
Destaque meu:
Como continuidade histórica do Cristianismo, o Espiritismo no seu sentido evolucionista caminhou para o encontro com os ideais socialistas e não teve dúvida em afirmar através de Kardec que “uma nova ordem de coisas tende a estabelecer-se e os mesmos que a isso se opõem com mais empenho são exatamente os que mais o ajudam, sem sabê-lo”.
Sinopse da obra:
Esta é uma obra póstuma, elaborada a partir de artigos publicados por Léon Denis na Revista Espírita, a partir de janeiro de 1924.
Segundo Gaston Luce e Henri Regnault, seus biógrafos, o próprio Léon Denis, antes de sua desencarnação, manifestou sua intenção de publicar esta obra, possivelmente com o mesmo título e baseada nos referidos artigos.
A obra demonstra o pensamento desse grande apóstolo do Espiritismo com respeito à questão social, em suas relações com o Espiritismo.
O Socialismo que Léon Denis apresenta se mostra pleno de idealismo e de um sentimento profundamente humano e se baseia em um elevado conceito de direito e de justiça.
Prefácio:
Não conheço o texto original de Léon Denis que serviu de base à presente tradução de Wallace Leal Rodrigues e igualmente não encontrava motivo para esta análise que me foi solicitada por esse dedicado companheiro de doutrina. Aliás, suas observações e notas já haviam aumentado sobremaneira o volume em relação ao texto original e incluído dados históricos e biográficos importantes sobre a matéria.
Vale observar, ainda, de início, que o trabalho de Léon Denis sobre “Socialismo e Espiritismo” foi redigido quando ainda não se conheciam os principais experimentos políticos originados com as teorias de Engels, Marx e Lenine, nem as distorções de conceitos e mesmo de conteúdo. Mas o primeiro destaque deve ser dado às diversificações do Socialismo, pois, deformado em sua análise e aplicação, tem servido de cobertura para estruturas de Estado que não correspondem à sua realidade doutrinária.
O Cristianismo tem sua base nos princípios socialistas, relativamente à forma de organização da sociedade. Allan Kardec, no tópico “As Aristocracias” de seu livro Obras Póstumas, analisa o processo de socialização do poder, em perfeita consonância com o que consta do 1º capítulo de A Gênese, com esta confissão tão próxima de Marx: “Infelizmente, as religiões têm sido instrumento de dominação”.
O extraordinário criador de Sherlok Holmes, Arthur Conan Doyle, à página 51 de seu livro La Nouvelle Revélation (Edições Payot, Paris, 1919), afirmava: “O homem é livre na medida em que coloca seus atos em harmonia com as leis universais. Para reinar a ordem social, o Espiritismo, o Socialismo e o Cristianismo devem dar-se as mãos; do Espiritismo pode nascer o Socialismo idealista”.
Filho de operário, já aos 12 anos de idade trabalhava Léon Denis descolando folhas de cobre na Casa da Moeda de Bordeaux. Conta-se que muitas vezes seus dedos sangravam no contato áspero com o metal. Essa origem operária ajudou a marcar o sentido social de sua vida, mesmo porque até a visão deficiente foi conseqüência do esforço noturno do estudo, já que trabalhava durante o dia.
Com raízes operárias e ele próprio trabalhando de dia para garantir os estudos de noite, pôde mais tarde dedicar-se ao movimento cooperativista e ao serviço beneficente do ensino. Por isso mesmo não lhe foi difícil compreender, conforme expõe neste trabalho, que “Socialismo e Espiritismo estão unidos por laços estreitos, visto que o primeiro oferece ao segundo o que lhe falta a mais, isto é, o elemento de sabedoria, de justiça, de ponderação, as altas verdades e o nobre ideal sem o qual este último corre o risco de permanecer impotente ou de mergulhar na escuridão da anarquia”. E reforçou essa afirmativa acentuando que “o Socialismo poderá tornar-se uma das alavancas que levará a humanidade para destinos melhores”.
A procura de uma nova ordem social em que o homem não seja o lobo do homem, mas o seu irmão, é o sonho de toda a humanidade. Nenhum cidadão de sentimentos firmados nos princípios do Cristianismo pode aceitar, sem uma justa reação, as disparidades sociais e econômicas que colocam fabulosas riquezas – em geral mal ganhas e mal utilizadas – ao lado de agrupamentos de párias que não têm o mínimo para sobreviver.
Kardec, em Obras Póstumas, no capítulo “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, como em O Livro dos Espíritos, destaca: “Risquem-se das leis e das instituições, das religiões e da educação, os últimos restos da barbárie e os privilégios; destruam-se por completo todas as causas que dão vida e desenvolvimento a estes eternos obstáculos do verdadeiro progresso e que, por assim dizer, aspiramos por todos os povos na atmosfera social, e então os homens compreenderão os deveres e benefícios da fraternidade, e a liberdade e igualdade se estabelecerão por si mesmas de qualquer forma”.
Estava Kardec seguro de que chegaremos a essa fase de justiça social com liberdade e igualdade e, ainda em Obras Póstumas, pode orientar para que a alcancemos, afirmando: “a aspiração do homem para uma ordem de coisas melhor que a atual é um indício certo da possibilidade de que chegará a ela. Cabe, pois, aos homens amantes do progresso ativar esse movimento pelo estudo e a prática dos meios julgados mais eficazes”.
Essa compreensão das mudanças de estrutura e da própria ordem social está profundamente comprometida com o conteúdo da doutrina espírita, que se baseia na justiça da reencarnação, mas que atribui ao ser humano a tarefa fraterna de auxiliar o irmão, procurando eliminar as diferenças através de uma prática social que permita ao homem auxiliar o semelhante necessitado com os bens que possua.
