Enviado por Gilberto Cruvinel
Da Revisa Serrote
Beatriz Resende faz neste vídeo uma breve análise de três fotografias de Lima Barreto, autor de parca iconografia, que exibem o escritor em diferentes momentos da vida.
Aqui e, com mais profundidade, no ensaio de mesmo título publicado na serrote #21, demonstra como a loucura e o rancor, atenuados ou apagados nas fotografias oficiais de Lima Barreto, interpelam a literatura e a História nas imagens finais de uma iconografia pessoal esparsa e perturbadora.
Beatriz Resende é ensaísta e pesquisadora de vasto espectro de interesses. Professora titular da Faculdade de Letras da UFRJ, é autora de Lima Barreto e o Rio de Janeiro em fragmentos (Autêntica, 2015), Apontamentos de crítica cultural (Aeroplano, 2000) e Contemporâneos – Expressões da literatura brasileira no século XXI (Casa da Palavra, 2008). Organizou, dentre outras, as coletâneas Cocaína, literatura e outros companheiros de viagem (Casa da Palavra, 2006) e Possibilidades da nova escrita literária no Brasil (Revan, 2014).
Herculano Neto
20 de novembro de 2015 11:24 amLima Barreto em idade mais velha, com ca. 33 a 41 anos de idade
Eu penso que a produção de Lima Barreto em seus anos de idade mais velha, em cerca de 1914 a 1922, com cerca de 33 a 41 anos de idade, é melhor do que sua produção de seus anos de idade menos avançada, e que sua produção é melhor tanto quanto mais velho ele era.
Saudações,
Herculano Neto.
Cláudio José
20 de novembro de 2015 1:09 pmO Brasil, precisa de mais
O Brasil, precisa de mais gente do bem, como Lima Barreto.
Odonir Oliveira
20 de novembro de 2015 2:35 pmClara dos Anjos- meu Lima Barreto preferido
Gosto muito de suas crônicas e contos suburbanos. Gosto mais quando coloca sua lente narrativa sobre o micro, do que quando insiste no macro. Mas mesmo aí, gosto dele.
Ah, as misérias humanas que tanto constroem castelos de fossos profundos, inalcançáveis, àqueles que devoram arte.
O pai de Clara dos Anjos, Joaquim dos Anjos
“O carteiro Joaquim dos Anjos não era homem de serestas e serenatas; mas gostava de violão e de modinhas. Ele mesmo tocava flauta, instrumento que já foi muito estimado em outras épocas, não o sendo atualmente como outrora. Os velhos do Rio de Janeiro, ainda hoje, se lembram do famoso Calado e das suas polcas, uma das quais — “Cruzes, minha prima!” — é uma lembrança emocionante para os cariocas que estão a roçar pelos setenta. De uns tempos a esta parte, porém, a flauta caiu de importância, e só um único flautista dos nossos dias conseguiu, por instantes, reabilitar o mavioso instrumento — delícia, que foi, dos nossos pais e avós. Quero falar do Patápio Silva. Com a morte dele a flauta voltou a ocupar um lugar secundário como instrumento musical, a que os doutores em música, quer executantes, quer os críticos eruditos, não dão nenhuma importância. Voltou a ser novamente plebeu.
Apesar disso, na sua simplicidade de nascimento, origem e condição, Joaquim dos Anjos acreditavase músico de certa ordem, pois, além de tocar flauta, compunha valsas, tangos e acompanhamentos de modinhas. Uma polca sua — “Siri sem unha” — e uma valsa — “Mágoas do coração” — tiveram algum sucesso, a ponto de vender ele a propriedade de cada uma, por cinquenta mil-réis, a uma casa de músicas e pianos da rua do Ouvidor.
O seu saber musical era fraco; adivinhava mais do que empregava noções teóricas que tivesse estudado. Aprendeu a “artinha” musical na terra do seu nascimento, nos arredores de Diamantina, em cujas festas de igreja a sua flauta brilhara, e era tido por muitos como o primeiro flautista do lugar. Embora gozando desta fama animadora, nunca quis ampliar os seus conhecimentos musicais. Ficara na “artinha” de Francisco Manuel, que sabia de cor; mas não saíra dela, para ir além. “
.( Clara dos Anjos, p. 57-60.)