21 de maio de 2026

Ativista Rodrigo Pilha inicia greve de fome contra prisão e tortura

Em carta, o ativista denuncia os abusos sofridos no Centro de Progressão Penitenciária do Distrito Federal, onde continua preso, apesar da Justiça determinar sua liberdade
Foto: Agência PT

Jornal GGN – O ativista Rodrigo Pilha, preso no dia 18 de março por participar de ato contra o governo federal com uma faixa que dizia “Bolsonaro genocida”, em frente do Palácio do Planalto, continua cumprindo pena em regime semiaberto apesar da Justiça ter determinado na última terça-feira, 6, a progressão para o regime aberto. Em protesto contra a injustiça e torturas que vem sofrendo dentro do sistema penitenciário, Pilha iniciou uma greve de fome.

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Em carta, o ativista denuncia os abusos sofridos no Centro de Progressão Penitenciária do Distrito Federal, onde continua preso, porque sua audiência para a mudança do regime penal, que deveria ter ocorrido na última quarta-feira, 9, foi adiada para o próximo dia 16.

“Violações de direitos humanos continuam a ocorrer dentro do sistema prisional do DF, sob a vista grossa de um Judiciário que muitas vezes lava as mãos, passa o pano e acaba sendo conivente com tais atrocidades”, desabafou Pilha. 

“Estou convicto de que minha greve de fome é o mais acertado a se fazer neste momento, para trazer luz ao terror existente nos presídios do DF, e , lhes garanto que as mazelas do sistema prisional são bem mais radicais e maléficas à vida das pessoas do que a atitude que hoje adoto como forma de protesto”, escreveu na carta, que pede para ser divulgada. 

Leia a carta na íntegra:

Brasília, 9 de julho de 2021

Queridos familiares e amigos, após refletir bastante na última madrugada de cárcere, decidi que inicio a partir de hoje uma greve de fome sem data para acabar.

Tendo em vista que o Judiciário segue me proibindo de falar, conceder entrevistas, e agora me mantém preso, mesmo eu tendo conquistado o direito ao regime aberto, optei por usar meu corpo e a resistência pacífica para protestar contra estes e diversos outros absurdos que seguem ocorrendo no sistema penitenciário do DF, por conta do autoritarismo policial e judicial.

Bem mais que não desejar comer aquela lavagem que chamam de comida, entregue aos apenados, lá naquela espécie de campo de concentração contemporâneo chamado de “Galpão” , minha greve de fome tem o intuito de denunciar e chamar a atenção da sociedade para os maus-tratos, as péssimas condições de cumprimento de pena e toda a sorte de violações de direitos humanos que continuam a ocorrer dentro do sistema prisional do DF, sob a vista grossa de um Judiciário que muitas vezes lava as mãos, passa o pano e acaba sendo conivente com tais atrocidades.

Ameaças de castigo e agressão, xingamentos e maus tratos por parte de policiais penais, seguem ocorrendo, e inquirições de apenados SEM a presença da defesa (fato que só comigo, já ocorreu em três oportunidades), são práticas corriqueiras.

As celas e alas seguem hiper lotadas, com pessoas dormindo por cima das outras, e até no chão sujo em meio a baratas e escorpiões.

O banheiro mais parece uma pocilga e os banhos de sol são de meia hora apenas.

Castigos excessivos e por razões banais, com o mero intuito de causar a regressão penal dos presos, acabam por institucionalizar a tortura psicológica por parte do estado no cotidiano dos presídios.

A diretoria penitenciária de operações especiais (DPOE) é acusada de espancamentos gratuitos, mutilações e até de ser responsável pela morte de presos após a prática do procedimento chamado de “extração” ou “guindar” apenados.

Por fim, sei dos riscos que corro, mas estou convicto de que minha greve de fome é o mais acertado a se fazer neste momento, para trazer luz ao terror existente nos presídios do DF, e, lhes garanto que as mazelas do sistema prisional são bem mais radicais e maléficas à vida das pessoas do que a atitude que hoje adoto como forma de protesto.

Ante ao exposto e já que não me deixam falar, peço que FALEM POR MIM e divulguem ao máximo esta carta-denúncia,afim de que o maior número de pessoas saibam da barbárie que hoje impera no sistema prisional do DF.

“… podem me prender, podem me bater,podem até me deixar sem comer, que eu não mudo de opinião…”

Com os versos de protesto do sambista idealizador da “Voz do morro”, Zé Keti, me despeço agradecendo a todas e todos por todo apoio e carinho recebidos até aqui.

Um forte abraço e hasta la Victoria siempre!!!

Com carinho,
Rodrigo Pilha

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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1 Comentário
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  1. Edivaldo Dias de Oliveira

    10 de julho de 2021 12:17 pm

    #TeimaPilha

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