Os dogmas que envelheceram reclamam uma outra vivência e, por isso, a revolução que representou o Cristianismo, abalando os alicerces do poderio romano na palavra meiga do Nazareno, tem o mesmo sentido da revolução que o Espiritismo prega, visando a destruição do egoísmo e levando os homens à convicção de que nada possuem de seu, pois que são meros depositários dos bens materiais e simples usufrutuários da riqueza. Desse depósito e desse usufruto haverão de dar conta na sucessão das reencarnações.
Não havia violência na pregação de Jesus, embora Ele fosse claro e preciso com referência à riqueza, toda vez que lhe era propiciada uma oportunidade de manifestar-se. E os apóstolos seguiram-lhe os passos.
A própria Igreja Católica procura atualizar-se socialmente, como se fizesse uma autocrítica na procura do Cristianismo primitivo. Tem, no entanto, dificuldades intransponíveis, porque a estrutura conservadora de muitos séculos é uma séria barreira ao encontro da via socialista para diminuir as desigualdades flagrantes e as injustiças sedimentadas pela ordem social vigente. A introdução da Encíclica Mater et Magistra seguiu a linha da Rerum Novarum e da Popularium Progresso. Já o Papa Pio XI denunciava como principal vício do capitalismo liberal o divórcio entre a ordem econômico-social e a moral, embora não pudesse a igreja passar da palavra à ação.
O problema, porém, não estava apenas em diagnosticar as raízes da miséria e em condenar a voracidade do capitalismo, mas em procurar os caminhos para essa justiça social que foi banida do planeta. Aí, as dificuldades se acumularam e a Igreja não passava do diagnóstico…
A conversão cristã teria que vir com a revisão de Zaqueu, no encontro com Jesus, anulando as injustiças praticadas com a restituição dos bens e a dispensa dos privilégios que mantinha.
Enquanto a conversão de Zaqueu não se amplia com a repetição do gesto, a ordem estabelecida fica intocável e o comprometimento com as iniqüidades sociais e com as estruturas sedimentadas é reafirmado a cada momento.
Não foi uma advertência vã a de Jesus ao moço rico que pretendia segui-lo e ao qual recomendou que deixasse seus bens, nem a observação quanto ao óbolo da viúva que dera tão pouco e no entanto fora a dádiva maior, porque enquanto outros ofertaram do que lhes sobrava, ela doara do que lhe fazia falta. Não foi, também, sem razão que as lições se repetiram, demonstrando que a riqueza deveria estar a serviço da comunidade de tal maneira que o mau uso da propriedade poderia significar maiores empecilhos para alcançar o Reino dos Céus. “É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus” (Mateus 19:24)
No Deuteronômio (15,4) está o clamor para que não haja lugar para a pobreza, com a condenação dos lucros e juros, no Levítico (25, 35, 38) ou a condenação de exploração do homem (Levítico, 19:13).
As lições do Cristianismo primitivo estão vivas, renascendo nos princípios da doutrina espírita que eclodiu praticamente com a revolução industrial na Europa.
A substituição de um sistema social por outro não foi a solução, porque o que se faz necessário é uma ordem social baseada na fraternidade e no amor ao semelhante.
As próprias nações ricas luxam à custa da miséria do denominado terceiro mundo, fornecedor de matérias-primas, mergulhado num alarmante índice de mortalidade infantil, fornecendo uma mão-de-obra aviltada numa atmosfera de doenças, de miséria e de fome, onde o homem não se diferencia do animal no tratamento que recebe. Por isso mesmo, Kardec pôde comparar as nações aos homens quando advertiu que se elas seguissem o preceito de não fazer às demais o que não desejassem que lhes fizessem, o mundo viveria sob o signo da paz e do progresso.
“Vencido o egoísmo, será mais fácil extirpar as outras paixões que corroem o coração humano”, lembra Léon Denis.
De fato, o nosso edifício social a ser construído pelo Socialismo pode não excluir todas as iniqüidades, porque a condição humana não é de perfeição, mas, sem dúvida, significará muito na edificação de uma sociedade menos injusta.
A constatação dessas iniqüidades não é feita apenas pelos espíritas que pregam uma ordem social mais cristã. Os documentos mais recentes da Igreja Católica (“Subsídios para Puebla”, Documento nº 13 – Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros – Edições Paulinas, 1978, pág. 8), são utilíssimos na constatação dessa realidade:
“Observa-se no continente latino-americano uma exacerbação do conflito opressores e oprimidos, devido a uma situação de gritante iniqüidade social.
A iníqua repartição das rendas vem propiciando um perigoso afrontamento das classes sociais.
A posse dos meios de produção concentra-se nas mãos de grupos poderosos ou do Estado, ao mesmo tempo em que se acelera a desnacionalização das economias nacionais, pelo domínio crescente das multinacionais”.
A revolução que significa o Espiritismo é mais profunda, porque penetra as bases do comportamento humano e implica uma revisão de princípios morais, sem o que a revisão jurídica, econômica e social não seria alcançada com eficácia.
Mas devemos compreender que o Socialismo não pode ser uma fórmula artificial que deva ser imposta de forma ditatorial neste ou naquele país, neste ou naquele continente.
Partindo do fundamental, compreendendo o Socialismo como uma reação da coletividade contra o predomínio dos interesses individuais ou grupais, teremos que admiti-lo com características próprias de cada comunidade, sob pena de copiarmos exemplos desajustados de cada uma das realidades nacionais.
