas sem substância, portanto na realidade um enorme fracasso.
Foram criados mitos em torno dos chamados êxitos do governo tucano, os quais na verdade, segundo ele, tentam esconder que as premissas teóricas em que baseou a ação política eram equivocadas e contrárias aos interesses nacionais, tanto da população mais carente, quanto aos interesses do setor produtivo.
O primeiro mito: “o governo FHC foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos de FHC”, isso é uma grande mentira, pois os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%, mas a partir de 1994, todas as economias do mundo apresentaram uma queda da inflação para menos de 10%.”.
Segundo o Professor Theotônio também é mentira que a política econômica de FHC teria assegurado a transformação do real numa moeda forte, pois em 1994 o real começou valendo R$ 0,85 por dólar e manteve um valor falso até 1998, mas quando foi flexibilizado o câmbio chegou rapidamente a R$ 4,00 por dólar, muito antes da chamada “ameaça petista”, pois tal desvalorização ocorreu muito antes da consolidação da vitória de Lula. Por isso é uma mentira deslavada afirmar que uma moeda que se desvaloriza 4 vezes em 8 anos pode ser considerada uma moeda forte. E conclui afirmando que o plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o governo FHC.
Outro mito diz respeito ao governo FHC ser um “exemplo de rigor fiscal”. Outra mentira, pois como um governo que elevou a dívida pública do Brasil de 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares oito anos depois, pode ser um exemplo de rigor fiscal? Se isso é verdade de fato me parece que houve um significativo descontrole fiscal, próximo ao caos.
Mais um mito criado por FHC diz respeito à causa da dificuldade do Brasil pagar sua dívida externa, que seria, segundo o ex-presidente, decorrente da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo de Lula; outra mentira, pois já em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido todas as suas divisas, obrigando a nação a curvar-se frente aos EUA e ao FMI.
FHC também fracassou na tentativa de aumentar as exportações do país para gerar divisas e pagar esta dívida, mas a recusa dos seus neoliberais em promover uma política industrial na qual o Estado apoiasse e orientasse nossas exportações, geraram um endividamento interno colossal.
Outro aspecto diz respeito a inexistência de investimentos públicos durante o governo FHC, apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras.
O governo FHC foi um fracasso e uma ameaça ao Brasil, o verdadeiro caos foi FHC, foi a política econômica fracassada defendida ainda hoje pelos tucanos.
Portanto, em sendo um corrupto ou espião de segunda classe, um “fracasso econômico rotundo” e agora o “paraninfo do golpe” só nos resta propor: por que não se cala FHC?
Pedro Benedito Maciel Neto, 51, advogado, sócio da MACIEL NETO ADVOCACIA, autor de “Reflexões sobre o estudo do Direito”, Ed. Komedi, 2007.
[1] Editora Record
[2] Editora Nova Fronteira, Rio, 1997, tradução de Dora Rocha
Luiza
5 de janeiro de 2016 5:05 pmQuem é Marina Silva ?
O comentarista Ramalho12 deu excelente idéia. Vamos conhecer melhor o caráter de certas figuras políticas.
Publicado em 03/10/2014 – http://www.brasildefato.com.br/node/30050
Marina Silva: É possível servir a dois senhores?
Por Theotonio Dos Santos
“Creio que deve saber que ninguém chega à disputa do poder político principal de um país como o Brasil sendo um simples “coitado (a)” e que tem atrás dele poderosos interesses políticos, sociais e – sobretudo – econômicos.”
É lamentável ser obrigado a colocar em evidência o que já deveria ser sabido há muito tempo mas que é sempre ocultado pelos meios de comunicação mais importantes. Em geral se desconhece no Brasil os mecanismos pelos quais o governo dos Estados Unidos e os grupos de interesse organizados a partir daquele pais interveem ativamente na vida política do nosso pais.
Isto é normal, pois a função de centro hegemônico do sistema mundial que este país ostenta o leva a desenvolver mecanismos de intervenção diversificados que atuam sobre vários setores da vida econômica, politica, social e cultural. Veja-se o bombardeio sobre os povos do Oriente Médio neste momento.
Entre estes mecanismos é pouco conhecida a criação de instituições voltadas para a formação e filiação de quadros políticos que se subordinam aos objetivos estratégicos colocados por estas entidades. Trata-se claramente do estabelecimento de um time de ponta a serviço dos poderosos interesses dos capitais nacionais e transnacionais que buscam operar cada vez mais com princípios e objetivos comuns. Uma destas instituições extremamente influente nas Américas é o Diálogo Interamericano, fundado em 1982.
Segundo seu site, ele é “ o principal centro dos EUA de análise politica, intercâmbio e comunicação sobre assuntos do Hemisfério Ocidental” Quem compôem este diálogo? Responde o website: “Os seletos membros do Diálogo são 100 (destaque meu) cidadãos ilustres de todo o continente americano, incluindo politicos, empresários, acadêmicos, jornalistas e outros líderes não-governamentais.
Dos (100!!!, outra nota minha) membros do Diálogo dezesseis (16) serviram como presidentes de seus países e mais de três dezenas (30) serviram ao nível ministerial.” Há bastante clareza de que estes membros seletos estão articulados com outras redes e atividades que são financiadas por “indivíduos, empresas, governos e fundações que ajudam a apoiar seus programas e fornecer receita operacional essencial”.
