4 de junho de 2026

A menina afegã que derrotou os EUA, por Fábio de Oliveira Ribeiro

A derrota dos EUA não começou à 10 dias, nem à 10 anos. A derrota começou com a primeiro soldado abatido
Cidade de Kandahar, a segunda maior do Afeganistão, tomada pelo Talibã. | Foto: AFP

por Fábio de Oliveira Ribeiro*

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Cabul, cidade em transe e eis que reaparecem os anacoretas barbudos e sombrios… Mas a derrota dos EUA não começou à 10 dias, nem à 10 anos. A derrota começou com a primeiro soldado abatido. Se não estou enganado, ele foi morto por uma menina com um velho revolver calibre 32.

Na época, a notícia despertou minha atenção. Mas apesar de procurar infelizmente não consegui encontra-la na internet. O enredo dessa pequena tragédia foi banal.

O soldado pensou que a menina queria chocolate, mas ela desejava vingar a morte dos parentes que foram estraçalhados por bombardeios. Ela era o Afeganistão reagindo. E os afegãos não deixaram de reagir desde então.

Quando aquele soldado morreu, a vitória dos EUA já estava sendo proclamada pela imprensa. Mas o que parecia vitória era apenas uma derrota com efeito retardado. Desde tempos imemoriais os generais sabem que um exército em território hostil está inevitavelmente condenado a ser expulso em algum momento futuro com um número pequeno ou grande de baixas.

Os norte-americanos, coitados, foram ensinados a acreditar que podem construir países sobre os cadaveres que eles mesmos empilharam. E agora eles estão assustados, estarrecidos, indignados porque perderam uma guerra que começou a ser perdida para uma menina de 13 anos.

Onde está aquela menina? Ela sobreviveu à guerra ou foi morta pelos seus inimigos? Quantas outras meninas foram estupradas, agredidas ou mortas pelas tropas dos EUA? Quantas ficaram órfãs ou cresceram ajudando a cuidar de parentes mutilados?

Quantas outras meninas irão sofrer sob o novo governo dos anacoretas barbudos? Alguém já esqueceu que eles foram chamados de “freedom fighters” pela imprensa ocidental quando combatiam os soviéticos?

*Fábio de Oliveira Ribeiro – 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

Este texto não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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4 Comentários
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  1. jura

    16 de agosto de 2021 11:22 am

    A derrota dos EUA não começou à 10 dias, nem à 10 anos. A derrota começou com a primeiro soldado abatido.

    Pelo amor de Deus, GGN, nao assassinem a lingua portuguesa. Assassino e o meu teclado.

  2. Bob

    16 de agosto de 2021 11:24 am

    Fábio, blz? Esse “a” com crase é um insulto… estaria errado sem a crase também, mas doeria menos!

  3. Aliomar B. de Almeida

    16 de agosto de 2021 6:00 pm

    “A derrota dos EUA não começou à 10 dias, nem à 10 anos.” Não seria HÁ dez anos, a forma correta? Só uma observação…

  4. Mara Lucia Andrade Baraúna

    16 de agosto de 2021 8:11 pm

    A derrota dos EUA não começou à 10 dias, nem à 10 anos (sic). A derrota começou com a primeiro soldado abatido. Parei aí.

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