Uma incursão pela história nos faz passar pelo Socialismo de Platão, Thomas Morus, Campanella, Engels, Marx, Lenine, etc., mas as contradições que podem nos levar exatamente ao contrário do que se procura estão nas limitações puramente econômicas das fórmulas e da análise.
O Espiritismo acrescenta um outro elemento ao Socialismo, distinguindo-o das outras fórmulas, embora reconheça que Platão não só aplicou o método psicológico para explicar o surgimento do Estado em razão das necessidades do homem, como advertiu dos riscos com a multiplicação dessas necessidades. Aí exatamente é que, nascendo o comércio e surgindo o dinheiro, o homem acostumou-se ao excesso e ao luxo e, com estes, adveio a ganância, complicando a estrutura primitiva do Estado. Em conseqüência, a pobreza e a riqueza teriam que conviver, guerreando-se através dos tempos. Lembra Platão que nessa altura a paz interior desaparece e “até o menor Estado se divide em duas partes distintas: o Estado dos pobres e o dos ricos, que se digladiam”.
O Espiritismo, embora compreenda e explique certos fenômenos sociais e econômicos através da lei da reencarnação, tem que ser eminentemente revolucionário no sentido de reivindicar as mudanças da estrutura da sociedade, combatendo a concentração da riqueza e a ausência de fraternidade que significam a manutenção dos privilégios e dos excessos no uso dos bens.
Jesus, filho de artesãos, ensinando pelo próprio nascimento a grande lição evangélica dos simples e o amor pelos pobres, foi um revolucionário por excelência, mas não se transformou num caudilho a serviço de grupos ou partidos, porque sua missão transcendia as misérias do império romano e não podia, por isso mesmo, perder-se no labirinto das paixões políticas e das artimanhas da burocracia da administração.
A vida de Jesus e dos apóstolos ao lado da população cristã de Jerusalém era a demonstração prática e real dos ensinamentos que pregavam a fraternidade e a vida comunitária.
É evidente que os tempos são outros e que com o progresso técnico e científico, com a revolução industrial e as mudanças sensíveis na forma de vida e de convívio social, não se poderia reproduzir a mesma atmosfera e exigir da comunidade atual que vivesse como os apóstolos.
No entanto, os princípios que fundamentavam aquela vida, ou seja, o sentido de cooperação e de auxílio, o amor pelos humildes e necessitados, a repartição dos bens com o semelhante, a predominância do sentimento sobre a ganância, do amor sobre o ódio, são imutáveis no correr dos séculos e marcam o verdadeiro sentido cristão da vida.
O Espiritismo não prega novidade quando realiza o chamamento à vida simples e fraterna.
Figuras inesquecíveis como São Vicente de Paulo e São Francisco de Assis, há séculos, são legendas desse amor cristão.
O fundador da Ordem dos Franciscanos era filho de um rico comerciante e, no entanto, ao invés de herdar-lhe os bens e a fartura, atendeu ao chamamento de uma “voz interior”, voltando-se para os pobres.
E São Vicente de Paulo teve sua biografia resumida numa frase que costumamos reproduzir pela beleza da comparação: “Nele, como em certas plantas nas quais as flores nascem antes da folhagem, a caridade nasceu antes da razão”.
Como, no entanto, eliminar “as pragas da propriedade privada” de que falava Thomas Morus na Utopia?
Como continuidade histórica do Cristianismo, o Espiritismo no seu sentido evolucionista caminhou para o encontro com os ideais socialistas e não teve dúvida em afirmar através de Kardec que “uma nova ordem de coisas tende a estabelecer-se e os mesmos que a isso se opõem com mais empenho são exatamente os que mais o ajudam, sem sabê-lo”.
Mas onde estariam essas pragas da propriedade privada?
Einstein, citado por Humberto Mariotti (O Homem e a Sociedade numa Nova Civilização – Edicel, São Paulo, 1967), em afirmativa constante de artigo na revista Gauche Européenne, de Paris, janeiro de 1957, apontava essas causas:
“A anarquia econômica da sociedade capitalista, tal como existe hoje, constitui, a meu ver, a fonte real de todo o mal”.
E prossegue Einstein:
“Por uma questão de clareza, chamará doravante por trabalhadores a todos aqueles que não compartilhem da propriedade dos meios de produção, ainda que isto não corresponda ao uso normal do termo”.
Para o Espiritismo, os bens são concedidos em custódia e o seu usufruto apresenta valores espirituais que são creditados aos que compreenderam que esses bens não lhes pertencem, sendo o homem mero instrumento no uso da propriedade a serviço do conjunto social.
Deve ter sido esse o fundamento de Cosme Marino, para afirmar que “o Socialismo é um capítulo do Espiritismo” no seu livro El Concepto Espiritista del Socialismo, editado em Buenos Aires em 1960 pela Editora Victor Hugo.
Outro não é, também, o objetivo de Humberto Mariotti no seu já citado volume O Homem e a Sociedade numa nova Civilização.
O Socialismo deve “promover as reformas ousadas, acelerando a evolução para a transformação”, na expressão de Léon Blum, conceito que não se afasta daquele que entende que o cristão sincero e fiel às origens do Cristianismo tem que ser acessível à renovação social e às transformações que nos levem a uma sociedade justa, como preconizou o Divino Mestre. Para isso é necessário coragem, renúncia e sinceridade de propósitos.
