
Por Matê da Luz
A frase é antiga conhecida mas, ao meu ver, é absurdamente reforçada pelo anonimato.
“Lá vem a Matê falar mal da internet”.
Uhun, um pouco eu vou mesmo, sinto muito, opinião é sempre questão de ponto de vista e este é o meu.
Cresci numa família de gente opiniática. Meu pai sempre se posicionou contra a corrente, desmascarando histerias coletivas com argumentos ao apresentar um outro lado da história que parecia tão óbvio quando esclarecido que fazia questionar os porquês da versão histérica ter ganhado força.
Tenho mania de observar padrões comportamentais por vocação e curiosidade. Ao separar o que estes casos onde normalmente há muito cacique pra pouco índio, alguns fatores me saltam aos olhos.
O anonimato é um deles.
Por mais interessado que um sujeito seja nos holofotes, é preciso validar-se para a manutenção da luz. Um factóide histérico, normalmente, é composto de tão pouca verdade que fica difícil de sustentar. O anonimato garante que o indivíduo se auto-realize momentaneamente sem se comprometer com verdade alguma, afinal, não é “o” – é “um”, e esta articulação faz toda a diferença. Inclusive no ciclo de necessidades do “um”, que se alimenta de atenção, aumentando e incendiando a própria fogueira ou pulando de uma pra outra pra não perder a chama. Um perigo!
Desqualificar o atacado também.
As críticas destrutivas são parte fundamental da estratégia, e aqui as situações costumam complicar-se ainda mais: vestidos com o anonimato, os apontadores se transformam em causadores e, hoje em dia, nem se preocupam em construir uma boa história. Saem difamando na velocidade da luz e com força visceral, que essa coisa não apurada é a cara da geração de hoje, informação online, você sabe, é melhor estar por dentro do que correto – e voilá! – reputações são destruídas rapidamente e sem embasamento algum.
Por fim, a noção de autoridade.
Existe um exercício que parece muito simples mas que, em processos terapêuticos, mostra-se bastante sofisticado. O indivíduo, enquanto amadurece, toma o respeito aos pais como básico e fundamental. Algumas pessoas – especialmente as de gerações anteriores – consideram “carregar o legado” como um dos símbolos máximos de respeito. Isso, naturalmente, cerceia a evolução natural, especialmente dos indivíduos mais sensíveis. Estes, por sua vez se sentem traindo os seus quando pensam em romper paradigmas e padrões e seguir mais livremente.
É um sofrimento intenso, porém composto por personagens e sensações possíveis, porque de fato existe a questão da autoridade materna/paterna e, durante a terapia, o indivíduo que sofre analisa as amarras que o impedem de literalmente cair da árvore, ou seja, amadurecer.
A noção de autoridade é o critério usado para determinar quem conhece mais sobre determinado assunto. Não quem conhece mais rápido, veja bem. Somada ao anonimato e exercício de desqualificação, está composta a tríade perfeita para a guerra do vou acabar com você só porque eu posso. São os especialistas de droga nenhuma mas que sabem um pouco de tudo e que, calorosos e enfáticos, nos distraem em boas escritas e argumentos vazios, quando não mentirosos.
Isso não é falar mal da internet, mas pedir que sejamos mais criteriosos com nossas fontes, com nossos compartilhamentos, com nossas opiniões. Vivemos, quase que infelizmente, num mundo onde tudo importa e tudo está tão pouco.
Fábio de Oliveira Ribeiro
17 de dezembro de 2015 9:57 amOK. Este texto não será
OK. Este texto não será compartilhado. Todos os demais do mesmo autor nem serão lidos.
altamiro souza
17 de dezembro de 2015 5:35 pmtem um antigo troll aqui nio
tem um antigo troll aqui nio blog que qualquer dia desses dirá que hitler era comunista…