4 de junho de 2026

1624 -2015: açúcar, petróleo, corrupção e guerra intestina

A imprensa explora e amplifica diariamente a suposta crise moral pela qual o Brasil está passando sob o governo do PT, muito embora seja menos imoral combater a corrupção do que escamotear e acobertar a mesma como ocorreu no governo FHC. O fenômeno não é novo no Brasil e evoca outro período da história do país assim narrado por Varnhagen:

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“Deixemos ao fatalismo embrutecedor o explicar-nos como o Brasil bradava aos céus, pelos seus costumes pervertidos, pedindo uma invasão, que chegou a ter metade dele separada da outra metade, por tantos anos, que mal se explica como veio a soldar-se. Apesar da nossa nímia tolerância, que melhor avaliará o leitor para o diante: apesar de reconhecermos os bens que algumas províncias brasileiras devem hoje aos holandeses, cremos que se cometeram faltas graves, e que o governo não obrou nesse ponto como pedia o caso. Dirão que havia chegado, na Terra de Santa Cruz, ao auge a corrupção, o roubo e o escândalo. Cremo-lo: mas também cremos em Deus, e em que vencido o inimigo, houvera tudo remediado com o poder da lei, um coração robusto, que a soubesse fazer cumprir. A existência de Licurgo pudera ser um mito: fábula não é. A observância da religião e o poder das boas leis podem melhorar os homens e as gerações; e são efectivamente quem os melhora para Deus e a sociedade.” (História Geral do Brasil – antes de sua separação e independência de Portugal, Francisco Adolfo de Varnhagen, tomo segundo, edições Melhoramentos, 4ª edição, São Paulo, 1948, p. 183/184)

A invasão do Brasil pela Companhia das Índias Ocidentais em 1624 ocorreu no contexto da guerra entre a Holanda e a Espanha na Europa. Os holandeses invadiram a porção do nosso país onde era produzido o açúcar que havia enriquecera a colônia e a Espanha, pois Portugal estava sob governo espanhol desde 1580. Com um só golpe de mão a Holanda privou a Espanha da renda do ouro doce e pode usar a mesma em favor de sua própria campanha de reconquista dos territórios disputados com os espanhóis na Europa.

O fenômeno mais importante na colônia naquela época, ao qual se atribuiu tanto a guerra quanto a vitória fácil do invasor holandês, foi sem dúvida a corrupção mencionada por Varnhagen. Vários senhores de engenho aceitaram conviver e negociar pacificamente com a Companhia das Índias Ocidentais. Este fato colaborou para amplificar a idéia de que a corrupção no Brasil era tão generalizada que os brasileiros colocaram seus interesses pessoais à frente de seus deveres patrióticos para com a coroa espanhola.

Lá se vão quase 400 anos da invasão holandesa. E o Brasil parece ter voltado a ser um peão chacoalhado pela corrupção prestes a ser rasgado ao meio em razão de uma disputa maior que ocorre fora de suas fronteiras. O ouro negro enterrado no nosso litoral, o Pré-Sal, tem tudo para produzir algo semelhante ao que ocorreu no Brasil antes e depois da invasão do país pela Holanda.

China e EUA disputam havidamente o petróleo onde quer que ele exista. Os chineses aceitam a soberania brasileira sobre o Pré-Sal. Os norte-americanos rejeitam a mesma e usam seus amigos no Brasil, os políticos do PSDB e do DEM, para tentar modificar a Lei que regulamenta a exploração do ouro negro. Os tucanos querem prejudicar o Brasil e indiretamente a China para beneficiar os EUA. Os petistas defendem honrosamente os interesses brasileiros, mas são atacados sistematicamente pela imprensa sustentada com verbas de propaganda das empresas estrangeiras.

Uma parte da elite brasileira aproveita a oportunidade para reivindicar maior controle sobre o Pré-Sal no litoral. E já há jornalistas do sul e do sudeste defendendo a divisão do país para que a renda do petróleo seja apropriada exclusivamente pelos Estados em cujo litoral o mesmo se encontra. A corrupção vista pela imprensa é menor e menos preocupante do que aquela insidiosamente promovida pelos inimigos da unidade territorial do Brasil. Contra esta corrupção o remédio é doloroso (jogar na ilegalidade os políticos que estão traindo os interesses do Brasil em favor dos EUA e nacionalizar as empresas de comunicação), mas deve ser ministrado antes de uma guerra civil e de uma invasão estrangeira. O inimigo externo deve ser combatido no portão e não dentro de nossa casa.

A lição da invasão do país pela Companhia das Índias Ocidentais deve ser aprendida antes de um apoio norte-americana aos separatistas do sul e sudeste. Caso contrário o Brasil voltará ao ponto em que estava quando foi obrigado a lutar desesperadamente para sobreviver aos holandeses e aos traidores. A traição pró-EUA deve começar a ser combatida aqui e agora doa a quem doer. 

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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