Jean Jaurès, nos seus Discours à la Jeunesse, de 1903, assim o reconhecia : “coragem é ir ao ideal e compreender o real… É procurar a verdade e dizê-la; é não seguir a lei da mentira triunfante, e não fazer da nossa alma, da nossa boca e das nossas mãos eco dos aplausos imbecis e dos gritos fanáticos”.
Reconhecemos que o capitalismo envelheceu e que muitas foram as modificações por que passou a sociedade.
Assistimos ao surgimento do contrato trabalhista, eliminando o trabalho escravo – embora ainda vigente mesmo depois da abolição da escravatura –, a redução das horas de trabalho, as férias, as licenças, o descanso semanal remunerado, etc. Mas a sociedade capitalista, por sua vez, reagiu a essas conquistas e, assim, confiou à inteligência jurídica da época as medidas legais que lhe facultassem sobreviver e aí se instalaram os trustes, as multinacionais, as sociedades anônimas, os títulos de crédito, a garantia fiduciária, as fortunas móveis, que encontram tranqüilo sono no segredo dos depósitos de bancos suíços, as falências que deixam os falidos mais ricos do que antes…
Essas adaptações de sobrevivência justificaram afirmações como estas de Walter Lippmann e Nicholas Murray Butler, respectivamente (Walter Lippmann, A Cidade Nova, 1938, páginas 32 e 329):
“O capitalismo moderno não teria podido se desenvolver se a sociedade por ações não existisse”.
“A sociedade por ações foi a maior descoberta dos tempos modernos, mais preciosa que a do vapor e da eletricidade”.
Um ponto, no entanto, é sempre colocado em debate quando se examina o tema que foi objeto do trabalho de Léon Denis – Socialismo e Espiritismo –, o relativo ao materialismo histórico e à interpretação do conceito econômico como fundamental e o da luta de classes como essência do Marxismo.
Alemão de nascimento, Marx, após os estudos no Colégio de sua cidade natal, cursou as Universidades de Bonn e Berlim, indo em 1843 para Paris, a fim de dedicar-se ao estudo do Socialismo com Arnold Ruge, em colaboração com o qual editou os Deutch-Französische Jahrbüchen, onde publicou os primeiros estudos conhecidos depois como marxistas, particularmente A Crítica da Filosofia do Direito de Hegel.
O conceito materialista da história não se conjuga com a doutrina espírita e, nesse aspecto, as posições são inconciliáveis.
Convicto de que a economia política constitui a base da sociedade capitalista e que a atividade intelectual não é senão reflexo da evolução econômica, Marx dedicou-se inteiramente ao estudo dessa matéria.
O conceito materialista da história, assim exclusivamente compreendido, iria constituir-se numa irreconciliável divergência com o Socialismo que fosse capaz de conviver com o Espiritismo.
Estava Marx preocupado com o elemento revolucionário da história e não com a origem das coisas. Negava valor à afirmação dos filósofos idealistas de que as transformações provinham, antes de tudo, do espírito ou da razão absoluta, porque entendia que elas tinham origem nas condições materiais da existência. Parecia mais preocupado em localizar a realidade ou a verdade social, mas a falha de sua interpretação do homem está exatamente na exclusão do elemento moral e espiritual.
Mas essa divergência fundamental não poderá invalidar todo um acervo de estudos de interpretação econômica da história que ele processou com dedicação e boa fé. Basta aos espíritas e demais espiritualistas suprir essa falha de interpretação, incluindo a visão cristã dos fenômenos.
O combate ao marxismo, aliás, tem sido feito de maneira sectária, em geral tendo em vista apenas a preocupação de defesa dos dogmas de certos grupos religiosos ou de interesses de grupos econômicos ameaçados.
O Marxismo trabalha os fatos, mas o certo é que expressou realidades sociais e econômicas, embora lhe faltando o importante suporte do fenômeno espiritual que Allan Kardec pesquisou e definiu em sua importante obra de codificação da doutrina dos espíritos.
Considerava Marx o espiritualismo uma irrealidade e o responsabilizava pelo apoio aos regimes reacionários e conservadores. Ignorou a essência revolucionária do Cristianismo e deixou de considerar que os erros estavam na sua distorção e não na sua essência original.
Jules Moch, em Socialisme Vivant (Editora Robert Lafont, Paris, 1960), em um dos seus capítulos analisa a questão relativa ao materialismo histórico. Aponta o materialismo clássico de certos filósofos como irreconciliável com as doutrinas religiosas que distinguem a alma eterna do corpo perecível, visto que, segundo essa escola, a vida está indissoluvelmente ligada à matéria e, nesse caso, a alma só existe no corpo e pelo corpo. Assim, sublinha que o materialismo histórico de Marx é a tese segundo a qual os fenômenos econômicos constituem o substrato da vida dos grupos humanos e são eles que a condicionam e que exercem uma influência dominante na evolução social, política ou moral dos homens, não tendo qualquer relação com o materialismo clássico. E afirma, ainda: “Não devemos, de resto, levar a teoria do materialismo histórico às suas últimas conseqüências; seria absurdo reduzir toda a evolução das sociedades a considerações econômicas, assim como negar a influência de outros fatores morais ou humanos”.
“O Socialismo moderno – prossegue Jules Moch – está longe de ser uma análise apenas econômica. É muito mais do que isso, pois visa permitir ao homem a sua livre expansão em todos os campos e sua libertação de todas as opressões econômicas, políticas e espirituais. É essencialmente uma revolta contra a injustiça, contra a ‘desumanização’ do homem numa sociedade que repousa sobre o proveito sem trabalho, o apetite do ganho e do lucro. Será este protesto incompatível com uma crença filosófica ou religiosa? Antes, pelo contrário: o Socialismo e a religião não podem esbarrar um no outro, pelo simples fato de as suas zonas de ação não se sobreporem. As religiões, mesmo quando visam moralizar a vida, tendem essencialmente a dar ao homem uma esperança depois da morte; o Socialismo quer libertar a vida e não se preocupa nem com a origem nem com o destino final do homem”.
