4 de junho de 2026

Globo enaltece a adoção homoparental, mas é condenada por preconceito anterior

Princípios morais podem mudar, podem se aperfeiçoar. Mas a intolerância é vício intemporal, pai de todos os vícios.

O desabafo do senador Fabiano Contarato, contra o empresário bolsonarista preconceituoso, a defesa que fez de sua familia, a foto dele com seu companheiro e dois filhinhos negros, conquistaram todas as pessoas de boa vontade e parte relevante da mídia.

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São curiosas as mudanças de hábito e como o vírus da intolerância atrasa o país.

Em fins dos anos 70, o jornalista Antonio Crisóstomo foi destruído pela mídia por tentar adotar uma criança de rua. Vizinhos denunciaram que sua intenção seria promover bacanais com a criança. Um colega do Jornal do Brasil escreveu o artigo definitivo, que liquidou com ele. Foi preso, permaneceu preso por boa temporada. Saiu da cadeia, tornou-se alcoolatra, perdeu os dentes e terminou a vida em um hotel de 5a categoria em São Paulo, provavelmente por suicídio.

Um dos artigos mais emocionantes, em relação a Contarato, foi da grande jornalista, esposa do jornalista que o condenou.

No dia 5 de setembro de 2001, o Globo investiu contra seu alvo predileto, o então juiz Siro Darlan que, em uma de suas decisões, havia questionado o uso de crianças em programas de auditório da emissora. Tornou-se inimigo eterno do grupo.

O juiz deu entrevista para o G Magazine, defendendo a adoção homoparental – por casais do mesmo sexo. Foi alvo de deboches sem fim de O Globo.

Esta semana chegou ao fim a ação proposta por Siro. A Globo foi condenada a pagar indenização de R$ 1 milhão. 

Enquanto isto, nos veículos da emissora, a explosão de humanismo, de modernidade, em torno do episódio histórico do senador Contarato.

Princípios morais podem mudar, podem se aperfeiçoar. Mas a intolerância é vício intemporal, pai de todos os vícios.

Anos depois, o jornal se empenhou em uma campanha implacável contra Siro, um linchamento em torno de uma denúncia mal apurada contra ele. Depois de um processo penoso, Siro foi inocentado. Mas a campanha mostrou que a intolerância e onipoëncia são características de grupos com poderes ilimitados.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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1 Comentário
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  1. Raildo Ameida

    8 de outubro de 2021 12:38 pm

    Nassif,
    Ele chegou à adotar, inclusive depois foi acusado de abusar da criança. Em 2013 vc mesmo publicou uma reportagem aqui.

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