Gostaria de assinalar que estas empresas são um grupo de 108 corporações trans-nacionais que estão na lista das 500 maiores empresas do mundo. Também encontramos uma lista de 21 organizações governamentais e não governamentais e 11 fundações. Os leitores interessados nestes “detalhes” dispõem desta lista no site do Diálogo Interamericano. Estes poderosos senhores são membros do 1% de cidadãos do mundo que são proprietários de 47% da riqueza mundial, segundo o Banco Suisso, num excelente estudo recente sobre o tema.
Pois bem, quem são os proeminentes 100 cidadãos do mundo que formam esta “bem intencionada” rede que atrai os recursos destas pontas da “elite” econômica e política mundial. Não nos cabe apresentar em detalhe esta rede aqui, mas podemos perguntar-nos: como farão para compatibilizar eticamente sua militância em organizações politicas nos seus países e sua fidelidade a uma organização com uma clara ambição de exercer um poder mundial a serviço de seus membros financiadores.
Dada nossa preocupação com o processo eleitoral presente no Brasil neste momento, reservamos a apresentar a lista dos membros brasileiros da Aliança Inter americana, segundo a lista oferecida pelo seu website:
Membros Brasileiros:
Fernando Henrique Cardoso (Conselho de Administração – Presidente Emérito). Ex-presidente do Brasil.
Luiz Fernando Furlan. Presidente do Conselho da Fundação Amazônia Sustentável e ex-presidente do Conselho de Administração da Sadia – SA.
Marcos Jank (Conselho de Administração). Diretor Executivo Global de Assuntos Corporativos (responsável pelas áreas de relações governamentais, relações públicas, sustentabilidade e pelo Instituto BRF; responsável também pelos investimentos sociais da empresa) da BRF.
Ellen Gracie Northfleet. Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil.
Jacqueline Pitanguy. Coordenadora Executiva – CEPIA; Presidente do Conselho Diretor do Fundo Global para Mulher; Membro do Conselho Curador do Fundo Brasil de Direitos Humanos.
Marina Silva. Ex-senadora e Ministra do Meio Ambiente do Brasil.
Roberto Teixeira da Costa. ex-Membro da Diretoria da BNDESPAR.
Jorge Viana.Senator, Partido dos Trabalhadores.
Henrique Campos Meirelles (em licença). Presidente do Banco Lazard Americas.
A presença da candidata a Presidente Marina Silva nesta lista tão seleta pode parecer um arranjo de última hora para influenciar as eleições. Não. A senhora Marina Silva é fundadora desta organização que conta com o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso como presidente emérito. Ele foi presidente desta organização em representação da América Latina enquanto Sol Linowitz (Importante assessor da família Rockfeller) representava os EUA. Nenhuma desta coisas e muitas outras foram divulgadas na imprensa brasileira que noticia tão amplamente as atividades dos cidadãos aqui citados. Isto se deve ao caráter secreto ou reservado destas ações? Creio que os cidadãos brasileiros têm o direito de ter acesso a este tipo de informação.
Creio que deve saber que ninguém chega à disputa do poder político principal de um país como o Brasil sendo um simples “coitado (a)” e que tem atrás dele poderosos interesses políticos, sociais e – sobretudo – econômicos. E está claro que estes interesses são exclusivos da classe dominante do mundo contemporâneo e se algum trabalhador quer votar nestas pessoas ele precisa saber que está traindo os interesses e as necessidades de sua classe de origem.
Mas talvez o leitor prefira escutar a voz do porta voz da Aliança Inter–Americana recém publicado no Latin Post de 18 de Setembro, citando um telegrama da Associated Press:: ”If she wins, Silva will be the country’s first black (sic) president, AP reports.
“If elected, she has such a remarkable personal story that she’d come to the presidency with a lot of legitimacy, tremendous excitement and high expectations, Michael Shifter, president of the Washington-based Inter-American Dialogue, said.”
“Se ela ganha, Silva (Marina) será o primeiro negro (sic sobre a origem étnica de Marina) presidente, disse o informe da Associated Press. Se ela for eleita , ela tem uma história pessoal tão marcante que ela levará para a presidência uma grande quantidade de legitimação, uma excitação tremenda e altas expectativas, disse o presidente do Diálogo Inter americano.” O atual presidente da Aliança Interamericana e as centenas de grupos econômicos que a financia, não conseguem ocultar seu entusiasmo.
É POSSÍVEL SERVIR A DOIS SENHORES?
É possível servir a dois senhores? A resposta de Jesus Cristo ao provocador foi muito hábil mas definitiva: “ A César o que é de César, a Deus o que é de Deus.” O cristianismo foi a religião dos escravos e dos explorados pelo Império Romano. O Império Romano esclareceu a opção do Império Romano com a condenação e a execução de Jesus Cristo… No final daquela Era, os cristãos derrotaram o Império Romano e instituir o Império Bizantino. Esta senhora já tem seu lado. Você vai ajudar seus amigos da elite colocá-la no governo para disporem deste poder a mais no mundo atual. Você vai ajudar a botá-los do poder?
Theotonio Dos Santos é professor visitante da UERJ, Professor Emérito da UFF, Premio Mundial de EconomistaMarxiano 2013 (WAPE), Presidente da Cátedra e Rede da UNESCO sobre Economia Global e Desenvolvimento Sustentável (REGGEN).