O livro de Léon Denis tem a virtude de reativar o debate em torno do Socialismo e do Espiritismo, permitindo a continuidade de uma análise que julgamos oportuna, especialmente agora quando o Partido Socialista, na França, elegendo o seu Presidente, procura, sem a violência das revoluções pelas armas, as modificações viáveis para abrir caminho ao programa de socialização gradual, democraticamente, respeitada a estrutura pluripartidária.
O imposto sobre a fortuna – medida adotada pelo governo socialista da França – é já um passo importante na melhor distribuição da renda, fazendo utilizar o excesso da concentração de bens e capital em favor das camadas necessitadas e desassistidas.
Afinal, a natureza nos ensina com a essência da vida, nada nos cobrando pelo ar que respiramos, pela chuva que alimenta as lavouras e mantém os rios, pela luz que nos chega todos os dias, pelo calor que o sol distribui a todos, sem indagar de origem, condição social, econômica e geográfica, exemplificando com a gratuidade de seus serviços e sem a procura de recompensa.
A lição da natureza dando o seu capital sem reivindicar lucros ou vantagens, proveitos ou benefícios, é uma legenda inscrita na consciência coletiva, reclamando do homem a exemplificação da fraternidade, que está na palavra do Divino Reformador quando aconselhou fazer ao semelhante o que desejamos que ele nos faça.
Abril de 1982
Freitas Nobre
Breno Moura
21 de fevereiro de 2018 2:10 amMarxismo Cultural
https://www.youtube.com/watch?v=F9LpBWLBz4U
Raul
14 de abril de 2019 2:04 pmESPIRITISMO CONTRA O COMUNISMO 1. Desigualdade das riquezas, questão 811 do Livro dos Espíritos: 811. Será possível e já terá existido a igualdade absoluta das riquezas? “Não; nem é possível. A isso se opõe a diversidade das faculdades e dos caracteres.” a) – Há, no entanto, homens que julgam ser esse o remédio aos males da sociedade. Que pensais a respeito? “São sistemáticos esses tais, ou ambiciosos cheios de inveja. Não compreendem que a igualdade com que sonham seria a curto prazo desfeita pela força das coisas. Combatei o egoísmo, que é a vossa chaga social, e não corrais atrás de quimeras.” ———————————————//———————————————— 2. Capítulo XVI do Evangelho Segundo o Espiritismo, item 8: ”A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar. É, aliás, ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade; que, admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades.” ————————————–//————————————————- 3. No livro Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho, o espírito Humberto de Campos destrói o marxismo e diz que o capitalismo é o sistema chamado pelo alto para encaminhas as nações para o progresso, essa mensagem esta no capítulo 30 do livro, que é o último: ”Nesta época de confusão e amargura, quando, com as mais justas razões, se tem, por toda parte, a triste organização do homem econômico da filosofia marxista, que vem destruir todo o patrimônio de tradições dos que lutaram e sofreram no pretérito da humanidade, as medidas de repressão e de segurança devem ser tomadas a bem das coletividades e das instituições, a fim de que uma onda inconsciente de destruição e morticínio não elimine o altar de esperanças da pátria. Que o capitalismo, visando à própria tranquilidade coletiva, seja chamado pelas administrações ao debate, a incentivar com os seus largos recursos a campanha do livro, do saneamento e do trabalho, em favor da concórdia universal.” ——————————-//——————————————————- 4. Emmanuel, no livro A Caminho da Luz, fala sobre o socialismo, no que marca o capítulo XXIV da obra, que ele intitula de “O espiritismo e as grandes transições” e elenca vários temas, esse abaixo é o que esta escrito no trecho em que ele dedica ao socialismo, fazendo clara menção aos desastres dos regimes socialistas no séc XX: “Aparece o socialismo propondo reformas viscerais e imediatas. Alguns idealistas tocam a Utopia de Thomas More, ou a República perfeita, idealizada por Platão. Fundam-se as alianças de anarquismo, as sociedades de caráter universal. Uma revolução sociológica de conseqüências imprevisíveis ameaça a estabilidade da própria civilização, condenando-a à destruição mais completa. O fim do século que passou é o cenário vastíssimo dessas lutas.”. No trecho que se segue, onde Emmanuel denomina “Restabelecendo a Verdade”, ele fala da missão do espiritismo e inclui que, dentre elas, compete a nós espíritas o combate, no sentindo de desmenti-las, às teorias igualitárias absolutas (mesma denominação que, no trecho anterior, ele usa para referir-se ao socialismo): “Com as verdades da reencarnação [ele esta se referindo ao espiritismo], veio explicar o absurdo das teorias igualitárias absolutas”. ———————————————————//————————————– 5. Ainda, uma obra que muitos desonestos (tal qual o Desleixo) usam no intuito de tentar criar proximidades entre o espiritismo e o marxismo é a obra Socialismo e Espiritismo, do Leon Denis, obviamente as pessoas que fazem isso não leram sequer uma página da obra, segue abaixo um trecho do que Leon Denis fala sobre Marx na obra Socialismo e Espiritismo, em seu capítulo IV: “O socialismo de Karl Marx, homem ácido e odioso, cujo objetivo principal é a guerra de classes; tudo isso desprovido de generosidade e grandeza e não leva senão à investida, ao esmagamento de uns pelos outros.” ——————————————–//—————————————————– 6. Kardec diz em ”Viagem Espírita”, de 1862, nos ‘Discursos pronunciados nas reuniões gerais dos Espíritas de Lyon e Bordeaux – III’, o seguinte: “a totalidade das riquezas, postas em comum, criaria uma miséria geral, em vez de uma miséria parcial; que a igualdade hoje estabelecida seria rompida amanhã pela mobilidade da população e pela diferença entre as aptidões.”. ———————————————————-//————————————————- 7. Na Revista Espírita do ano de 1863, Edição de Fevereiro, na parte denominada ‘Sermões contra o Espiritismo’, Allan Kardec, em resposta a injúrias contra a Doutrina Espírita proferidas por um bispo do Texas, em sermão realizado na Igreja de Saint-Nizier, o qual acusava o espiritismo com os seguintes dizeres: ”O espiritismo vem destruir a família, aviltar a mulher, pregar o suicídio, o adultério e o aborto, preconizar o comunismo, dissolver a sociedade.”. Kardec, de forma segura e inconteste, responde: ”Temos necessidade de refutar semelhantes asserções? Não; basta remeter ao estudo da doutrina, à leitura do que ela ensina, que é o que se faz em toda parte. Quem poderá acreditar que pregamos o comunismo depois das instruções que demos a respeito no discurso publicado in extenso [referindo-se ao discurso da ”Viagem Espírita”, de 1862] no relatório de nossa viagem em 1862? Quem poderá ver nas palavras seguintes uma excitação à anarquia, encontradas na mesma brochura, página 58 ‘Em todo caso, os espíritas devem ser os primeiros a dar exemplo de submissão às leis, no caso de serem convocados’.”
Carlos
1 de junho de 2019 5:21 pmRespondendo ao Breno Moura ai em cima. Marxismo Cultural não existe. É uma criação da direita bolsonarista como intenção unica de difamação. Nem eles mesmos conseguem explicar o que é isso.
Carlos
1 de junho de 2019 6:41 pmRespondendo ao Raul ai cima. NÃO EXISTE ESPIRITISMO CONTRA SOCIALISMO. Vamos aos comentários. Sobre a questão 811 do Livro dos Espíritos. É obvio que nunca existiu igualdade de riquezas em um mundo onde existem opressores e oprimidos. Vivemos em um mundo de expiações e seja o sistema capitalista, comunista ou socialista essa igualdade não será permitida pelos poderosos egoístas citados na resposta dos espíritos, e que estão no poder. E isso NADA tem a ver com socialismo. É leviano por parte do amigo Raul querer fazer uma correlação que não existe.
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Muito me surpreende a as afirmações do Capítulo XVI do Evangelho Segundo o Espiritismo
“A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar.” Ela coloca na conta dos mais inteligentes, e não dos mais espertos, maliciosos, manipuladores e opressores (isso algo que a história prova) o motivo da riqueza material e da opressão e exploração dos ricos e poderosos sobre os pobres e humildes. E inclusive, vai contra uma das maiores máximas de MESTRE JESUS sobre divisão dos pães e compartilhamento. Contradição não percebida pelo irmãozinho equivocado Raul.
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Sobre as afirmações contidas no livro Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho, o espírito Humberto de Campos, muito me decepciona ver que ele coloca um sistema como o capitalista como esperança da humanidade, quando CLARAMENTE o capitalismo tem uma parte na história do ser-humano, justamente, pra testar a sua evolução, através do relacionamento com as riquezas materiais, E APENAS ISSO. Ele não é solução nenhuma, já que é um sistema comprovado historicamente, como criador de sofrimentos, confrontos e desigualdades, E QUE INCLUSIVE, VAI CONTRA OS SISTEMA ADOTADO NAS COLÔNIAS. Sim meu caro irmão Raul, os sistema das colônias NÃO É O CAPITALISMO, É O SOCIALISMO.
Diga-me: existe propriedade privada nas colônias? Existe propriedade privada dos meios de produção? Exisite sistema produtivo vinculado à propriedade individual? Existe empreendedorismo? existe a figura do empresário? Existe o capital? Existe o dinheiro? Existem classe divididas como classe baixa, média e alta? Existe lucro pelo acumulo de capital? Existem ricos materialmente? NÃO! Existe um sistema ministerial que representa o ESTADO, existe o bônus hora de acordo com o seu trabalho, pessoas não tem direito a serem donos de nada, pessoas dividem casas, e tudo é compartilhado em prol do bem comum. E o nosso querido planeta Terra, em sua evolução, está se dirigindo pra que direção? Qual é o nosso maior exemplo SENÃO AS COLÔNIAS?
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Quando o amigo Raul fala de Emmanuel, no livro A Caminho da Luz, sinto um quê de desonestidade intelectual, tentando colocar como responsabilidade do autor uma crítica direta as ideias socialistas, sem levar em conta, a existência do Socialismo Cientifico, Socialismo Utópico, e Socialismo Real. O que foi praticado naquela época de forma errônea, é o que é chamado academicamente de socialismo real, porque virou uma realidade, está que, EM NADA SE APROXIMA DA VERDADEIRA MENSAGEM SOCIALISTA, que vc encontra no Socialismo Cientifico e Utópico. E Emmanuel, neste livro, deixa bem claro que estes acontecimentos tiveram sua razão de acontecer e ajuda no crescimento da humanidade, com as lições que os acompanham. Colocar isso na conta do verdadeiro socialismo, tentando fazer parecer que é errado, é o mesmo que dizer que Chico Xavier era fascista, porque durante o programa pinga fogo, disse que a Ditadura de 1964 teve a sua necessidade de acontecer como lição para os brasileiros. Lembrando que ele tb disse sobre a democracia cristã, sobre liberdade de pensar, nao sei se um regime que institui o AI5 é democrático.
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Sobre o livro de Leon Denis não vou comentar porque não li
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Sobre a afirmação: “O socialismo de Karl Marx, homem ácido e odioso, cujo objetivo principal é a guerra de classes; tudo isso desprovido de generosidade e grandeza e não leva senão à investida, ao esmagamento de uns pelos outros.” é a tipica afirmação de quem NUNCA LEU O CAPITAL a maior obra de Karl Marx. O mesmo nunca incentivou o esmagamento de uma classe sobre a outra, até porque o esmagamento já acontece, feito pelas classes mais abastadas sobre as classe mais humildes. Volto dizer: SEMPRE ACONTECEU COM OU SEM A EXISTÊNCIA DE KARL MARX. Marx é um dos maiores pensadores de todos os tempos. Filosofo, sociólogo e jornalista, lutou pela causa trabalhadora durante o século XIX. Seu legado é tão importante que ele não é só estudado no mundo todo dentro do rol da filosofia e sociologia, mas também da economia e outras ciências, já que suas teorias iam de encontro as ideias dos filósofos e economistas Adam Smith, David Ricardo e Thomas Malthus, em suas críticas ao capitalismo na obra “O Capital”. Marx foi o sucessor legitimo de tudo o que a humanidade criou de melhor no século XIX: a filosofia alemã, a economia política inglesa e o socialismo francês. Marx Influenciou e influencia várias gerações com ideias fantásticas sobre a verdadeira liberdade. Não essa patética liberdade fomentada pelas elites burguesas capitalistas liberais. Não a falsa liberdade das ditaduras stalinista e maoísta. Ele estimulava a liberdade do trabalhador, a soberania do mesmo sobre sua nação e seu trabalho, ele defendia uma sociedade sem classes, e com igualdade e equidade. Ele denunciou a exploração do homem pelo homem. Ele foi um dos fundadores das ciências sociais. Ele defendia o livre desenvolvimento da pesquisa cientifica. Ele é criador da ideia da “Mais Valia”, termo usado em economês, que é estudado por todos economistas, de todas as vertentes políticas e ideológicas. O que é “mais valia”? De forma sintética é o valor da força de trabalho dispendida por um determinado trabalhador na produção e que não é remunerado pelo patrão. Espero que esse pouquinho que eu explanei, tenha despertado a tua curiosidade, agora, de forma verdadeira, e vc passe a procurar as obras dele, pra entender de verdade, pela sua própria cabeça, sem intermediários difamadores, quem foi e é Karl Marx.
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Querer passar pano em tudo o que Kardec ou Divaldo falam é EXTREMAMENTE PERIGOSO. A época em que Kardec viveu era outra, com outras ideias e contextos. Inclusive, se formos levar ao pé da letra TUDO o que Kardec diz, teríamos que considerá-lo racista, por suas afirmações relacionadas a raça negra, como por exemplo quando diz: “sem dúvida, são uma raça inferior”, devido as influencias, que não só ele, como toda a Europa da época, sofriam da pseudociência chamada Frenologia, que dizia que brancos eram superiores aos negros devido a certas medidas do crânio.
Meu caro Raul, lembre-se do que foi dito pelos espíritos: Fé racionalizada!!! Isso quer dizer saber questionar baseado em, racionalidade, lógica e bondade no coração. É preciso questionar até Kardec e outros escritos espiritas quando necessário, porque estamos em constante mudança e evolução, e erros são cometidos durante esta caminhada. Kardec era humano e tinha sua crenças e ideologias, assim como todos os médios, antenas constipadas pelas suas crenças e ideologias, influenciando nas mensagens vindas do além. Se a Bíblia não fosse questionada, até pelo espiritismo, ainda estaríamos na Era Antiga, acreditando que homossexuais não devem existir, mulheres que traem devem ser apedrejadas e negros são amaldiçoados.
Marcellus
12 de setembro de 2020 10:18 pmTaí, gostei.
Niet
29 de julho de 2019 3:59 pmTrechos da obra “Os Filósofos”, de Herculano Pires, o grande filósofo espírita, em que ele fala sobre Karl Marx:
Podemos discordar de Marx, e mais ainda dos seus seguidores, e ainda mais dos seus intérpretes, mas não podemos negar-lhe a profunda humanidade de suas intenções e a grandeza profética de seu pensamento.
Nele confluem a coragem e a audácia dos profetas hebraicos, para se fundirem com a audácia e a coragem dos modernos reformadores sociais.
[…]
O Capital é uma baliza histórica. Antes dele, estende-se o panorama da pré-história socialista, com os sonhos e as utopias que vêm de Platão até Proudhon. Depois dele, o Socialismo adquire consistência filosófica e científica, estrutura política, e está assim preparado para tomar o seu lugar na realidade social. Jesus pregara a socialização pelo amor, e depois dele os primeiros cristãos reuniram-se em comunidades fraternas, das quais o Livro de Atos nos conserva algumas notícias. Marx vai ser apontado como o anticristo, pois pregará a socialização pela violência.
Mas não se pode dizer que a pregasse pelo ódio. Bem ao contrário, encontramos em Marx a mais profunda compreensão do processo de desenvolvimento econômico e da influência inevitável das suas leis sobre os homens. A violência marxista, que decorre das leis de transformação da Natureza, pretende ser uma lei e não um princípio moral. É a constatação de uma fatalidade histórica, e não uma pregação intencional. […]
O século renovador se transforma, assim, num século profético, de anúncio e preparação do futuro. Que é esse futuro, como será ele? Marx o diz incessantemente: é o reino da verdadeira humanização, do humanismo legítimo, ou da “humanidade socializada”. Vemo-lo sonhar a todo momento com esse mundo diferente, livre da exploração e da violência, esse verdadeiro Reino de Deus na terra, que Jesus não conseguiu com o amor, porque Jesus também era utopista e não científico. Mas no século XIX a era dos utopistas passou: estamos numa fase de superação histórica e novas perspectivas se abrem para a Humanidade toda. Sim, a Humanidade toda. Porque Marx não deseja a felicidade apenas para os proletários, como dizem os seus críticos de má-fé, mas também para os burgueses, para os ricos, que não perderão somente os seus haveres e o poder, mas também aquilo que os desumaniza: a embriaguez do dinheiro e da propriedade privada.
Marx contempla os operários reunidos para tratar da revolução e escreve a Engels: “Em seus lábios, a fraternidade humana não é uma frase, mas uma verdade, e dos rostos que o trabalho tornou rudes, emana toda a beleza do humano”. Escreve também sobre o Comunismo, afirmando com a ênfase de um profeta bíblico: “… é uma fase real da emancipação e do renascimento humanos, fase necessária para a evolução histórica próxima… é a forma necessária e o princípio enérgico do porvir próximo… mas não é, como tal, o fim da evolução humana — é uma forma de sociedade humana”.
E ainda, na Revue Marxiste, I, 13:
Esse comunismo, sendo um naturalismo acabado, coincide com o Humanismo. É o verdadeiro fim da disputa entre o Homem e a Natureza e entre o Homem e o Homem. É o verdadeiro fim da disputa entre a existência e a essência, entre a objetivação e a afirmação de si, entre a liberdade e a necessidade, entre o indivíduo e a espécie.
[…]
[…]Seu lar é como a casca de noz de um barquinho milagroso, pairando sempre na crista das ondas, em meio aos temporais que ele vive enfrentando.
Riazanov comenta esse fato, emocionado com o mundo de ternura que se derrama nas suas cartas à filha maior, cuja morte o feriu tão profundamente, que parentes e amigos temeram também pela sua vida. Aos amigos que lhe perguntavam qual era o seu lema preferido, costumava responder: Homo sum; humani nihil e a me alienum puto, ou seja: Sou homem; nada do que é humano me é alheio. Homem, portanto, vivendo entre homens, voltado para os problemas humanos, Marx não pretendia ser o profeta que foi, nem o Zaratustra que às vezes o pintam, mas apenas um descobridor de caminhos para a emancipação humana.
Hegel
29 de julho de 2019 4:03 pm[…]
[…]Seu lar é como a casca de noz de um barquinho milagroso, pairando sempre na crista das ondas, em meio aos temporais que ele vive enfrentando.
Riazanov comenta esse fato, emocionado com o mundo de ternura que se derrama nas suas cartas à filha maior, cuja morte o feriu tão profundamente, que parentes e amigos temeram também pela sua vida. Aos amigos que lhe perguntavam qual era o seu lema preferido, costumava responder: Homo sum; humani nihil e a me alienum puto, ou seja: Sou homem; nada do que é humano me é alheio. Homem, portanto, vivendo entre homens, voltado para os problemas humanos, Marx não pretendia ser o profeta que foi, nem o Zaratustra que às vezes o pintam, mas apenas um descobridor de caminhos para a emancipação humana.
Hegel
29 de julho de 2019 9:26 pmEste texto está na obra “Os Filósofos” de Herculano Pires, onde ele dedica 27 páginas a Karl Marx. Outro filósofo espírita que reconhece a importância de Marx é Humberto Mariotti.
Andréa Cleoni
27 de junho de 2020 5:46 amJesus pregou amar ao próximo como a si mesmo como solução para um sistema político, econômico e social perfeito.
Não adianta impor nada à coletividade. Nenhum sistema de governo trará justiça social se cada ser humano não desenvolver-se moralmente.
Enquanto houver um ser humano injusto, haverá injustiças, na face da terra, não importando se o sistema é capitalista ou socialista/comunista.
Porém, os injustos estão com os dias contados no planeta, uma vez que a Terra está entrando em regeneração.
Nesse momento de transição planetária, os espíritos perversos que estão desencarnando, já estão sendo acolhidos em colônias e serão exilados para outro planeta e ainda assim, continuarão sob os cuidados de Jesus, até aprenderem a serem felizes.
Luiz Barradas
27 de junho de 2020 6:14 pmO importante é estarmos sempre abertos para um aprofundamento do debate sadio e respeitoso no campo das idéias, desta forma exercendo nosso pensamento crítico podemos avançar nesta caminhada sem querer impor uma palavra final sobre um tema que requer tanta energia de nós para trilhar um caminho seguro, sem se perder em devaneios, fanatismo ou dogmas engessados que afastam a Fé raciocinada que é uma bússola segura para nós viajantes e aprendizes ávidos em conhecer a Verdade Maior.
MARCELO ALMEIDA AGUIAR
16 de outubro de 2020 9:35 amAgora sim, fiquei feliz, maioria dos bolsomions serão exilados em outro planeta, Jesus vai ajudar eles a virarem gente.